Notas iniciais
oii

Chegamos a uma casa grande, azul com branco, tinha três andares, uma porta grande e marrom, uma arvore na frente, um cercado pequeno, arbustos, sacada, eu não conseguia descrever, só um UAU, era minhas palavras.
–Mãe... Como, como... -tentei perguntar como eles conseguiram essa casa.
–E da família.- Meu Deus, essa casa é dos deuses, ela é perfeita, como será que ela é lá dentro? Por um estante fiquei feliz por ter me mudado. Sai do carro com Anthony e estramos dentro da casa, a entrada era grande, e tinha logo na frente da porta uma escadaria enorme, corrimão era de madeira, havia uma porta no final daquele corredor, uma do lado, que era a sala, que era enorme, havia uma TV de plasma, um sofá gigante, uma estante cheia de livros, uma mesa, era tudo tão incrível.
–Helena! –gritou Anthony –vem aqui –fui até o quarto onde ele estava, e eu paralisei quando entrei. Havia uma TV de plasma enorme, um tapete de dança, um Xbox, Playstation 3, tudo que você possa imaginar, e uma prateleira lotada de jogos tanto para Xbox quando para Playstation, havia sinuca, fliperama, era uma sala de jogos! UAU simplesmente UAU. Subi a escadaria e havia uma janela enorme, que tinha uma sacada, achei perfeito para aqueles filmes românticos. Havia uma porta do lado direito e outra do esquerdo, entrei no direito e havia um quarto, que eu acho que seria do Anthony, e no outro havia um quartinho pequeno. E no centro ali da sala havia uma porta que era o quarto dos meus pais, entrei e havia uma cama de casal, um mini sofá na frente da cama, um TV de plasma, um bidê do lado da cama de vidro, com um abajur, cortinas, e a luz era quadrados fundos no teto, meu Deus, era tudo muito lindo, mas e meu quarto? Sai do quarto e percebi que havia outra escada, subi nela, e as paredes eram tudo fotos, fotos dos meus artistas favoritos, meus cantores, atores, algumas fotos de família, tinha uma cama e uma biblioteca, com um sofá na janela, meu Deus, eu estava de boca aberta, aquele quarto era o quarto dos sonhos. -Minha nossa, que maneiro –ouvi a voz de Anthony. Sentei no sofá perto da janela, e fiquei admirando meu novo quarto.
–Pelo amor de Deus! Faz algo certo! –escutei a voz de uma mulher gritando na rua, olhei pela janela e era uma mulher gritando com um garoto.
–O que será que deve está acontecendo? –perguntou Anthony.
–Mãe — chamou o garoto.
–Você é uma pragamesmo, só faz coisas erradas! –o garoto abaixou a cabeça, depois que a mãe saiu de perto dele, ele levantou a cabeça e olhou para minha janela, ele tinha olhos verdes, cabelo moreno e bagunçado, usava uma blusa branca e uma calça jeans, ele tinha uma tatuagem no braço, ele era lindo, desviei a cabeça rapidamente.
–Hummmm, você gostou dele-comentou Anthony.
–Não, eu não gostei, e para de olhar! –o empurrei que caiu no sofá e jogou uma almofada na minha cara.
–Chata –ele disse, joguei a almofada de volta nele.
–Helena? –escutei a voz de David — o almoço está pronto. Descemos as escadas, e a cozinha era no primeiro andar, naquela ultima porta que eu havia visto, entramos na cozinha e tinha uma pizza enorme, metade calabresa e frango com catupiry.
–Não deu tempo para eu fazer um almoço digno, então fiz uma pizza — falou meu pai. Nossa família era diferente, meu pai sabia cozinhar, e minha mãe, ela arrumava a casa, com minha ajuda é claro, mas o pai também ajudava, ele dizia que ele achava injusto que Julieta fizesse tudo e ele ali no sofá, ele disse que não se sente confortável com isso, meu pai era um homem de bom coração, não existe um cara melhor que ele, é o que eu acho. Sentei-me à mesa e comecei a comer a pizza.
–O que acharam da casa? –perguntou Julieta.
–Maneira — falou Anthony balançando a cabeça, pegando um pedaço de pizza com a mão e se sujando todo.
–Eu amei meu quarto-sorri.
–Foi ideia do seu pai. Só podia ser mesmo, meu pai me conhece muito bem, na verdade eu e meu pai somos como melhores amigos, próximos um do outro, quando eu tive meu primeiro namorado, lá emnova York, ele foi muito parceiro comigo, ele não brigou comigo, ele fez questão de conhecer o garoto, e isso que eu mais amo em meu pai, é que ele eu e ele temos uma sintonia muito forte, eu não consigo ser assim com minha mãe, ela é tão diferente de mim, eu não queria admitir, mas eu prefiro meu pai do que minha mãe, claro que amo ela, mas com meu pai é diferente, somos tão iguais, sempre juntos, conto meus segredos para ele, e ele os dele, confio nele, ele já me levou em shows, gosta das mesmas bandas que eu, temos os mesmos gostos, se meu pai não fosse meu pai, seriamos certamente melhores amigos ou irmãos.
–O mãe você ouviu aquele garoto e a mãe dele discutindo?
–Ah sim, é o Luca Monroe, Helena, eu quero você longe desse garoto está bem?
–Ué, por quê? –fiquei curiosa.
–Ele é muito problemático, já foi expulso de varias escolas, sempre se mete em brigar, já colocou fogo na escola, tem muitas tatuagens, dizem que ele fuma e bebe também.
–Mãe! Por favor, você vai acreditar no que as outras pessoas falam? Você nem conhece ele.
–Mas da para perceber só pela aparência dele.
–“Não se julga um livro pela capa” Ele pode ter segredos mãe.
–Não importa, só quero você longe dele, entendeu Helena? –revirei os olhos.
–Pai, onde eu e a Helena vamos estudar? –perguntou Anthony.
–Eu já matriculei vocês na melhor escola de Boston.
–Ela fica muito longe? –perguntei. -Não muito. Me levantei da mesa e fui lavar meu prato.
–Pai, vou dar uma volta pra conhecer a cidade-falei pra ele e sai de casa. Quando sai de casa, vi aquele garoto, o Luca, ele estava na janela do quarto dele, com um caderno e uma caneta na mão, observei ele, estava com uma cara perturbada, ele virou o rosto pra janela e encontrou meu olhar e ficou me olhando, desviei o olhar e voltei a caminhar. Havia uma floresta grande perto da minha casa, entrei nela por curiosidade, ela era grande, e bonita, fiquei olhando para trás para não me perder, caminhei mais um pouco até achar uma casa na arvore, subi pela escada, e dentro dela, tinha uma cama, um caderno, livros...
–Sabia que não pode ficar aqui? –escutei a voz de um garoto, quase cai da casa da arvore
–cuidado –disse ele me segurando.
–Você me assustou... -era aquele garoto...
–Percebi, sou Luca Monroe, seu novo vizinho, prazer-falou ele esticando a mão, ele parecia ser uma garoto normal.
–Helena Fox-apertei sua mão.
–O que está achando da cidade? –perguntou ele.
–Eu ainda não a conheci... Mas gostei da minha casa, principalmente do meu quarto, eu estava indo ver como era a cidade...
–E veio parar numa casa da árvore-ele disse, sorri.
–Fiquei curiosa.
–A curiosidade matou o gato –falou ele –vamos, não se pode ficar aqui -ele desceu as escadas, fui logo atrás dele, queria perguntar o porquê, mas não sentia intimidade o bastante para isso.
–Posso te mostrar a cidade... Se quiser -ele balbuciou.
–Claro -me lembrei do que minha mãe havia falado. “fique longe dele” Ela não poderia me ver saindo com ele.
–Tem uma saída que não seja perto da minha casa?
–Tem -ele pegou na minha mão e saiu comigo por trás da casa da árvore, olhei para nossas mãos e corei. Quando saímos da floresta, estávamos na calçada com várias casas grandes , uma do lado da outra.
–Aqui tem muitas casas grandes não é? –falei admirada.
–É um bairro nobre, Vem, vamos quero te mostrar a cidade –ele me puxou e caminhamos em direção a uma esquina, dobramos ela, e lá em baixo tinha vários prédios, lojasde roupas, soverterias, lanches, tudo que uma cidade tem.
–Quer um sorvete? –perguntou ele corando.
–Não tenho dinheiro-dei de ombro, ele ignorou e me puxou até a sorveteria –
que sabor você quer?
–Mas...
–Que sabor você quer? –ele repetiu.
–Misto. -Duas casquinhas mistas –ele falou para o homem, que depois de alguns minutos nos estregou a casquinha. Caminhamos juntos, comendo o sorvete, ele me falando sobre a história da cidade, que o presidente tinha sido assassinado por um dos deputados, por que ele queria o cargo de presidente, ele falou dos shows das bandas que tinha lá, e por incrível que pareça tínhamos os mesmos gostos, ficamos conversando, mas eu parei na frente de uma biblioteca, e fiquei admirando ela.
–Você gosta de ler? –perguntou ele.
–É a minha vida.
–Eu também –ele se virou para a biblioteca –passo muito do meu tempo aqui, ou é no meu quarto escrevendo ou é aqui lendo –ele sorriu torto.
–Podemos entrar? –perguntei, ele sem responder, novamente me puxou pela mão, entramos na biblioteca, e senti aquele cheirinho de livros, esse cheiro é como uma droga para mim, estava em overdose com aquela biblioteca, entrei na estante de romances, filósofos.
–Eu gosto bastante desse livro –falou Luca me mostrando o livro que se chamava “o dia do curinga”
–Ah já li, eu gostei –sorri, ele me olhou e sorriu, virei o rosto com vergonha e olhei o relógio e era quase cinco horas da tarde –nossa.
–Que foi? –perguntou ele.
–Já são cinco horas da tarde, preciso voltar para casa...
–Já? –falou ele em tom triste.
–Sim, minha mãe vai ter um treco.
–Provavelmente ela não vai querer te ver comigo não é? –perguntou ele.
–Como você sabe?
–É assim com todos .
–Mas não vai ser ela que vai me proibir de falar com você –afirmei, ele levantou a cabeça com os olhos brilhando e sorriu. Guardamos os livros, e saímos da biblioteca, e fomos até em casa, conversando sobre nossos gostos, e manias, éramos parecidos, chegamos até a floresta.
–Obrigada por me mostrar a cidade –sorri. Caminhei até chegar em casa, abri a porta, Anthony estava na sala de jogos, mãe estava lendo um livro de culinária e meu pai estava jogando fliperama com Anthony. Subi as escadas até o quarto, entrei no meu notebook, e vi um e-mail de Luca.
Oi Helena, sou eu o Luca, gostei de ter te mostrado a cidade hoje, se você quiser conversar comigo, sempre estarei aqui beijos. Luca.
Por estranho que pareça sorri com um e-mail dele.
Oi Luca, a cidade é muito bonita. está tudo bem? Helena.
Esperei alguns minutos até o meu notebook apitar.
Oi Helena, estou feliz por você ter respondido, estou bem sim... Sua mãe te fez perguntas? Luca.

Não, ela estava ocupada lendo um livro de culinária, eu acho chato não poder sair com você, sem que tenhamos que sair escondido, eu não entendo por que essa cisma toda em cima de você, Luca você é um cara legal, ela nem te conhece... Helena.

Má línguas, hoje em dia tem muito povo hipócrita e fofoqueiro Helena, ninguém nunca sabe a verdade, mesmo se eu falasse a verdade, acho que ela não acreditaria em mim, o que sua mãe falou de mim? Luca.
Estava prestes a responder, mas minha mãe na porta do meu quarto.
–Filha, você vai jantar? –perguntou ela.
–Estou sem fome.

Luca, ela falou o que todo mundo fala... Helena.

Você está me escondendo algo? Luca.

Não, claro que não, não teria o que esconder de você, Luca eu tenho que desligar, tchau, beijos Helena.

Desliguei o notebook, desci as escadas, procurei por David, ele estava na varanda. -Oi pai.
–Oi pequena, senta aqui -falou ele colocando a mão no banco, fiz isso.
–Posso te perguntar uma coisa?
–Várias –sorri.
–O que você acha do nosso vizinho? O Luca.
–Acho ele gato –ele riu – não sei filha, não conheço ele, como posso julgar ele?
–A mãe disse que ele é rebelde, tipo ela disse, que ele fuma, bebe, já colocou fogo no colégio, é problemático, bem a mãe disse que foram o que os outros falaram.
–Esse é o problema de sua mãe –falou meu pai olhando para mim –ela acredita em tudo que os outros falam, quando nós éramos namorados, inventaram que eu estava traindo ela, demorou uma semana para ela acreditar em mim.
–Ela me proibiu de sair com ele.
–Serio?
–É mas...eu sai com ele hoje...
–E como foi?
–Foi incrível, ele me mostrou a cidade, eu não vi nada de perigoso nele, ele se parece muito comigo, e o pior que ele fica magoado quando falam isso para ele, por que as pessoas tem medo de se aproximar dele por causa disso.
–Filha, por mim tudo bem, pode sair com ele à vontade-ele passou o braço em volta de mim e me aninhou – só quero ver você feliz.
–Achei vocês dois –ouvi a voz de Julieta –Amor não vem comer não? –perguntou ela.
–Estou indo, filha você vem? –perguntou David se levantando.
–Estou cansada, e amanha é meu primeiro dia de aula –respirei fundo –boa noite, amo vocês –subi até meu quarto, escovei os dentes, coloquei o pijama e fui dormir.

Notas finais
tchau