Notas iniciais
Cheguei com mais uma, agora uma coisa mais psico, não? Boa leitura! ♥

Já era tarde da noite, Kurt ouviu a campainha tocar. Abriu a porta e tomou um susto. Um moreno todo sujo de sangue, com um sorriso maléfico nos lábios e um olhar sombrio estava parado, o encarando como se quisesse literalmente devorá-lo.

— Elliot?!

— Olá, Kurt. – Elliot disse com um sorriso ainda mais diabólico no rosto. – Estava sentindo sua falta.

— O que aconteceu com você? – Kurt perguntou, se afastando cada vez mais do moreno que o encarava e se aproximava dele.

— Comigo? Não aconteceu nada... mas com você, sinto que vai acontecer algo. – Elliot continuava sombrio. – Sabe, estou com uma fome...

Kurt sentiu um medo tomar conta de si e do nada foi puxado por alguém e quando olhou novamente não estava mais no apartamento. Se virou para trás e viu Blaine o encarando.

— Que droga foi aquela? O que aconteceu com ele? – Kurt perguntou aflito, sorte a dele Blaine existir, ou ele não estaria mais vivo em uma hora dessas.

— Sebastian beijou ele e ele se tornou vampiro. Ele quer você e eu acredito que isso não seja um bom sinal. – Explicou o moreno. – Ele não encostou em você, não é?

— Não, você chegou a tempo. – Afirmou Kurt. – Obrigado, amor.

— Eu pirei ao ouvir que ele estava indo atrás de você. – Blaine se aproximou mais do castanho e o puxou para um abraço, cuidando para não encostar sua pele na dele. – Eu te amo tanto, Kurt.

— Eu também te amo.

Os dias se passaram de maneira arrastada. Kurt e Blaine passavam todo o tempo que podiam juntos, até porque eles tinham invadido a antiga casa de Kurt, pois era o único lugar onde eles podiam manter o castanho a salvo.

Kurt contou a Blaine que está estudando sobre uma possível cura para o vampirismo dele, mas que os testes não surtiram muito efeito até o atual momento. Blaine queria, mais do que tudo, uma cura para esse seu estado atual e, por mais que não acreditasse que aquilo era possível, ele não conseguiu desmotivar o namorado.

Era péssimo ficar tão próximo de Kurt sem poder tocá-lo, beijá-lo, senti-lo. Sabia que era a única maneira de ficar perto dele, era um preço muito alto a se pagar, mas era melhor do que ficar afastado do seu amor.

O moreno não acreditava que podia ainda amar após ser transformado, mas naquele dia quando viu Kurt, tudo pareceu desaparecer em sua volta e tudo que importava era Kurt. O seu menino.

— B, desculpa te perguntar isso, mas... como você se controla perto de mim? – Kurt perguntou um pouco baixo, abraçado a Blaine no sofá.

— Não é nada fácil, porque tudo que eu escuto perto de você é o seu coração batendo e seu sangue percorrendo suas veias. – Confessou ele. – Mas meu amor por você fala mais alto do que qualquer outra coisa, aí fica fácil.

— Como é ser um vampiro? – Blaine precisou rir da curiosidade de Kurt.

— É horrível, odeio ter que tomar sangue. Odeio tudo isso que minha vida se tornou. Eu fiz amizade com Sebastian, ele é legal, mas por culpa dele Elliot é o que é e está disposto a te matar, pelo que vi.

— Será que ele quer me matar ou transformar?

— Não me importo, porque não vou deixar nenhuma dessas coisas acontecer com você. Eu prometo que nada de ruim vai te acontecer, ok? Nunca. – Kurt se virou e encarou o moreno.

— Cada dia tem menos humanos, B. Cada dia vai ter menos gente para você se alimentar. E aí? O que vai acontecer?

— Eu vou secar. – Falou como se fosse a coisa mais natural do mundo.

— E eu? Como fico? Você vai morrer e acabou, mas e...

— Morto eu já estou. – Blaine riu, mas Kurt continuava sério.

— Blaine, você é a única pessoa que me sobrou, além de sempre ter sido uma das que mais amei e amo. Você acha que vai ser fácil te perder? Durante o tempo que ficamos separados tudo que eu pensava era em você, porque sempre que algo ruim acontecia você estava ao meu lado. Mas como superar a dor de perder você? – Kurt estava chorando e Blaine se sentia péssimo por não poder nem secar as lágrimas dele.

— Amor, e-eu... – As palavras fugiram dele. – Eu sinto muito, ok? Mas não há nada que eu possa fazer.

— Na verdade tem. – Kurt tirou um tubinho de seu casaco. – Lembra que eu falei sobre os testes que estávamos fazendo? Então, esse aqui deu certo com um dos vampiros que testamos.

— Kurt, esquece isso. Isso não vai dar certo. – Blaine percebeu a irritação que ficou em Kurt após ele dizer aquilo. – Desculpa, eu não quis...

— Você não me quer mais? Porque se for isso, é só você dizer. – Blaine puxou Kurt mais para perto e o enrolou em seus braços. – Canta para mim?

Blaine apenas assentiu. Como negaria um pedido daqueles para Kurt? Ele não teria coragem de simplesmente dizer que não. Era impossível.

Don't cry, you're mine

(Não chore, você é meu)

For forever, for forever

(Para sempre, para sempre)

I need, you now

(Eu preciso de você agora)

More than ever, more than ever

(Mais do que nunca, mais do que nunca)

Blaine apertava Kurt contra si enquanto cantava tranquilamente. Kurt sempre amou ouvir Blaine cantar. Era como se ele entrasse em um transe delicioso de onde não queria mais sair. Era como estar sonhando acordado. Aquela voz era maravilhosa para ele.

Kurt sentira tanta falta do moreno antes de eles se reencontrarem, que estar ali agora era como uma benção. Queria permanecer ali para sempre, queria poder congelar o tempo naquele momento, ou dormir e sonhar com aquilo eternamente.

Head full of lies, sun in my eyes

(Cabeça cheia de mentiras, sol em meus olhos)

You make it easy, don't look away

(Você torna mais fácil, não desvie o olhar)

These are the days, you gotta believe me

(Estes são os dias, você tem que acreditar em mim)

Era horrível pensar que mesmo sendo imortal os dias de Blaine poderiam estar contados, já que o moreno não teria humanos dos quais se alimentar para sempre.

Outra coisa horrível era imaginar que Blaine continuaria jovem e lindo, enquanto Kurt em poucos anos já estaria mais velho que ele em aparência, mesmo sendo quatro anos mais jovem.

When we're lost in a desert night

(Quando estamos perdidos em um deserto noite)

And we're chasing our paradise

(E nós estamos perseguindo nosso paraíso)

When we can't fight another fight

(Quando nós não podemos lutar outra luta)

We're gonna make it, you're my oasis

(Nós vamos fazer isso, você é o meu oásis)

Kurt queria, mais do que tudo, encontrar uma solução para eles. Uma maneira que pudessem continuar juntos, porém de uma maneira real e não a ilusão que criaram um com o outro. Estavam tão perto e ao mesmo tempo tão longe.

Queriam poder se tocar, se beijar, se abraçar de uma maneira decente. Eles só queriam viver juntos. Isso era pedir demais?

This life, is made

(Essa vida, está feita)

For each other, for each other

(Para cada um, para cada um)

Crossed lines, mistakes

(Linhas cruzadas, erros)

There's no other, there's no other

(Não há nenhum outro, não há nenhum outro)

Infelizmente talvez fosse sim pedir demais. Talvez aquele fosse um aviso do destino dizendo que eles não deveriam ficar juntos.

Mas é claro que eles não ligavam para isso. Seus sentimentos falavam, ou melhor, gritavam para eles seguirem seus instintos. Não literalmente, porque se Blaine seguisse seus instintos ele iria beber Kurt e isso não seria algo muito legal.

Head full of lies, sun in my eyes

(Cabeça cheia de mentiras, sol em meus olhos)

You make it easy, nowhere to go

(Você torna mais fácil, nenhum lugar para ir)

I'm already home, you gotta believe me

(Eu já estou em casa, você tem que acreditar em mim)

Kurt continuava a chorar, mas ia se acalmando aos poucos. Se sentia triste, não queria negar ou esconder seus sentimentos, os quais sempre foram muito visíveis para Blaine. O moreno sabia de tudo que se passava na cabeça de Kurt e muitas vezes nem precisava perguntar.

Eles sempre sabiam. Era como se fossem mesmo almas gêmeas que graças a forças maiores tiveram a oportunidade de se encontrarem novamente naquela vida.

When we're lost in a desert night

(Quando estamos perdidos em um deserto noite)

And we're chasing our paradise

(E nós estamos perseguindo nosso paraíso)

When we can't fight another fight

(Quando nós não podemos lutar outra luta)

We're gonna make it, you're my oasis

(Nós vamos fazer isso, você é o meu oásis)

Blaine se sentia perdido, não sabia que caminho tomar, que estrada seguir, que direção ir. Sabia que no final de todo seu percurso queria estra com Kurt, mas o que fazia até chegar lá?

Era uma jornada sem nenhuma dica sobre o que aconteceria no final. E se ele chegasse ao final e não encontrasse nada além de dor, sofrimento e tristeza?

As I roam through the wasteland

(Enquanto eu vagar pelo deserto)

You're the one thing I need

(Você é a única coisa que eu preciso)

I see you off in the distance

(Eu vejo você à distância)

You're my oasis

(Você é o meu oásis)

— Na noite que tudo isso aconteceu eu ia pedir você em casamento... – Soltou Blaine, ainda abraçado em Kurt.

— Sério? – Kurt se virou rapidamente. – E eu aceito, nem precisa pedir.

— Não posso mais me dar o luxo de casar com você, K. Não importa o quanto eu te ame. Estou fadado e viver ao lado do Demônio. – Blaine disse um pouco triste. – Você sabe que o inferno é o meu destino.

— Não, não é. Podemos dar um jeito nisso. – Kurt já estava chorando novamente.

— Ok, quer tentar ver no que dá? Me dá aquele tubinho que você tinha em mãos, eu vou tomar essa droga. – Blaine pediu e o castanho botou o tubo em sua mão.

O moreno tomou o pouco de líquido que estava ali dentro e se sentiu um pouco estranho, como se o pouco de ser humano que restava dentro de si tivesse simplesmente ido embora.

— Blaine, o que aconteceu? Seus olhos estão pretos demais. – Kurt disse se levantando.

— K-kurt, foge... – Pediu o moreno. – Eu não sei o que está acontecendo comigo.

— O que você está sentindo? Me fala. Não vou fugir de você. – Kurt disse e se aproximou, vendo em Blaine o mesmo sorriso que havia visto em Elliot no outro dia.

— Fome, é isso que estou sentindo, Kurt. Eu quero cravar meus dentes no seu pescoço e beber seu sangue. Eu mandei você fugir, você não fugiu. Agora lide com a minha sede!

Notas finais
Gostaram? Espero que sim *--* Bjo ♥