Hell & Consequences

11 3x11 - The Messenger


Notas iniciais
Eu comecei a escrever esse capítulo domingo e na verdade eu gostei tanto dele que quis terminar rapidinho para poder postar. Ele tomou proporções que eu não imaginava, meus personagens me surpreenderam e a existência dele foi o que alterou todo meu planejamento da história, que terá um novo plot não antes planejado, mas eu consegui encontrar um destino melhor para Jo. Esse capítulo é forte, é intenso e pode ser meio triste e pesado também, mas acho que o final dele fica mais leve - embora seja uma discussão intensa de política demoníaca, ou uma briga de almoço de família... Boa leitura!

Quando você está se sentindo sozinho

Cortado desse mundo cruel

Seus instintos te disserem para fugir

Escute seu coração

As vozes dos anjos

Eles iram cantar para você, eles vão te guiar de volta para casa

Quando a vida nos deixa cegos

Amor nos mantém bom

Nos mantém bom

Quando você sofreu tudo

E seu espirito quebrou

Você está ficando desesperado por causa da luta

Se lembre de que você é amado e sempre será

Essa melodia sempre trará você de volta para casa

Linkin Park

15 de outubro de 2007.

Seu pior inferno.

Jo inspirou fundo antes de abrir os olhos. Novamente, estava lá. Ela sentiu um arrepio sinistro percorrer todo o seu corpo. Sua mãe com certeza ficaria furiosa quando voltasse e descobrisse a fuga. Mas ela tinha problemas maiores agora.

A estranha surdez que sentia desapareceu, era como se sua audição estivesse se adaptando a um novo mundo. Lentamente, os terríveis sons de gritos e gemidos de dor e angustia preencheram seus ouvidos, aos poucos penetrando em seu cérebro.

“Meu nome é Joanna Beth Harvelle”, sussurrou para si mesma. Lembre-se de quem é. Quem não volta esqueceu quem era. “Eu estou aqui com um objetivo”.

Dessa vez, tinha parado numa floresta. Tudo era estranhamente esverdeado. Ela caminhou, seus pés causando ruídos estranhos. Quando forçou a vista para ver melhor o chão escurecido, percebeu que era coberto de ossos, humanos e de animais, e também com crânios de criaturas desconhecidas. Afinal, era só pelos crânios que ela conseguia dizer o que era o que.

Ela não sabia o que a aguardava. Nunca sabia. “Qual é meu pior inferno dessa vez?” ela perguntou a si mesma.

De repente, ouviu claramente, em meios aos gritos, a voz de sua mãe, com uma dor horrível. Jo correu em direção ao som, mas parou no meio do caminho, repetindo para si mesma: “lembre-se de quem você é”. Se ela esquecesse, estava morta. Estava presa. Estava perdida.

Continuou na direção oposta ao som, até chegar a uma clareira. Não estava pronta de forma alguma para o que ia encontrar.

Seu pior inferno.

Ela caminhou até o corpo no centro da clareira, um cheiro horrível invadindo todo seu corpo, de sangue e podridão. Dean estava morto, enormes cortes o desfiguravam, expondo músculo e a gordura de um amarelo doentio. Havia vermes andando por todo seu corpo. Jo gritou, e fechou os olhos e o terror ainda não tinha acabado. Mesmo que tentasse e lutasse para manter a consciência. Essa era a porta de entrada.

Seu pior inferno.

Caída de joelhos no chão, Jo abriu os olhos. Do outro lado da clareira, surgia – ela mesma, mais velha, com uma enorme barriga grávida. De mãos dados a ela, havia um casal de crianças loiras. E ela sabia, que eram os filhos dela e de Dean. A Jo a sua frente riu de forma gélida, sua voz ecoando: isso é tudo o que você podia ter, e vai perder. Nunca terá. Já perdeu. E é isso é tudo que você quer.

Jo gritou novamente, e a sua frente, assistiu as duas crianças morrerem de forma extremamente dolorosa. Assistiu à si mesma cair de joelhos e entrar em trabalho de parto, dando a luz a uma criança morta e deformada.

Gritando e chorando, completamente cega pelas lagrimas, seu peito doía de seus soluços e ela não conseguia respirar direito.

Lembre-se de quem é.

Lembre-se onde está.

Nada disso é real.

Ainda tremendo, ela foi se levantando. Conforme voltava a se situar, toda a cena em volta dela desaparecia, e ela estava novamente numa floresta deserta. Estava dentro então. Mais uma vez, tinha sobrevivido a tortura.

Tinha chegado ao Inferno. Sabia que estava dentro agora que a tortura psicológica tinha passado. Só não entendia porque ainda estava naquela floresta e não no Inferno de fato. Ela inspirou fundo – agora o cheiro era de terra molhada e musgo e não de sangue. Ainda estava frio e úmido e Jo sentiu um mau pressentimento que ia ficando cada vez mais intenso.

Alguma coisa estava errada. Não era como as outras vezes.

Um barulho forte dos ossos do chão quebrando e estalando fez o coração de Jo disparar. Ela se levantou, enfiando as unhas nas palmas da mão, mordendo os lábios, cada vez mais ansiosa. Seu corpo formigava com a expectativa e ela sentia alguma coisa muito estranha no estomago, como um arrepio.

Saindo do meio das folhas, duas coisas horríveis: pareciam humanos, mas o rosto era deformado e vermelho, com chifres e outras saliências nas faces. Eram duas criaturas. Um tinha a cabeça completamente careca e brilhantes olhos amarelos e o outro uma vasta cabeleira loira que ia até o meio das costas e olhos completamente vermelhos, como se fosse puro sangue vivo. Esse segundo tinha dois grandes chifres bem na raiz da testa, onde os cabelos começavam e orelhas pontiagudas também. Ambos estavam sem camisa nenhuma, revelando um corpo manchado de vermelho e negro e estranhos símbolos, alguns como tatuagens, outros como cicatrizes em alto relevo. Eram altos, fortes e imponentes, mas horripilantes e deformados.

Jo quis gritar, mas não conseguiu. Demônios, ela sabia. Mas nunca tinha visto esse tipo de demônio. Das outras vezes, apenas tinha escutado murmúrios, sussurros e boatos das almas torturadas... Que muito sabiam a respeito do que se passavam no Inferno, porque o conhecimento de toda a dor do mundo era parte da tortura. Ela nunca tinha tido contado com demônios como aqueles.

Eles chegaram até ela.

–Não tenha medo – falou o loiro, e a voz era grotesca, surreal, desumana. – você sabe quem eu sou. Baphomet. Estou aqui para conversar com você. Não acha que você conheça meu... Aliado. Asmodeus.

Jo olhou os olhos intensamente amarelos do outro demônio. Asmodeus. O pai de Alicia. Jo sentia todo seu corpo tremer. Eles exalavam medo e terror e destruição e tortura.

–Pensei que eram inimigos – ela falou quando o olhar intenso dos dois demônios sobre ela a incomodaram demais.

–Estamos numa trégua – declarou Asmodeus e Jo achou que a voz dele transmitia mais poder que a de Baphomet. – porque temos um interesse em comum. Os Selos para o Apocalipse.

–Precisamos de ajuda de uma pessoa. – falou Baphomet, um sorriso cruel surgiu em sua face deformada, revelando dentes demais e todos muito pontiagudos e manchados de uma substância escura. Sangue? – e por acaso essa pessoa é você, Joanna Beth, minha serva. Sim, eu te dei esses poderes e eu tenho o direito de exigir que você faça o que eu mandar.

Asmodeus revirava os olhos, claramente irritado com a falação de Baphomet. Este segundo demônio parecia querer agir de forma exagerada e pomposa.

–Eu nunca vou ajudar vocês! – gritou Jo furiosa.

–Ah, você vai. – sorriu Asmodeus friamente. Ele jogou uma coisa em direção dela, mas Jo não foi rápida o suficiente para pegar. Ela teve que se abaixar no chão e resgatar o objeto do meio da sujeira. – e nós temos pouco tempo. O Halloween é daqui há duas semanas. E só temos essa data para quebrar esse selo.

Jo finalmente encontrou o que Asmodeus tinha jogado para ela. Ela o pinçou, pendurando a corrente em volta dos seus olhos. Seu coração deve ter parado por um instante, quando um pânico agudo e cortante a envolveu. Ela conhecia bem demais aquela corrente. Pendurada dela, duas alianças – as alianças de casamento de Ellen e William, que Ellen sempre usava em torno do pescoço.

–Sim – falou Asmodeus – nós temos a sua mãe. Ela está bem segura agora, embora não muito feliz...

Baphomet, demonstrando irritação também, interrompeu Asmodeus.

–O negocio é bem simples. Ou você nos ajuda, ou nunca mais verá Ellen Harvelle novamente. E também, de quebra, poderá aproveitar bem sua temporada aqui no Inferno, porque se depender de mim, nunca mais permitirei que volte daqui do Inferno se recusar a me ajudar.

Jo começou a chorar novamente, as lagrimas escorrendo em grande quantidade pelo seus olhos. Ela sabia dos riscos que estava correndo, mas não conseguia acreditar que tinha sido tão burra. Baphomet a tinha dado esse poder para Jo para se vingar de William Harvelle e ela tinha sido muito ingênua de não pensar nas consequências dessa vingança e achar que só o poder seria a vingança. Ela odiava a superproteção que Ellen tinha com ela e detestava quando Dean agia da mesma forma. Mas agora ela tinha entendido, da pior maneira, os motivos de ambos. Ela queria caçar e ser tão boa quanto seu pai, queria ajudar as pessoas, mas nunca tinha parado muito para pensar nas consequências para ela própria e para a família dela.

Por que tinha sido tão teimosa em insistir em ir para o Inferno e espionar? Por que não tinha escutado sua mãe? E agora ela poderia estar morta. Jo podia muito bem ter matado a ambas – mas antes ambas seriam refém desses demônios. Sabia que não podia deixar se controlada pela emoção, no entanto. Teria que manter a cabeça fria.

O que Dean Winchester faria?

Bem, talvez não fosse a melhor ideia pensar no que Dean faria – porque ele era um caçador brilhante e provavelmente derrotaria esses demônios ali e agora, e ela não sabia nem como começar. Estava no próprio Inferno, pelo amor de Deus. Que caçador foi caçar no Inferno?

Ela inspirou fundo. O ar agora cheirava a enxofre, devido à presença de ambos os demônios.

–Por que eu? – ela finalmente conseguiu pronunciar as palavras que estavam travadas na sua garganta. E dirigindo-se a Baphomet, falou mais – você escolheu tantas pessoas, que eu sei. Por que eu? Não sou a única com esse poder. Isso é parte da sua vingança?

Baphomet a olhou em silêncio, seu olhar distante e com uma expressão muito estranha. Ele a olhava como se estivesse vendo através dela. Jo não conseguia entender o que estava acontecendo – talvez porque ele fosse um demônio e simplesmente fosse louco e maligno. Então ela apenas ficou com mais medo.

–Você é a única corajosa o suficiente – declarou ele, numa voz muito esquisita – todos os outros já estão mortos ou enlouqueceram. E claro – ele voltou com seu tom de voz normal – é uma excelente vingança...

Asmodeus deu um bufo animalesco, indicando que estava com muita raiva do outro demônio.

–Qual é seu problema? – perguntou Baphomet, afetado, se virando para Asmodeus.

–O meu problema é que eu tinha esquecido como você é imbecil e como eu não suporto você. Não consigo acreditar que concordei em trabalharmos juntos. Você não se enxerga? Parece uma drag queen enlouquecida pelo poder! Você não consegue focar no que importa aqui!

–Como ousa? – gritou Baphomet – você está nos meus domínios e pelo que eu me lembro, você está expulso daqui por suas loucuras. Eu te expulsei e te trouxe de volta, e posso acabar com você novamente!

–Você não vai acabar comigo porque precisa de mim. Eu sou o último dos filhos de Lucifer e também a fonte do seu poder. Agora que Azazel morreu, você só te a mim. – ele olhou para Baphomet com desprezo – e de qualquer maneira, você é muito mais fraco que eu. Posso mata-lo apenas com a minha vontade.

–Mas não matou porque você ainda precisa de mim para esse Selo em especial.

Asmodeus olhou para Baphomet longamente.

–Assim que acabarmos com isso, voltaremos a sermos inimigos. Não estou nem ai para sua trégua ou sua necessidade de poderes ou, como você disse, “manter a família unida”. Assim que o Selo de Salém estiver quebrado, eu vou pessoalmente acabar com você e assumir a coroa do Inferno, que deve ser minha por direito.

Baphomet riu alto, a risada fria ecoando por toda a floresta. Eles pareciam ter se esquecido de Jo completamente enquanto discutiam política – ou estavam apenas tendo uma discussão de almoço de domingo em família? Jo não sabia, mas ela queria fugir. Só que não tinha para onde ela correr.

–Você não pode assumir a coroa do inferno. Você pode ser filho de Lúcifer, mas não está na sua linhagem a herança. Você pode ser poderoso, mas não pode ter o reino. E lembre-se que só concordei em trabalhar com você porque você é um dos mais poderosos que restaram... Junto com Lilith...

Jo se arrepiou ao ouvir o nome do demônio que guardava o contrato de Dean. Se ao menos ela pudesse descobrir alguma coisa de útil.

–...Mas nós sabemos que ela está cuidado de outras coisas agora! E nós temos que nos unir para quebramos os Selos! E ponto final! – Jo não pode deixar de pensar que Baphomet parecia uma criança mimada.

–Certo. – resmungou Asmodeus – vamos focar nos Selos então. Escute, Joanna Beth. Provavelmente esse idiota não lhe informou, mas descer ao inferno te faz uma bruxa. Não, você não vendeu sua alma, mas você é uma bruxa agora. Um dos Selos Menores é a volta das Bruxas de Salém e precisamos de uma bruxa poderosa para trazê-las novamente. Que seria você. Andei conferindo as outras bruxas que venderam a alma ultimamente e é uma vergonha. Elas usam seus poderes para os maridos terem promoção no trabalho, para ganharem concursos de culinária e fazer suas filhas vencerem concursos de Rainha do Milho. É realmente uma vergonha – ele balançou a cabeça, parecendo muito infeliz – mas você é a única bruxa que está lutando, e é você é a nossa escolhida. Salém, o que você acha? – Jo percebeu que agora ele tentava parecer gentil, como se ela tivesse escolha – prometo que vamos devolver sua mamãe viva se você se comportar direitinho.

Notas finais
The Messenger é um título com significado triplo: é uma referência direta a Jo e também é o titulo da música que está no inicio do capítulo e de um livro muito fofo, que em português tem o titulo Eu Sou O Mensageiro e é um dos meus livros favoritos da vida. Eu não sei o que aconteceu com o Baphomet que eu resolvi zoar com a personalidade dele hahaha mas quando fui escrever, ele simplesmente foi aparecendo dessa maneira na minha cabeça. E acho que combina também com o que já foi dito antes. Agora Asmodeus ta a cara dele mesmo – poderoso, mandão, estressadinho. Eu adorei escrever a briga (ou barraco hahaha) deles. E lembre-se sempre de prestar atenção nos comentários sobre a linhagem para o rei do inferno, porque isso vai ser muito importante nas oitava/nova temporadas dessa história. No próximo capítulo, veremos o que Dean e Sam estão fazendo. Alicia continuará sua caçada a Asmodeus - que olha só, deixou a Nova Inglaterra porque foi aceito novamente no Inferno. Não por muito tempo, reparem que a briga é intensa. A linhagem que pode ser rei do inferno é a linhagem de Baphomet (e isso será melhor explicado bem depois, quando for mais revelante a história) e Crowley está nessa linhagem. Comentários? Qualquer dúvida perguntem, as vezes eu não sei se as explicações estão claras haha.