Hell & Consequences
3 3x03 - Let's Kill Tonight
Notas iniciais
Se eu retiro
As palavras, guerras e sinfonias
Abra espaço, estamos tomando conta daqui
Você é a graciosa
Fria e sozinha, como combina com você
Você não me encontra aqui de novo
Que seus pés lhe sirvam bem
E que o resto seja enviado ao inferno,
Onde sempre ele sempre pertenceu
Corações frios fazem canções mais frias
Eles vão nos jogar fora
Como uma canção de puro romance
Bata seus pés e bata suas mãos
Vamos matar hoje à noite
Matar hoje a noite
E mostrar a todos que você não é uma qualquer
Panic! At The Disco
21 de junho.
Alicia acordou, sentindo o travesseiro amassado sob seu rosto. Flashes da noite anterior a fizeram abrir os olhos com violência. Felizmente, a claridade não era forte naquele momento – ela estava olhando agora diretamente pela janela e o sol estava se pondo. Alterações do ciclo do sono tinham se tornado normais para ela – as vezes ela dormia demais, as vezes passava dias praticamente sem dormir.
–Finalmente a princesa acordou – disse uma voz, e Alicia pulou assustada. Shane, o demônio que tinha conhecido na noite anterior, estava sentado numa cadeira em frente a cama dela, lendo um jornal. – achei que perderíamos a oportunidade de irmos hoje a noite.
–Irmos aonde?
Shane revirou os olhos.
–Ao Submundo, é claro. Apresentar você a quem importa. – ao ver a expressão confusa e irritada de Alicia, ele rapidamente acrescentou – e descobrir por onde anda seu pai. Enquanto você Cinderella dormia, comprei uma coisa para você usar.
Shane parecia estar ignorando totalmente o fato que ele mesmo tinha dito que ele era proibido de entrar no Submundo local. Alicia resolveu não fazer muitas perguntas também.
Ele pegou uma sacola roxa-metálica do chão, com um nome qualquer de uma loja de roupas escrita em branco e jogou para Alicia.
–Vista isso – ele se levantou. Estou te esperando lá fora.
Shane saiu com uma batida na porta.
Alicia deu um suspiro de frustação. Sam e Dean teriam convulsões se soubessem que ela estava trabalhando com um demônio. Mexeu na sacola para ver o que aquele demônio queria que ela vestisse, afinal. Não estava gostando nada da situação.
–Faça uma maquiagem! – gritou ele do lado de fora do quarto.
–-
–Eu pareço com uma prostituta – declarou Alicia, abrindo a porta para encarar Shane – e você espera que eu calce o que com esse vestido?
Respondendo a pergunta, Shane entregou um par de sapatos na mão dela, altíssimos.
–Como você espera que eu ande numa rua de terra com esse tipo de sapato? – perguntou Alicia, revirando os olhos, mas mesmo assim observando os sapatos com admiração. Ela amava sapatos.
–Esses são sapatos demoníacos. – Alicia olhou para ele, incrédula – o que foi? Nunca se perguntou como é que tem mulheres que passam 24 horas por dia 7 dias por semana de salto e não sentem dor? As coisas por quais as pessoas estão dispostas a vender a alma... – ele deu uma risada. Alicia não tinha certeza se acreditava que as pessoas vendiam a alma por sapatos. E use isso – agora ele entregou um enorme chapéu de arma larga. – o sol está forte. Não queremos estragar sua pele.
Alicia calçou os sapatos relutante, e por fim, o tal do chapéu — mesmo que fosse quase noite e na verdade, não houvesse sol nenhum.
–Está perfeita! – disse Shane, olhando para ela com algo que parecia muito... Gula.
–Agora pareço uma prostituta ridícula.
–Vamos, vamos!
–-
Estavam novamente de volta à favela. Para a surpresa de Alicia, ela não estava tropeçando, embora aqueles sapatos fossem altíssimos. Por onde passavam, chamavam atenção, ela no vestido curto e apertado e Shane no seu terno absurdamente caro. Voltaram à barraca onde Alicia tinha encontrado a bruxa. Shane abriu a porta co violência. O barraco estava iluminado por velas dessa vez. O demônio entrou e se agachou no chão, abrindo um alçapão. Ele entrou, sem dizer uma palavra, e Alicia o seguiu. Uma longa e cansativa escada os levou para a luz do dia novamente. Parecia apenas uma continuação da favela que antes estavam para olhares desatentos, mas para quem soubesse o que procurar, saberia – estavam no submundo de Nairóbi.
Enquanto andavam, Shane observa tudo com um olhar divertido no rosto. Os olhares eram ainda mais frequentes do que antes, mas agora havia muita hostilidade e meio. Shane sussurrou para Alicia “exatamente desse jeito, garota!”, mas ela não soube dizer ao que ele estava se referindo. Ninguém, no entanto, reagiu a presença de Shane ali.
O caminho que eles seguiram, cheio de pessoas, meio-sangue e criaturas, os levou até uma grande praça central, em que havia uma grande tenda de seda roxa.
Havia dois homens muito alto, fortes e tatuados na porta. Eles fecharam a cara ao verem Shane, mas esse sussurrou alguma coisa em uma língua que Alicia não entendeu. Ambos os homens – que era idênticos – olharam para ela com uma expressão entre confusão e surpresa, e fizeram sinal para que ela entrasse. Mas Shane teve que ficar do lado de fora.
Insegura, Alicia deu os primeiros passos dentro da tenda, que estava fresca – finalmente ela não estava sentindo calor. Todo seu corpo estava pingando e o vestido grudava de forma desconfortável.
–Gleen? – Alicia falou, chocada, ao perceber quem era o homem sentado em meio a almofadas.
–De novo nos encontramos! Não posso sair daqui, mas estava esperando que você eventualmente me encontrasse.
–Já ouviu falar de uma coisa chamada telefone?
–É, mas não é assim que funciona. Deixa-me adivinhar. Você está procurando, novamente, por seu pai.
–Não – corrigiu Alicia – eu estou procurando por qualquer um ou qualquer coisa que possa me manter viva.
–Estamos chegando a algum lugar aqui. – Gleen riu. – ou melhor, você está chegando algum lugar aqui. Existe uma coisa que pode te manter viva.
–E eu gostaria de saber o que é.
–São papiros. Papiros egípcios. Para quando deuses e outras criaturas sobrenaturais ficassem presas em corpos humanos, havia essa magia muito antiga para preparar o corpo humano para tamanho poder. E é claro, que tem tudo isso, é Asmodeus. Então eu diria que você precisa encontra-lo para encontrar esses papiros, mas é só.
–De que lado você está, Gleen? – perguntou Alicia. Estava tão cansada de joguinhos e meias palavras.
–Eu jogo com o lado que estiver vencendo a guerra e no momento é o seu.
Alicia riu.
–Eu duvido que eu seja um dos lados dessa guerra.
–Você representa tudo que é o novo. Os outros lados são um quanto... Velhos. Ultrapassados. Você representa uma nova era, um novo mundo. Muita gente está contando com isso. Embora a morte de Azazel tenha mudado tudo.
–Como a morte de Azazel mudou a guerra?
–Porque Azazel era um dos lados. Sempre foi. E Asmodeus era o terceiro lado, e você era a arma. Mas acontece que... Com essa morte imprevista, há boatos que Asmodeus reassuma seu antigo papel.
–Que ele volte para o lado dos demônios, você quer dizer.
–Alicia, querida, estamos falando dessa guerra como se fosse um triangulo, mas a questão é: essa guerra é um hectágono ou algo pior que isso. Cada um tem seu ponto de defesa. A questão é: você é a recém-chegada aqui.
Alicia continuou sem dizer nada.
–Não se faça tanto de desentendida. Eu já sei que você esteve no México. Aquilo que você viu é a profecia. Você é ela. A Rainha. A prometida. Para mudar tudo. O mundo, o universo, o que quiser. O equilíbrio que existe... Está no fim. Você está aqui para começar uma nova era e foi Asmodeus quem te trouxe até aqui. Ele é o único que conhece todas as palavras da profecia. Mas claro, ele tinha outros planos... No jogo dele, você devia ser apenas o peão, e ele, o Rei.
Alicia sacudiu a cabeça. Parecia que esqueletos estavam saindo do armário em velocidade impressionante. Ela não entendia a maior parte das coisas que Gleen falava sem parar, sobre profecias, reis, rainhas, lados numa guerra e seu próprio papel nisso. Ela precisava que ele explicasse direito, mas na verdade, não queria saber. A ignorância era uma benção para ela de qualquer maneira, Gleen nunca responderia direito. Eram sempre meias-palavras. Era uma conversa em que ele imaginava que ela sabia exatamente do que ele estava falando, só que ela não sabia. Ignorando toda a ansiedade que fazia seu coração bater rápido e seu peito apertar, ela manteve a linha racional: a missão ali era permanecer viva.
–Asmodeus tem os pergaminhos. Onde eu o encontro? Ou ele está procurando de mim?
–Já te respondi isso. – falou Gleen, e Alicia sentiu uma fúria incontrolável – ok, ok. Como eu disse, morte de Azazel causou mudanças de planos. Asmodeus está mudando a estratégia. Ninguém sabe onde ele está.
–E qual a novidade? – suspirou Alicia.
Gleen se levantou, passou o braço em volta dela e a levou para a porta da tenda. Assim que ele abriu, havia uma multidão esperando. Shane estava bem em frente.
–Essa é Alicia. Sua rainha! – gritou Glenn e a multidão gritou coisas de volta, em diversas línguas.
–Rainha do que? – disse Alicia, baixinho, para Glenn, assustada com a reação.
–Rainha de tudo! – gritou Gleen, rindo deliciado. – e esse é seu exercito. Ou parte dele.
Alicia olhou para aqueles a sua frente. Uma sensação de absoluto poder correu por ela, dando uma energia e prazer inacreditáveis. Pela primeira vez, ela estava começando a entender o que aquilo tudo significava.
E ela gostava da sensação.
Ela sorriu e não se sentiu mais como ela mesma. Mas não teve medo disso.
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