Hell & Consequences
9 3x09 - Only Know You Love Her
Notas iniciais
Bem, você só precisa da luz quando está escurecendo
Só sente falta do sol quando começa a nevar
Só sabe que a ama quando a deixou ir
Você só sabe que esteve bem quando está se sentindo para baixo
Só odeia a estrada quando está com saudades de casa
Só sabe que a ama quando a deixou ir
E você a deixou ir
Passenger
2 de agosto de 2007, três da madrugada, motel na beira da estrada, Arkansas.
–Não consegue dormir? – Jo foi encontrar Alicia sentada num dos bancos de fora do motel. Era agosto e devia estar quente, mas havia um vento frio que tornava tudo macabro. O banco que Alicia estava sentada era de pedra e ela podia sentir o gelado passando da calça para a pele dela.
–Não. – ela respondeu – eu estou pensando em algumas coisas. Falei com Ash há poucas horas, e ele confirmou para mim... Algumas coisas.
O Apocalipse era real. Tinha sido a pesquisa mais difícil que Ash já tinha feito na vida, ele mesmo tinha dito isso, mas agora dizia com certeza: era real.
–Eu tenho a informação que você precisa. – falou Jo, se sentando ao lado da morena. – você ainda a quer?
–Mais do que tudo – falou Alicia com determinação.
–Asmodeus estará na Nova Inglaterra nos próximos meses. Eu sei, não é a informação mais útil do mundo, mas já diminui a área que você tem que procurá-lo.
–Eu sei. Obrigada. Isso ajuda muito. – Alicia sorriu.
–Ele precisa reunir algumas pessoas para quebrar um selo. – falou Jo.
–Asmodeus está reunindo pessoas para quebrar um selo? – repetiu Alicia, sem acreditar. – agora ele tem interesse também em quebrar selos? – Alicia fez uma pausa, confusa – desde quando você sabe sobre esses selos?
–Desde a minha primeira ida ao inferno. – respondeu Jo, séria. — O apocalipse é real. – disse Jo, tão sussurrado que Alicia praticamente fez leitura labial. Os olhos da garota estavam cheios de medo.
–Por que Asmodeus está interessado no apocalipse? – perguntou Alicia, mais para si mesma do que para Jo. O Apocalipse era a batalha entre Céu e Inferno. Asmodeus sempre jogava por conta própria. O que ele tinha a ganhar com a destruição do mundo?
A resposta: o mundo. Destruído, mas se céu e inferno se aniquilassem também... Aquilo parecia muita viagem.
–Eu vou voltar agora. Antes que minha mãe de por minha falta. – falou Jo .
–Tudo bem – respondeu Alicia. Assim que ouviu o barulho da porta sendo fechada, que ecoou na noite, Alicia foi até a recepção do motel.
Havia apenas um adolescente lá dentro, ruivo e cheio de espinhas.
–Ei. – ele imediatamente prestou atenção em Alicia – você poderia me conseguir um cigarro?
O garoto se abaixou e prontamente colocou um maço na frente a ela.
–São 12 dólares.
–Eu não tenho dinheiro. – o garoto fechou a cara. Alicia sorriu – posso pagar depois?
Lentamente ele concordou com a cabeça.
–Você tem um isqueiro?
–-
Essa era a hora mais escura da madrugada. Alicia sabia o que devia fazer. Voltar para a cama, acordar Sam e contar para ele o que Jo tinha dito. Iriam revirar a Nova Inglaterra juntos nos próximos meses. Iriam caçar Asmodeus juntos e iam salvar a vida dela. Iam passar por toda aquela situação difícil juntos e também caçariam a tal da Lilith e salvariam Dean. Como uma família. Permaneceriam juntos, lutando juntos, um ajudando e apoiando o outro.
Mas ela não conseguia voltar para cama e dizer para Sam. Ela não queria entrar naquela luta com ele.
Aquilo simplesmente não era ela. Alicia estava se esforçando para conseguir incluir Sam na sua vida nos últimos meses, em nome do relacionamento deles. Mas ela não era dessa maneira.
Como caçar Asmodeus. Aquilo tinha sido sempre a caçada dela, a vingança dela, era extremamente pessoal e ela não conseguia de forma alguma dividir isso. Ela não queria ajuda, ela queria resolver sozinha. Sam... Ele era perfeito, tudo que Alicia sempre tinha querido na vida. Não era?
Então por que há cinco anos ela tinha ido embora? Porque ela não tinha dividido com ele tudo que a preocupava e pedido a ajuda?
Ela ainda não era uma adulta quando tudo aquilo começou a acontecer com ela. E Alicia sabia que na época, podia ter contado a Sam, afinal, eles eram melhores amigos. Ela sabia que os Winchester não a abandonariam (pelo menos antes de descobrir que era filha de um demônio), afinal eles eram família. Ela era uma Winchester. Mas mesmo assim, escolheu fugir e enfrentar tudo sozinha. E de novo, ela estava na mesma situação.
Não estava mentindo mais para si mesma. Se pudesse escolher, iria embora agora caçar Asmodeus, largando tudo para trás. Mas agora ela não era tão mais inconsequente. Alicia sabia muito que se desaparecesse, ela iria magoar Sam. De novo. E ela não tinha a mínima intenção de magoá-lo.
Era um beco sem saída. Ou Alicia teria que ceder e aceitar ajuda, uma ideia que ela particularmente detestava, ou ela teria que fazer outra coisa que ela não queria.
Mas por que não contar com Sam? Por que ela se sentia tão horrivelmente invadida quando pensava em ter a ajuda dele para caçar o próprio pai?
Sim, Asmodeus era o pai dela. O problema dela. A luta dela. Sempre tinha sido.
Talvez ela estivesse simplesmente sendo ridícula. Qual era o problema de caçarem Asmodeus juntos? Eles não tinham caçado Azazel juntos, e caçado tudo e qualquer coisa juntos a vida inteira?
Mas ela sentia que isso era particular demais, dela demais. Ela não queria dividir Asmodeus com ninguém. Queria mata-lo por conta própria, era a luta dela, e ela sentia que precisava fazer sozinha. E além do mais, ela também temia pela vida de Sam e Dean e de qualquer outro que se envolvesse naquilo. Eles já eram alvos, claro, mas talvez fosse mais seguro para todos ficarem longe. Asmodeus era louco e perigoso.
Não. Ela tinha que caçá-lo sozinha. Sam teria que entender.
Ela ouviu passos atrás dela, e se virou bruscamente. Era Sam, saído direto dos seus pensamentos, com o moletom que ele estava usando para dormir. Ela o amava tanto que só vê-lo a derretia por dentro, mas nesse momento, a sede de vingança era maior.
–O que está acontecendo? – ele perguntou, a expressão confusa.
–Eu estou apenas andando em círculos. – ela respondeu, como se aquilo fizesse sentido. Sam a abraçou, e ela inspirou fundo, o cheiro dele, todo o corpo dela relaxando.
–Você está congelando. Há quanto tempo está fora? – ele inspirou fundo. – você está fumando?
Antes que ela pudesse responder, Sam pegou o maço de cigarros que estava no bolso da calça dela. Ele suspirou fundo, cansado. Lá vamos nós de novo com Alicia, ele pensou. Por que ela não podia fazer as coisas da maneira mais fácil uma vez na vida?
–O que está acontecendo? – falou novamente, dessa vez mais sério e preocupado.
Claro. Alicia fumando que nem uma louca em plena da madrugada só podia significar que tinha alguma coisa acontecendo.
–Jo me contou uma coisa. – ela falou. Sam estava com aquela cara de quem tenta adivinhar o que estava passando na cabeça dela. – sobre Asmodeus. Onde ele está.
Sam sorriu levemente, parecendo aliviado.
–Mas isso são boas notícias, não são? Podemos caçá-lo.
–É, Sam. Eu suponho que seja. – Alicia falou, sem olhar Sam nos olhos. Ele já tinha percebido que ela estava prestes a fazer alguma coisa maluca de Alicia. Isso era enormemente frustrante. Ele nunca sabia o que esperar dela, quando tudo estava calmo, ela aparecia com alguma coisa e acabava com todas as certezas que ele tinha. Como Alicia era uma pessoa difícil.
–O que você está pensando? – ele falou, já entrando na defensiva. – eu não posso adivinhar o que se passa na sua cabeça louca.
Alicia finalmente olhou nos olhos dele.
–Escute. Eu preciso caçá-lo. Eu. Sozinha. Eu sinto que isso é uma coisa que eu preciso fazer por conta própria.
–Meu Deus, Alicia, por quê? – Sam falou quando conseguiu encontrar as palavras. Não. Por favor não de novo. Eu não posso suportar perde-la, nem agora nem nunca. Eu nunca suportei viver sem você.
–É a minha vida, Sam. São meus assuntos, meus problemas e eu... Eu sinto que preciso fazer isso sozinha!
Sam desejava que pudesse entender. Desejava que o que Alicia falava agora fizesse algum sentido. Mas mesmo que ele se esforçasse para entender, ele não entendia. Ou era claro – Alicia era uma egoísta. Sempre tão imersa em si mesma.
–Mas não aja como se sua vida não importasse para mim também! É claro que importa! É claro que é da minha conta. – ele falou, alterado, se afastando dela.
–Não, no meu ponto de vista, não é. – ela falou, a voz e o olhar triste, observando a reação explosiva de Sam. Alicia não teria esperado outra coisa. – eu não posso explicar Sam, mas você precisa entender que... Eu preciso fazer isso sozinha.
–Eu preciso entender o que você não pode explicar? Eu não entendo, Alicia. Eu nunca entendo você.
–Eu sinto muito. As vezes eu também não me entendo. Eu não posso envolvê-lo nisso, Sam. É a minha vingança. Minha história. O motivo pelo qual eu nasci. Isso é tão particular que eu não posso dividi-lo com ninguém.
–Não me trate como se eu fosse qualquer um. Eu não sou qualquer um. – murmurou Sam incoerentemente. Ele já estava tão cansado das repetições daquilo. Felicidade e coração partido andavam lado a lado quando se tratava de Alicia. Era uma aposta louca e ele nunca sabia qual carta ele estava tirando do baralho. Nunca tinha certeza. Estar com Alicia era um pulo num abismo, caindo constantemente, com a sensação de estar flutuando as vezes. E as vezes eles flutuavam, e Sam se sentia tão bem, para depois Alicia empurrá-lo e lembrar que aquilo não era o céu e ele não estava voando, ele estava caindo sem parar. E o chão nunca chegava para terminar a dor.
Houve um silêncio tenso.
–Eu sinto muito, Sam. – Alicia finalmente falou. – eu estou indo caçar Asmodeus e você não pode vir comigo. E de qualquer maneira, você precisa salvar Dean.
–Nós deveríamos fazer tudo isso juntos. Você não pode tomar essas decisões sozinhas.
–Eu posso e eu estou tomando. – falou Alicia, pela primeira vez demonstrando irritação.
Sam ficou quieto, incrédulo.
–Você está terminando comigo? – perguntou Sam.
Alicia ficou surpresa. De forma alguma isso tinha passado pela cabeça dela. Ela se aproximou dele novamente, tocando o rosto dele.
–Sam, não. De forma alguma. Eu amo você. – Alicia encostou o corpo dela no dele, o aproximando, sendo envolvida pelo calor dele. – não é nada disso. Nós só vamos caçar separados, só isso.
–Eu não entendo porque você faz de tudo para me manter longe.
–É por que... É porque esse é o jeito que eu sou, Sam. – Alicia falou.
Sam estava com aqueles olhos de cachorrinho. Sim, ele sabia disso. Sempre soube. Alicia era a queda dele, o abismo dele, a luz e a escuridão. Ela era assim que era ela e ele a amava dessa maneira.
Amor ou vicio?
–Eu sei – ele disse, baixinho – eu sei como você é. E as vezes eu desejo que não fosse assim.
–Eu não posso ser outra coisa.
–Eu sei. Eu amo você.
Alicia deitou a cabeça no ombro dele, ele a abraçando com força.
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