Hell & Consequences
19 3x19 - Fire
Notas iniciais
Nada ouvido, nada dito
Não se pode falar sobre isso
Toda a minha vida está passando pela minha cabeça
Não quero pensar sobre isso
Sinto como se estivesse ficando louca
É um ladrão da noite
Que vem e te agarra
Pode se movimentar dentro de você
E te consumir
Uma doença da mente
Que pode te controlar
É próximo demais para estar confortável
Rihanna
Um dia que passa atrás do outro, marcado apenas pela movimentação do sol e da lua no céu. Sem tempo. Foi muito fácil para Alicia perder a contagem dos dias. Thoth, o deus, era provavelmente a figura mais curiosa que Alicia já tinha acontecido. Ele não tinha uma forma fixa e isso era muito difícil de entender, mas a cada mudança do sol, ele não era mais o mesmo, embora Alicia não pudesse apontar com clareza o que tinha mudado em sua aparência.
A cidadezinha era toda construída em pedra amarelada, perdida no meio da floresta e a temperatura média era de 38ªC e o ar estava sempre úmido. Frequentemente chovia muito de noite, sem aliviar o calor.
Alicia aprendeu primeiro sobre magia e poder. Em um dia qualquer, Thoth começou a ensiná-la sobre os símbolos que ele descobriu que conteria o poder dentro dela. Asmodeus tinha apenas conhecimento de um desses símbolos e foram esses símbolos que ele tinha feito as cicatrizes em seus punhos. Aprendeu que o que o velho padre gravara em faca em seu abdômen era símbolos de destruição de poder, que não tinha funcionado porque ela não morreu. “Tem coisas que são destino, Alicia. Naquela noite, o meu padre fez todo um ritual, uma das poucas coisas que de fato poderiam mata-la, mas você não morreu.” Disse Thoth. “Talvez as estrelas não estivessem na conformação certa” acrescentou ele misteriosamente. Depois de aprender sobre magia, Alicia entendeu um pouco mais do que o velho deus queria dizer. Ele ensinou outros símbolos para ela e usando uma tinta preta retirada de uma arvore, ela foi marcando seu corpo, como tatuagens. Se sentia mais calma com a magia controlada. Ele foi ensinado ela a dominar seus poderes: voar com suas asas, prender alguém contra uma parede. Descobriu que ficaria presa em armadilhas do diabo da pior maneira possível. Jamais passaria num teste da água benta. Deduziu tudo isso porque Thoth a disse que ela teria poderes de anjos e demônios, mas também as fraquezas de ambos.
Nunca em sua vida ela esteve tão em paz quanto agora. Pela primeira vez, ela conseguia manter a mente tranquila e não inundada de pensamentos e sentimentos incontroláveis e intermináveis. Ela poderia permanecer sentada durante longos períodos de tempo, coisa que nunca conseguiu antes – era sempre muito agitada — mas ali o tempo não passava de fato. Fora a mudança do céu, era tudo sempre igual. Era uma sensação esquisita, aquela de não sentir o tempo passar; a vida agora que ela levava ali era outra e as vezes, ela mal conseguia se lembrar das coisas que tinham ocorrido antes.
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Olhos amarelos na escuridão. Sam sentia seu coração batendo acelerado. Não sabia onde estava. Os olhos amarelos se aproximaram e Sam pode ver finalmente a quem eles pertenciam. Asmodeus.
Sam sabia que era ele, embora ele estivesse usando um novo corpo agora, de um homem bem mais novo agora.1
–Você quer Alicia de volta? – perguntou o demônio para Sam. Rapidamente, acrescentou – não estou propondo um pacto. Não tenho interesse em sua alma. Alicia está presa por um feitiço. Ela não tem noção há quanto tempo está desaparecida.
–Que feitiço? – perguntou Sam, já na defensiva.
–Esse feitiço foi feito para quebrar um selo – continuou Asmodeus – o selo do tempo. O Selo foi quebrado e não há mais nada que vocês possam fazer sobre isso. Mas se quebrarem o feitiço, Alicia irá perceber que está presa e voltará.
Sam ficou imediatamente desconfiado, claro.
–Por que você quer que Alicia volte? – perguntou Sam. – qual é seu interesse nisso?
Asmodeus sorriu, triunfante.
–Eu sei que você é espero, Samuel Winchester. Como sempre você soube, eu tenho planos para Alicia e por isso preciso que ela seja trazida de volta, antes que meus planos sejam muito prejudicados.
–Seu plano é matar Alicia! Se ela está segura de você agora, eu prefiro que ela fique por lá.
Asmodeus continuou olhando para Sam, com um meio sorriso no rosto.
–Isso é decisão sua, Sam. Quando você acordar, ao seu lado terá um endereço. É sua decisão ir até ele ou não, mas se você for, descobrirá como trazer Alicia de volta.
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18 de março de 2008, Concord, New Hampshire, quase sete horas da manhã.
Sam foi acordado pela luz do sol invadindo seu quarto. Ele tinha esquecido de fechar as cortinas na noite anterior. Sam tinha deixado Vermont ainda no sábado, depois de ver seu mundo desmoronar um pouco, graças a Ruby. A demônio não tinha ido com ele para New Hampshire e Sam estava aliviado por isso. Dean e Jo tinham chegado na segunda pela manhã e eles ainda estavam ali, parados, buscando por algum caso nas redondezas, embora Sam não tivesse vontade nenhuma de se envolver em algum caso. A única coisa que ele conseguia pensar era em Alicia e quanto mais ele pensava, menos ele entendia.
Alicia. A lembrança de seu sonho com Asmodeus veio como uma avalanche e ele pulou da cama, olhando por todos os lados do quarto, procurando por alguma coisa diferente... E encontrou. Uma folha simples de caderno, com um endereço em San Francisco, na California. Sam resmungou, irritado. Demoraria mais de dois dias para eles atravessarem o país e chegarem a California e ele não tinha ideia do que encontraria lá. Sam encarou o papel, como se ele pudesse responder a todas suas perguntas. De repente, alguém começou a bater na porta com força. Ele largou o papel de qualquer jeito na escrivaninha e foi abrir a porta, desconfiado. Parado a sua frente, estava Ruby.
–Bom dia, Sam! – ela falou, sorridente – estou sabendo que você recebeu uma visita muito especial a noite passada.
–Ruby – Sam falou, cansado. Não estava com paciência para lidar com ela agora. – como você sabe?
–Demônios podem ser muito fofoqueiros. Por acaso alguém ficou sabendo que Asmodeus iria falar com você e bem, logo todo o Inferno estava sabendo. Há boatos que ele iria propor uma aliança com você, é verdade?
–Não, Ruby. – ela praticamente tinha invadido o quarto de Sam e tomado o ambiente, como sempre fazia. – ele apenas quer encontrar Alicia...
–Como você também quer. Logo, é um motivo para uma aliança, certo? – Sam tentou ler o que se passava na cabeça de Ruby. Ela parecia animada, mas também havia algum medo no olhar dela.
–Eu não fiz aliança com Asmodeus – Sam se sentia relutante em dividir a informação do endereço com Ruby. Ele nem ao menos tinha conversado com Dean ainda. E Ruby aparecer ali era muito estranho. – Ruby, acho melhor você sair daqui. Não quero conversar sobre isso agora.
Ruby, como sempre, o ignorou. Seus olhos percorreram o quarto com atenção. Facilmente, ela localizou a folha de papel em cima da escrivaninha. Ela pegou ele antes que Sam pudesse reagir.
–Esse endereço – ela falou, os olhos brilhando – eu o conheço. Há uns meses, esse local atraiu a atenção de todos os seres sobrenaturais do país. É uma fonte enorme de magia... Mas nenhum demônio consegue se aproximar de lá. Dizem que foi o que aconteceu nesse local que fez o tempo parar em algumas cidades do mundo. É magia do céu, Sam. Foram anjos.
Ruby fez uma pausa, enquanto Sam também não conseguia dizer nada, pois tentava absorver a informação.
–Anjos fizeram esse feitiço e quebraram um selo. Quanto mais tempo esse feitiço é mantido, mais o mundo caminha em direção ao Apocalipse, mais a ordem natural das coisas é quebrada. Eu sei como acabar com isso, Sam, mas eu não posso fazer nada. Mas você e Dean podem.
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Em algum momento, Thoth disse a Alicia que o tempo dela ali estava acabando. Há quanto tempo estava ali, na verdade? Ela não sabia. Mas agora, já era como se ela fosse outra pessoa.
–Você entende o por que de tudo isso o que fizemos aqui? – ele perguntou. – uma guerra está vindo e você é a criatura mais poderosa nesse jogo. Você tem que reunir seu exército para lutar. Se você vencer, e você vai, você vai acabar com esse mundo dividido em anjos e demônios.
–Quem é meu exercito? – ela perguntou. Agora Alicia aceitava seu destino e o acolhia como parte dela.
–Aqueles que nunca se encaixaram em parte alguma e sempre estiveram por ai... Anticristos e nephilins. Os filhos de anjos e demônios com humanos. Eles já estão procurando por você. Você é cada um deles e não é nenhum, mas é a única que tem poder suficiente para enfrentar os criadores. Assim, você começaria uma nova era. – Thoth fez uma pausa – nosso tempo, Alicia, está acabando. E você está pronta para encontra-los.
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21 de março de 2008, San Francisco, California, nove horas da noite.
Dean tinha odiado aquele plano. Não confiava em Ruby e não confiava em Asmodeus. Não tinha ideia do que aconteceria de quando eles fizessem aquilo que fariam. “Não entrem lá” falou Ruby. “Apenas usem esse óleo para queimar”. Ela tinha sumido e depois voltado com um galão de um óleo de cheiro estranho. Não se parecia com nada do que eles tinham visto na vida.
O endereço fornecido por Asmodeus era um galpão localizado num porto em San Franscico. Um porto que Sam tinha certeza que era ilegal. Escuro e sujo, com poucas pessoas – e essas pessoas eram muito suspeitas.
O Impala estacionou do outro lado oposto da rua, há alguns metros de distância. Podiam observar dali todos os arredores.
Enquanto Dean e Sam foram entrar no local, Jo ficou no Impala, vigiando e pronta caso uma fuga fosse necessária.
O galpão era velho e de madeira, mas ao se aproximar dele, era possível sentir que a temperatura estava mais quente, como se fosse um velho forno. Com uma lanterna, podiam ver vários símbolos estranhos entalhados na madeira antiga. Era como se fosse um alfabeto e Sam tirou muitas fotos, para poder investigar melhor. Havia umcheiro de ervas queimadas no ar.
Os dois rodaram várias vezes o galpão, procurando qualquer coisa. Tentaram arrombar portas e janelas. Todo o galpão estava com a temperatura elevada, em alguns pontos, era difícil encostar a mão sem que essa ficasse vermelha. As janelas estavam todas escurecidas, sendo impossível ver lá dentro.
Não tinham muito tempo. Dean só tinha concordado com aquele plano porque talvez trouxesse Alicia de volta e Sam precisava urgentemente que Alicia voltasse. Dean estava muito preocupado com o irmão, ele parecia doente. Dean sabia que em alguns meses ele morreria, seu prazo estava se esgotando e não tinha nada do que podiam fazer a respeito. Dean precisava que Sam, Alicia e Jo permanecessem juntos e assim um apoiaria o outro. Ele sabia que não devia ter se envolvido tanto com Jo, mas ela era teimosa e corajosa. Ela não tinha medo. Ela queria que vivessem o momento e estavam vivendo. Era bom, mas sempre tinha um gosto amargo no fim – porque Dean morreria e iria para o inferno e não teria como acabar com isso.
Ele e Sam tinham passado todo o caminho para San Francisco decidindo se seguiriam o conselho de Ruby. Por fim, sabiam que Asmodeus queria que Alicia voltasse – ele mesmo tinha dito isso para Sam. Eles teriam Alicia de volta se destruíssem aquilo, seja lá o que estivesse lá dentro e só teriam que manter ela protegida de Asmodeus.
Eles espalharam o óleo por todo o lugar. E por fim colocaram fogo. O incêndio cresceu progressivamente, mas eles não ficaram muito tempo ali para ver o efeito. Quando as chamas começaram a mudar para azul, eles foram embora, o mais rapidamente possível, de San Francisco.
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22 de março de 2008, uma da madrugada, San Jose, California.
Eles estavam entrando em San Jose quando o celular de Sam tocou. Era um número desconhecido, mas ele reconheceu o prefixo de Kansas.
Ele atendeu rapidamente.
–Sam?
Era a voz de Alicia.
–Alicia? Onde você está?
–No Kansas. Em Lawrence. Que dia é hoje?
–22 de março.
–O que, se passaram cinco meses? – ela parecia genuinamente surpresa – eu não estava acreditando. Onde vocês estão?
–Espera. Como vou saber que você é realmente Alicia?
–Sou eu, Sammy. Você não tem como adivinhar, mas estou em Lawrence. Vou continuar aqui por mais um tempo, tem algo que preciso fazer. Venham me encontrar.
Alicia desligou o telefone. Sam não gostou da frieza de Alicia, mas tinham que verificar se ela era realmente. Alguma coisa dentro de Sam dizia que sim.
A decisão era clara. Não iam parar em San Jose, afinal. Estavam indo para Lawrence.
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