Hell & Consequences

21 3x21 - No Rest for the Wicked


Notas iniciais
Sim, vocês leram o titulo do capítulo corretamente. Eu até revi o episódio para fazê-lo. E depois de todos esses anos, ainda é o episódio mais triste que Supernatural já teve. Aquele final, com Sam chorando? Meu coração fica destruído em um milhão de pedaços todas as vezes que eu vi isso. A primeira parte do capítulo vai contar um pouco sobre o que aconteceu no fim do capítulo passado e o acontecimentos mais importantes desse capítulo. Tecnicamente, esse era para ser o fim da temporada, por isso Carry On My Wayward Son está aqui e também porque tinha que ser essa música nesse capítulo. Não existiria outra. O próximo capítulo é como um epílogo, que vai acertar as pontas para a próxima temporada. Ou complicar tudo ainda mais. E provavelmente vou postá-lo ainda esse fim de semana. Bom capítulo...

Continue meu filho desobediente

Haverá paz quando você estiver terminado

Coloque sua cabeça cansada para descansar

Não chore mais

Uma vez, eu me levantei acima do ruído e da confusão

Apenas para perceber por um instante além desta ilusão

Eu estava voando cada vez mais alto, mas eu voei muito alto

Embora meus olhos pudessem ver eu ainda era um homem cego

Embora minha mente pudesse pensar, ainda era um homem louco

Eu ouço as vozes quando estou sonhando, posso ouvi-las dizer

Continue meu filho desobediente

Haverá paz quando você estiver terminado

Coloque sua cabeça cansada para descansar

Não chore mais

Kansas

23 de março de 2008. Carro, entrando no estado da Carolina do Norte.

–Eu devia ligar para Sam e Dean, Shane. Foi um erro. Eu agi por impulso. De novo.

–Alicia, você não pode voltar agora. Você vai levar um exercito de demônios atrás de você.

–Como assim?

–Você não entende as consequências do que Asmodeus fez? Ele te colocou no radar, Alicia. Agora todo demônio e todo anjo sabem que você não é mais uma lenda. Você é real e você pode destruí-los.

–Eu posso matar Lilith também?

–Está ai uma boa pergunta. Lilith é uma das mais antigas, muito poderosa. Você sabe que ela é a mãe de Asmodeus. Eu sei que você tem poder para destruir Asmodeus depois que você adquira alguma experiência para poder sobreviver à luta. Mas Lilith? É como se você estivesse enfrentando o próprio Lúcifer. Afinal, ela foi um dos primeiros seres humanos.

Alicia ficou em silêncio por um tempo.

–Lilith, um dos primeiros seres humanos, é minha avó. Eu tenho o próprio Lúcifer, o diabo em pessoa, como avô. E como minha mãe é um anjo, isso quer dizer que meu outro avô é Deus? Definitivamente, minha família é muito mais complicada do que eu jamais pude imaginar.

Alicia ainda não concordava com Shane. Ela deveria ajudar Sam e Dean a salvar Dean e ponto. Mas é que a presença de Asmodeus naquele hotel tinha sido como um choque elétrico que a deixou completamente fora de si e como toda vez que ela ficava nervosa, ela agia por impulso. Droga, fazia poucas horas que ela e Sam tinham tido aquela conversa novamente. Talvez ela realmente fosse um caso perdido. Ela enrolaria Shane por alguns dias e depois voltaria implorar o perdão de Sam de joelhos. E ficaria junto com sua família, que é onde ela deveria estar. Juntos, eles poderiam resolver tudo, não poderiam?

O que Alicia não sabia é que muito em breve ela não teria tempo hábil para isso. Shane estava certo – Asmodeus tinha declarado guerra e seu ataque não tinha ficado despercebido. De repente, os demônios estavam percebendo que Alicia era realmente uma ameaça. Foi questão de dias dela se ver sobre ataque intenso. Não podiam ficar mais que um dia no mesmo lugar sem que viessem demônios e outras criaturas desconhecidas. Umas se tornaram aliadas, mas muitas queriam o fim dela.

E principalmente: qualquer contato que Alicia fizesse com Sam ou Dean agora, colocariam os dois em perigo. Não era segredo para ninguém que Alicia era quase uma Winchester.

Foram meses de luta e fuga por todos os Estados Unidos, Alicia e Shane. Foi assim que Alicia começou a elaborar seus planos. Sua posição era delicada. Por enquanto, seu lado era o mais fraco e Asmodeus assustava a todos os possíveis aliados que ela poderia ter. Ele era conhecido por ser louco, mas um louco perigoso e isso afastava. Mas Alicia não desistia e continuava treinando e lutando. Ela foi aprendendo a esquecer quem era quando era humana. Ela aprendeu a ser outra coisa agora, uma criatura sobrenatural e a agir como uma. Foram suas escolhas e agora era um caminho sem volta.

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Em abril, Dean procurou Jo e encerrou de vez tudo que havia entre eles. Jo sofreu e Dean também, mas ele foi irredutível. Era um homem morto e Jo tinha direito de viver. Ela era corajosa, mas Dean não queria prende-la ao seu trágico destino.

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Primeiro de maio de 2008, fronteira entre Nebraska e South Dakota, quarto de motel.

Dean estava dormindo em cima dos livros que ele e Sam estavam fazendo pesquisa. Eles estavam voltando para a casa de Bobby, depois de uma viagem até New Orleans procuram algum hoodoo que poderiam salvar Dean. O prazo estava se esgotando e eles estavam desesperados.

Por todo o país, surgiam noticias de ataques de demônios. Os caçadores estavam trabalhando triplicado nos últimos meses e havia boatos que estavam sendo identificadas criaturas sobrenaturais que ninguém parecia saber dizer o que era com exatidão. E no meio de tudo isso, havia infinitos boatos sobre Alicia. Misteriosamente, Dean era muito mais compreensivo com ela do que Sam. Para Dean, Alicia estava fazendo o que ambos deveriam estar fazendo: continuar na luta com o sobrenatural (mesmo que agora ela fosse sobrenatural). Já Sam não sabia se a perdoaria um dia. Era o fim agora e Sam tinha aceitado o que já sabia: ele e Alicia jamais deveriam ficar juntos. Era um erro atrás do outro e era pior o fato que eles continuavam insistindo.

Obviamente, Alicia não tinha esquecido Dean e seu pacto e ela estava realmente fazendo tudo o que podia para tentar encontrar Lilith e um meio de destruir a maldita. Mas ela não tinha muitos dias de paz para fazer pesquisa e por onde ia, chamava atenção demais. Ela podia viajar de outras maneiras agora que não fosse carro – suas asas, que eram de um tom azul marinho quase negro, seriam uma excelente maneira – mas toda vez que ela tentava, chamava atenção demais e todas as criaturas da região a seguiam. Alicia era um imã de poder, atraindo atenção indesejada por onde passava.

–Dean – falou Sam – acorde. Acabei de receber uma ligação do Bobby. Ele achou alguma coisa para localizar Lilith.

Felizmente, eles não estavam longe da casa de Bobby.

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Casa de Bobby, cerca de duas horas depois.

Em cima da mesa, estava um grande mapa dos Estados Unidos. Bobby tinha conseguido um instrumento, que se utilizado juntamente com o feitiço certo, poderia localizar qualquer coisa em qualquer parte do mundo. O objeto parecia um compasso gigante de três pernas, com uma bola de cristal contendo um liquido branco-amarelado-perolado. Tanto Sam quanto Dean acharam melhor não perguntar onde Bobby tinha conseguido aquilo.

Bobby pronunciou as palavras em latim e a ponta do compasso rodou, parando em cima de New Harmony, Indiana.

–Vamos – disse Sam, já de pé, quase na porta.

–Calma ai. – falou Dean. – vamos ficar aqui mais um pouco.

–Qual é o problema? – perguntou Sam.

–Qual é o problema? Vamos lá, por onde eu começo? Mesmo que nós conseguimos encontrar Lilith, nós ainda não sabemos como matá-la. E segundo, não é a mesma Lilith que quer sua cabeça numa bandeja de prata?* Eu devo continuar?

–Você é uma luzinha de esperança, Dean – falou Bobby ironicamente.

–Sim, é um dom – respondeu Dean. Ele estava assustado. Parecia que seu destino era inevitável e ele até estava disposto a aceita-lo, ele só não queria que mais pessoas se machucassem por conta dele.

–Me desculpe, Dean. Mas o que eu devo fazer então? – perguntou Sam. Os tons estavam cada vez mais exaltados e aquilo estava evoluindo para uma discussão.

–Só porque eu vou morrer não significa que você tenha que morrer também. Ou vamos ser espertos ou não vamos fazer isso de jeito nenhum.

–Certo. Se é esse o problema, eu tenho a resposta. Um jeito de saber com certeza que é a Lilith e um jeito de conseguir algo que mata demônios.

–Droga, Sam, não.

Dean virou as costas para Sam e se afastou alguns passos.

–Não temos tempo para discutir, Dean. Eu vou invocar a Ruby.

Dean parou, virando-se novamente para Sam.

–O inferno que você vai! Nós já temos problemas o suficiente sem ela.

–Dean – Sam se aproximou de Dean – e nós não temos tempo nem escolhas.

–Vamos lá, Sammy. Ela é a rainha do universo das vadias mentirosas. Ela disse para você que poderia me salvar, hmm, mentira. Ela parece saber tudo sobre Lilith mas, hmm, esquece de mencionar que Lilith é a dona da minha alma. Jamais saberíamos isso se não fosse por Jo ter se arriscado e descoberto.

–Certo, ela é uma mentirosa. Ela ainda é a dona da faca.

–Pelo tudo que sabemos, ela trabalha para Lilith.

–Então me de outra opção, Dean. Me diga o que fazer!

–Sam está certo – interrompeu Bobby.

–NÃO, DROGA – explodiu Dean de repente. Bobby e Sam olharam para ele, bastante surpresos. Dean continuou, mais calmo – apenas não. Nós não vamos cometer os mesmos erros de novo. Se vocês querem me salvar, encontrem outra opção.

Dean sai da sala, subindo as escadas para um dos quartos sem esperar resposta. Sam e Bobby se entreolham. Bobby pega sua jaqueta e a veste.

–Onde você vai, Bobby?

–Achar outra opção, eu acho.

–-

Ignorando a vontade de Dean, Sam desceu ao porão e preparou para invocar Ruby.

Ela apareceu rapidamente.

–Você sabe que telefone funciona também – ela disse, sorrindo para ele.

–Eu preciso da sua faca – falou Sam, direto ao ponto.

–Quer dizer que vocês dois localizaram Lilith e vão desesperados correndo atrás dela para salvar a vida do pobre Dean, certo? – Ruby sorriu – não vai funcionar. Lilith é mais poderosa que isso. Mas, pelo lado positivo, agora eu diria que é o momento. A guarda dela baixou, ela está de férias.

–O que inferno significa um demônio de férias?

–Acredite em mim, você não vai querer saber.

–Você vai me dar a faca?

–Não – disse Ruby. Sam odiou o jeito atrevido dela. Parecia que tudo aquilo era um jogo extremamente divertido. – não vai adiantar. Eu sei como salvar seu irmão.

–Não, você não sabe! – explodiu Sam. Estava tão cansado das mentiras!

–Está certo, eu não posso salvá-lo. Mas você pode Sam.

–O que?

–Sam, você tem dons dados por Deus. Bem, não por Deus, mas você entendeu o que eu quis dizer.

–Aquela porcaria de poderes psíquicos? Desapareceram depois que Azazel morreu, eu já te disse isso.

–Não desapareceram, seu idiota – falou Ruby, balançando a cabeça – por que você acha que Lilith tem tanto medo de você?

Sam riu.

–Certo... Lilith tem medo de mim.

–Se você quisesse, você poderia acabar com ela sem mover um músculo.

–Eu não acredito em você.

–É a verdade.

–E você decidiu contar isso para mim agora?

–Hmm... Demônio. Manipulação é parte da descrição do trabalho. Eu sabia que você não iria nem considerar a ideia até estar desesperado o suficiente. Você não gosta de ser diferente, Sam. Você odeia como Dean olha para você as vezes, como se você fosse parte de um show de horrores. Mas supere isso porque nós temos um longo caminho para percorrer e temos que ser rápidos, mas nós podemos fazer isso.

Sam ficou em silêncio, pensativo, olhando para o chão. Ruby fez uma pausa, mas depois continuou a falar:

–Você pode me chamar de vaca, me odiar se quiser, mas eu nunca menti para você, Sam. Nunca. E eu estou te dizendo agora: você pode salvar seu irmão e eu posso te mostrar como.

–Ah, você pode né? Sua vadia – Dean apareceu, surgindo atrás de Sam, enfurecido.

–Dean, encantador como sempre – falou Ruby, sarcástica.

–É, eu sabia que você apareceria, porque eu sabia que Sammy não iria me ouvir. Mas você não vai ensinar nada a ele. Só por cima do meu cadáver.

–É, você está certo. – ela falou, furiosa – escute, seu idiota, Sam carrega uma bomba dentro dele e é estupidez não usá-la.

–Dean, vamos ouvir! – falou Sam.

–Sam, não seja cego, você não consegue ver que isso é uma armadilha? Ela quer que você use seus poderes para você se tornar o Super Anticristo dela.

–Eu quero Lilith morta, isso é tudo! – gritou Ruby, furiosa.

–Por quê? – rebateu Dean. – Ah, é, porque um dia você foi humana e gostava de gatinhos e longas caminhadas na praia. Algum lixo como isso.

–Eu estou tão cansada de me provar para você – falou Ruby com desprezo – eu quero que você se foda.

Dean foi rápido, dando um soco em Ruby, que deu outro nele. Ele rebateu e os dois começaram uma quase luta, que terminou com Dean empurrando Ruby em direção a parede. Ele mostrou então, que tinha conseguido pegar a faca que matava demônios.

–Eu vou matar você, seu filho da puta – Ruby tenta alcançar Dean, mas ela estava presa. No teto, tinha uma grande amardilha do diabo.

–Como eu disse – Dean sorriu – eu sabia que você viria, então apenas te coloquei no lugar certo. Tchauzinho. Vamos, Sammy.

Sam olhou para Ruby, furiosa, mas seguiu Dean escada acima. Ruby começou a gritar:

–AH, então vocês são estúpidos demais para viver, é isso? Então tudo bem! Você merece o inferno! Eu gostaria que eu pudesse estar lá, Dean! Eu gostaria de poder o sentir o cheiro da sua carne queimando! EU GOSTARIA DE ESTAR LÁ PARA OUVIR VOCÊ GRITAR!

–E eu gostaria que você calasse a boca, mas não podemos ter tudo – falou Dean, antes de fechar a porta do porão.

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–E se Ruby estiver certa, Dean? E se eu puder deter Lilith? Nós só temos uma chance, poucas horas e uma faca parece uma arma fraca demais contra um demônio tão poderoso.

–Não vamos ouvi-la, Sammy. Não vamos cometer esse mesmo erro de novo. – disse Dean, firme.

–O que você quer dizer com isso, Dean?

–Você não vê um padrão aqui? O acordo do papai, meu acordo, agora isso? Toda vez que um de nós está... No limite, o outro está implorando para vender a alma. E é isso é tudo, cara. Ruby está apenas te guiando até esse ponto. Nós já passamos por isso e nós sabemos onde vai terminar.

–Por que você pensa que isso vai acontecer? Sou eu, eu posso lidar com isso. E se eu salvar você...

–Por que arriscar?

–Porque você é meu irmão. Porque você fez a mesma coisa por mim.

–Eu sei e olha onde isso terminou. Tudo que eu estou dizendo, Sammy, que você é meu ponto fraco. E eu sou o seu.

–Você não quer dizer isso... Nós... Nós somos família.

–E eu sei. E esses filho da puta malignos sabem também. Eu quero dizer, o quanto longe nós vamos um pelo o outro. E eles estão usando isso contra nós.

–Então o que? Nós simplesmente paramos de cuidar um do outro?

–Não, nós paramos de sermos mártires. Nós paramos de deixar os demônios de se aproveitar disso. Nós temos a faca e sabemos onde Lilith está. Vamos fazer isso do jeito que sempre fazemos, do jeito que papai nos ensinou.

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2 de maio de 2008, muito próximo da meia noite. New Harmony, Indiana.

Bobby se junto a Sam e a Dean na caçada a Lilith. O tempo era curto e o plano deles não era muito bom. Infelizmente, Dean já estava tendo alucinações com os cães do inferno e vendo a verdadeira face dos demônios, o que indicava que sua hora estava muito próxima. Pelo lado positivo, isso facilitou reconhecer os demônios que estavam no caminho. Lilith tinha possuído uma garotinha e estava fazendo a vida da família um verdadeiro inferno.

Eles conseguiram matar facilmente os demônios vigias que viviam próximos, mas com certeza havia outros. Por isso, Bobby benzeu a água do deposito do jardim e assim que ligou o irrigador de grama, toda a casa, que era cercada por gramado, foi protegida pela água benta.

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Enquanto isso, Alicia estava finalmente chegando em Indiana. Ela tinha passado as últimas semanas tentado despistar a todos para poder ver Dean e localizou os Winchester através do GPS do celular. Alicia se importava e ela precisava ver Dean uma última vez — ou salvá-lo, se você é o tipo de pessoa otimista. Felizmente Alicia era. Sabia que era isso que Sam devia estar tentando.

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Sam e Dean estavam prestes a entrar na casa, enquanto Bobby lidava com os demônios do lado de fora. Eles estavam seguindo caminhos diferentes, entrariam separadamente. Dean ia pular a janela da sala quando Ruby surgiu, bem à frente dele.

–Eu gostaria da minha faca de volta – ela falou, arrogante – ou os ossos dos pescoços de você vão estalar.

Antes que Dean pudesse responder, Sam tinha aparecido, por trás de Ruby. Ruby não o viu, então rapidamente ele colocou a faca no pescoço dela.

–Não está com ele. – falou Sam, sério.

–Como você saiu? – perguntou Dean, incrédulo.

–As coisas que você não sabe sobre mim poderiam encher um livro – ela não perdia a postura arrogante e desafiadora. Sam sabia que ela estava com raiva pelo que Dean tinha feito.

Dean, no entanto, pouca atenção prestava ao que Ruby dizia. Ele observava o rosto dela atentamente.

–O que foi? – perguntou ela, ao notar a observação do caçador.

–Nada. – ele ainda parecia incapaz de piscar – eu não poderia ver antes, mas é que você é feia para caralho.

Ruby o ignorou, virando-se para Sam.

–Sam, me dê a faca antes que você machuque a si mesmo.

–Você vai tê-la de volta quando estiver tudo terminado. – falou o moreno, mais seriamente.

Ruby revirou os olhos, impaciente.

–Sam, já está acabando. Eu dei uma opção de você salvar Dean e você não quis. Agora é tarde demais, ele está morto. E eu não vou deixar você morrer também.

–Tente me deter, vadia, e eu vou matar você – Sam se assustou com a violência de suas palavras. Não parecia o que ele normalmente diria, mas a tensão era tanta, que ele queria matar todos os demônios que se ousassem entrar em seu caminho.

–Ei, vocês dois, tenham sua pequena briga depois! – Dean chamou a atenção deles. Ao longe, podiam ver um grupo de pessoas, com certeza mais demônios, estavam indo na direção deles. Eles não conseguiriam ultrapassar pela barreira de água benta de Bobby, mas mesmo assim, eles tinham sido vistos e perderam o elemento surpresa.

A casa estava silenciosa. Havia um corpo de uma senhora jogada no hall de entrada, cheio de moscas.

–Vocês acham que Lilith sabe que estamos aqui? – perguntou Dean, a voz cheia de horror.

–Provavelmente – respondeu Ruby.

Sam puxou a faca, avançando para dentro da sala. Ruby o seguiu e Dean foi atrás.

Dentro da sala, encontraram um homem, apavorado. Ele parecia desesperado e tinha lagrimas em seus olhos.

–Senhor, onde está sua filha? – perguntou Sam.

–Não é mais ela – ele falou, a voz um sussurro de dor – ela está lá em cima, no quarto dela.

–Ok – falou Dean – me ouça. Vá para o porão e fique lá, independente do que ouça. Coloque uma barreira de sal na porta. Entendeu?

–Não sei minha esposa!

Dean deu um soco nele, no local certo e o homem caiu desmaiado.

–Sim, sem sua esposa. – e Dean pegou o homem, arrastando ele até o porão. Sam continuou seu caminho para cima, com Ruby logo atrás dele.

O quarto era um típico quarto de menina, todo em cor de rosa e com um dossel em volta da cama. Por trás do tecido transparente, era possível ver a menina e uma mulher, que provavelmente seria a mãe.

Assim que Sam afastou a cortina, percebeu que a mulher estava acordada. Entre lágrimas, ela lhe implorou que matasse a garota – que não era mais filha dela. Mas Sam não conseguia. Sabia que havia um demônio terrível naquele corpo, mas era um corpo de uma criança inocente e adormecida. Ele tentava reunir coragem para o que estava prestes a fazer.

A menina abriu aos olhos e gritou assustada ao ver Sam segurando a faca. Nesse momento, Dean entrou correndo no quarto.

–Não é ela! Não é ela! – ele dizia.

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Eles colocaram a mulher e a menina no porão junto com o marido. Novamente, Dean, Sam e Ruby estavam parados sozinhos no hall silencioso, agora sem um plano, sem saber o que fazer e pior, sem saber onde estava Lilith.

–Bem, eu dizer, mas eu avisei. – falou Ruby.

–Onde ela está? – perguntou Dean. Eles caminharam até a sala. Um relógio mostrava que era quase meia noite. Dean sentia um terrível aperto no peito. Ele estava tentando ser forte, mas cada vez mais as alucinações estavam mais intensas. Nunca ele tinha sentido tanto medo na vida, nunca, nem quanto sua casa pegou fogo e ele tinha quatro anos de idade. Aliais, estava se sentindo como se tivesse quatro anos e não conseguisse sair da casa que queimava, perdendo toda sua vida. Ele tinha tentando se acostumar com a ideia da morte, mas não tinha aceitado. Parecia que nunca ia chegar de verdade. Pensou em Jo. Agora Dean precisava de um milagre. A esperança estava cada vez mais distante – e perceber que ele nunca deixou de ter esperança de ser salvo era o que mais estava doendo. Ele podia ter aceitado, lidado com o fato, mas no fundo, sempre acreditou que eles dariam um jeito. Eles sempre davam. Mas não havia mais tempo e o relógio continuava a correr...

–O que eu tenho que fazer? – perguntou Sam, desesperado, para Ruby. – o que eu tenho que fazer para salvar Dean?

–O que inferno você pensa que está fazendo? – perguntou Dean. Ele podia estar prestes a ser arrastado para o inferno, mas nunca deixaria Sam cometer o mesmo erro que ele, e que Jonh, e deixar aqueles demônios continuarem se aproveitando.

–Você teve sua chance. Nós precisaríamos de tempo.

–Bem, tem que haver algum jeito – continuou Sam – qualquer coisa, eu faço.

–Sam, não! – gritou Dean – você não vai fazer nada!

–Eu não vou deixar você ir para o Inferno, Dean!

–Sim, você vai! – gritou Dean. Os dois irmãos se entreolharam longamente.

–Sim, você vai. – repetiu Dean, mais calmo, como se dentro dele ele aceitasse a derrota. Dean não sabia se tinha aceitado, mas era um guerreiro. Não fugiria da batalha. Ele iria morrer, mas iria para o inferno com a cabeça erguida.

Sam respirava profundamente. Ele sentia como se pudesse romper em lagrimas a qualquer segundo. Nunca esteve tão desesperado quanto agora. Tinha que ter alguma coisa. Ele havia falhado. Havia prometido que salvaria Dean de qualquer jeito e não conseguiu. Ele sempre teve fé que haveria uma maneira. Mas agora parecia que não havia como escapar do Inferno. Se ele tivesse ouvido Ruby e usado os poderes para matar Lilith, talvez eles tivessem uma chance. Se Alicia estivesse ali, talvez ela pudesse fazer alguma coisa. Mas é claro que ela não estava ou não se importava o suficiente.

Enquanto isso, Alicia estava tentando chegar até ali. Primeiro que havia demônios em todos os lugares, o que não era exatamente um problema para ela: ela era mais forte que um demônio comum.

Alicia não podia passar por água benta e a dificuldade era essa agora.

Sam respirava profundamente. Parecia que faltava o oxigênio no ar.

–Eu sinto muito – falou Dean, mais calmo. Apenas por fora. Dentro ele estava caindo e queimando, todos os erros que cometeu em sua vida passando diante de seus olhos – tudo isso é minha culpa, eu sei disso. Mas o que você quer fazer, não vai me salvar, apenas vai matar você.

A realidade. Sam sabia que Dean estava certo, e ele podia começar a sentir as lagrimas vindo. Não podia perder seu irmão. Não podia permitir que Dean fosse para o inferno por causa dele. Ele é quem devia estar morto. E mesmo assim, não havia outra maneira.

–Então, o que eu devo fazer? – Sam não sabia. Ele deveria cuidar de Dean. Eles eram família e deveriam cuidar um do outro. Se ele tinha falhado em manter Dean vivo, o que ele faria?

–Ache Alicia – falou Dean – mantenha a por perto e não deixe ela fazer qualquer coisa que ela esteja planejando. Diga a ela para não deixar você se vingar. Vocês dois tem que ficar juntos e continuar fazendo o que papai ensinou. E lembrar do que eu ensinei a vocês.

Os dois irmãos se olham profundamente, ambos com lagrimas nos olhos. O relógio bate meia noite.

–Eu sinto muito, Dean – falou Ruby, que em uma época muito distante também tinha sido levada por cães do inferno – eu não desejaria isso para meu pior inimigo.

–Cães do inferno – falou Dean, de repente sentindo muito frio. – lá fora.

–Me dê a faca – falou Ruby – talvez eu possa fazer alguma coisa.

Dean olhava para ela, fixamente.

Sam prepara-se para dar a faca para ela.

–Sam! – gritou Dean – não é a Ruby! Não é a Ruby!

A expressão facial de Ruby muda completamente.

–Há quanto tempo você está nela? – perguntou Dean, apavorado.

–Não há muito tempo. – responde Lilith, a voz enjoativa — ela ainda está aqui, a Ruby, mais quietinha. – Lilith olha para o próprio corpo – mas eu gostei, estou toda crescida e bonita.

Os olhos se tornaram completamente branco-leitosos.

–Eu deveria ter visto antes – Dean dizia incoerentemente – mas vocês são todos parecidos.

Lilith o ignora. Os cães do Inferno estavam silenciosos.

–Olá, Sam – ela fala — eu queria conhece-lo há muito tempo. Normalmente eu não venho pessoalmente recolher minhas almas, mas esse é um caso especial e vocês vieram me visitar.

Lilith olha para Sam com fascínio.

–Não consigo ver o que você tem de tão especial que eu fui proibida de matá-lo.

–O que? – Pergunta Sam, confuso. Lilith aproveitou e segurou a cabeça dele, beijando-o de leve. Sam se afastou, com uma expressão de asco.

–Seus lábios são macios – falou ela. Seus gestos eram estranhos, quase animalescos. Sua cabeça se virava de forma tenebrosa.

–Certo, você tem a mim. Deixe meu irmão livre.

Lilith riu e a risada parecia congelar a todos ali.

–Garoto bobo, para barganhar você tem que ter algo que eu queira. E você não tem.

–Ótimo, qual é seu plano? – falou Dean, recuperando a fúria – me arrastar para o inferno, matar Sam e depois o que?

Lilith olhou para Dean com deboche.

–Desculpe, eu não falo com a comida dos cachorros. Venham, meninos!

Com um gesto, ela abriu a porta da sala, e os cães do inferno entraram correndo. Ao mesmo tempo, Bobby arrebentava uma janela, acompanhado de Alicia. Sam olhou surpreso para ela.

Então Dean caiu no chão, derrubado por forças invisíveis. Ferimentos profundos começaram a aparecer em seu corpo e a luz sumiu de seus olhos, enquanto sangue se espalhava em volta do corpo. Lilith sorria, deliciada. Sam caiu de joelhos, chamando o nome do irmão, segurando o corpo como se ele fosse responder. Alicia estava chorando. Ela tinha chegado tarde demais, mas cedo demais para ver aquela cena que a atormentaria para o resto da sua vida. Dean. Não o Dean, que sempre esteve ali para cuidar deles, que sempre tinha sido a pedra firme daquela família. Não o Dean. Bobby tinha lagrimas dos olhos. Quando tinha acabado, uma fumaça branca intensa saiu da boca do corpo de Ruby, escapando pela janela. O corpo caiu desmaiado.

Dean estava morto e sua alma, indo para o Inferno. O que tinha ficado era apenas destruição das vidas que teriam que continuar.

Mascarado como um homem com uma razão

Minha charada é o evento da estação

E se eu reivindicar ser um homem sábio, significa que eu não sei

Em um mar em tempestade de emoção comovente

Lançado, sou como um navio no oceano

Ajustei um curso para ventos da sorte, mas eu ouço as vozes dizem

Continue meu filho desobediente

Haverá paz quando você estiver terminado

Coloque sua cabeça cansada para descansar

Não chore mais

Continue, você sempre lembrará

Continue, nada se iguala ao esplendor

Agora sua vida já não é mais vazia

Certamente o céu espera-o

Continue meu filho desobediente

Haverá paz quando você estiver terminado

Coloque sua cabeça cansada para descansar

Não chore mais

Não mais

Notas finais
Baseado no 3x16 - No Rest for The Wicked. *Lembrando que Baphomet, o falecido rei do inferno, proibiu Lilith de matar Sam (porque claro, ele estava por dentro da profecia que Sam é quem deveria matar Lilith para liberar Lucifer), mas Sam e Dean não sabem dessa ordem. Lilith queria matar Sam a principio porque ela sabia que ele era a pessoa destinada a mata-la, e ela não queria morrer, mesmo que fosse essa a maneira de liberar Lucifer. Mas com a passagem de tempo, cada vez mais Lilith está se convencendo que deve cumprir seu papel, e morrer para trazer Lucifer de volta. Mas antes ela vai tocar o terror um pouco, por exemplo, levando Dean para o Inferno... Para romper o Primeiro dos 66 Selos Grandes. Essa foi praticamente a season finale, como disse, o próximo capítulo é mais um epílogo do que um capítulo mesmo... Como alguns de vocês sabem, eu tenho nove temporadas planejadas para essa história (e agora que está passando a décima, provavelmente vou fazer a minha versão dela também). Na minha cabeça, a primeira, a segunda e a terceira era um ciclo. Com a quarta temporada, iniciaremos um segundo ciclo de acontecimentos, que se encerraram ao fim da sétima temporada, com um acontecimento bombástico. Eu sei que farei o possível e o impossível para terminar essa série, porque eu tenho um grande amor por ela – e espero que vocês continuem me acompanhando. Se eu fosse chamar esses ciclos de alguma coisa, eu diria que essa da primeira a terceira foi a introdução; a quarta a sétima será a guerra. Eu falei lá em cima que esse é o episódio mais emocionante da série... E gente, como não amar e chorar junto com esse dialogo lindo sobre família? De fazerem tudo um pelo outro? Como eu disse, eu tenho 88% de certeza que o próximo capítulo, o epiologo, vem sábado ou domingo. Nele vou falar um pouco sobre a quarta temporada, ok? Então, o que acharam?