Hell-a
26 Perdida(s)
Notas iniciais
Eu disse que ia postar dois caps não disse?
Eu sou muito boazinha né?
Espero que gostem ^^
Deixa eu contar... eu fikei sem CPU um tempo, QUASE MORRI!
Catti’s POV
Eu realmente nunca tinha visto a Greene daquele jeito, raramente eu a via chorar mais coisas que mexiam com seus ídolos, a faziam chorar pra caramba. Eu ainda não acreditava que ela tivesse visto o Max se agarrando com alguém, não que isso não fosse provável porque tanto ele, quanto o Ronnie estavam com fogo com aquelas vagabundas daquelas figurantes, mas que ela tivesse visto, aí é outra coisa...
Bom pelo estado em que ela saiu eu resolvi num segundo que eu deveria segui-la porque ela não estava bem, aliás, nada bem. Do meu táxi eu via o dela se afastar cada vez mais, assim como a noite que descia cada vez mais escura sobre minha cabeça, eu estava tão presa em meus pensamentos que mal ouvi o taxista falar comigo:
— Senhorita?! – dizia ele. – Senhorita...
— AH, me desculpe! Pode falar... – disse eu secando minhas lágrimas.
— Desculpe-me, mas o táxi que a senhorita me pediu para seguir acabou de deixar uma menina, um pouco mais ali na frente... – disse ele, calmo.
— Onde?! Onde está a menina?! – perguntei, preocupada.
— Ali à frente daqueles coqueiros... – disse ele, apontando com o indicador.
— OK, pode me deixar por aqui mesmo, senhor? – perguntei soltando meu cinto de segurança.
— Claro... – disse ele, saindo por sua porta do carro e depois de dar a volta abriu a minha.
— Quanto devo ao senhor? – perguntei, pegando a carteira na bolsa.
— Sessenta dólares, senhorita. – disse o homem, olhando para mim.
— Aqui está, senhor. Muito obrigada! – eu disse, olhando para os lados procurando pela Greene, mas já estava bem escuro.
— Eu é que agradeço! – disse o homem sentando-se em seu banco de motorista e fechando a porta.
— AH só mais uma coisa, senhor! Daqui de onde estou tem algum táxi que possa me levar até o Heavens Hotel? Fica perto, não?- perguntei.
— Mais ou menos... olha, hoje é um dia em que os táxis estarão bastante ocupados de daqui a umas duas horas até amanhã, viu! Caso a senhorita não consiga resolver o que tem pra resolver em duas horas, sugiro que pegue um ônibus ali naquele ponto à sua esquerda... – disse o homem, prestativo.
— Como chama esse ônibus? – disse eu olhando para o ponto que o taxista havia me indicado.
— New Bridge Hotels e peça ao motorista que lhe mostre onde descer próximo ao Heavens.
— OK, muito obrigada novamente, senhor! – eu disse, forçando um sorriso agradecido.
— Por nada, senhorita! – disse o motorista saindo rapidamente com o táxi.
Depois que o homem saiu com o táxi foi que eu olhei para minha direita e vi que estava de frente para uma praia, onde o sol escondia seus últimos raios vermelhos mesclados com amarelo, o que seria lindo, se eu não estivesse tão preocupada com a Greene...
Carros e ônibus entupiam as ruas; buzinas para todo lado; pessoas apressadas transitando; alguns poucos casais andando de mãos dadas pela orla da praia; o barulho das ondas; alguns ambulantes juntando suas mercadorias; algumas pessoas limpando a praia.
Aquilo tudo estava me deixando tonta, mas eu não podia me deixar levar, tinha que procurar a Greene, até o momento em que eu a achasse, portanto, tirei meus sapatos, afundei meu pé na areia ainda quente pelo dia ensolarado de algumas horas antes, e tratei de andar pela areia perguntando para toda e qualquer pessoa que eu via sobre uma menina com as características da Greene:
- Senhor, será que viu uma garota mais ou menos da minha idade? Sim, cabelos castanhos, olhos escuros e mais alta que eu? Não?! – eu perguntava para um homem escorado num coqueiro. – Obrigada!
- Senhora, será que viu uma menina assim, parecida? Não? Ah, obrigada!
- Meninos, será que vocês viram uma menina com uma camiseta, erm... do The Strokes, eu acho? Sim, mais alta do que eu? Não?! – eu perguntava a um grupo de meninos sentados na areia da praia tocando violão. – OK.
- Desculpe atrapalhá-los, mas será que vocês não viram uma garota passar por aqui? Com uma camiseta do The Strokes? OK, obrigada. – perguntei a um casal de namorados que se abraçavam.
Depois de quase duas horas andando por aquela praia imensa, e sentindo como se ela fosse cada vez mais interminável, eu me sentei na areia, sobre meus sapatos e paralisei olhando o último raio de sol que levava consigo minha esperança de achar a Greene.
Diversas coisas passavam por minha cabeça, Greene chorando em algum lugar; Greene machucada ou estuprada; seus pais me xingando, me processando por não “cuidar” dela direito; meus pais chamando-me de irresponsável; os meninos colocando a polícia trás da gente; enfim eu realmente estava ferrada.
Era isso, não encontrariam a Greene e eu seria a culpada, sim, eu seria a culpada! E nem podia discordar, eu a deixei sair correndo, eu a deixei sair de perto de mim.
Greene não era uma criança, mas eu era sua responsável enquanto seus pais não estavam ali, sim, culpada, culpada, culpada! Onde ela estaria?! O medo, as lágrimas, o escuro da noite, o frio ia tomando conta de mim, a culpa.
Foi quando eu encontrei coragem em algum lugar e me levantei, eu tinha que continuar procurando por ela. Vi um grupo de hippies andando pela orla da praia, próximo de mim, cantarolando reggae e fumando maconha, a primeira coisa que pensei foi: “Olha só pra quem eu vou perguntar de alguém perdido! Vamos lá né?!”. E fui mesmo:
- Olá, será que vocês viram uma menina com uma camiseta do Strokes, calça de couro preta, cabelos e olhos castanhos e um pouco mais alta que eu? – perguntei, nutrindo uma esperança que nem eu mesma sabia de onde vinha.
- Aí, acho que... bem... Jones, vem cá... – disse uma menina, coçando a cabeça e olhos semicerrados.
- Eu aqui – disse o tal Jones.
- Você viu uma menina assim do jeito que a guria aí disse? – perguntou a menina.
- O Ralph viu melhor porque ele até disse que era bonitinha, AH tá, sim ela, bem, ela era parecida com essa daí que você está falando. – disse Jones, gesticulando para Ralph aproximar.
- Diga... – disse Ralph, jogando seu cigarro fora.
- Sabe aquela menina que tu achou bonita? Isso, ali pra trás? – dizia Jones. – Então, onde ela estava mesmo?
- Ali na frente do Coconut... – disse Ralph, tranquilo.
- O quiosque do Joey? – perguntou a menina.
- Esse aê! – respondeu Ralph, acendendo mais um cigarro.
- Então, moça, é só você seguir a praia e prestar atenção nos quiosques desse lado aqui, OK? Onde vimos a menina, quer dizer, onde o Ralph viu, foi ali no Coconut, isso um pouco mais pra frente, não muito. – disse a menina, fumando do cigarro que Ralph tinha acendido.
- Muito obrigada! Deus os abençoe! – eu disse, saindo correndo atrás do tal Coconut.
- Cada um que nos aparece né, pessoal?! – disse Jones, balançando a cabeça e todos continuaram a cantarolar pelo caminho da praia.
Comecei a correr feito louca, precisava saber se eles tinham visto mesmo a Greene, achá-la, quem sabe. E quando vi o letreiro escrito Coconuts, estaquei, me aproximei lentamente, pois eu vi um vulto encolhido num canto do quiosque, e pensei ser a Greene:
- Greene, é você? – perguntei.
A pessoa não respondeu.
- Greene, é você? – perguntei de novo.
- SIM, sou eu! – ela disse com voz embargada.
- AH Greene, porque você sumiu daquele jeito?! Fiquei umas três horas te procurando por aqui, nessa praia que não acaba nunca! – eu disse me aproximando dela.
- Eu os ouvi, Catti, ouvi e vi Max e aquela mulher se pegando no corredor! Sinceramente, não pude ficar por lá, eu sei o que eles iriam fazer, e AH não quero ficar lá perto. Simples assim, não quero!
- OK, eu entendo... talvez nem eu queira... – disse eu, pensativa.
- Você entende agora que aquela não é vida pra gente, Catti? – falou Greene, levantando a cabeça pela primeira vez.
- Mais ou menos! – eu disse, sincera.
- Pra eles nós sempre seremos crianças, não importa o quanto nós sejamos maduras, pra eles seremos sempre crianças e, além disso, eles sempre irão preferir esse tipo de mulheres, figurantes, e não meninas como nós! – disse Greene, fazendo aquilo cair como uma pedra em minha cabeça.
— Será, Greene? – perguntei, desacreditada.
— Claro que é... – disse ela.
— OK, vamos embora daqui? – eu perguntei meio que mandando.
— Não! – ela disse, convicta.
— Vamos sim, vamos para o Heavens! – eu disse.
— Não quero ir para o Heavens, eles irão nos achar lá e não quero olhar pra cara do Max de novo. – ela disse, mas eu não acreditei.
— Vamos sim, Greene, já está de noite, aliás, bem tarde pra ficarmos na rua! – eu argumentei.
- Não quero, já disse, vão achar a gente lá! – disse ela, olhando pra mim.
- A gente dá um jeito, sei lá, falamos com o Lucca, ficamos lá no Meaning e pronto, só ele, eu e você sabemos disso! Hein, vamos Greene, aí você está gelada, já! Tome a minha blusa! – eu disse quando limpava as lágrimas dela e vi que sua pele estava fria.
- Já disse que não quero! – resmungou ela.
- Por favor?! – eu pedia, tentando fazer minha melhor cara de cachorro abandonado.
- Não vou, e chega! – disse ela e voltou a abaixar a cabeça.
- CARAMBA GREENE, VOCÊ SABE QUANTAS MERDAS DE HORAS EU FIQUEI PROCURANDO VOCÊ POR AQUI? NÃO, NÉ?! POIS FORAM TRÊS HORAS INTEIRINHAS, SIM TRÊS HORAS E AGORA VOCÊ NÃO QUER VIR?! AH, MAS VOCÊ VIRÁ, NEM QUE EU TENHA QUE TE ARRASTAR DAQUI!! – berrei, impaciente com a criancice dela.
— OK, OK! Estou levantando já, tá?! Satisfeita?! – disse ela com a cara assustada.
- Dona Greene, dona Greene! – disse eu passando a mão na cabeça dela de leve e nós duas acabamos rindo.
Fomos do Coconuts até o ponto de ônibus relembrando as aventuras que passamos no Brasil, e assim que entramos no veículo pedi ao motorista que nos dissesse onde descer:
- Meninas, é aqui o ponto que vocês pediram! Até algum dia! – disse o motorista quando nós saltamos do ônibus.
- Greene, agora é a parte em que entramos pela parte de trás do Heavens! – eu disse, sorrindo de leve, mas apreensiva.
- Isso me lembra dos Greenadke, mas Ok vamos lá! – disse ela, com alguma tristeza no olhar.
Catti’s POV OFF
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