Hell Is My Sweet Destiny
4 I'll See You Again?
Notas iniciais
O abraço que era para ter sido rápido, acabou durando uma meia hora. Kurt sentia a falta de Blaine, assim como o Anderson sentia falta do castanho. Era difícil ficar tão próximo de Kurt, ainda mais que tudo que Blaine escutava era as veias pulsantes e o coração acelerado do castanho. Era de enlouquecer.
Eles sentaram-se lado a lado no sofá, cuidando ao máximo para não ter risco algum de suas peles se tocarem.
— O que você tem feito ultimamente? – Kurt perguntou após secar todas as lágrimas teimosas que não paravam de cair.
— Bebido sangue?! – Blaine riu, fazendo Kurt também rir. – Eu fiz alguns amigos, como a Quinn e o Seb. Eles são legais, até. Aliás, Seb quase enlouqueceu, porque o namorado dele é seu novo amiguinho.
— Por que eu senti um ciúme enorme exalando desse “amiguinho” aí? – Brincou o castanho, vendo Blaine rir de novo.
O sorriso de Blaine era uma das coisas que Kurt mais sentia falta. Ele simplesmente amava o sorriso do moreno. Aquele era o sorriso capaz de curar qualquer dor que ele viesse a sentir. Parecia que toda a mágoa dos últimos tempos agora estava absorta no passado e o que restara ali fora apenas sua alegria.
— Porque eu senti um ciúme enorme quando vi vocês dois juntos. Principalmente porque eu vi você sorrindo para ele. – Admitiu Blaine, fazendo Kurt sorrir novamente.
— Elliot é meu amigo. E ele me falou muito desse tal de Sebastian. – Afirmou Kurt. – Eu e ele estávamos passando pela mesma coisa, era normal que ambos sentíssemos a falta de vocês e encontrássemos um ao outro para chorar as mágoas.
Os dois voltaram a rir e ficaram conversando por horas ainda. Depois Kurt se escorou nas pernas de Blaine e acabou adormecendo. O moreno deveria ter ido embora, mas ficou lá. Ele queria matar mais um pouco da saudade.
[...]
Enquanto Blaine estava com Kurt, Sebastian estava observando Elliot. Ele viu o moreno chegar na casa e apareceu na frente dele, o deixando paralisado. Ele tentou se aproximar, mas não obteve sucesso.
— Seb? É você mesmo? – Perguntou sem acreditar.
— Sim, meu amor. Sou eu. – Sebastian disse chegando mais perto, mas ficando em uma distância segura. – Não posso tocar em você.
— Porque isso me transformaria, certo? – O castanho assentiu. – Mas a saudade é muita, eu não posso aguentar.
— Sei disso, também sinto sua falta, mas ser como eu sou é horrível.
— Eu não ligo. Não se isso fizer eu ficar perto de você. – Elliot novamente se aproximou e, ao ver que Sebastian se afastaria, o prensou contra a parede. – Eu quero isso.
Sebastian perdeu todos os seus sentidos ao ouvir aquela voz tão de perto e simplesmente o beijou, sem pensar em mais nada. Ele queria aquilo, não podia negar.
Ele só não pensou nas consequências de seus atos e, infelizmente, haveriam muitas.
[...]
Blaine continuava a observar Kurt dormir. O castanho estava com uma expressão tão serena, tão tranquila, tão linda. O moreno o pegou nos braços e o levou até o quarto, o colocando sobre a cama, aproveitando para ficar mais um tempo o observando.
Ele poderia ficar ali o dia inteiro que não iria se importar. Ele gostava de admirar o namorado. O único problema é que eles não podiam mais namorar. Blaine não podia mais oferecer tudo o que Kurt precisava. Ele só podia oferecer coisas ruins. A única coisa boa que ainda podia oferecer, era a sua companhia. Mas de que adiantava?
Ele nem podia tocar em Kurt, mal podia abraçá-lo. Só o abraçou porque ambos estavam cheios de roupas.
— Eu não quero te perder... – Kurt falou sonolento, encarando Blaine, que também o encarava.
— Sei disso. – Afirmou ele. – Mas eu te amo demais para arriscar sua vida.
— Eu sei, B. Mas para me proteger você vai se afastar? Eu não consigo viver sem você. Tirei a prova disso nesse tempo que passamos separados. – O castanho sentou na cama e olhou fixamente nos olhos de Blaine. – Sei que deve ser difícil para você toda essa situação. Acredito que deva doer mais em você do que em mim até, mas me machuca muito não saber onde você está, ou se você está bem, se está alimentado, se não está com frio, se dormiu bem. Sabe?
— Amor, eu não durmo mais, não como ou bebo nada além de sangue, eu não sinto nem frio nem calor, não respiro, não sinto nada. Não sei nem como ainda tenho sentimentos, mas sei que tenho, porque te amo. Eu vou estar sempre por perto para garantir que você esteja bem, mas eu não sei... é perigoso.
— Tudo nesse mundo é perigoso. – Blaine levantou sorrindo ao ouvir aquilo.
— Eu te amo. – Ele ia se retirando do quarto, mas Kurt correu atrás dele.
— Eu também te amo. – O castanho o abraçou, o apertando forte. – Eu vou te ver de novo?
— Quem sabe nos seus sonhos. – Brincou o moreno. – Olhe para o escuro, estarei lá.
Blaine se despediu de Kurt e foi embora, quase saltitando de alegria. Ele ia direto para o esconderijo dele, mas precisou se alimentar antes. Após sua refeição, que não estava muito boa, ele se dirigiu ao encontro de Sebastian e o encontrou todo sujo de sangue. Mas não parecia que ele tinha se alimentado, parecia que tinha tomado literalmente um banho de sangue.
— O que foi que aconteceu? – Blaine perguntou um pouco assustado, pegando uma toalha para limpar um pouco o castanho.
— Eu criei um monstro. – Ele disse quase chorando.
— Oh, não... o que você fez? – Blaine simplesmente largou a toalha e se atirou no sofá, já esperando pelo pior.
— Eu beijei o Elli... – Disse um pouco baixo. – Eu juro que eu não queria, deixei ele me hipnotizar com aqueles olhos lindos dele e me entreguei. Mas era justamente isso que ele queria, ele queria ser transformado. Eu só não pensei que ele fosse fazer o que fez.
— E o que ele fez, Sebastian? – O Anderson praticamente rosnou ao falar. Ele estava com muita raiva, havia cuidado ao máximo para não encostar em Kurt ou transformar qualquer pessoa e, na primeira oportunidade, o Smythe fez o contrário.
— Matou cinquenta e duas pessoas. Eu tentei impedir ele, de todas as maneiras, mas eu não consegui. Por isso estou todo sujo de sangue, eu acabei me sujando, ele foi muito violento, senti até pena das pessoas.
— Você é muito burro, Sebastian. – Explodiu Blaine. – Você deveria ter quebrado o pescoço dele.
— Eu não consegui, ele foi mais rápido. E eu o amo, pensei que ele sentisse o mesmo, mas não sente. Pelo visto ele está apaixonado pelo seu menino e, se eu fosse você, eu correria, porque ele vai atrás dele.
— Oh, não, meu Kurt não...
[...]
Do outro lado da cidade, lá estava Kurt, com um sorriso de orelha a orelha. Ele podia ter ficado pouco tempo com Blaine, mas pelo menos sabia que o moreno não estava morto. Pelo menos não completamente, apenas parcialmente.
Já era tarde da noite, Kurt ouviu a campainha tocar. Abriu a porta e tomou um susto. Um moreno todo sujo de sangue, com um sorriso maléfico nos lábios e um olhar sombrio estava parado, o encarando como se quisesse literalmente devorá-lo.
— Elliot?!
Fale com o autor