Hell Is My Sweet Destiny
3 I Have To Run
Notas iniciais
Blaine continuou a olhar para o seu amor, que estava praticamente em sua frente e olhava freneticamente para todos os lados. O moreno se desesperou de ver aquilo, largou o corpo que tinha em seus braços e limpou sua boca com a manga de seu moletom. Ele se escondeu atrás da árvore e ficou observando por mais um tempo.
Ele teve um mini ataque ao ver um rapaz rindo para Kurt e só piorou ao ver que Kurt sorriu de volta.
Quem era aquele idiota de cabelo preto? Quem ele pensava que era para estar tocando em seu amor?
Blaine se repreendeu mentalmente. Ele estava morto, não podia mais correr atrás de Kurt. Precisava fugir e deixar o castanho seguir com sua vida. Ele merecia viver feliz com alguém que o fizesse bem.
O Anderson saiu de trás da árvore e andou em direção ao seu esconderijo, que era o lugar que agora chamava de casa. Ao chegar lá, encontrou Sebastian atirado de qualquer jeito.
Sebastian era recém-criado como ele e havia se tornado um bom amigo.
— Você está bem? – Perguntou Sebastian, observando o amigo cair na cadeira ao seu lado.
— Não, nem um pouco. – Blaine se sentiu triste. Nem sabia que ainda tinha sentimentos.
— O que houve?
— Eu vi o meu namorado. Quer dizer... ele era meu namorado antes de tudo isso acontecer. Morri na noite que iria pedi-lo em casamento. – Blaine riu sem graça. – Eu nunca amei alguém da maneira que eu o amava e agora eu não posso nem chegar perto dele.
— Vocês namoraram por quanto tempo? Você não precisa responder se não quiser, eu só sou curioso. – Sebastian riu.
— Não me importo de falar. – Disse o moreno. – Conheci ele quando ele nasceu. Eu tinha quatro anos de idade, nossos pais eram amigos. Eu vi ele crescer, viramos amigos, melhores amigos, até que começamos a nos interessar um pelo outro. Quando ele tinha doze anos e eu quase dezesseis, no aniversário dele mais especificamente, eu perguntei o que ele queria de aniversário e ele disse que queria um beijo meu. Desde então estamos juntos, fazem praticamente cinco anos.
— Ele foi o seu primeiro namorado? – Perguntou Sebastian, ele era uma pessoa extremamente curiosa e também havia perdido o namorado no meio de toda a confusão que aconteceu.
— Meu primeiro amor, meu primeiro namorado, meu primeiro tudo. Amo ele mais que tudo nesse mundo... Eu fico pensando, será que ele ainda pensa em mim? Quando eu o vi ele estava sorrindo para um cara de cabelo preto cheio de gel.
— Bem parecido com você, então. – Brincou Sebastian. – Espera... como ele era?
— Mais alto que eu, cabelo preto com um topete, aparentemente olhos claros...
— Oh, não, Blaine. Seu namorado encontrou o meu. – O Smythe poderia estar brincando, mas Blaine levou a sério. – O seu menino encontrou o meu. Inacreditável.
Blaine mal podia acreditar naquilo, levantou e puxou Sebastian, dizendo que ia tirar essa história a limpo – claro que antes ele trocou de roupa, já que estava todo sujo de sangue.
Eles chegaram no mesmo local onde Blaine tinha visto Kurt anteriormente e ficou esperando para ver se ele iria novamente aparecer por ali.
— Blaine, é ali que eles estão estudando uma cura para nós e mantendo os vampiros presos. – Comentou Sebastian, observando o grande prédio.
— Lá está Kurt e o cara que falei. – Blaine apontou para os dois e o queixo de Sebastian simplesmente caiu.
— Elliot. – Sebastian falou ainda encarando. Kurt e o tal Elliot viraram na direção deles. Blaine foi rápido o suficiente para desviar o olhar, mas Sebastian permaneceu parado.
— Sebastian, saia daí, eles vão te ver e te pegar. – Blaine rapidamente empurrou Sebastian, já que o mesmo continuou no mesmo lugar.
Os dois se abrigaram em um canto escuro e ficaram observando os outros dois.
— Você precisa falar com ele. – Comentou Sebastian. – Você pode explicar para ele a sua condição e eu aposto que ele vai entender.
— Sebastian, você enlouqueceu, por um acaso? Não posso fazer isso com ele, nem comigo. Não posso nem tocá-lo sem matá-lo, fora que ele com certeza vai me prender junto com os outros vampiros. – Contestou Blaine, fazendo o outro revirar os olhos.
— Pelo menos tente, ok? Se ele tentar prender você, é só você fugir. É rápido o suficiente para isso, não é? – Argumentou Sebastian e agora quem revirou os olhos foi Blaine.
O moreno apenas encarou o amigo. Sabia como ele era teimoso e sabia que não pararia até convencê-lo a falar com Kurt, então decidiu não lutar contra.
Resolveu ir até o seu antigo apartamento para ver se suas roupas permaneciam lá, se impressionou ao ver que sim. Pegou algumas mudas e botou na mochila para os próximos dias, pegou outra e vestiu. Sentiu um perfume doce no ar e automaticamente o reconheceu: Kurt esteve ali.
Levou um sustou quando viu a porta ser aberta e viu Kurt entrar pela mesma. Se escondeu e ficou o observando de canto, qualquer coisa era só ele fugir por uma das janelas. Ele estava nervoso, parecia que precisava de ar sem nem precisar respirar. Não estava entendendo a si mesmo.
Viu Kurt largar as chaves e a mochila. O castanho tirou o casaco e ficou apenas de camiseta com manga comprida. Se apoiou na pia do banheiro e passou uma água no rosto, andou até a sala e olhou os porta-retratos que haviam por ali. Todos continham fotos de Blaine com a própria família e algumas eram das duas famílias juntas. A que mais chamou a atenção de Blaine ao ver Kurt com ela na mão, foi uma que tinha apenas os dois juntos.
O castanho ficou com o pequeno quadro na mão e andou até o sofá, desabou sobre o mesmo e ficou abraçado à foto, se permitindo cair em um choro profundo.
— Eu sinto tanto a sua falta, B. Você era aquele que sempre me consolava quando tudo dava errado, agora minha família e a sua estão mortas e nem você eu não tenho mais. – Kurt falava entre o choro, mal conseguia respirar. – Eu queria te encontrar, tenho a impressão de que você está vivo, mas cada dia que passa eu perco um pouco mais da minha esperança, só não desisto porque meu amor fala mais alto, mas acredite, eu preferia morrer do que permanecer aqui sem você.
— Kurt, por favor, não fala isso. – Blaine assustou a si mesmo ao ver o que tinha dito, mas o problema é que não aguentou ficar em silêncio.
— Blaine? É você mesmo? – Kurt olhou para os lados e finalmente o enxergou, conseguia estar ainda mais lindo que o normal. Correu até ele em uma tentativa falha de abraçá-lo. – Por que está correndo de mim? Sou eu, seu Kurt.
— Sei disso, meu amor. O problema é que eu não sou mais o seu Blaine... – Falou triste, encarando o chão.
— Oh, está namorando com outra pessoa? – Blaine arregalou os olhos e o encarou, negando com a cabeça. – Então o que quer dizer com isso?
— Eu também fui infectado... – Disse novamente triste. – Eu preciso ir, não posso fazer nada para te ajudar.
— Não vá, por favor. – Praticamente implorou. – Eu sinto a sua falta. Você não pode nem me dar um abraço?
— Você enlouqueceu? Não vou transformar você no que eu sou. – Blaine novamente recuou, mas Kurt foi mais rápido e ficou bem próximo a ele. – Kurt, não me toca, por favor. Acredite, você não quer ser o monstro que eu sou.
— Você só não pode encostar sua pele na minha. Estamos cheios de roupas, por favor, me dá só um abraço. – O castanho novamente chorava e Blaine sentia que não podia simplesmente negar aquele pedido.
O moreno o abraçou cautelosamente, cuidando para não encostar sua pele na do Hummel. O castanho escorou sua cabeça no ombro de Blaine e o apertou com tamanha força, sentia tanta saudade.
— Eu te amo tanto, Kurt...
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