Hell & Consequences
17 3x17 – War, death , ruin and... Faith
Notas iniciais
Eu quero me curar, eu quero sentir
O que eu achei que nunca fosse real
Quero me livrar da dor que eu senti durante tanto tempo
(Apagar toda a dor até que ela se acabe)
Eu quero me curar, eu quero sentir
Como se eu estivesse perto de algo real
Eu quero encontrar algo que eu sempre quis
Um lugar a qual eu pertenço
Linkin Park
10 de janeiro de 2008. Modesto, California. 19 horas.
Dean e Jo, de mãos dadas, entraram num café próximo a biblioteca da cidade. Sam tinha falado que estaria na biblioteca, mas quando o casal chegou até lá não encontraram e resolveram tentar a sorte no café mais próximo. Dean tinha preferido não ligar, não ainda.
Era uma quinta-feira e o café, todo decorado em xadrez vermelho, branco e preto, estava bem cheio de pessoas. Não foi difícil localizar Sam, numa das mesas do fundo. Ele era muito alto e sempre se destacava. Do lado dele, a bela morena que era Ruby. Dean ficou irritado. Toda vez era a mesma coisa. Onde quer que estivessem, Sam sumia e ia se encontrar com Ruby.
–Oi – ele disse aos dois, sem ser simpático. – Sam, achei que estaria na biblioteca.
–Sai agora a pouco – respondeu Sam simplesmente. – Ruby estava me dizendo sobre um novo selo que foi quebrado.
Dean reparou que havia vários papeis sob a mesa.
–Bem – falou Ruby – eu estou saindo. Sei que não sou bem-vinda. Mesmo que agora você devia confiar em mim, Dean, por que eu ajudei vocês... Mas um dia você verá que sou de confiança.
–Eu não disse que eu não confio em você – falou Dean, embora ele não confiasse, porque ele tinha um principio de não confiar em demônios – eu não gosto de você e não quero confiar em você.
–Adeus, Dean, Jo. Sam. – ela sorriu para Sam e foi embora sem dizer mais nada, andando pelo lugar como se desfilasse. Dean bufou.
Jo puxou uma cadeira e dirigiu-se a Sam:
–Qual selo foi quebrado, Sam?
–Ruby disse que parece que o tempo está parado em algumas cidades... Os primeiros rumores começaram no fim de outubro e agora esse número de cidades está crescendo. Ruby diz que foram os anjos que quebraram esses selos.
Dean se sentou também.
–Isso é inútil. Não adianta nada saber quais selos foram quebrados depois deles estarem quebrados. Nós devíamos impedir esses selos de quebraram – observou Jo. – não podemos fazer nada, só assistir ao fim do mundo?
–Ruby também está me ajudando a salvar Dean. Ela disse que se eu o salvasse, isso também impediria o fim do mundo.
Dean revirou os olhos.
–Ruby daria uma excelente política. Ela sabe prometer muito bem – respondeu Dean. Ele reparou que Jo tinha ficado deprimida a menção da sua morte iminente. Eles só tinham quatro meses agora. — e sobre Alicia, Sam?
Sam ficou irritado. Ele odiava falar sobre Alicia, odiava que Dean falava sobre ela o tempo todo.
–Alicia está desaparecida há três meses e não deu noticias. Pelo que sabemos, irá demorar mais cinco anos para ela reaparecer como se nada tivesse acontecido.
–E se algo ruim aconteceu com ela, Sammy? Você não se preocupa?
Claro que ele se preocupava. Era a preocupação que não deixava mais ele dormir, preocupação com Dean e Alicia, e também a falta que ele sentia dela. Eles só brigavam, mas ele preferia brigar com ela a não ter ela. Mas nunca admitiria isso.
–Ela foi embora, Dean. Eu sei disso. Eu posso sentir.
–E sabemos que ela foi para o México, Sam. – acrescentou Jo.
–Se vocês querem tanto ir para o México e procura-la, podem ir, eu não vou impedi-los. Mas eu não irei.
A lista de motivos do porque eles não tinham ido atrás de Alicia no México era extensa e nenhuma era uma boa explicação. Talvez porque fosse procurar uma agulha no palheiro. Talvez porque Sam resistisse a isso. Talvez porque eles soubessem que se ela quisesse ser encontrada, teria entrado em contato. Mas o tempo estava passando e nenhum deles tomava a decisão.
–Sabe o que precisamos fazer? – Sam continuou para acabar com o silêncio pesado – precisamos encontrar Bela Talbot e a Colt que está com ela, para matarmos Lilith. Sei que Bela está caçando Lilith também.
–Bela ainda não morreu? – falou Jo.
–Ruby disse que não. Mas está desaparecida. Aparentemente, ela é muito boa em fugir. – disse Sam, cansado. Se matassem Lilith, todos os problemas estariam resolvidos. Ela era a causa de todos os problemas deles.
–Não podíamos usar a faca de Ruby em Lilith? – perguntou Dean, desconfiado.
–Poderíamos, mas também não sabemos onde Lilith está. – falou Sam — e Ruby disse que é muito mais arriscado para ela emprestar a faca para matar Lilith do que Baphomet. Parece que Baphomet era um rei mais representativo do que qualquer outra coisa.
Dean olhou uns segundos para Sam, incrédulo.
–Só eu que acho essa história muito estranha?
–-
Três meses antes. Cidade do México.
Era a decisão obvia procurar a igreja em que ela tinha visto a própria imagem. Alicia respirou o quente e seco ar mexicano. De alguma forma, foi ali que seu retorno para casa começou e agora finalmente ela se sentia livre, como se agora ela pudesse voltar a ser ela mesma. Estar com Sam a sufocava, por mais que ela o amasse, mas era um amor difícil demais. Ela nem sabia se ainda deviam continuar juntos. Ela o conhecia bem demais e sentia o quanto ele estava se afastando dela. Era sempre Alicia quem se afastava, mas agora Sam estava longe emocionalmente também e ela tinha perdido o interesse em continuar lutando para dar certo. Não era para ser talvez. Havia tantas promessas – almas gêmeas. Sam disse que Missouri disse que eles se casariam, mas como isso seria possível se pareciam dois estranhos?
Alicia e Sam eram como um incêndio que destruíam tudo à sua volta, inclusive eles mesmos. Parecia que havia sempre alguma coisa quebrada entre eles, mesmo quando achavam que tudo ficaria bem. Ela queria se sentir mal por ter deixando Sam e Dean para trás (de novo), mas agora já não sentia mais isso. Ela fazia o que tinha que fazer. Aquela era a luta dela, sempre tinha sido. Ela balançou a cabeça, como se isso empurrasse para longe todas aquelas memorias e sentimentos e se concentrou no agora: a Catedral Metropolitana da Cidade do México se erguia na sua frente, como sempre lotada de turistas. Fazia quase cinco anos que tudo tinha acontecido, mas quando olhou a imponente catedral, o que Alicia sentiu foi medo.
Antes que o medo a dominasse ela atravessou a rua e entrou na catedral. Não estava havendo missa, mas ainda assim havia turistas em toda a parte tirando fotos. Alicia ignorou a multidão e foi em direção à cripta, onde ela tinha sido quase morta. Não se lembrava direito daquela noite, mas por todo caminho seu coração batia rapidamente e seu estomago parecia se contorcer, como se gritasse para dar meia volta correndo. Ignorando seus instintos, ela continuou pelo caminho fresco e escuro até a cripta. Não parecia mais tão abandonado quando estava há cinco anos. Ela se perguntou se a polícia tinha investigado o que a atacou. Nenhum policial tinha a procurado, isso era um fato.
Quando chegou até lá, estava tão nervosa que mal conseguia respirar. O salão feito de pedra e terra estava iluminado por tochas que crepitavam de maneira sinistra. Ela se viu encarando o próprio rosto, enorme na parede de pedra. As cores eram mais vivas do que ela se lembrava – os seus olhos da imagem eram verde-floresta e pareciam que a viam por inteira. Um véu vermelho cobria parte dos seus cabelos. Se aproximou, tocando a imagem. Não, as cores não eram tão vivas assim antes. Alguém tinha refeito a pintura, tanto da imagem, quanto das palavras: “La Reina de Los Siete Reinos”.
–Quando eu vi os sinais, eu soube que você voltaria. – aquela voz. Aquela terrível voz que a visitava em pesadelos vez ou outra. Alicia levou a mão na cintura, puxando a arma e apontado para ele, o velho padre psicopata de inglês carregado de espanhol. Suas mãos tremiam e ela esperava que ele não percebesse o quanto ela estava assustada. – por favor, não tenha medo. Não aponte a arma para mim. Quando você sobreviveu, eu soube que eu estava errado. Quando você sobreviveu, eu soube que você é a esperança e não a inimiga.
–Já chega de frases duplo sentidos – falou Alicia, de repente furiosa. – há cinco anos eu não tenho mais paz, desde que eu descobri o que é isso. Eu nunca contei a ninguém, eu nunca pude falar o quanto isso me perturba ou que é por causa dessa imagem que eu ajo como louca. Há anos eu espero e eu temo o dia que eu voltaria aqui e eu enfrentaria você e eu quero saber quem você é e o que você sabe sobre mim e por que meu rosto está nessa parede. AGORA!
As chamas das tochas começaram a balançar sinistramente, mas o padre nem se alterou.
–Meu nome é Miguel Carvalhal. Como você deduziu, sou um padre. E se você ficar calma, eu vou explicar tudo para você e vou te dizer aonde que você tem que ir. Já é hora, o tempo está parando.
Alicia abriu a boca para reclamar da última frase misteriosa, mas finalmente o padre começou a explicar, explicar respostas que ela precisava e queria há muito tempo. Sua história.
–Essa imagem data da construção da igreja. Desde que você a descobriu, há cinco anos, eu tenho restaurado. Quando você sobreviveu, eu soube que era a hora que tudo começaria. A profecia que fala sobre seu nascimento e existência é muito antiga. Aliais, não temos certeza se é uma profecia ou uma lenda, a questão é quem tornou a história real é Asmodeus. A história data do antigo Egito, na época que os deuses pagãos ainda eram poderosos, e fala sobre um ser humano que traria dentro de si a essência do bem e do mal, que faria a união entre o céu e o inferno. Naquela época esse conceito de céu e inferno não era a religião mais popular e a maioria das pessoas não entenderam. Diziam que essa pessoa uniria sete reinos.
O padre fez uma pausa.
–Quais sete reinos?
–Thoth nunca me contou quais são os sete reinos. Mas sobre a presença desse rei ou rainha, eles seriam um só e uma nova era entre seres humanos e seres mágicos começariam. Thoth, um deus egípcio, achou a história muito interessante. Ele era poderoso e cuidava da magia. Por entender de magia, concluiu que essa pessoa teria tanto poder dentro de si que jamais sobreviveria. Foi assim que ele criou os pergaminhos que estão ai com você. Asmodeus os roubou há décadas, dessa mesma igreja. Quando as religiões monoteístas chegaram ao Egito, os deuses fugiram. Thoth rodou o mundo e por fim veio para cá, diz ele porque está na mesma latitude do Egito e por que aqui também tem pirâmides. Ele construiu essa igreja e orientou um grupo de padres para manter a profecia viva.
–Você é Thoth? – perguntou Alicia de repente.
–Não, mas eu sei onde ele está agora. – falou o padre com um sorriso — Ele começou a envelhecer de uns tempos para cá e não gosta muito da movimentação.
–Por que tentou me matar então, se Thoth queria me proteger da morte?
–As coisas mudaram. Thoth tentou manter a profecia viva, mas estava praticamente desistindo de esperar. Então apareceu Asmodeus há algumas décadas e roubou os pergaminhos. Todo mundo sabe que Asmodeus foi expulso do inferno e supormos que o roubo dos pergaminhos era para tentar criar a nova espécie dele. Então você nasceu e Thoth soube imediatamente que você era a pessoa prevista pela profecia. Ora, Thoth conheceu Asmodeus e sabia que não era boa coisa. Foi assim que todos nós deduzimos que você seria um perigo para todos os habitantes da terra. Sua mãe planejou muito bem sua proteção e nunca a encontrávamos, pois o plano era mata-la ainda na infância. Considerávamos você uma aberração. Thoth ficou destruído, ele nunca quis que as coisas acontecessem desse jeito. Foi um sonho de milênios destruído e por isso que ele começou a envelhecer. Mas as coisas começaram a mudar. Todo ser sobrenatural podia sentir dentro de si que a hora do apocalipse estava chegando. Azazel estava colocando o plano dele em ação. Depois descobrimos que sua existência foi a primeira marca do apocalipse. Era necessário encontra-la e mata-la. Acreditávamos que você lutaria ao lado de Asmodeus, destruindo ainda mais tudo. Por isso nós espalhamos espiões pelo mundo e assim conseguimos localizar você e atrair você para cá. O ritual que eu realizei deveria mata-la. Era magia. Quando percebi que você sobreviveu, nos reunimos. Investigamos toda sua vida... E a conclusão foi que você não era má, que Asmodeus não tinha feito sua influência sobre você e provavelmente nunca conseguiria. Resolvermos crer em você. Foi assim que você passou ser a esperança. O Apocalipse é real, Alicia. Mas você pode reconstruir um novo mundo acima das ruinas do apocalipse.
Os olhos do velho padre brilhavam de algum sentimento extremamente forte. Alicia percebeu que ele tinha fé nela, acreditava naquela profecia como se a profecia fosse seu próprio Deus. Era um sentimento estranho de se encontrar num ser humano que um dia tentou mata-la. Tudo o que o padre dizia parecia uma bela história, mas Alicia sabia que aquilo era verdade. Ela sabia dentro dela, ela podia sentir o poder ou a magia, dizendo que ela podia confiar naquele padre. Era parte da história de vida dela, a história que ela desejou saber desde criança. Em tempos imemoriais, houve uma lenda. Asmodeus a ouviu e fez de tudo para torna-la real, em busca de... O que Asmodeus queria? Poder. Criar uma nova raça? Foi essa a razão pela qual ele foi expulso do inferno. Mas com qual intenção ele queria uma nova espécie? Por causa da profecia ou por algum outro motivo?
Asmodeus tinha feito a lenda real e agora Alicia existia. Ela ainda tinha medo, mas agora sabia a maior parte da verdade da sua história. Era assustador pensar em apocalipse, guerra e um novo mundo, sendo esse seu papel e ela ainda não tinha conseguido absorver aquela informação ainda. Ela estava acostumada com o sobrenatural desde sempre, mas aquilo parecia mais algum a história de algum filme. Ela inspirou fundo o ar empoeirado. O padre ainda a observava atentamente, quase como um gato com os olhos fixos em algo que o interessava muito. Ela olhava para todos os cantos da cripta, sem saber o que fazer ou dizer. A pintura estava lá porque era parte da profecia.
–Eu preciso leva-la até Thoth agora. Ele vai salvar seu corpo e te ensinar a usar seus poderes.
Alicia concordou com a cabeça, sem conseguir falar alguma coisa com coerência. Era muita informação. Ela iria viver. Podia sentir que dessa vez daria certo e ela estaria salva e depois precisaria contar a Sam e Dean tudo o que descobriu e claro, tentar impedir o apocalipse. Ela não tinha intenção de entrar em nenhuma guerra. Ela não era nenhuma líder. Então Alicia se lembrou, enquanto o padre a guiava para fora da igreja, do que tinha acontecido na Quênia e do poder que tinha sentido queimar dentro dela. Ela queria sentir aquilo novamente. Queria poder destruir aqueles demônios que causaram tanto mal e se ela tivesse esse poder, ela poderia. As possibilidades eram infinitas agora e ela mal podia esperar para sentir o poder novamente. Alicia temia e desejava, desejava e temia, mas nada poderia pará-la agora.
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