Hell & Consequences
8 3x08 – Ember to Inferno
Notas iniciais
Deus abençoe a todos nós
Somos um povo corrompido vivendo sob arma carregada
Não
Como lembranças em uma queda gelada
Transmissões ecoando longe
Longe do mundo de você e eu
Onde os oceanos sangram em direção ao céu
Deus abençoe a todos nós
Quando queimarmos dentro do fogo de mil sóis
Pelos pecados da nossa mão
Os pecados da nossa língua
Os pecados de nossos pais
Os pecados de nossos jovens
Não
Linkin Park
A primeira coisa que Jo sentiu, antes mesmo de abrir os olhos, foi que ela estava encharcada. E com frio. O chão sobre o qual ela estava deitada era extremamente gelado. Então ela abriu os olhos, mas não viu nada, porque estava tudo escuro.
–Ela acordou. – disse uma voz de mulher. Rapidamente, alguém acendeu uma luz. A claridade queimou os olhos de Jo, acostumados com a escuridão. Ela se sentou. Havia um silêncio opressor no ambiente, tanto que ela podia ouvir o próprio coração pulsar em seus ouvidos. Seu estomago deu uma forte revirada. Sim, Jo Harvelle estava com medo e muito.
A sua frente, havia uma mulher alta e magra demais, mas com seios muito grandes que praticamente pulavam para fora do seu vestido decotado, curto e justo, preto. Ela tinha cabelos negros lisos que iam até a cintura, e olhos azuis muito claros.
–Ela está acordada. – falou a mulher enquanto Jo se sentava. Uma porta se abriu. Passos se seguiram.
Um homem alto, forte com cabelos claros e curtos e também olhos azuis entrou na sala. Jo finalmente prestou atenção onde estava: num porão de concreto, extremamente úmido. Definitivamente havia algum vazamento por ali, pois tinha um pouco de água no chão. O cheiro era de mofo. Todas as roupas dela estavam úmidas.
–Como você cresceu! – disse o homem e sua voz era aveludada e profunda, mas mesmo assim provocava arrepios de terror. – a última vez que eu a vi, você era uma pequena garotinha. Você sabe quem eu sou.
–Baphomet. – sussurrou Jo. Ah, ela sabia. Não deveria saber. Ellen nunca tinha querido que ela soubesse.
–Exatamente, Harvelle. Adivinha quem conseguiu escapar do inferno? Afinal, John Winchester não conseguiu me manter lá por muito tempo.
Jo mordeu os lábios.
–Você deve estar se perguntando por que eu capturei você. É claro, vingança. William Harvelle tornou minha vida uma droga, muito complicada, e apesar de eu ter causado a morte dele, eu ainda assim fiquei preso no Inferno. Mesmo para o Rei, não é tão fácil escapar de lá depois que você é exorcizado. Ou melhor, não era. Graças aos Winchester, todo mundo quem importa está fora agora. E eu importo e muito. Você é adorável, Joanna. Quero que você seja uma das minhas, assim como Lavander.
Ele indicou com a cabeça com a mulher que estava ali.
–Eu nunca vou me juntar a você! – falou Jo, quase cuspindo as palavras, tremendo de ódio.
–Não é sua escolha. Eu escolhi você. E você vai ver que é melhor desse jeito. Assim você poderá visitar seu querido Dean Winchester após a morte dele.
Baphomet olhou para a expressão confusa e cheia de dor de Jo.
–Espere, você não sabe? – o demônio riu, deliciado – Dean Winchester fez um pacto. A alma dele queimará em alguns meses.
Ele avançou até ela, e com um movimento rápido, bateu a cabeça de Jo na parede e a moça perdeu os sentidos. Baphomet olhou para Lavander.
–Traga as coisas que nosso ritual irá começar.
–-
Os três assistiram a chuva cair, por uns cinco minutos, perplexos demais. O tempo estava quente e abafado e o que caia do céu era vermelho. Alicia foi a primeira a demostrar qualquer reação, correndo até a porta da casa e abrindo. Sam a chamou, correndo atrás dela.
Ela esticou a mão para a chuva, deixando sua mão ser molhada pelo liquido. Era quente. Ela cheirou. Tinha cheiro de ferro. Como sangue.
–É realmente sangue. – ela falou.
–Ótimo – disse Sam, puxando a de volta para dentro da casa e rapidamente consertando a barreira de sal que Alicia tinha destruído – nós percebemos, por favor, fique aqui dentro. Em segurança.
Nesse momento, Dean passou correndo por eles, com Ellen logo atrás. Eles abrem a porta com violência.
–Que porra é essa? – perguntou Alicia. Na correria, Dean tinha quase derrubado ela no chão. Pela porta escancarada, podiam ver Jo, caminhando tranquilamente até a casa, o sangue manchando seu cabelo e sua roupa. Dean e Ellen correram para acompanha-la até a casa. Sam e Alicia se entreolharam, ambos pensando se aquilo era sensato. E se aquela não fosse Jo de verdade?
Mas acompanhada de Dean e Ellen, ela passou tranquilamente pela armadilha do diabo debaixo do tapete.
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Alicia e Ellen arrastaram Jo para baixo do chuveiro, para limpá-la de toda a sujeira que o sangue tinha causado. Dean e Sam esperaram do lado de fora do banheiro. Jo não estava fisicamente machucada, mas parecia muito assustada. Nenhuma das duas mulheres perguntou a ela o que tinha acontecido, mas mãe e filha compartilharam um olhar cheio de significados.
As duas saíram do banheiro para Jo ter mais privacidade em seu banho. Alicia emprestou algumas roupas limpas para ela. A loira sorriu, agradecida. Ela parecia estar se situando melhor e ficando mais tranquila.
Dean, Ellen e Sam ficaram de pé na porta do banheiro. Alicia se sentou, encostada na parede e abraçando os próprios joelhos. Por fim, Jo saiu do banheiro, vestida com as roupas de Alicia, que era um pouco mais alta que ela.
–Eu não sei explicar exatamente o que aconteceu comigo – falou Jo, prontamente. Ela tentava parecer calma, mas estava tremendo – mas não se preocupe. Eu estou bem, ninguém me machucou. Eles só me transformaram numa mensageira.
–Will nunca comprovou que elas existiam, Jo! – falou Ellen, parecendo mais perturbada do que a própria filha – não é certo isso. Como você sabe? Você já desceu?
–Sim. – ela respondeu, seus olhos vazios de emoção e quase cinzentos. – já aconteceu. Eu fui escolhida.
–Mas não está no seu sangue! Isso é apenas uma vingança de Baphomet contra seu pai.
–Baphomet? – repetiu Sam.
–O Rei do Inferno. – respondeu Jo.
–Eu pensei que Azazel devia ser o rei do inferno – falou Alicia, pensativa, olhando para Sam.
–Não é assim que funciona — explicou jo – Azazel era o enviado de Lúcifer, mas não o rei do inferno. Há séculos o rei do inferno tem sido Baphomet. Diz à lenda que ele foi o primeiro ser humano que vendeu a alma. Mas existe uma linhagem para ser rei do inferno, não é qualquer demônio que pode.
–E William descobriu que ele estava a algum tempo andando aqui pela terra, deixando o inferno na mão dos seus subordinados. Ele não queria alma, ele queria que o Inferno fosse tão temido novamente quanto foi na Idade Média. Para isso, ele escolhia algumas pessoas, Will acreditava que eram de famílias especificas, que se relacionaram com ele ou outros demônios durante a Idade Média e deixaram descendentes. E para elas, Baphomet dava o poder de descer até o inferno e ver o que lá acontecia, para poder espalhar a palavra de lá pela terra e o inferno voltar a ser temido. Obviamente, ninguém acreditava nas palavras desses mensageiros.
–Mas qual é a parte de Jo nisso? – perguntou Dean, muito ansioso com aquilo tudo.
–Ele me deu o poder, Dean. John Winchester exorcizou Baphomet, e agora que ele saiu novamente, resolveu se vingar do meu pai. Me dando o poder de descer minha alma até o inferno e voltar.
–Isso soa perigoso – declarou Dean – ou seja, nem pensar que você vai fazer isso.
–Baphomet é muito estupido – raciocinou Alicia – você já pensou que ele acabou de nos dar uma espiã nessa guerra?
–Não, porque Jo não vai fazer isso! – falou Dean, furioso com Alicia – ela não vai até o inferno de forma alguma.
–Alicia está certa, Dean! – falou Jo – é uma vantagem para nós. Eu sei que ele tem esperança que isso me destrua e assim ele se vingue do meu pai, mas eu sou forte, eu posso fazer isso! Eu posso ajudar vocês. Eu posso espionar.
–Isso está fora de cogitação! – respondeu Ellen – e se der errado? E se você ficar presa lá? Sabemos que isso acontece, Jo. Você pode ir e nunca mais voltar.
–Mas e se isso nos der uma vantagem na guerra? Eu estou disposta a me sacrificar por isso. Eu quero isso, eu quero lutar. E para mim, eu vejo isso como uma vantagem! Eu já fui e eu estou bem. Eu vou ficar bem!
A última frase foi sufocada pelas lagrimas da garota, que escaparam de algum lugar mais fundo. Jo estava certa, ela era forte, mas aquilo era muito novo e muito assustador. Ellen fez um movimento para abraça-la, mas Dean chegou primeiro, e a garota se envolveu nos braços dele, enquanto soluçava, e ele a apertava contra seu peito, querendo nunca mais soltá-la, para nada mais acontecer com ela novamente.
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Enquanto a chuva não parava, eles não se atreviam a tentar ir embora. Alicia se escondeu num dos quartos da casa em que eles estavam, observando o sangue cair do céu, rios vermelhos correndo pela rua. Novamente, abraçada aos seus próprios joelhos, se perguntando se poder enlouquecia.
Ela não era idiota. Sam não dizia nada, nem quando ela perguntava, mas ela sabia muito bem que seu corpo estava se destruindo aos poucos. As manchas vermelhas, os machucados frequentes, a falta de brilho da pele, seu cabelo caindo, as unhas quebradas e descamando, vômitos e dores frequentes, o emagrecimento exagerado, ela devia ter perdido uns 10 kg nos últimos meses e estava sim magra demais. Se ela não soubesse, diria que tinha câncer. Talvez aquilo fosse como um câncer, sugando sua vida de dentro para fora, correndo seu corpo. Um ácido forte demais num corpo que não aguentaria muito tempo. Ela sentia queimar dentro dela, borbulhar dentro dela, cada vez mais forte, mais intenso e mais selvagem. Cada emoção que ela sentia era amplificada. Pensava em Asmodeus com um ódio que a consumia. Queria mata-lo. Humilha-lo. Tortura-lo.
Ela queria vencer essa guerra. Lembrava-se constantemente do que Gleen tinha dito a ela. Era a rainha, a líder de um dos lados. Sam não pensava na guerra, o que ele queria era salvar Dean do inferno. Dean queria matar o máximo de filhos da puta possíveis antes de morrer. E o que Alicia queria era entrar na guerra. Lutar. Vencer. Destruir aqueles que causavam tanto mal ao mundo.
Foi por isso que ela tinha entendido o desejo de Jo de lutar. A pobre garota estava apavorada e Alicia conhecia tão bem o sentimento. Novos poderes dão muito medo, mas se bem utilizados podem render muitos frutos.
Ela poderia vencer aquela guerra. Poderia salvar Dean do inferno. Poderia acabar com qualquer um que substituísse Azazel, Asmodeus e Baphomet juntos. Poderia acabar com o apocalipse. Alicia sentia isso. Ela era poderosa, ela era única. A única coisa que ela precisava é encontrar os pergaminhos que estavam na posse de Asmodeus, realizar os feitiços, acabar com toda aquela corja de demônios – e anjos também, se possível, afinal, eles não tinham matado inocentes naquele caso dos corações, só pra quebrar aquele suposto selo e trazer um suposto apocalipse. Alicia ainda não comprava muito aquela ideia.
A porta se abriu atrás dela e Alicia se virou bruscamente para ver. Era Jo.
–Eu preciso de sua ajuda. – a loira falou – Dean e minha mãe não concordam, mas eu sei que você entende, Alicia. Quero dizer, eu não sei exatamente o que está se passando com você – ela fez uma pausa, observando Alicia atentamente — mas eu preciso voltar ao inferno. Ouvi coisas que te ajudariam. Sei que você está caçando um demônio chamando Asmodeus.
Alicia se levantou, uma energia muito forte passando por ela.
–Sim, eu estou caçando Asmodeus. Há meses eu acho. E não encontro nada. Qualquer informação séria útil.
–Tem um ritual. Só precisamos encontrar as coisas.
–Vocês duas não vão fazer nada. – Dean abriu a porta. – sim, eu estava ouvindo por trás da porta. Jo, escute uma coisa. Essa história de descer até o inferno é perigoso. Você pode morrer. E eu não quero que você morra. É isso que você quer que eu diga? Eu não quero que você arrisque sua vida!
–Dean, já chega ok? – Jo ficou de frente a ele, encarando, seu rosto uma mistura de raiva e magoa, seus olhos brilhando de lagrimas – eu descobri a verdade. Eu sei sobre seu pacto. Eu sei que você vai morrer e você achou que não fosse importante me contar nada.
–Não é nada disso Jo! Como eu poderia contar que eu vou morrer? Como é que se conta isso para alguém? – Dean realmente tinha cedido a toda emoção e sentimentos que estava guardando nos últimos meses. Ele estava desmoronando.
Jo parecia ainda mais desesperada ao ver Dean, que era sempre tão durão, desabar na frente dela.
–Ok, todo mundo calma – falou Alicia, cortando a briga – nós temos que pensar racionalmente agora. Isso é uma guerra, Dean. E se Jo pode nos ajudar com isso... Ela poderia encontrar até um meio de salvar você.
Reservatório natural Lee Creek, 01 de agosto de 2007, 20 horas.
O Impala ficou totalmente sujo da mistura de terra e sangue. Jo havia assumido o controle do feitiço que deveriam fazer para prepara-la para a descida, e eles procuraram uma região de floresta para fazer isso, depois que conseguiram todo o material que precisavam.
Sam e Alicia acendiam velas negras e vermelhas num circulo, depois de terem traçado com spray vermelho uma série de símbolos complicados que Jo tinha desenhado num papel. Dean tinha acendido uma fogueira num canto, que era o que mais iluminava ali. Apesar de ser agosto, a noite estava gelada.
Jo caminhou ao centro do circulo. Todos a observavam quase sem piscar ou fazer algum outro movimento. Todo o ambiente ainda cheirava a sangue, mas tudo estava silencioso.
Ela murmurou algumas palavras de origem desconhecida. A temperatura no ambiente pareceu diminuir mais ainda e logo todos – Dean, Sam, Alicia, Ellen – estavam tremendo. Jo abriu os olhos, que estavam esbranquiçados, lagrimas de sangue começaram a escorrer. Dean fez um movimento, pronto para correr para ela, mas Alicia o segurou.
O transe de Jo durou menos de 10 minutos, mas a sensação eram que horas tinham se passado. As velas e a fogueira se apagaram, deixando eles completamente no escuro e em seguida Jo caiu no chão. Eles correram ao meio ao circulo, Dean chegando primeiro.
Jo abriu os olhos, que tinham voltado a cor castanha.
–O demônio que tem seu contrato chama-se Lilith, Dean.
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