Notas iniciais
Oi gente, junho ta ai, e sabe o que isso significa... Não, não festa junina e também não a copa, mas as minhas provas finais :( Eu tenho até o capítulo 10 pronto, mas vou fazer o possível para escrever o 11 essa semana e continuar atualizando. Se eu sumir, vocês sabem: estou estudando ou finalmente meus professores conseguiram me matar de alguma coisa relacionada a estresse. Enfim. Coisas da vida. Bom capítulo!

Veja as mudanças vermelhas no céu

30 Seconds to Mars

01 de agosto de 2007, aproximadamente três da madrugada, motel em Wichita Falls, Texas.

–Sammy! Allie! – gritava Dean, batendo da porta. – abram!

Dean sentia um pânico descontrolado que ele não se lembrava de ter sentido com frequência. Seu coração batia com força, suas mãos tremias e ele sentia como se o ar estivesse sumindo ao redor da sua cabeça, por mais que ele inspirasse e expirasse com força. Não estava acontecendo. Não podia estar acontecendo. Tinha alguma coisa errada.

Alicia abriu a porta. Ela estava usando apenas uma camiseta de Sam, que batia abaixo do seus joelhos, seus cabelos estavam despenteados e ela estava com uma expressão confusa.

–Onde é o fogo? – ela perguntou de forma incoerente, deixando Dean entrar no quarto. Sam estava sentando na cama, terminando de vestir suas calças.

–Tem 23 ligações perdidas da Ellen no meu celular! – falou Dean, num tom urgente, como se isso explicasse tudo.

–Ela te ligou vinte e três vezes e você não ouviu nenhuma delas? – perguntou Sam, levantando as sobrancelhas.

–Eu estava ocupado. – respondeu Dean, com um gesto irritado acompanhando o tom de voz urgente.

Mas é claro que estava. Dean praticamente não ia mais dormir sozinho há semanas. Cada noite, uma prostituta ou garota bêbada (ou não, Dean de fato não precisava pagar ou embebedar ninguém para conseguir uma mulher, ele apenas precisava sorrir).

–Certo. – respondeu Alicia , se sentando ao lado de Sam na cama. Ela ainda estava tentando acordar. – e agora?

–Agora é que nem Ellen nem Jo respondem minha ligação. Então eu liguei para Ash, e ele rastreou as ligações para mim. Elas estão em Fort Smith, no Arkansas.

–Você falou com Ash? – perguntou Alicia, surpresa – não temos noticias dele há um tempo. Ele encontrou alguma coisa sobre os Selos?

Dean a ignorou. Ela não ficou surpresa, sabia que não era o momento para discutirem o s Selos, mas ela precisava saber mais. Afinal, seu nascimento supostamente era um selo, aquilo era pessoal demais para confiarem numa demônia que vinha de sabe se lá qual andar do inferno e que dizia se chamar Ruby. Ruby, pelo amor de Deus, nem ao menos era um nome de verdade.

–É aqui perto – falou Sam, voltando ao assunto rapidamente pois Dean parecia estar passando por um colapso – devemos estar o que, a umas cinco horas de lá? Podemos ir agora. Chegaríamos pela manhã cedo.

–Dean, você não falou com Jo há alguns dias? – lembrou Alicia. Tinha ouvido Dean sussurrar durante três horas seguidas ao celular, o que só podia significar Jo Harvelle, a única pessoa com quem Dean falaria tanto tempo – elas não estavam bem?

–A última vez que soube dela estavam caçando uns demônios em North Little Rock. – falou Dean. – e estavam bem. Demônios somados a vinte e três ligações é... Perturbador. – completou Dean, seu olhar distante, como se estivesse se lembrando de alguma coisa.

–Estamos indo para lá agora, Dean. Vai ficar tudo bem. – Alicia atravessou o quarto e pegou algumas roupas de suas malas, indo em direção ao banheiro. Dean estava certo, 23 ligações era preocupante e eles precisavam ir rápido. — E por favor, seja simpático e dê um abraço em Jo. Faz quanto tempo que você não vê ela, uns quatro meses?

–Desde quando você age como minha mãe? – perguntou Dean, ao mesmo tempo que Alicia fechava a porta do banheiro.

–Desde que eu temo que você resolva se comportar como um mal educado. — gritou Alicia, já dentro do banheiro, a voz abafada.

Dean parou na porta do banheiro, já fechada, e gritou, furioso:

–Eu vou morrer, Alicia! O que você quer que eu faça, que eu aumente ainda mais o sofrimento de Jo?

Alicia abriu a porta com certa violência. Pela sua expressão, ela estava a ponto de dar uns tapas em Dean.

–Eu espero que você se dê a chance de ser feliz pelo menos uma vez na vida! Feliz de verdade e não essa porcaria toda de mulheres estranhas, cerveja e fast food.

–Você não tem ideia do que você está falando!

–Não tenho, Dean? Por que pelo que eu sei, eu também vou morrer, mas diferente de você, ninguém sabe meu prazo de validade. Eu posso cair morta daqui há 10 minutos ou agora mesmo.

–Ei, ei. – Sam se levantou rapidamente e agora estava parado ao lado de Dean e Alicia, olhando de um para o outro, estranhando demais a confusão. – o que é que está acontecendo? Nunca na minha vida eu vi vocês dois brigarem. Isso é um fato inédito.

Alicia bateu a porta.

–O que foi isso? – perguntou Sam novamente, encarando Dean.

–O que acontece é que faz meses que Alicia fica tentando... Agindo como uma louca... Tentando me empurrar para a Jo! E Jo merece alguém que...

–Vamos parar com isso? Ninguém vai morrer aqui. – falou Sam, em tom de quem encerrava definitivamente o assunto.

Alicia abriu a porta do banheiro, passando por ambos sem dizer uma palavra. Pelo jeito que ela estava andando Sam sabia dizer que Dean tinha conseguido a irritar muito mais do que ele próprio conseguia. É claro que ele gostaria que seu irmão fosse feliz, e se Jo o fazia feliz, era lógico que esperava que Dean fosse menos cabeça dura...

Mas claro que não. Era Dean Winchester sobre quem estavam falando, e ele nunca se envolveria com Jo estando prestes a morrer. Sam podia admirar isso no irmão, mas Alicia não estava totalmente errada. Dean merecia ser feliz.

Dean saiu do quarto resmungando, provavelmente para arrumar suas coisas. Alicia se sentou na cama, calçando as botas.

–Sam, eu e você estamos fazendo o possível e o impossível para salvar Dean. – ela falou, séria. – mas eu estou preocupada com ele. De verdade. Ele vai pegar uma DST.

–E você acha que a solução para isso é juntá-lo com Jo? – perguntou Sam, realmente sem acreditar que Alicia levasse a queda que Jo tinha por Dean a sério. Ele pegou uma camisa de dentro da sua mala. Estava completamente amassada, mas teria que servir. Eles precisavam urgentemente lavar a roupa.

–O que tem de errado nisso? Ele obviamente gosta dela. É obvio. E ela gosta dele também. Eles são adultos. Qual a parte que eu não estou pegando?

–O pacto que Dean fez, Allie. – falou Sam, incomodado. O pacto que Dean tinha feito para salvar a vida dele. O sacrifício de Dean que agora permitia que Sam estivesse ali com Alicia. – esse é o problema.

–Sam... Todos nós vamos morrer. Isso não é diferente para nenhum ser humano na face da terra. Eu não vejo qual é o ponto em sentar e esperar a morte. Jo é uma mulher crescida. Ela poderia ter o direito de escolher se quer se envolver nisso ou não. Mas Dean apenas a enrola.

–Dean está sendo nobre.

–Dean está sendo estupido.

Agora Alicia estava parada bem em frente a ele. Ela o abraçou, sua respiração tocando o rosto dele. Ele a apertou firme contra o peito dele, sentindo que o corpo dela estava tenso.

–Por que está tão brava sobre isso? – ele baixou o tom de voz, deixando de lado as palavras altas e agitadas para falar carinhosamente com ela. – eu não entendo.

Alicia inspirou, sentindo Sam tão próximo a ela que parecia que as batidas do coração dele batiam junto ao dela. Talvez ela só estivesse meio louca, sentimental e pensando demais sobre a vida, mas ali, junto a Sam, a única coisa que ela tinha certeza, era que havia coisas boas demais para serem perdidas. Sam era uma delas. E se Dean e Jo pudessem ter também o que ela e Sam tinham... Alicia já se sentia melhor por Dean. Porque aquilo era felicidade, e Dean, ela queria que ele fosse feliz como ela, mesmo com tudo acontecendo, conseguia ser quando estava com Sam.

–Cinco anos, Sam. – ela falou, e Sam franziu a testa, sem entender ao que ela se referia – era uma vez e eu achava que eu sabia alguma coisa e que eu controlava alguma coisa, assim como Dean pensa que sabe o que está fazendo. Então eu deixei você. E eu não devia. Porque nós perdemos muito tempo nisso.

–Eu não quero pensar como teria sido se você tivesse ficado, Allie. – falou Sam. Porque aquilo era confuso e doloroso. Ele não sabia se teria dado certo entre ele e Alicia. Mas e Jess? Ainda estaria viva se nunca tivesse tido o azar de cruzar com Sam Winchester?

Alicia jamais poderia morrer nas mãos de Azazel porque ela pertencia a Asmodeus...

–Não é sobre isso que eu estou falando, Sammy. É sobre não abrir mão do que faz você feliz. Porque felicidade não é o destino final, a morte é o destino final. Felicidade é o que temos pelo caminho.

–-

1 de agosto de 2007, cerca de 10 horas da manhã, Fort Smith, Arkansas.

Fort Smith não era uma grande cidade, mas também não poderia ser considerada uma cidade pequena. Na verdade, era a segunda cidade mais populosa do Arkansas e foi por isso que quando o Impala foi passando pelos bairros periféricos até chegar a região mais central da cidade, eles foram estranhando cada vez mais.

Não havia ninguém lá. Era uma quarta as 10 horas da manhã e as lojas deveriam estar abertas e com pessoas nas ruas. Mas não – estava tudo fechado e vazio. Claro que o primeiro pensamento dos Winchester e Alicia foram “Croatoan” e conforme eles estacionaram o Impala e começaram a andar pela rua, procuravam a palavra gravada em algum lugar.

Havia um clima estranho no ar. Estava quente, úmido e abafado, e um cheiro esquisito contaminava tudo. Havia uma sensação de medo e desastre iminente que contaminavam a todos. Aquelas ruas vazias de uma cidade grande eram assustadoras, mesmo para quem já estava acostumado a todo o tipo de situação bizarra.

Dean pegou o celular e percebeu que tinha sinal. Não era Croatoan. Ele recomeçou as ligações que tinha feito durante todo o caminho para Jo e Ellen, sem conseguir falar com nenhuma delas.

Mas se não era Croatoan, era o que?

O celular de Alicia tocou. Ela deu um pulo com o som.

Era Ash.

–Você pode me explicar por que o celular do Dean sempre está ocupado?

–De fato está ocupado. – ela respondeu. – tudo bem, alguma noticia?

Sim. Fort Smith e as cidades da região estão tão cheias de sinais demoníacos que eu diria que é como se um novo portão do inferno estivesse aberto ai. Fort Smith, aliais, é o centro de tudo.

–Chegamos agora. A cidade está deserta. Eu cheguei a pensar em Croatoan. Mas não. Os celulares estão funcionando.

–Não é mesmo. Não combina com o que aconteceu naquela outra cidade em que vocês estiveram. É diferente. Nunca vi algo assim antes.

–É, o mundo parece cheio de coisas que nós nunca vimos antes ultimamente. Obrigada, Ash. Qualquer coisa ligue ou nós ligamos.

Alicia desligou o celular, ainda mais tensa. Não eram boas notícias. Falou para os irmãos o que Ash tinha dito. Ash estava sempre fazendo tudo o que podia para eles, assim como Bobby, mas nenhum deles estava obtendo sorte no que era principal para eles: salvar Dean e encontrar Asmodeus. E os Selos. Ele devia estar trabalhando nisso ainda, buscando provas, porque não mencionava nada.

Eles realmente estavam abusando de Ash ultimamente.

Asmodeus poderia estar em qualquer lugar do mundo, e Alicia alternava entre vida e morte sem um padrão claro. Alguns dias ela estava péssima, e no seguinte, parecia que nada estava acontecendo. Talvez graças à presença de Sam, que parecia ainda estar a protegendo, mesmo que Asmodeus tivesse dito que ele não poderia salvá-la.

Quanto a Dean, era um problema cada vez mais difícil. A ideia de perdê-lo de fato estava cada vez mais assustando Alicia e ela já estava tendo pesadelos com isso. Não podia aceitar que isso estava acontecendo.

O que ela não sabia é que Sam continuava em contato com Ruby, e esta dizia estar procurando uma maneira de salvar Dean, embora os resultados não fossem muito bons. Sam não acreditava muito nela, mas também não conseguia exorciza-la e perder o que poderia ser a única chance de salvar Dean.

Sam parou bruscamente, fazendo Dean, que estava prestando atenção no celular, bater direto nas costas dele. Uma mulher vinha andando no meio da rua, parecendo realmente perdida.

Assim que ela se aproximou, eles a reconheceram e correram rapidamente ao seu encontro. Era Ellen.

–-

Mais tarde, uma casa qualquer.

Considerando que não tinham onde ficar, porque a cidade estava deserta, eles simplesmente decidiram invadir uma casa. Sam queria invadir uma casa em construção ou abandonada, mas Dean tinha uma opinião diferente. Eles acabaram invadindo uma casa enorme e ricamente decorada no bairro mais elegante que encontraram ao rodar pela cidade.

Pelo menos estavam bem instalados, porque a situação era caótica. Ellen não tinha dito uma palavra desde que a encontraram e parecia em estado de choque. Ela não fazia contato visual e estava extremamente agitada.

Alguma coisa horrível tinha acontecido. Dean estava tenso e irritável, andando frustrado de um lado para o outro na sala. Sam já tinha vasculhado a casa e agora estava colocando sal em todas as portas e janelas.

Alicia entrou na sala, segurando uma xícara de chá.

–Você fez chá? – perguntou Dean, parando bruscamente em meio a uma volta.

Alicia o ignorou, se sentando na mesinha do meio da sala, de frente para Ellen e entregou a xicara a ela. Depois de hesitar um segundo, Ellen pegou a xícara da mão de Alicia. Dean se encostou a uma parede, tentando adivinhar o que Alicia estava fazendo.

–Oi, Ellen. Você se lembra de ter ligado para Dean? – perguntou Alicia, a voz calma e tranquila, tentando fazer contato visual com a mulher.

Depois de alguns segundos de tensão, Ellen finalmente encarou Alicia. Ellen agora respirava forte e com dificuldade, como se estivesse tendo um ataque de pânico.

–O que aconteceu, Ellen? – perguntou Alicia, de forma calma, mas ainda firme. – você consegue se lembrar do que aconteceu?

Sam escolheu aquele momento para retornar a sala. Ele olhou para Alicia, seus olhos perguntando o que estava acontecendo.

–Eu acho que ela está em choque. – falou Alicia. Ellen estava muito branca.

–Onde inferno está Jo? – repetiu Dean pela milésima vez, parecendo falar mais consigo mesmo do que qualquer um naquela sala.

–Eles a pegaram. – falou Ellen finalmente, a voz um eco gelado e distante, de alguém que estava em profundo sofrimento.

A frase provocou um efeito em Dean, que moveu-se rapidamente de onde estava para agachar-se ao nível de Ellen, seu coração batendo forte, seu rosto uma máscara de terror.

–Quem a levou, Ellen? Para onde? – ele perguntou, olhando para a mulher com intensidade, vivendo um dos maiores medos que ele tinha alimentado nos últimos meses.

Um trovão enorme quebrou o silêncio e a tensão.

Sam espiou pela janela. Era inicio da tarde, mas nuvens escuras cobriam o céu e parecia quase noite. Estava trovejando.

–Parece que vai chover. – falou Sam. Ele se lembrou que Ruby tinha dito sobre apocalipse e se pegou pensando se tudo isso tinha alguma coisa a ver. Ele temia que sim.

Ellen olhou para Sam, parecendo vê-lo pela primeira vez, como se tivesse acordado naquele instante. Naquele momento, Ellen parecia ter voltado a ela mesma.

–Foi quando a chuva veio que eles levaram a Jo.

–Quem levou? – repetiu Dean, e a voz de Ellen quando respondeu era a voz dela. De fato, ela estava voltando.

–Os demônios. Eles tinham planos para ela. Disseram que foi escolhida. Quando chovesse de novo, iam devolvê-la. Mas isso foi há alguns dias e não choveu mais.

A cada palavra ela parecia mais com a antiga Ellen. Enérgica, determinada, uma verdadeira caçadora e não uma mulher qualquer assustada, embora aquela história da chuva fosse realmente muito estranha.

–Por que demônios iam querer ter a ver alguma coisa com Jo?

–Tem a ver com o demônio que o pai dela caçava. – contou Ellen e lágrimas começaram a escorrer do seu rosto. – Will tinha descoberto um padrão de um demônio muito poderoso que estava sobre a terra e o caçava havia alguns anos. Foi esse demônio que o possuiu na ocasião da sua morte. Esse demônio, ele tinha uma responsabilidade sobre a terra. John o mandou de volta para o inferno, mas agora ele deve estar de volta, voltando a fazer aquilo que fazia antes.

–O que ele fazia? – perguntou Dean, sua voz cada vez mais desesperada, o terror estampado em seus olhos. – o que ele fez com Jo?

A luminosidade de um raio próximo iluminou a sala e foi seguido pelo barulho de chuva. Todos eles olharam pela janela.

A chuva era vermelha.

Estava chovendo sangue.

Notas finais
Então. Mas o que será que está acontecendo nessa coisa? Aguardem o próximo capítulo, com mais coisas acrescentadas a essa história doida que minha cabeça fica inventando. E ai, vocês repararam que Sam e Alicia estão MUITO felizes, muito tranquilos, no maior clima de romance, fofinhos? Então. Sabe aquela coisa que quando ta tudo muito bem quer dizer que tem algo que vai dar muito errado em breve? Sim, eu sou má. Aprendi com Shonda Rhimes, a psicótica que escreve Grey’s Anatomy, conhecida como Shondanás entre os fãs, por muito bons motivos... (E não vai ser por causa da Ruby, como vocês estão esperando.)