Hell & Consequences
12 3x12 – A Series of Casualty
Notas iniciais
Você conhece seu inimigo?
Você conhece seu inimigo?
Bem, você tem que conhece-lo, certo?
Violência é uma energia
Contra o inimigo
Violência é uma energia, certo?
Green Day
Três de outubro de 2007. Meio dia, posto de gasolina, dentro do Impala.
Dean apenas mastigava seu hambúrguer ruidosamente, cebola e alface caindo em seu colo tamanha era a força que ele segurava o hambúrguer. Sam tinha acabado de narrar os acontecimentos da noite anterior para Dean e ele não estava nem um pouco feliz. Dean estava furioso. Finalmente, ele engoliu o pedaço que mastigava e não deu outra mordida.
–Vou te dizer uma coisa, Sam. Demônio. Esse é meu motivo. No segundo que você descobriu que essa Ruby era um, você pega água benta, não conversa!
–Ninguém estava conversando, Dean – falou Sam, sem convicção, apenas para calmar seu irmão. Ele e Ruby conversavam bastante, ele sabia. Mas as coisas que ela dizia eram importantes. Necessárias. Sam desejava que Dean entendesse.
–Ah, é? – falou Dean incrédulo e raivoso – então por que você não mandou ela direito para o inferno ainda? Há quanto tempo vocês estão tendo essas conversinhas?
–Porque – Sam faz uma pausa – porque ela diz que é capaz de nos ajudar!
–Como? – perguntou Dean, sério.
Sam faz uma pausa.
–Sério, Sam, eu realmente quero saber. Como ela pode nos ajudar?
–Ela me disse que você ajudar você. – Dean parece confuso, então Sam continua – ajudar você a sair do seu pacto.
Dean olha para Sam, mais incrédulo que nunca. Ele abre e fecha a boca várias vezes, tentando formular alguma coisa. Será que Sam tinha noção do absurdo que estava falando?
–Cara? – pronunciou Dean finalmente, aquilo resumindo tudo o que ele sentia. Por que um demônio o ajudaria?
–Dean... Olha, Dean, eu não sou um idiota! – respondeu Sam, firme, pronto para argumentar – eu não estou falando para confiarmos nela, eu estou falando para usarmos ela. Eu quero dizer, estamos em guerra, não estamos? E nós não sabemos nada sobre nosso inimigo, não sabemos onde eles estão, não sabemos o que eles estão fazendo. E a Ruby sabe mais coisas, coisas que jamais iriamos descobrir sozinhos. Os selos, o apocalipse, por exemplo? A dica que ela deu sobre como caçar Lilith? Eu sei que é um risco, mas nós temos que correr riscos.
–A dica que Ruby deu? – repetiu Dean – um nome? Bela Talbot é a dica? Essa é a pior dica que eu já ouvi na vida! – Dean deu um longo suspiro, olhando para o hambúrguer no seu colo. Ele ainda não tinha abandonado a ideia que Sam estava completamente louco – o que Alicia pensa disso?
O silencio de Sam fez Dean voltar a olhar para o irmão. Sam mordia os lábios, não estava mais desafiador, parecia muito desconfortável.
–Alicia não sabe – falou Dean, agora ainda mais irritado – não é? Você não disse uma palavra a ela sobre suas conversinhas com a Ruby.
Isso não prestava nem um pouco, percebeu Dean. Isso não ia dar um nem um pouco certo. A frustação era um monstro no interior do seu abdômen. O que Sam estava pensando? Afinal, Sam estava pensando?
–Alicia não está aqui – falou Sam finalmente – ela nunca está aqui. Isso não é sobre ela.
De repente, um celular começa a tocar.
–Não é o meu – falou Sam, feliz com a interrupção. Ele não queria pensar em Alicia. Doía demais. Ele tentava entender e ser compreensivo, mas não entendia. Ele não entendia o porque dela preferir fazer as coisas sozinhas. Ele não aceitava. Ele a queria junto dele e não distante.
–Nem o meu – disse Dean – olhe para o porta-luvas, é do papai. Eu o mantenho carregado para caso de algum dos antigos contatos ligar...
Sam rapidamente abriu o porta-luvas e atendeu o celular.
–Sim – falou Sam – aqui é Edgar Cayce... Não, não chame a policia. Eu vou lidar com isso eu mesmo. Obrigado por ligar, você pode trancá-lo de volta para mim? Hm, eu não tenho meus endereços onde eu estou agora, você poderia passar para mim?
Dean pegou uma caneta, anotando num guardanapo o endereço que Sam repetia em voz alta. Sam desligou o celular.
–Dean, papai alguma vez já contou para você que tinha um contêiner em Black Rock, perto de Buffalo?
Dean sacudiu a cabeça.
–É. E alguém tentou invadi-lo.
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03 de outubro de 2007, 23 horas. Queens, Nova York.
Alicia tomou um gole de café. Estava quente demais e queimou sua boca e lábios. Ela se sentia extremamente cansada depois de um dia completamente inútil. Apesar de estar usando um quente casaco preto e ainda nem ser inverno, ela estava tremendo de frio. Os calafrios e a tremedeira a informavam que ela deveria estar com febre. Mas o que ela poderia fazer?
Pensou em Sam. Ele provavelmente tentaria fazer alguma coisa. Quando ela o deixou, há dois meses, eles se falavam todo o dia, as vezes mais de uma vez por dia. Agora ele estava cada vez mais distante e talvez fizesse um cinco dias que ela não tinha notícias dele. E ela era culpada também. Podia ter ligado, mandado uma mensagem, mas... Não. O que estava acontecendo com eles?
O café estava amargo e quente demais e continuava queimando quando ela o engolia, mas já não sentia a queimadura. O café a esquentava agora e era isso que importava. Asmodeus tinha dito que ela e Sam eram almas gêmeas, Missouri, que eles se casariam. Mas por que tudo que ela sentia agora era confusão e distância, e vazio?
Então ela ouviu alguém dizer Sam Winchester. Seu coração se acelerou e ela discretamente olhou para o lado, procurando a mesa em que falavam sobre Sam. Havia dois homens que eram, bem, caçadores. Alicia reconheceria caçadores em qualquer lugar. Era impressionante que eles não tivesse a reconhecido. Ela fez o melhor possível para escutar a conversa e logo tinha descoberto que aqueles homens estavam em contato com Gordon Walker e acreditavam que Sam era um monstro e queriam caça-lo. Ela rapidamente foi embora, infeliz em abandonar o ambiente mais aquecido da cafeteria e ir para a rua gelada, mas não tinha tempo. Precisava salvar Sam.
Ela ligou para ele. Sam atendeu a ligação e em seguida desligou. Então Alicia ligou para Dean, e o celular de Dean tocou até cair. Em seu carro roubado, ela pegou o notebook e usou o GPS para rastrear ambos. E eles não estavam longe. Estavam em Buffalo, Nova York.
E Sam deveria uma boa explicação do porque desligou na cara dela.
–-
Black Rock, Buffalo, Nova York. 1 da manhã. 8 de outubro.
–Cara – falou Dean irritado, enquanto ambos estavam em um elevador, subindo até o andar que ficava o contêiner de John Winchester – papai e esses segredos. Vivemos o tempo todo com ele e parece que mal o conhecíamos.
–Estamos prestes a conhecer mais alguma coisa – falou Sam. Ele sentiu seu celular vibrar no bolso – tanto ele quanto Dean tinham colocado os celulares no silencioso. Era Alicia. Ele atendeu e desligou. Falaria com ela depois. Não sabia o que dizer agora.
Eles localizaram o contêiner correto, Dean abrindo o novo cadeado com facilidade. Havia uma grande armadilha do diabo pintada no chão, logo na entrada. Eles andaram pelo local, procurando alguma coisa estranha. Havia lembranças da infância deles que eles nem imaginavam que John guardasse e também muita coisa sobrenatural – arquivos de caso, objetos, armas. Estava tudo intacto, o que dava a ideia que quem invadiu o lugar sabia exatamente o que estava procurando.
Finalmente, Sam avistou uma estante cheia de caixas, todas com muitos símbolos pintados ou gravados. Havia um lugar vazio na estante. A poeira ainda não havia coberto, deixando um retângulo limpo, indicando que a remoção da caixa era recente. Sam sabia o que era aquilo – eram caixas de maldição, usada para conter maldições ou objetos amaldiçoados.
Felizmente, o prédio dos contêineres tinha câmera e os ladrões que haviam roubado a caixa, tinham estacionado bem em frente a ela com a placa do carro à mostra. Assim, seria fácil encontra-los.
E eles não tinham ido longe. Dean e Sam localizaram facilmente o carro deles, instalado em frente a um pequeno prédio de três andares próximo ao local do roubo. Não foi difícil encontra-los.
–NINGUÉM SE MOVE! – Gritou Dean, assim que ele e Sam arrombaram a porta do apartamento.
–Ninguém se move! – repetiu Sam, apontado a arma para um dos homens, enquanto Dean apontava para o outro.
–Certo – falou Dean – nos dê a caixa. E por favor, me digam que vocês não abriram...
–Eles abriram. – falou Sam.
–Vocês são policiais? – falou um dos homens, o mais gordo.
–O que tinha na caixa? – perguntou Dean.
–Vocês são policiais? – repetiu o homem, mais confuso. Sam acompanhou o olhar do segundo homem até a mesinha de centro, onde repousava um pé de coelho.
–O que é isso? – falou Dean, também localizando o objeto. O homem mais magro aproveitou a distração de Dean para tentar desarmá-lo, e então sua arma dispara quando cai no chão. A bala atinge um quadro na parede acima de Sam, que cai, derrubando a arma de Sam também. Ele e o homem gordo pulam em direção a arma caída, derrubando Dean, que cai sobre a mesa de centro. O pé de coelho sai voando com o impacto.
O homem gordo pula em cima de Sam, começando a socar o rosto dele e em seguida tenta estrangula-lo, enquanto o outro homem segura Dean no chão. Lutando contra seu agressor, Sam tenta pegar o pé de coelho que caiu próximo a ele. Quando ele finalmente o envolve com sua mão, ao mesmo tempo ele consegue usar o outro braço para empurrar o homem de cima dele, que é jogado contra uma parede. Sam ficou surpreso com sua própria força.
O outro homem, surpreso, se distrai, dando a oportunidade para Dean o empurrar longe. Assim, os Winchester conseguem escapar, levando o pé de coelho.
Sam colocou o pé de coelho no bolso enquanto saiam para o Impala. Como era madrugada, eles resolveram ficar no primeiro motel que encontraram, para dormir e quando fosse manhã, decidiram o que fazer.
–-
Oito horas da manhã. 08 de outubro. Estacionamento do restaurante Biggerson’s.
Sam estava sentado dentro do Impala, lendo o diário do seu pai. Ele e Dean pretendiam tomar o café da manhã, mas Dean tinha pedido para Sam esperar ali enquanto ele comprava uma coisa na loja de conveniência do outro lado da rua. Sam não conseguia encontrar nada do diário de John sobre o pé de coelho.
A porta de motorista do Impala se abriu de repente, e Sam ficou surpreso ao ver Alicia entrar no carro. Ela estava muito pálida, embrulhada em um monte de roupas de frio.
–Allie – ele falou, sem saber exatamente o que dizer ou o que sentir, enquanto ela se sentava no banco do motorista. – você está bem?
Ele fez o que deveria fazer, abraçando-a, finalmente se sentindo feliz demais por vê-la. A sensação de poder abraça-la era de um conforto que ele não sentia em qualquer outra situação. Segurança. Talvez a volta dela fosse parte da sua sorte ocasionada pelo pé de coelho.
A pele dela queimava como fogo.
Ele beijou os lábios secos dela. Precisava dizer tanta coisa.
–Sam escute – ela falou – Gordon Walker está novamente atrás de você. Ele mandou dois caçadores procurarem por você. Eu ouvi isso em um café no Queens. – ela falou rapidamente, sentindo que enrolava um pouco as palavras.
–Gordon Walker, é? – falou Sam – Eu não estou preocupado com isso agora. Alicia, você está bem? Eu acho que você está com febre.
–Provavelmente – ela falou – eu acho que não me resta muito tempo. Mas eu estou feliz em vê-lo, Sammy... Eu andava bem confusa... Parecia que tudo estava errado. Mas isso não era verdade, não é mesmo? Eu e você... É certo.
A distância não fazia bem a eles.
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Dean tinha comprado um monte de raspadinhas para Sam raspar e logo na primeira ele já tinha ganhado 1200 doláres. Assim que entraram no Biggerson’s, eles ganharam comida grátis por um ano por serem os visitantes numero um milhão ou coisa do tipo. Eles contaram a Alicia sobre o pé de coelho.
Ela tinha ficado apavorada. Sam tinha ligado para Bobby, aquele pé de coelho especifico, se fosse perdido, trazia a morte em uma semana. Era uma maldição forte e antiga. Bobby não sabia como quebrar a maldição.
–É puro voodoo – falou Alicia. Dean comia feliz uma enorme taça de sorvete – não é apenas cortar a cauda de um coelho. Precisa ser feito isso num cemitério, embaixo de uma lua cheia, numa sexta treze.
–De agora em diante – Dean mudou de assunto – apenas iremos em lugares que tenham Biggerson’s.
De repente, uma garçonete de cabelos castanhos claros e olhos verdes também muito claros passou do lado deles, derrubando café em cima de Sam.
–Deixe eu limpar você! – ela falou – me desculpe.
Ela começou a passar um pano em todo o peito de Sam. Alicia franziu a testa. Parecia muito que aquela garçonete estava dando em cima do Sam, bem em frente dela.
–Está tudo bem – acrescentou Sam rapidamente, quase empurrando as mãos da moça. Ele olhava para Alicia pelo canto dos olhos, extremamente desconfortável – não precisa...
–Pronto – a moça abriu um enorme sorriso – desculpe por isso.
A moça saiu, rebolando. Alicia cruzou os braços, mal humorada. Sam foi tomar um gole da sua xicara de café e derrubou a xicara na mesa, caindo o liquido novamente sobre ele. Ele se levantou, esbarrando num garçom, que derrubou todo o conteúdo da bandeja no chão.
Sam colocou a mão no bolso da camisa. O pé de coelho tinha sumido.
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