Hell Is My Sweet Destiny
2 Apocalypse
Notas iniciais
Blaine estava aguardando por Kurt, seu namorado, em sua antiga casa. Ele agora morava em New York por conta da faculdade, mas passava alguns finais de semana em Lima, Ohio, para poder ficar com Kurt. Ele ficava em sua antiga casa com seus pais, porém, naquela noite, ele pediu para que seus pais saíssem, já que ele tinha uma surpresa para o namorado.
Ele preparou todas as coisas que o namorado gostava de comer, arrumou uma linda mesa com velas espalhadas e um clima aconchegante.
Quando estava próximo das oito horas da noite, Blaine ouviu a campainha tocar. Ele abriu um sorriso radiante e andou até a porta, a abrindo em seguida e sorrindo para seu namorado.
— Eu tenho o namorado mais lindo do mundo. – Disse Kurt ao olhar para Blaine.
O moreno estava usando uma calça jeans em um tom escuro de azul, ele estava com uma camisa social azul mais clara e era isso. Kurt estava com o look completo: Calça jeans extremamente colada ao seu corpo de cor preta, camisa social vermelha e um blazer preto igual a sua calça.
— Errado. – Blaine falou com um sorriso sapeca no rosto. – Eu tenho o namorado mais lindo do mundo.
E, dito isso, Blaine puxou Kurt pela cintura e o beijou tranquila e preguiçosamente. Quando o ar se fez necessário, Blaine soltou Kurt brevemente apenas para poder fechar a porta, logo voltando a abraçar o Hummel pelas costas, andando com ele até a sala de jantar.
Kurt olhou maravilhado para aquela mesa e sorriu para o namorado, feliz por ter o melhor namorado do mundo que, por mais que não passasse agora tanto tempo ao lado dele, conseguia fazer todos os mínimos momentos serem perfeitos.
Os dois foram jantar sorrindo e trocando olhares apaixonados, desenvolvendo uma conversa agradável durante a refeição.
— Sabe, todos os dias você me dá novos motivos para te amar e eu sou tão grato por isso. Grato por ter te conhecido, grato por ter a oportunidade de namorar com você, grato por ter você na minha vida. Enfim, grato por tudo que tenha a ver com você. – Declarou Blaine, recebendo um sorriso envergonhado de Kurt.
— Eu é que agradeço por ter um... – Kurt fora interrompido por um estrondo vindo da rua. Tudo chegou a tremer dentro de casa. – O que foi isso, B?
Blaine não teve oportunidade de responder algo, outro barulho se pôde ser escutado, seguido de gritos e mais gritos de pessoas que imploravam por socorro.
O Anderson puxou Kurt pela mão e foi com ele para baixo da mesa, onde o abraçou forte. Nenhum dos dois estava entendendo o que estava acontecendo. Tudo era muito confuso e a gritaria de todos na rua apenas os assustava mais.
— Vai ficar tudo bem. Eu estou aqui com você. – Essas eram as únicas palavras que Blaine tinha para tranquilizar Kurt e o castanho não precisava de mais que isso.
— Nossos pais estão na rua. E se algo acontecer com eles? – Essa era a maior preocupação do jovem Hummel, que começou a chorar mais ainda por pensar na possibilidade de acontecer algo com seus pais, ou com seus sogros, ou com ambos.
— Amor, eles estão bem. Não se preocupe com isso. – Blaine iria continuar falando, mas o barulho de alguém tentando abrir as janelas da casa ecoou pelos ouvidos do casal.
Blaine ameaçou levantar para ver o que estava acontecendo, mas Kurt não permitiu que ele se levantasse e, por instinto, acabou abraçando o namorado ainda mais forte.
Alguém estava tentando abrir a porta da casa, gritando por socorro. Afinal o que estava acontecendo para todos parecerem tão desesperados essa hora da noite?
É, em uma noite tudo realmente muda.
Os gritos da pessoa que tentava abrir a porta cessaram e então o barulho do que poderia ser um corpo escorregando na porta foi o que se ouviu. Será que tinha um assassino matando todo mundo na rua?
Não. Isso é muito "filme americano" para ser verdade. Eles não podiam acreditar nisso só porque era uma teoria, no mínimo, interessante. Na verdade, nenhuma teoria poderia ser descartada, já que eles estavam escondidos sob uma mesa, sem nem imaginar o que realmente estava acontecendo na rua.
— Não podemos ficar aqui sem saber o que está acontecendo. – Falou Blaine, virando Kurt para si e o olhando o mais tranquilamente possível.
— E se for algo sério? Não podemos simplesmente sair na rua. – Kurt estava ficando ainda mais desesperado.
— Meu amor, precisamos pelo menos saber o que está acontecendo. Dependendo do que for, aqui não é seguro. – Kurt não conseguia mais parar de chorar, o que fez o coração de Blaine apertar. – Eu só quero que você saiba de uma coisa.
— SOCORRO! – Alguém gritou na rua, fazendo Kurt se encolher ainda mais nos braços de Blaine.
— Independentemente do que aconteça, eu te amo. – Blaine disse admirando os olhos do namorado. – E nada, nem ninguém, vai mudar isso, ok?
— Eu também te amo. Muito. – Kurt deu o mais próximo de um sorriso e se levantou com a ajuda de Blaine.
Os dois foram lentamente até a janela. Blaine levantou um pouco a persiana para poder enxergar algo na rua, mas tudo que ele via eram vultos passando rapidamente em sua frente.
— Estão todos correndo, mas não vejo motivos para... – Blaine perdeu a fala ao ver o que estava acontecendo.
Um homem empurrou uma mulher contra um poste de luz e cravou os dentes no pescoço dela até que ela caísse morta no chão. Não. Aquilo já era demais.
Aquilo tudo parecia um pesadelo e tudo que Blaine queria era poder acordar dele. Ele voltou a olhar para fora e viu uma moça encostar na pele do homem que tinha matado a outra mulher e, do nada, ela começou a ter o mesmo comportamento do homem.
O que era aquilo? Um vírus? Um vírus que deixava a pessoa com o comportamento de um vampiro? Ambos os garotos foram interrompidos de seus pensamentos ao ouvirem alguém batendo com toda força possível contra a porta da frente.
— Vamos sair pela janela e procurar um lugar para nos escondermos. – Sugeriu Blaine, puxando Kurt, que assentiu brevemente.
Os dois correram até a janela da sala de estar e viram que as pessoas estavam correndo para lá e para cá, mas não estavam tão próximas assim daquela janela, então Blaine a abriu e saiu por ela, ajudando Kurt a sair também.
Eles se abaixaram em um canto atrás de uma árvore e foram indo de árvore em árvore para se esconder. Se escondendo também atrás de carros, postes, muros e outras árvores. Haviam corpos espalhados pelo chão, pessoas batendo umas nas outras com pedaços de madeira, crianças chorando e gritando, pessoas tomando sangue umas das outras, todos gritando e correndo. Estava um verdadeiro caos. Era tarde da noite e o céu estrelado era praticamente a única luz, tendo em vista que, provavelmente por motivo de defesa, alguns postes de luz estavam caídos.
Estava uma verdadeira bagunça aquela parte de Lima e a tendência, infelizmente, era apenas piorar. Após quase três horas e meia se escondendo em um canto ou outro, as pessoas começaram a se acalmar. Na verdade, não tinha mais ninguém na rua, apenas os mortos no chão e os carros abandonados.
Blaine se virou e abraçou Kurt, que se encolheu nos braços dele, sussurrando desesperadamente o quanto o amava não importando o que acontecesse. Blaine também deixava claro todo o seu amor. Em um momento de distração dos dois, uma pessoa com os olhos escuros e vermelhos, com a volta quebradiça e sangue escorrendo por sua boca que mal tapava os dentes pontudos e afiados, pegou Kurt pelo casaco.
Blaine não sabia o que poderia acontecer, ele só sabia que faria de tudo para proteger o seu amor, então ele pegou a pessoa e a empurrou para longe de Kurt, pegando um pedaço de madeira e batendo na cabeça da mesma.
— Você matou uma pessoa! – Kurt disse apavorado.
— Ele não era uma pessoa, Kurt. Ele ia nos matar. – Blaine disse, mas se sentia arrependido por ter feito aquilo. Talvez fosse melhor apenas ter corrido.
Ele olhou para suas mãos e viu que qualquer mancha, qualquer machucado, qualquer coisa que tivesse em sua pele estava sumindo; sentiu seus dentes começarem a incomodar seu lábio inferior; sentiu seus olhos enxergarem as coisas com mais clareza; sentiu seu coração parar de bater; sentiu toda a luz de sua vida se tornar uma escuridão aprisionada dentro de si. Sentiu a morte.
Kurt estava olhando para o outro lado, procurando por alguém que conhecesse no chão, mas não encontrava. Por sorte, aliás. Quando o castanho se virou novamente para Blaine, ele encarou o nada, por Blaine tinha simplesmente sumido.
Quando Blaine percebeu que estava longe o suficiente de Kurt, ele se botou a pensar: como aquilo tinha acontecido? Será que fora pelo pequeno toque que existiu entre a sua pele e a pele daquele que ele matou? Ou será que foi por ter matado aquele homem?
Ele não sabia dizer, não sabia pensar, não sabia fazer nada. Tudo porque o cheiro de sangue vindo das pessoas que voltaram a correr, provavelmente em busca de amigos e familiares, começou a invadir o pensamento de Blaine. Ele precisava de sangue.
[...]
Alguns meses se passaram. Kurt se tornou parte da equipe de busca que procurava os vampiros para poder prendê-los. Mas por que prendê-los e não matá-los? Simples. Havia uma equipe que estava em busca de uma cura para eles, ou pelo menos um tratamento que os ajudasse a ir melhorando aos poucos. Todos aqueles agora vampiros já foram humanos e todos merecem uma segunda chance. Tudo que eles fizeram após serem infectados não foi por própria consciência.
Se os pesquisadores não encontrassem um tratamento ou uma cura, pelo menos eles saberiam que tentaram ajudar.
A cidade estava completamente abandonada e, pelo que ficaram sabendo, essa invasão aconteceu pelo mundo inteiro, que agora estava em ruínas. Não tinha para onde escapar, não tinha como se esconder.
Havia cada vez menos humanos, já que alguns não se protegiam o suficiente para saírem na rua.
Aquela era mais uma noite de caça para o grupo. Eles queriam encontrar novos vampiros para colocá-los em um lugar seguro, onde não ajudassem a procriação de vampiros ou na destruição do que sobrou da humanidade. Eles não sabiam apenas se alimentar sem matar ou transformar. Era horrível.
Blaine estava em busca de um humano, ele se sentia no paraíso levando a vida que levava agora. Era tudo perfeito e ele finalmente tinha encontrado bons amigos vampiros.
Blaine finalmente encontrou a vítima perfeita. Era um garoto loiro com um crachá que dizia que ele fazia parte de um grupo que queria “ajudar” os vampiros. Ler aquele crachá só deu mais vontade em Blaine de ele furar com seus dentes afiados aquele belo pescoço. E foi o que ele fez.
Enquanto se alimentava, deixando aquele sangue quente o satisfazer, Blaine olhou para frente e... não... ele não estava lá, não é mesmo?
— Kurt?!
Tenho que deixar você ir
Seus olhos, eles brilham tanto
Quero guardar esta luz
Não posso fugir agora
A menos que você me mostre como
— Demons (Imagine Dragons).
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