Hell & Consequences
22 3x22 – Don’t want let you down but I’m hell hound
Notas iniciais
Eu tentei equilibrar as vidas que nós estávamos levando
Você sempre se sente justificada, mas nunca sente o perdão
Eu acordei uma manhã e me vi envolvido em coisas que eu jurei que nunca tocaria
E aqui eu estou de novo, tentando salvar o que sobrou de nós
Então por que você não está satisfeita?
Eu alcancei, lancei por terra
Agora você está machucada, palavras demais
Quebrando o silêncio
Eu senti, eu sangrei, eu gritei
Mas só ficou pior
E me mata me ver tão irritado para nós nos salvarmos
Eu usei palavras demais essa noite
Eu tentei fazer dar certo
Mas eu estava apenas perdendo tempo
Porque você nunca se comprometeu quando se tratava de nós
Nós brigamos e terminamos, nós trouxemos isso de volta para o equilíbrio
E começa as acusações sem fim
Eu não acredito que chegamos até aqui
Sick Puppies
Ela ainda não tinha parado de chorar.
Era Bobby quem dirigia o Impala. Estavam sem rumo, percorrendo a estrada em linha reta. Nenhum deles tinha parado para discutir. Sam estava no banco da frente, Alicia no banco de trás... Sam tinha se recusado a queimar o corpo de Dean, como era o costume entre caçadores. Eles tinham deixado o antigo corpo ocupado por Ruby, ainda desacordada, num hospital próximo de New Harmony. Não tinham como leva-la.
Alicia não tinha parado de chorar. Agora o choro dela era mais pontilhado de soluços. A respiração dela estava difícil, curta e rápida. Ela estava chorando como chorava quando era criança. Tudo que Sam queria era pega-la em seus braços e conforta-la, prometer que ficaria tudo bem, mas ele não podia acreditar.
Por que ela não tinha estado ali nos últimos momentos da vida de Dean? O que ela esteve fazendo que era mais importante que a família? Por que toda vez que Sam precisava dela, ela estava longe?
Ele estava pensando em tudo isso para não pensar na dor que estava dilacerando todo seu corpo nesse momento, os gritos de Dean ecoando em seu ouvido e aquela imagem que jamais desapareceria.
Lembrava de Lilith e sentia uma imensa vontade de socar qualquer coisa, tremendo de ódio.
–Sam – falou Bobby. O homem estava muito branco ainda e não tinha falado quase nada – nós temos que parar em algum lugar e dar... Você sabe.
Ele demorou algum tempo para encontrar as palavras, mas mesmo assim não sabia o que dizer. Não sabia como Sam reagiria. A resposta de Sam foi o silêncio.
Bobby parou numa pequena mata próximo a Pontiac, Illinois.
–Nós não vamos queimá-lo – falou Sam, quando Bobby tirou um machado do porta-malas do carro para cortar madeira – ele vai precisar desse corpo quando trazermos de volta.
Alicia, que tinha descido do carro e estava encostada ao Impala, as lagrimas ainda escorrendo pelos olhos.
–Sam, do que você está falando? – Sam viu medo nos olhos dela e gostou de ver isso. Era um prazer estranho.
–Dean está morto por minha causa. – ele começou, a voz aumentando de tom – eu é quem deveria estar morto, não Dean! Eu vou corrigir isso.
–Sam... – começou Bobby.
–Vocês não tem ideia do que eu estou sentindo agora! – berrou Sam, lagrimas de dor e fúria escorrendo pelo seu rosto – eu é quem deveria ter morrido. Há muito tempo.
–Sam, por favor, não diga isso – falou Alicia. – Dean...
Sam chegou muito próximo a ela, apenas para gritar diretamente no rosto dela. Bobby parecia completamente paralisado pela reação de Sam. Ele não sabia o que esperava, mas não era isso.
–Não se atreva a falar de Dean!
–Dean me criou tanto quanto criou você – respondeu Alicia, um sussurro indignando – não pense que eu não me importo, que eu não estou sofrendo!
Sam virou de costas para ela. Seu corpo tremia. Se continuasse olhando para ela, ele explodiria.
Mas mesmo assim ele se virou para encará-la. O que ele precisava é explodir, culpar alguém, tirar tudo aquilo que estava matando-o por dentro. A morte de Dean era um veneno que estava destruindo tudo dentro dele, até provavelmente não deixar mais nada. Quando ele estivesse completamente vazio e morto por dentro, ai a dor pararia. Ou se tornaria mais intensa, mas seria mais suportável do que agora, que queria que extravasasse todo seu corpo.
–Se importa? Você não sabe o que é família. Você nunca se importou, não é mesmo? Tudo o que você faz é ficar por perto quando é do seu próprio interesse, mas o que mais adora fazer é cuidar da própria vida sem ligar para o que nós pensamos ou sentimos. Por que você não vai cuidar da sua vida agora? Por que você não desaparece para sempre da minha vida?
Sam chegou mais perto dela, segurando ela pelos braços.
–Sam! – gritou Bobby, se aproximando, mas Sam o ignorou. O rosto de Alicia estava vermelho e seus olhos completamente inchados. Ela ainda estava chorando.
–Tudo – falou ele, respirando ruidosamente – em minha vida foi destruído desde aquele momento que você entrou no meu apartamento. Eu não quero vê-la nunca mais, entendeu?
–SAM!- Bobby puxou-o pelo ombro, afastando de Alicia. Ele relutantemente soltou os braços dela, ainda respirando pesado, tremendo. – é o suficiente. Dean não ia querer que vocês dois brigassem agora.
–Não se atreva a falar como se soubesse o que Dean iria querer – respondeu Sam, furioso.
Alicia tentou inspirar fundo várias vezes, como se o oxigênio pudesse curá-la de tudo. Ela sentia que não teriam muito tempo. Logo, os demônios a encontrariam. Ela olhou para Bobby.
–Eu vou tirar Alicia daqui – falou Bobby – vamos tentar roubar um carro, há uma pousada aqui perto.
–Acho mesmo que preciso ficar sozinho – respondeu Sam, com a voz mais calma, mas sem olhar nem para Bobby nem para Alicia – vou enterrar o Dean.
Alicia manteve a cabeça baixa. Bobby concordou com a cabeça.
–Sam, depois vá para minha casa. Não é muito bom que você fique sozinho por muito tempo. Certo? Veja se você se acalme e depois todos nós podemos conversar.
Sam concordou com a cabeça e depois ficou observando a caminhada de Bobby e Alicia. Ele pegou uma pá no porta-malas do Impala e começou a cavar, as vezes gritando com raiva, as vezes tendo que parar em algum momento porque as lagrimas eram tantas que ele não estava mais enxergando o que estava fazendo.
Sam se lembrava das últimas palavras de Dean, sobre o que ele deveria fazer. Por mais que quisesse honrar o desejo do irmão, não poderia suportar Alicia fingindo que estava tudo bem, para que ela o deixasse outra vez. Ele não toleraria mais isso. Ela era parte demônio afinal e talvez isso explicasse o individualismo dela, mas ele não poderia mais continuar sofrendo por ela. O caminho que ele seguiria agora era solitário. Ele não podia mais lidar com Alicia. Traria Dean de volta nem que isso o matasse (ele devia estar morto afinal). Ele não podia continuar sem Dean e Alicia não era mais sua família. Nunca tinha sido. Alicia o enganava o tempo todo e ele estava tão cansado de ser enganado.
Assim que Sam enterrou o corpo do irmão, ele entrou no Impala. Iria procurar a encruzilhada mais próxima.
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