Hell & Consequences
6 3x06 - The Girl Who Saved Your Life
Notas iniciais
Pode sentir?
As coisas estão mudando
Pode ver?
Assista aos mundos colidindo
30 Seconds to Mars
Sam praticamente correu por duas quadras, em direção a lanchonete em que “a garota que salvou sua vida” estaria esperando. Correr por duas quadras não fazia diferença para ele, que estava acostumado com a corrida, mas quando chegou a lanchonete, que parecia um lugar sujo e mal frequentado, seu coração batia um pouco acelerado, talvez da expectativa e da curiosidade que sentia. E da culpa por estar mentindo para Alicia e Dean.
A lanchonete estava praticamente vazia, com um grupo de adolescentes num canto e a mulher alta de cabelos escuros que ele esperava encontrar. Uma música da década de 80 tocava baixinho e tudo cheirava a fritura velha.
A mulher estava sentada numa das mesas do fundo, de frente para porta, com uma enorme porção de fritas a sua frente. Ela esboçou um sorriso com o canto da boca quando viu Sam caminhando, os passos firmes apesar da confusão que sentia, em direção a ela.
Assim que Sam chegou até a mesa, os olhos dela ficaram imediatamente negros. Sam rapidamente levou a mão até a cintura, onde estava sua faca e sua arma, mas sabia que não funcionaria se ela estava possuída. Antes que ele tomasse uma decisão, ela já emendou se apresentando, os olhos retornando a aparência humana.
–Primeiro de tudo, sim, eu sou um demônio e sempre fui. Meu nome é Ruby e eu salvei sua vida. Com um propósito, claro.
–Eu não falo com demônios. – Sam falou, firme, pronto para se retirar.
–Mas dorme com a filha de um. – falou Ruby, com um sorriso . Ela sabia muito bem que Sam estava hesitando na maneira que deveria agir e era disso que ela se aproveitaria, da curiosidade dele, da necessidade de saber mais. — Vamos lá, o que você tem a perder? Eu posso ajudar você a salvar Dean. Posso manter vocês dois vivos, como já fiz. Posso até ajudar Alicia. Eu sei coisas que vocês não sabem.
Sam acabou se sentando novamente, se sentindo extremamente desconfortável. Ele sabia que deveria ir embora e caça-la, mas ela tinha aquela faca que matava demônios e estava há muito tempo dizendo que poderia salvar Dean. Era tentador demais para ele ir embora sem nem ao menos ouvir o que Ruby tinha dizer. Ele ouviria e pensaria no que ela tinha falado, talvez comentasse com Alicia e Dean.
–Não confio em você. – disse Sam – quero deixar isso claro.
–Eu salvei sua vida. Ou você acha que enfrentei os Sete Pecados Capitais à toa? Foi uma luta difícil, mas precisava convencê-lo que eu mereço ser ouvida.
–Diga o que você quer. – sua voz era dura.
–Apenas ajudá-lo, Sam. Você é do meu interesse. Você é um novo líder. – ela falou, seus olhos castanhos brilhando com intensidade.
Sam não pode conter uma risada. Seu celular estava tocando loucamente, mesmo no silencioso, e rapidamente ele o desligou, sem nem ao menos olhar. Deveria ser Dean, dizendo para ele se apressar porque estava com fome.
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Dean percebeu que Sam tinha interrompido a ligação. Alguma coisa devia estar acontecendo, mas o que ele? Ele revisou os últimos acontecimentos na sua cabeça.
–Allie? – falou.
–O que? – ela respondeu, de dentro do banheiro, a voz fraca. Ele ouviu um som que parecia, ou melhor, era horrivelmente alguém vomitando, e depois a descarga sendo puxada. Ela abriu a porta segundos depois, a respiração ofegante e lagrimas escorrendo no rosto, manchando toda maquiagem – minhas costas estão em chamas. Eu acho que são minhas asas crescendo novamente.
–Eu acho que vou procurar Sammy.
Alicia arregalou os olhos.
–Por que, tem alguma coisa errada?
–Não. Só acho que ele gostaria de estar aqui, não? – falou Dean, disfarçando, mas percebia que Alicia não estava acreditando muito nele.
–Tem alguma coisa errada. – ela falou. – me diga.
–Você está tremendo. – e de fato, ela tremia com uma intensidade cada vez maior. Alicia desistiu de ficar em pé e lentamente escorregou até o chão.
–Eu não estou morrendo, Dean – Alicia disse com os dentes batendo violentamente um contra o outro – eu não estou morrendo!
–Vamos. – ele se abaixou e a guiou até a cama. – Sam não está atendendo o celular. Você fica ai deitada e eu vou procura-lo.
Dean saiu correndo antes que Alicia dissesse outra coisa, ainda morrendo de medo de deixa-la sozinha, mas muito preocupado com Sam. Ele podia sentir que alguma coisa estava errada, e sim, Alicia precisava de Sam.
Dean apenas esperava que ela estivesse certa, e que ela não estivesse morrendo.
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–Engraçado que disseram a mesma coisa para a Alicia. Que tipo de jogo vocês estão fazendo?
–Alicia, é? — Ruby deu uma risada irônica — Tem gente apostando nela como líder? Eu apostaria que ela não dura muito, todos nós sabemos que ela é uma bomba relógio.
–Você vai me dizer alguma coisa de útil? – perguntou Sam, impaciente, se remexendo no banco, como se estivesse prestes a sair correndo.
–Sim. Primeiro, vou tentar descobrir qual é o demônio que possui o contrato de Dean. Eu posso fazer isso. Segundo, vou te dizer, saia dessa cidade imediatamente. O que vocês estão lidando aqui é perigoso, não é um caso, é algo bem maior que isso. Estamos falando de selos.
–Selos? – perguntou Sam, confuso.
–Eu não acredito que o Winchester nerd não sabe sobre os selos. Os 666 selos que impedem que Lúcifer saia de sua jaula e comece o apocalipse. – declarou Ruby, como se estivesse tendo uma conversa de elevador sobre a mudança climática.
–Você está completamente louca? – falou Sam, depois de alguns segundos em silêncio. Mas era uma pergunta idiota. Era um demônio, obviamente era completamente louca, ou pior.
Ruby ficou olhando para ele, pasma.
–Você realmente não sabe, não é mesmo? Sobre os selos. Vou contar então.
“Quando não existia o tempo, antes de tudo, Lúcifer e Michael travaram uma batalha entre Mal e Bem e Lúcifer caiu. Essa luta continuou, até que finalmente, Lúcifer foi preso numa jaula, deixando o inferno nas mãos dos seus Sete Filhos. Aliais, uma das netas dele, bastarda, é sua namorada Alicia. Que coisa engraçada. Enfim, Lucífer foi preso por 666 selos. É, para nunca sair de lá. Mas ai é que entra Asmodeus. Ele nunca gostou do destino que seus irmãos deram para o inferno e foi assim que ele dedicou parte da sua vida em trazer o pai de volta, ou então tornar-se o pai... Isso é confuso, exatamente o que ele planeja. Ao engravidar Rebekah, ele quebrou o primeiro selo. Michael devia pensar que seria impossível um demônio engravidar um anjo, mas ele não tinha ideia da loucura que seriam as coisas hoje em dia.”
“Existem 666, 600 deles são menores. Esses menores são selos que vão preparar as circunstâncias, para que as pessoas certas estejam no lugar certo, para que todos cumpram seu papel, para preparar o mundo para a batalha, para que o destino faça ocorrer a quebra do 66 maiores, que realmente trarão Lucífer de volta. A questão é , os 600 selos podem ser quebrados a qualquer momento, por qualquer um, até mesmo acidentalmente, isso já ocorreu, mas os 66 maiores são muito mais específicos e precisam de tudo certo, as pessoas certas no dias certos... Envolvem uma magia antiga e pura. Esse momento só acontece poucas vezes durante os séculos, e novamente, estamos se aproximando dele, mas as coisas são diferentes. Porque pela primeira vez, o primeiro selo menor já foi quebrado, e cerca de metade dos selos menores foram quebrados por anjos e demônios nos últimos 23 anos. É difícil porque éramos poucos aqui na terra. Agora que abriram os portões do inferno... Isso também foi a quebra de um selo. Eu achei que os anjos teriam maiores problemas, mas aparentemente, alguns deles já estão aqui. É, Sammy, eles também desejam o apocalipse para começar tudo de novo. Tudo precisa de um fim. E essas pessoas ressuscitando aqui, não são demônios, são anjos, quebrando mais um selo. Um selo que altera com as leis naturais”.
Sam ficou perplexo, seu cérebro tentando juntar tudo e montar alguma coisa que fizesse sentido. Mas era informação demais, detalhes demais. O apocalipse? Lucífer? Anjos na cidade? De fato Asmodeus tinha dito que era um dos filhos de Lúcifer, mas... Aquilo era muita loucura. Sam não conseguia encontrar palavras.
–Que merda está acontecendo aqui? – Sam e Ruby se assustaram. Nenhum deles tinha percebido que Dean tinha acabado de aparecer ali. – Samuel Winchester, quem é essa mulher? Eu estou ligando para você há uma hora, eu achei que você estava morto, eu achei que os demônios tinham levado você de novo, e agora você está aqui, com uma filha da puta qualquer? Que diabos significa isso?
–Não se preocupe, Dean, já estou de saída. – falou Ruby, se levantando da cadeira, seus olhos ficando completamente negros. – eu só estava informando seu irmão algumas cartas do jogo. Eu vejo vocês em breve, garotos.
Ela saiu, andando como se desfilasse. Dean a seguiu, andando depressa, e Sam quase teve que correr para acompanhar o irmão. Os dois entraram no Impala, sem dizer uma palavra. Sam conhecia Dean o suficiente para saber que este estava furioso.
–Você pode me explicar o que estava fazendo conversando com uma vadia do inferno enquanto a Alicia está com problemas novamente?
–O que aconteceu? – perguntou Sam, de repente apavorado.
–Acontece que hoje a noite ela não estava de novo, e enquanto eu ligava para você, você estava de papo com uma vadia do inferno. Você enlouqueceu?
–O que aconteceu com ela, Dean? Ela está bem?
–Você sabe. Dor. Fraqueza. Vômitos. O de sempre. Ela disse que tem acontecido há alguns meses. Mas ela poderia ter morrido e você estava de papo com uma vadia de olhos negros!
–Eu não sabia que ela era um demônio, Dean! Ela é a mesma pessoa que nos ajudou com os sete pecados capitais. Desde então ela tem me mandando mensagens dizendo que sabe como salvá-lo! Foi por isso que eu fui encontra-la. Eu jamais faria algo para magoar a Allie.
Dean resmungou algumas coisas. Por fim, disse claramente.
–Então por que todo esse mistério? Por que mentir para nós que ia apenas comprar comida?
–Porque eu não tinha tempo para explicar. Eu ia explicar tudo depois. Como você me encontrou?
–Você disse que ia comprar comida. Procurei os lugares próximos da biblioteca.
–É, de fato ainda precisamos comprar comida. – falou Sam, depois de um momento de silêncio. Mas o que ele mais queria agora era saber se Alicia estava bem. Ele se sentia culpado por ter desligado o celular. E todas aquelas coisas que a Ruby disse, era verdade?
–-
Mais tarde.
Sam e Dean voltaram ao quarto para encontrarem Alicia já adormecida. Sam se ajoelhou ao lado da cama, acariciando os cabelos dela. Ela parecia tão frágil e tudo que ele queria era protege-la, mas como? A respiração era tranquila, então ele soube com certeza que ela estava apenas dormindo e não desmaiada.
Com cuidado, Sam retirou a saia e abriu a camisa dela para que ela ficasse mais confortável e a cobriu. A pele dela estava molhada, como quem estivesse acabado de sair de uma febre intensa, que agora estava passando.
Amanhã ele contaria tudo para ela, mas agora, precisava passar as informações obtidas com Ruby para Dean.
Dean, obviamente, teve uma única opinião sobre o assunto: “demônios mentem”. Mas uma breve pesquisa comprovou que a história sobre os 666 selos eram sim reais e havia vários sites (sérios e não apenas de malucos de teoria da conspiração) especulando quais seriam esses selos. Sam mandou um email para Ash, pedindo que esse confirmasse as informações.
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23 de junho, sete horas da manhã.
Alicia abriu os olhos, a primeira coisa que sentiu foi o gosto amargo na boca. Alguém havia tirado sua saia e aberto sua camisa. Ela não conseguia se mexer, porque Sam estava dormindo grudado a ela, abraçando a de forma protetora. Ela ainda se sentia muito confusa e com uma dor incomoda na cabeça. Um rápido olhar a informou que novas manchas vermelhas haviam aparecido por todo seu abdômen e ela sentia uma dor terrível na parte superior das costas – as “asas”. Onde Sam estava na noite anterior que tinha demorado um tempão?
–Ei, acorde. – ela empurrou ele – você está quase me empurrando para fora da cama.
Sam abriu os olhos, dando logo de cara com Alicia.
–Hey – ele falou, ainda saindo do sono – você está bem?
–Eu estou melhor do que ontem. – ela disse – mas ainda estranha. É a transformação, você sabe. Vai me matar.
–Podemos não falar sobre você morrendo logo pela manhã? – Sam perguntou, acomodando seu corpo melhor junto ao dela. Em seguida afastou alguns fios de cabelo do rosto dela. – eu sinto muito por ter demorado ontem. Eu tenho tanta coisa para te contar.
–O que aconteceu? – perguntou ela, curiosa.
Sam começou a contar sobre a mulher que tinha ajudado eles com os sete pecados capitais, sobre as mensagens estranhas e por fim sobre a noite anterior.
–Então uma demônio chamada Ruby marca um encontro secreto com você para falar que vai te ajudar a salvar o Dean e te contar sobre como minha existência é a primeira marca do apocalipse? E espera, tem anjos nessa cidade? – Alicia parecia sinceramente confusa – essa história fica mais maluca a cada segundo, Sam.
–Bem, eu estou feliz por você não estar furiosa comigo.
–Ah, não se engane. Eu estou. Você mentiu para mim e para o Dean.
–Eu sinto muito, Allie, mas estava acontecendo rápido demais e você sabe que o Dean não quer ser salvo! E eu não sabia que ela era um demônio.
Alicia ficou observando o rosto de Sam, a quem ela tanto amava. Naqueles últimos dias, ela tinha começado a entender melhor ele, porque quis deixar as caçadas e ir para Stanford. Cada vez mais frequentemente, ela pensava em uma vida em que ela e Sam tivessem uma casa. Cada vez mais ela imagina como seria se ela ficasse grávida. Como seria se Dean tivesse de fato uma cunhada para apresentar a eles.
Mas eles tinham perdido tudo isso antes mesmo de terem completado um ano de vida. No caso dela, antes mesmo de nascer.
–Por que deixou ela viver, se ela era um demônio? Ela está possuindo alguém, por que não fez um exorcismo?
–Essa é uma pergunta espinhosa, Allie. Eu sei que devia. Mas e se ela de fato puder salvar Dean?
–Não confiamos em demônios, Sammy. Nunca.
Novamente, eles ficaram se olhando. Sam delicadamente a beijou.
Um travesseiro chegou voando e caiu em cima deles.
–Eu tive que aguentar vocês tagarelando a essa hora da madrugada – falou Dean – mas não vou aturar vocês transando comigo aqui na cama do lado! Arrumem outro quarto!
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