Hell-a

46 Aquela realidade brasileira


Notas iniciais
Oi pessoas?
Tudo bem?
Agora semanalmente lanaçndo ficou bem mais fácil han?

As meninas chegaram a São Paulo e foram diretamente para a casa da Catti, por ser a mais próxima do aeroporto. Entretanto, neste percurso, a saudade de LA foi aumentando nos corações delas. Um táxi que parecia não ser tão amarelo e nem tão alegre como o de Los Angeles; seu motorista que não era tão engraçado e educado com Big Yellow e a vista, ah a vista não era tão brilhante e admirável quanto em Los Angeles.

Assim que chegaram à casa de Catti, as garotas foram recebidas com beijos e abraços. As duas estavam desanimadas – e não conseguiam uma maneira de esconder isso — então a mãe da Catti sugeriu uma pizza.

Enquanto a comida não chegava, estavam as duas no quarto da Catti. Lá tinha duas paredes brancas, intercaladas de duas pretas. Como o quarto dela era bem espaçoso, ela dormia numa enorme cama box de casal encostada na parede branca de frente para porta, seu edredom era vermelho o que chamava atenção por ser de um vermelho bem vivo da cor de uma rosa, ou se preferir, de sangue. Duas de suas paredes eram lotadas até o meio de pôsteres de várias bandas adoradas pelas duas garotas, do lado esquerdo da cama saia uma escrivaninha comprida que passava pela parede com os posteres abarrotadas de lápis, canetas, cadernos, dois ou três fones de ouvido grandões, alguns pen-drives e um computador.

Na parede preta livre havia um grande guarda-roupa todo feito em pau-preto – aquela madeira bem escura africana – que tinha como dobradiças o símbolo do blink-182.

Greene estava deitada na cama, brisando em suas músicas, enquanto Catti tomava banho:

- Sabe que já estou com saudades daqueles idiotas?! – Greene disse em um tom que Catti pudesse ouvir.

- Eu também... muita. – ela respondeu gritando do banheiro.

- Foi inesquecível estar lá com eles... – disse Greene, apertando o colar que Max lhe dera contra o peito.

- Como assim “foi”?! – surpreendeu-se Catti, secando os cabelos em frente a pia do banheiro. – Greene, nós vamos nos reencontrar! Eu prometo para você! – Catti se enrolando em seu roupão azul-marinho e saindo do banheiro. Ela caminhou até Greene e deu um beijo em sua testa e exclamou novamente – Eu prometo à você que voltaremos!

- É, eu espero que sim... – disse Greene, deixando o olhar vago por alguns instantes – Catti, será que você me dá uma licencinha, pra eu ligar eu para minha mãe? Avisar que chegamos bem e tal? – disse ela se levantando.

- Claro que sim, Greenezinha! – disse Catti sorrindo.

Greene desceu um lance de escada até a sala de estar onde ficava o telefone. Respirou fundo e ligou para sua mãe, afinal, ouvir de sua própria boca que ela estava bem, e pior, que estava de volta ao Brasil, era um tanto quanto doloroso, depois de tudo o que viveram e gostariam de ter continuado a viver nos EUA.

O telefone tocou cinco vezes até que uma voz feminina e familiar ecoou na cabeça de Greene em um “Alô”:

- Alô? Mãe? – disse Greene, com certo nó na garganta.

- Mah, filha, tudo bem com você?! Já decidiu quando voltar?! Você tem que pegar seu diploma!

- Mamãe, eu te falei ontem que eu iria voltar hoje! Já estou na cidade, estou aqui na casa da Catti, vou só comer e já vou para aí.

- Okay filha! Estou morrendo de saudades! – disse a mãe de Greene, com a voz emocionada por ter a filha perto novamente. – Amo você, Marcella!

- Eu também mamãe... Ah mãe, faz um favor? Não conte para ninguém que eu voltei... vou fazer uma surpresa e talvez leve a Catti comigo para passar a noite em casa, OK? – perguntou Greene, meio incerta.

- Tudo bem filha, beijos e até logo. – a mãe de Greene havia desligado o telefone e só o que ela pôde ouvir foi o ‘tu tu tu’ do outro lado. Ela ficou alguns segundos com o telefone no ouvido, mas logo o descansou na base e voltou para se jogar na cama de Catti.

- Catti, você quer dormir em casa hoje? – Greene perguntou mordendo o lábio inferior à espera da resposta.

- Claro, vamos festejar, afinal, depois de amanhã é a entrega dos diplomas! – disse Catti, animada e tentando de tudo para animar Greene também

Greene’s POV

Catti sempre faz de tudo para não deixar que a tristeza, e principalmente ela se abata sobre ninguém que ande com ela, mas é certo que no dia em que chegamos, um sentimento de perda nos rodeava, e ela mais do que nunca tentava não lembrar muito dos momentos em Hell-A... mas mais de uma vez desde que chegamos eu a vi limpar uma ou outra lágrima dos olhos... Pois, nós duas sabemos como vida de rockstar é inconstante... Acho que nós duas temos é um medo absurdo de voltarmos pra LA e os Greenadke nem sequer lembrarem nossos nomes...

Greene’s POV OFF

Elas ouviram de longe a mãe de Catti avisar que a pizza tinha chego:

— Já vamos mãe, a Greene só vai tomar um banho rápido aqui! – gritou Catti, penteando os cabelos e colocando uma música em seu rádio: seu CD auto intitulado do blink182., que era umas das poucas coisas que sabia muito bem alegrá-la.

Alguns poucos minutos depois Greene saiu do banho já na vibe do blink182 e um pouco animadinha e as duas desceram pra comer. Sentaram-se à mesa acompanhadas do pai, da mãe e da irmã mais nova de Catti, respondendo uma ou outra pergunta que os pais de Catti faziam entre uma garfada e outra, de resto elas comiam silenciosamente.

- Mãe, pai, vou dormir na Greene hoje, tá? – disse Catti, sorrindo para Greene que sorriu de volta.

- Tudo bem filha, se divirtam! – disse a mãe de Catti sorrindo.

- Olha lá hein, não vá dar trabalho para os pais da Mah, OK? – disse o pai da Catti, fazendo cara de bravo.

- Ah tá, pai! – disse a Catti, meio encabulada.

Depois de comer as garotas arrumaram as coisas que iam levar, entraram em um táxi e foram quietas até a casa de Greene que não era tão perto, mas também não tão longe.

Quando chegaram foram recebidas com mais e mais abraços e beijos, era meio estranho receber abraços e beijos assim do nada, principalmente quando não eram acostumadas à isso, pelo menos não com aquelas pessoas.

Elas entraram no quarto de Greene, que Catti sempre ficava besta com ele. O local era todo feito em um tom de azul meio escuro mais não chegava a ser marinho, quando se podia enxerga-lo pois praticamente todas as paredes estavam lotadas, repito lotadas, de pôsteres.

Uma escrivaninha de madeira clara enfeitava um dos cantos do quarto, sobre ela repousavam um computador, uma televisão, e um pouco mais acima na parede, uma prateleira cheia de livros, CDs e DVDs. Uma cama de solteiro se encontrava acoplada à direita da escrivaninha. No outro canto do quarto tinha um armário que ocupava toda a parede, possivelmente a menos cheia de pôsteres.

Como um ritual, sempre que elas estão no quarto de Greene, estacam próximo ao canto que fica de frente para a porta, ao que elas denominaram ‘Canto Greenadke’ – um local reservado apenas para coisas e mais coisas relativas a Max Green e Ronnie Radke, pôsteres, CDs, fotos impressas, montagens e até dois moldes de papelão feitos com fotos ampliadas deles. Mais para a esquerda do Canto Greenadke, Greene conservava um mural com fotos das duas juntas em diversas poses e locais. Quando pensaram na amizade entre elas e o quanto já tinham se divertido, chorado e vivido juntas , riram e começaram a arrumar as camas.

Catti dormiu na bicama do lado da Greene, elas se deitaram e esperaram as pessoas da casa dormir para poderem conversar direitinho, sem ter que baixar muito o tom ou falar por códigos. Depois de algum tempo elas conseguiram ver pelo vão da porta que as luzes foram apagadas e enfim se sentaram nas camas.

- Greene, pronto, já pode pegar o notebook! – disse Catti batendo palminhas de um jeito afetado e depois começou a rir de si mesma.

- Hey, a maluca daqui sou eu, okay? – disse Greene, cruzando os braços e quase derrubando o coitado do notebook, se não fosse pela cama, ele já estaria espatifado no chão e pior fazendo um barulho de acordar até os pais da Catti a quilômetros dali. [Nossa, nem exagerei agora né?]

- VOCÊ É LOUCA?! – disse Catti, em desespero levando a mão no peito.

- Viu?! Eu te disse! – finalizou Greene meio incerta, afinal o acontecimento não foi previsto como ela queria fazer parecer.

Catti’s POV

Olha só um POV depois de anos sem nenhum meu, bom vamos ao que interessa! Depois da Greene quase me matar do coração por ter derrubado o notebook nós o ligamos e deixamos nossos corações batendo mais forte e rápido por causa da adrenalina de entrar no notebook as escondidas, vai dizer que nunca sentiu isso?!

- Eu tenho umas coisinhas aqui... – disse Greene indo em direção ao banheiro do quarto e voltando com uma garrafa de Jack Daniels numa mão e algumas de Smirnoff Ice na outra.

- De onde você tirou isso?!?! – perguntei surpresa, enquanto ela me entregava uma Ice. – E estão geladas! – eu disse ao encostar na garrafa.

- É que um pouco antes de irmos viajar, eu comprei um frigobar e o coloquei dentro do armário do banheiro... – ela disse com um sorriso sapeca.

- E a senhorita acha isso bonito, é?! – eu disse a repreendendo, mas rindo logo em seguida.

Abrimos nossas respectivas garrafinhas, brindamos a sabe-la-o-quê e assim que ligamos o note e ele se conectou com a internet, corremos entrar no Twitter, digo, eu entrei no meu porque o notebook estava no meu colo e estávamos as duas sentadas na cama da Greene.

Entrei em choque quando eu abri a página inicial e vi que os garotos estavam tweetando ou retweetando coisas, o que pensar? Meu coração começou a bater como uma bateria fazendo solo em show do Slipknot, por que ainda tenho esse pavor de falar com eles? Eu não sei, mas parece que voltei aos meus dias de adolescente sonhadora, fangirl, essas coisas... E aí quando eu estava tomando coragem para falar com eles, resolvi antes dar sinal de vida para meus followers:

“Aqui estou em casa com a @MahfoREVer6661, passamos ótimas ‘férias’ em LA. Os melhores dias da minha vida!”

Notas finais
Reviews?