Hell-a
47 Aventuras pela madruga
Notas iniciais
Hehe, tava com saudade de Hell-A e corri aqui pra ler um pouquinho...
Percebi que a Greene (Marcella), esqueceu de colocar um capítulo antes do "Imaginando a cor do dinheiro", mas já coloquei aqui para vocês!
Divirtam-se ♥
Fazia anos que eu não entrava nisso e isso porque eu era acostumada a entrar pelo menos um pouco todos os dias. Dei mais um gole na minha Ice e juntando as últimas gotas de coragem que faltavam, dei refresh na página. Não sei se era medo dos garotos me responderem ou não me responderem, meu coração pulsava forte e eu juro que podia ouvir o da Greene pulando no mesmo ritmo que o meu ali ao meu lado, além disso ela estava olhando aflita para a tela:
- E se fomos só mais uma diversão para eles, Catti? – disse Greene, se esparramando na cama, mirando distraidamente o teto de seu quarto.
- Calma, Greene! Eu sei que foi de verdade, eu sinto isso! – eu disse com sinceridade e dei outro refresh na página. – Greene, olha! – disse tentando não gritar muito.
Alguém tinha me mandado uma mention, e bem vejam com seus próprios olhos:
“@blinkerland hey darling, @max_the_ripper is saying hi. Everything’s okay with you and @MahfoREVer6661? Miss you two D:” (“@blinkerland hey querida, @max_the_ripper está dizendo oi. Está tudo bem com você e a @MahfoREVer6661? Sinto falta das duas D:”)
- Catti, é o Ronnie, OMG!! – Greene disse com a mão na boca, não sei se assustada ou feliz.
- Não disse?! Max nos mandou um oi também! – eu disse sorrindo para ela, cujos olhos brilhavam.
- EU VIIIIIIII!! – disse ela gritando e segurando fortemente o colar do Max, como se ele fosse agora uma parte dela.
Eu tentei segurar sua boca para que ela não berrasse, mas não teve jeito. Quando ela percebeu a cagada que tinha feito gritando daquele jeito, colocou a mão na boca logo depois. E balbuciou pra mim:
– Esconde isso e rápido!! – ela disse apontando para o notebook.
Coloquei o notebook embaixo do meu travesseiro, me ajeitei na cama como se estivesse ressonando, coloquei devagar as garrafas de bebida embaixo da cama.
Escutei alguns passos pelo corredor e senti Greene ficar ofegante enquanto mantinha seus olhos fechados. O barulho da maçaneta ecoou pelo quarto juntamente com passos silenciosos da mãe da Greene:
- Essas meninas estão suando! – disse ela, rapidamente ligando o ar-condicionado. Mal ela sabia que não era por causa do calor, tudo bem que estava um calor infernal, realmente estava.
Ela saiu do quarto e fechou a porta, e quando eu e Greene não podíamos divisar som algum vindo do corredor, nos sentamos cada uma em sua respectiva cama e suspiramos pesadamente:
— Uffa essa foi por pouco hein?! – eu disse com a mão no peito.
- Abre rápido! – Greene pegou o notebook e o abriu rapidamente. Ele se acendeu e (THANKS GOD!) a página do twitter ainda estava aberta.
- Ainda bem que não desligou, não é? – eu sorri, aliviada.
- Pois é! Daria um trabalho danado até ele se conectar de novo! – disse Greene me entregando o notebook. – Responde ele! Anda responde o Ronnie, menina! – ela estava com os olhos brilhantes, totalmente apaixonada.
- O que é que eu fa-falo?! – perguntei olhando para ela com um certo desespero no olhar. E eu ficando gaga novamente (¬¬’)
- Catti tá xonada, meu povo! – disse Greene, fazendo pose e debochando com a minha cara repentinamente.
- Mas o quê?! – eu estava meio confusa.
- Dá para ver nos seus olhos que o Ronnie é tudo para você e que você gostaria de mandar aquele maldito curso de inglês e seu diploma para a, desculpe o palavreado, puta que pariu! – ela disse e eu ri, desculpe o palavreado, pra caralho!
- Acho que você está certa, acho não, tenho certeza! – eu disse e continuei rindo.
Encarei a tela do notebook e comecei a pensar no que dizer para eles. Sabe quando tudo o que dizer completamente se esvai da tua mente? Pois bem, isso quase nunca acontece comigo, mas nesse dia eu simplesmente não sabia o que dizer! Me detive a responder as perguntas que eles nos fizeram:
“@REDRUMRONNIE: hey baby, @MahfoREVer6661 is saying hi too. No nothing’s okay, you aren’t here with me D: We miss you two so much!” (“@REDRUMRONNIE Hey baby, @MahfoREVer6661 está dizendo oi também. Não, nada está okay, você não está aqui comigo D: Nós sentimos tanto a falta de vocês dois!”)
Apertei o botão tweet, respirando fundo, quando senti um olhar pesar sobre mim: era Greene, me olhando séria e pensativa, triste e feliz, ah sei lá porque ela me olhava daquele jeito.
- O que foi?! – perguntei olhando para ela.
- Nada demais! – ela disse olhando para baixo e segurando seu colar com força.
- O que foi, Greene?! – sabia que não era nada demais, ninguém fica assim por nada.
- Bem, é que eu queria ter aproveitado melhor meu tempo com o meu Ripper... – ela disse e sorriu doce, ainda segurando o colar.
- Eita calma, ainda temos a vida inteira para suportar esses dois! – eu disse rindo.
- É verdade. – Greene sorriu e olhou para o notebook. – Já respondeu?
- Sim, eu já respondi. – engoli em seco.
- E ele já respondeu?! – ela disse afobada.
- Nossa, calma! – eu disse.
- Desculpe! – disse Greene. – Acho que é saudade...
Esperei alguns minutos e dei o clássico refresh na página, não tinha nada, achei até que eles tinham ido dormir. Aqui já são três da manhã e eles não podem dormir tarde por causa dos negócios com a banda e tudo mais. Esperei mais alguns minutos, e se dessa vez não tiverem respondido eu desligo o notebook porque já estou esgotada, acho que tanto eu, quanto Greene. Dei o refresh novamente e vi que ele me respondeu, prestei atenção na tela e no que estava escrito.
“@blinkerland awn our girls miss their uncle Ronnie, that’s so cute *-*. Go to sleep, it’s too late!”.
Sorri doce com a mensagem do Ronnie. Como ele pode ser tão fofo? Acho que vou obedecê-lo e ir dormir mesmo, eu estou muito cansada, nem preguei o olho durante nosso voo, e olha que foram incontáveis horas. Estava sonhando tanto com qualquer coisa que juntasse Ronnie e LA que nem tinha percebido que a Greene estava falando comigo e pelo jeito já fazia um tempinho:
- O que foi Greene? — eu disse um pouco encabulada — Desculpe-me estava sonhando.
- Eu perguntei o que o Ronnie disse... – disse ela, ansiosa.
- Falou que estávamos com saudade do “titio Ronnie” e que era para gente ir dormir porque já está muito tarde! – respondi fazendo aspas com os dedos, e dando um sorriso sórdido para esse termo titio Ronnie.
- E você disse o quê? – perguntou-me Greene.
- Que já estávamos indo dormir porque eu estou muito cansada...
- Estou muito cansada também, mais alguns segundos eu durmo sentada. – Greene disse sorrindo e eu ri, concordando.
Desliguei o notebook, me ajeitei na cama e apaguei, só abri os olhos com a luz solar que entrava pela janela do quarto da Greene. Sentei-me na cama e esfreguei meu rosto para abrir os olhos e tentar enxergar alguma coisa. Greene não estava mais em sua cama.
Levantei-me fui ao banheiro, fiz toda a higiene necessária e desci pra cozinha. Greene estava sozinha com uma torrada na boca que a sujava toda de requeijão, eu olhei para ela e ri.
- Bom dia, Catti. – ela disse animada, sem se dar conta do requeijão todo sobre sua boca.
- Bom dia, Greene e bom dia bigode de requeijão! – disse zoando com a cara dela, flexionando o dedo acima da minha boca, como um bigode se mexendo.
- Eita! – ela disse, limpando a boca com um guardanapo – Nem pareço esfomeada né?! Se bem que sou mesmo uma esfomeada!
- Ah relaxa, somos duas! E eu como bem mais que você, e você sabe disso. – eu disse, abrindo a geladeira e procurando o leite. Sim, eu tinha essa liberdade com a Greene, sua casa e família, afinal a gente se conhece ao ponto de eu chamar o pai dela de tio, e ele não achar ruim, e o mesmo acontecia com ela e meu pai.
- Viu, esquecendo um pouco da comida eu tenho uma novidade que pode ser boa ou ruim... – disse Greene, se servindo de um gole de achocolatado — Bom sei lá, vamos ver o que você acha...
- OK, agora já pode me dizer... – eu disse, misturando o leite com achocolatado.
- Então, nossas mães querem nos levar dar um passeio pela cidade para comprarmos vestidos para o negócio do curso, parece que vai ter um tipo de festa de “graduação” – ela disse fazendo aspas no ar.
- Sério? – eu disse, surpresa. – Achei que era só pegarmos os diplomas e adeus, mas...
— Eu também! – disse Greene, limpando sua parte da mesa. – Agora vai começar toda aquela chatice de mãe querer uma coisa e filha querer outra e blábláblá...
— Nem me fale! – respondi me lembrando da formatura do Ensino Médio, que usei um vestido que minha mãe quis.
— Ah se eu trabalhasse, teria o direito de escolher o que eu quisesse e ter peito pra falar: “Eu que estou pagando, então sou eu quem escolhe e ponto final!” – disse Greene, momentaneamente meio revoltada.
— Concordo, já estou até ouvindo as mesmas frases de mãe, ecoando aqui pela minha cabeça e... – subitamente estaquei, tendo uma ideia.
— E??? – perguntou Greene, inquisitiva. – Ih, acho que meu posto de doida está passando pra você, porque olha, desde ontem você anda bem afetada, sabe, de um jeito meio esquisito... será que vir para o Brasil te afetou mais do que eu pen...
— Greene, nem te contei uma coisa... – eu disse, interrompendo-a.
— Céus, o que você escondeu de mim, dona Caterinne?! – perguntou ela, arregalando um pouco os olhos e vindo para o meu lado.
— Lembra que eu disse que fiquei um bom tempo juntando dinheiro para viajarmos? – eu disse tentando fazê-la acompanhar meu raciocínio.
— Lembro sim! – disse ela, comprimindo os olhos, tentando captar o que eu estava tentando dizer. – O que é que tem isso?
— O que é que tem é que sobrou uma graninha boa ainda, porque não ficamos todo tempo por lá, e acabamos não gastando tanto quanto pensei... – eu parecia conversar comigo mesma, rápida e num tom baixo. – E os dias que ficamos lá no Heavens com os Greenadke, eles fizeram questão de pagar... ou seja, o dinheiro está quase intacto, exceto por alguns dólares...
— Estou captando sua ideia... agora me diga: — disse Greene, ainda investigativa. – Quanto temos disponível? Quanto ainda temos? Anda, diga!
— Deixe-me fazer as contas...
Comecei a calcular mentalmente, cochichando um ou outro número, quando finalmente cheguei ao resultado, acabei gritando:
— Temos R$ 3,000 ou U$ 1,439, com um ou outro ajuste por conta da variação na cotação do dólar americano... – disse enfim.
— O QUÊ? – berrou Greene... – Desculpe, mas agora eu quero saber quanto tínhamos?
— Tínhamos R$ 5,000 reais ou U$ 2,4... – eu falava, mas Greene me interrompeu.
— OK já entendi... em reais, mas entendi... e olha, tínhamos e ainda temos uma boa grana hein?
— Esses dois mil e poucos que se subtraíram, foi por conta de passagens e tal... – eu disse, pensando na grana que ainda tínhamos.
— Caramba! – dizia Greene. – Estou bem surpresa hein... por isso você dizia que não tinha dinheiro pra nada... lembro que até perguntei pra ti se seus pais estavam com alguma dificuldade financeira e talz...
— HEHE! – eu respondi, sapeca. – Me desculpa por ter mentido pra você, minha Greene?
— Claro que desculpo... olha onde essa sua mentira foi nos levar?! – dizia Greene, surpresa. – Então... nós podemos gastar apenas R$1,000 dessa quantia né?
— Pra podermos voltar pra LA? – perguntei.
— Isso! – disse ela. – Eu sei que a escola vai pagar e talz, mas pra podermos gastar por nossa conta, é bom não gastarmos né?
— Ah sim, quer dizer não... – disse meio incerta. – Deixe-me fazer uma ligação?
— Claro! – disse Greene, ainda surpresa... – Caramba meu, que grana hein?!
Eu subi para utilizar o telefone do quarto da Greene, para confirmar minhas suspeitas sobre algo que eu já tinha quase certeza, queria mesmo era confirmar valores.
— Senhor Boretti? Bom dia! Sim, é Caterinne Kirsche quem fala. Eu queria confirmar aqueles valores que o senhor me passou em Agosto do ano passado... OK, aguardo sim! – esperei algum tempo, até que o homem me atendeu novamente. – Ah sim, esse valor mesmo né? Com correções monetárias ou não? Sim, ah sim obrigada! E me diga mais umas coisinhas, esse dinheiro pode ser manipulado por quais agências do seu banco espalhadas pelos EUA e Europa? Deixe-me repetir: Paris, Zurique, Lisboa, Hamburg, São Petersburgo, Amsterdã, Toscana, New York e Los Angeles? OK, obrigada novamente, Boretti... Agora minha última pergunta: eu tenho permissão tanto dos meus pais, quanto dos da Greene para mexer nesta conta com dezoito anos? Ah sim, eles autorizaram até este limite... não, está perfeito, senhor Boretti. Muito obrigada! Ah mais uma coisa: o cartão para retirar parte deste dinheiro poderá ser enviado para mim em até um mês? Sim?! OK, muito obrigada pelas informações, senhor Boretti. Tenha um ótimo dia! – e desliguei o telefone e em um segundo estava novamente na cozinha, tomando um copo d’água para depois contar pra Greene.
— OK, agora será que eu posso entender o porquê deste afobamento todo? – perguntou-me Greene, com uma sobrancelha erguida, era claro que isto já começara a irritá-la.
— Deixe-me apenas ficar mais calma, com a notícia que acabei de confirmar... e não, não aconteceu nada de ruim, Greene – ela se assustara com a palavra ‘notícia’ que eu sem querer proferi, esquecendo-me do peso que ela tem. – Só uns poucos minutinhos, por favor!
— OK, OK, já entendi... – disse Greene. – Que tal, enquanto você se acalma lavarmos esta louça e arrumarmos a cama lá em cima? – sugeriu ela.
— OK! – disse rapidamente.
Mal posso esperar para contar pra Greene sobre o conteúdo da ligação!
Catti’s POV OFF
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