Hefesto
1 Via deserta
A história a seguir envolve monstros, deuses e feiticeiros... Ou apenas pessoas que sabem mentir bem.
Um longo e extenso caminho a ser percorrido, sem tantos obstáculos, sem outros animais a vista, sem vegetação. Apenas aquela areia que parecia infindável. Era quase um deserto, qualquer um ali se perderia fácil. O lugar era chamado por todos de Deserto de Lamurai, e a única coisa conhecida por aquelas áreas era uma torre, lá cumpriam pena todos os culpados de crimes leves e médios no reino. Dizem que era a única construção de Lamurai.
Um ponto era visto movendo-se no deserto em direção à torre levando grandes nuvens de poeira consigo. Era um vagão de madeira puxado por dois cavalos levando três soldados de armadura e um prisioneiro. Este ultimo com as mãos amarradas atrás e um saco na cabeça com o propósito de lhe tapar a visão. Após algumas horas de viagem, o soldado que guiava o vagão dá um grito de ordem aos cavalos e a viagem chega ao fim. Finalmente haviam chegado á tenebrosa torre dos renegados. O portão se abre, e os guardas escoltam o condenado até sua cela, passando por vários andares, e ainda sem poder enxergar, o prisioneiro pôde ouvir os gritos de pessoas que estavam confinados há muito clamando por liberdade.
– Ouça, rapaz – Disse um dos guardas ao homem dos braços amarrados. – Ouça os gritos dos repelidos pelo mundo. Esses seres desperdiçaram o bem mais precioso que nos foi conferido, a liberdade. E agora devem passar seus últimos dias presos, pois representam perigo aos humanos. Sim, digo “humanos” porque não considero esses prisioneiros como tal, eles não merecem receber esse título. São reles baratas, só merecem ser pisados e receber olhar de nojo mesmo depois da morte. Mas não ache que é superior a essas criaturas, vocês são iguais, todos criminosos, todos como baratas.
Logo após o fim do discurso, o prisioneiro tem suas cordas cortadas e é arremessado no chão com violência pelos guardas. Com as mãos já livres, ele consegue remover o que lhe tapava a visão, e se apoiar no chão para ficar de pé. Olhando a sua volta, ele percebe estar em um ambiente pequeno e fechado com um portão de aço de visor retangular com grades. Através das grades era possível ver o rosto de um dos, que olhava fixamente o prisioneiro com expressão de superioridade, e com uma voz que carregava imponência:
– É aqui que você viverá agora. Esqueça que já foi tratado como um humano um dia. Você é um animal, e está em sua jaula. Você só tem direito a um galão de água e duas refeições por dia.
O guarda se afasta e permanece vigiando as celas. O jovem prisioneiro olhava ao seu redor, mas não via nada que pudesse ser útil. Parede, parede, parede com portão, parede, chão, teto balde. Bateu e forçou tijolo por tijolo tentando encontrar algum mais frágil... Sem sucesso. Tentou desenroscar uma das grades do portão... Também inútil. Em pouco tempo, decidiu que era melhor permanecer quieto, não só para poupar energia, mas um dos guardas do portão começava e desconfiar dos seus planos. O calendário de riscos na parede foi ficando maior, mas o tempo agoniante começou a se mostrar útil. Discutindo com a própria mente, o prisioneiro chegou a conclusão que não tinha motivos para tentar fugir, afinal, na prisão ele tinha água, comida e um lugar para dormir. Entretanto, se conseguisse fugir da torre dos renegados, iria se deparar com um interminável deserto sem ter um rumo, com perigo de morrer de fome ou sede. Sem contar que ninguém lhe esperava do outro lado. No dia referente ao 34º risco na parece, o prisioneiro pôde ouvir barulhos discretos vindos do canto da parede da direita. Aproximou-se, sentou no chão e olhou com olhar desconfiado ao ponto de onde vinha o som constante de batida. Encostou o ouvido na parede tentando escutar melhor, mas ainda identificar do que se tratava. Achou melhor ignorar os tais sons, mas permanecia próximo ao ponto de onde viam. De uma cela próxima, ouviu gritos de um homem não muito lúcido.
– Meu gatinho. Onde está o meu gatinho.
– Já disse que não sabemos do que está falando, Willard. — Respondeu o guarda.
– Não se faça de bobo, vocês invadiram minha casa, roubaram meu gatinho e me prenderam. Essa é a verdade! – Disse o louco da sela gritando para o guarda.
– Não havia gatinho nenhum quando fomos te buscar, Willard. Agora, trate de calar a boca, você já está me dando nos nervos.
Não se ouviu mais queixas de Willard naquele dia, mas o prisioneiro novato ouvia mais nitidamente os sons da parede, e instantes depois dos barulhos serem cessados, o prisioneiro olhou no ponto de onde antes eles eram escutados, e percebeu que agora havia um buraco na parede, com por volta de quatro centímetros de raio. Olhando através do furo, foi possível ver a cela vizinha. Sem entender muito bem, o prisioneiro permaneceu quieto e sentando no mesmo canto. Alguns segundos depois, ouviu uma voz vinda do buraco da parede.
– Esse lugar é mesmo entediante. Não acha, amigo? – Perguntou a voz vinda do furo, que aparentava ser de um homem de trinta anos. – A gente nunca se acostuma com um ambiente assim.
– Está falando comigo? – Perguntou o prisioneiro.
– Sim, você mesmo. Ah, me chame de Rick, sou do norte de Nova Gaema.- O prisioneiro não responde, mas Rick insiste. – E como devo chama-lo, senhor?
O prisioneiro escuta a pergunta, fecha os olhos e faz uma pergunta de volta.
– Como chamaria um homem que perdeu tudo o que conquistou? Como chamaria um homem que vem sendo caçado pelo mesmo exército que viveu defendendo? – Um silêncio profundo toma o ambiente, e o prisioneiro continua. — Me diz, Rick, já que é assim que quer ser chamado. Que nome daria a um homem que foi responsável pela morte da mulher que mais amou?
Rick espera o prisioneiro da cela ao lado terminar o discurso e responde.
– Trouxão. Esse seria o nome perfeito pro homem que descreveu.
Rick espera alguma reação do homem com quem conversava, mas não escuta nada da cela ao lado.
– Sabe, Trouxão? Eu também tive uma mulher, então eu sei o que você está passando agora. Ela era muito bonita, a gente transava sempre... Hoje em dia, eu mato a saudade em buracos na parede.
Enfurecido, o prisioneiro responde:
– Não mesmo. Você pode achar que sabe o que eu sinto, mas não passou pelo mesmo que eu.
Não mesmo – Diz Rick com uma voz mais baixa e triste. – Eu passei por coisa bem pior.
– A que se refere? – Pergunta o prisioneiro demonstrando pela primeira vez interesse pela fala de Rick.
Rick faz uma pausa, respira fundo e retoma a fala:
– Bom, eu odeio ter que tocar nesse assunto, e você entenderá logo o motivo. Eu era um cavaleiro, tinha uma esposa e um filho de 7 anos, eles eram tudo na minha vida. O garoto me idolatrava, na cabeça dele eu era um tipo de herói. Quando eu voltava de missões, ele corria dizendo pra mim “papai, você é o melhor. Um dia eu serei um cavaleiro tão bom quanto você”. Com peso no coração, eu abaixava até a altura dele e dizia “não filho, você não será um cavaleiro. Você não pode.” O sorriso empolgado no rosto dele se desfazia, e com olhos húmidos ele me dizia “você não acredita em mim hoje, mas um dia eu serei o seu maior orgulho”. Minha mulher insistia para que eu incentivasse o sonho do menino, mas eu não queria que meu filho arriscasse sua vida como eu fazia. Um dia, eu voltei de uma expedição e vi minha esposa chorando em casa. Eu perguntei o que havia acontecido, e ela descarregou toda raiva em mim. Enquanto a lágrima escorria no rosto desesperado, ela disse que o nosso filho correu pela floresta carregando uma de minhas lanças, dizendo que ia capturar o animal mais feroz que encontrasse, e assim provar que poderia ser um grande cavaleiro. Fiquei desesperado. Corri por horas pela floresta tentando encontrar o menino, e quando minhas esperanças estavam quase nulas, eu pude ver o corpo de uma criança estirado no chão gritando o meu nome. Vi muitas marcas de mordidas e arranhões. “Desculpe-me, papai. Eu não consegui te deixar orgulhoso”. O corpo ensanguentado nos meus braços perdeu vida, e a minha vida perdeu o sentido. Minha esposa pôs toda a culpa em mim, e para se vingar ela me acusou de ter matado o meu filho. Estou aqui hoje por esse crime. O menino se chamava Ricardo, mas pedia sempre pra ser chamado de Rick.
O prisioneiro ficou espantado, e quando finalmente recuperou a fala, perguntou:
– Isso... Isso é tudo verdade?
Rick ergue a cabeça e responde em voz alta.
– Não. É claro que não, Trouxão. — Ri estrondosamente por alguns minutos e volta no assunto — Essa historia nem faz sentido. Como eu poderia ser acusado de assassinato se tinha as marcas e os arranhões do animal como prova? — Em meio as gargalhadas aconselha – Olhe o mundo a sua volta, você não pode acreditar em qualquer coisa que ouve.
– Você é desprezível, Rick. Ninguém brinca com coisas assim. Espero jamais conhecer outra vez um mentiroso como você.
– Desculpe, Trouxão. Mas esse é o meu trabalho. Sou um mentiroso profissional.
–Mentiroso profissional? O que você faz? É um ator? Escrito? Ilusionista?
Ilusionista não. – Diz Rick com o peito estufado de orgulho – Eu prefiro o termo ‘prestidigitador’; ou mágico se preferir, até porque é assim que eu sou chamado pelo tribunal inquisidor. Isso porque o meu ultimo truque foi tão surpreendente que acharam que eu realmente praticava feitiçaria. Fui chamado de herege e estou aqui por isso.
– O caso da minha esposa foi parecido. Ela foi acusada de feitiçaria e chamada de herege por fazer remédios a base de plantas. Mas ela foi assassinada com uma das espadas que eu forjei para o exército. Pra me vingar, eu passei a forjar armas para inimigos do rei e seus seguidores. Infelizmente, o arsenal real era mais potente, e agora eu estou condenado por traição ao reino. E antes que eu me esqueça, meu nome é Heitor. Agora já pode parar de me chamar de Trouxão.
– Belo nome, Trouxão.
– Você é desprezível, Rick... Aliás, por que não disse logo que não era um feiticeiro e revelou o segredo do seu truque?
Rick gargalha alto novamente e responde:
– Acho que você não conhece os prestidigitadores, Heitor. Além do mais, o fato de eu estar preso é um prêmio a meu ver. Afinal, eu não estaria aqui se eu não fosse um mágico tão bom.
– Mas você mesmo estava reclamando agora que esse lugar é entediante.
– É, mas eu sempre encontro jeitos de me divertir. Veja só.
Rick se aproxima das grades do portão de aço e imita o miar de um gato. No mesmo instantes pode-se ouvir de outra cela um homem gritando.
– Hey... Eu ouvi. É o meu gatinho. Devolvam o meu gatinho.
E o guarda responde:
– Continue com essa loucura e eu mesmo vou aí te dar uma surra, Willard.
Rick se esforça pra segurar o riso, e Heitor o repreende.
– Não pode fazer isso com aquele pobre homem. É óbvio que ele já sofre muito com os problemas de sanidade.
Rick responde:
– Não venha com falso moralismo pro meu lado, senhor inimigo do rei. Hey, você é um ferreiro, não é?! Poderia fazer alguns trabalhos pra mim? Algumas armas falsas para os meu shows. Que tal?
– Hmmm. Acha mesmo que eu faria isso de graça?
– Bom, não posso recompensá-lo com ouro. Mas se me ajudar eu ajudo você a vencer o rei.
Heitor cochicha para Rick com um tom interessado.
– Explica melhor isso, Rick. Não que eu acredito em sua palavra, mas quero ouvir o que tem a dizer.
– Bom, você já ouviu falar na biblioteca profana?
Heitor se assusta e questiona a sanidade do homem com quem falava.
– Está maluco? Aonde pretende chegar com esse assunto. Todos sabem que quem entrar na biblioteca profana perde a alma e amaldiçoa toda a humanidade.
– Claro, afinal foi o que o Rei disse, não é?! – Diz Rick com uma voz que exprimia sarcasmo. – E o Rei jamais mentiria.
– Ah... mas... é que...
– Não seja trouxão, Trouxão. Se eles querem nos afastar daquele lugar, é porque o Rei tem medo do conhecimento que possamos adquirir lá, e conhecimento sempre é perigoso pra quem está no poder.
Heitor pensa pacientemente na proposta e nas consequências.
– Você tem razão. – Exclama Rick. – Eu estava temendo pela minha vida, mas percebo que eu não tenho vida para temer. Só me questiono se você realmente sabe onde fica a biblioteca profana.
– Tem a minha palavra, Rick. Eu sei onde é, mas só direi assim que eu tiver certeza que trabalhará pra mim.
– Se é assim, vamos logo. Você fez um buraco na parede, pode muito bem fazer outro pra sair.
– Eu até poderia, mas isso é uma torre. Se eu cavar ou fizer um buraco na parede eu vou terminar em outra cela.
– Precisamos planejar melhor nossa fuga. Dizem que a Terra foi criada em sete dias. Eu acredito que ela foi planejada em sete mil. Pra elaborar a fuga precisaremos de tempo, e isso é justamente o que mais temos.
O Plano
Heitor e Rick passaram dias observando o corredor da prisão, planejando a fuga, e pensando em tudo o que poderia dar errado nela.
Primeiro: Por que os prisioneiros não tentavam fugir? Porque o deserto era longo demais pra ser percorrido a pé, então precisariam de uma montaria, e isso poderiam conseguir isso pegando os transportes de prisioneiros. Um vagão com dois cavalos seria o suficiente.
Segundo: Não adiantaria tentar pedir o veículo com gentileza ao cocheiro. Isso deveria ser feito com armas. Poderiam roubar as lanças dos guardas, mas tentar vencer os guardas usando suas armas seria inútil. Portanto, após conseguir escapar da cela, os dois prisioneiros deveriam fugir pra cozinha, lá deveria haver um forno quente o suficiente para forjar armas, e Heitor sabia fazer armas mais fortes que as dos guardas da Torre.
Terceiro: Como escapar? Após dias observando, perceberam que há trocas constantes de guardas. Ao meio dia, um dos guardas saia e deixava o outro sozinho, e após 10 minutos um substituto retornava e ajudava a vigiar o corredor. O dia escolhido foi justamente o dia em que o guarda que costumava perder a paciência com Willard era responsável pelo corredor. Este guarda ficaria sozinho por 10 minutos, e nesse tempo Rick começaria a imitar um gato para atiçar a atenção de Willard, que gritaria para ter o tal gato de volta, até fazer o guarda irritado cumprir a promessa de entrar na cela de Willard pra espanca-lo. Mas antes de encostar em Willard, Rick arremessaria um pedaço de ferro (o mesmo que usou para abrir um buraco na parede) pelas grades do portão na direção do guarda e o nocautearia. Willard pegaria as chaves do guarda e abriria as celas de Rick e Heitor.
É chagado dia de colocar o plano em prática, e Heitor se dirige a Rick:
– É bom já ir se preparando.
– Não se preocupe, Trouxão. O que eu mais tenho é preparo.
Um guarda comenta com o outro:
– Parece que já está na minha hora. Cuide de tudo aqui, Belccior.
– Não se preocupe, Eleanor. Tenho experiência nisso.
Após se despedir o guarda sai e fecha a porta do corredor.
Heitor apressa o amigo:
– Rick! Vai! Agora!
– Eu sei, Trouxão.
Rick começa a imitar os sons de miado de gato, e do outro lado Willard reage aos miados.
– Hey, seu guarda, eu tenho certeza que ouvi dessa vez. Foi o meu gatinho. Devolve o meu gatinho.
E o guarda responde – Hoje não, Willard. Você me pegou em um dia de bom humor.
Rick se volta para Heitor:
– Não está funcionando.
– Então tenta de novo – Responde Heitor.
Mais uma vez Rick imita o gato miando, Willard grita clamando por seu gato, e o guarda reage:
– Bom, eu disse que acordei de bom humor hoje, e por isso vou realizar o seu desejo hoje. Aparentemente você quer apanhar, e muito.
O guarda destranca o portão da cela e entra. Rick arremessa o pedaço de ferro no guarda, mas o plano não corre como queriam, e o pedaço de ferro bate na armadura.
– O que é isso? – Diz o guarda se virando em direção à cela de Rick. – É você, não é bruxinho?! Você também está ansioso pra perder os dentes. Mas não se preocupe, vai sobrar pancada pra todo mundo.
Willard que estava atrás do guarda aperta com força as duas mãos e golpeia a nuca do guarda, fazendo-o cair inconsciente.
– E isso é pelo meu gato. – diz apontando para o corpo do guarda no chão.
Willy, hey Willy – Chama Rick – Nós sabemos onde está o seu gatinho. Pegue as chaves, abra a minha cela, e essa cela da esquerda que ajudaremos a resgatá-lo.
Willard cheio de empolgação obedece, e logo os outros prisioneiros começam a gritar pedindo o mesmo. “Willard, abra a minha cela”, “Hey Willard. Eu também sei onde está o seu gatinho”. E Willard responde:
– Eu sei que a intenção de vocês é boa, pessoal. Mas acho que duas pessoas já são o suficiente pra me ajudar a achar o gatinho.
Sons de passos são escutados e o guarda substituto abre a porta do corredor.
– Espera, aonde pensam que vão? – pergunta o guarda
– Nós... ah... nós estávamos indo te chamar. – Responde Rick – Íamos dizer que o guarda está dormindo em expediente. Veja você mesmo. – Diz apontando ao guarda desmaiado.
– Não precisam tentar me enganar. Eu sei que vocês estavam tentando fugir. Mas eu não vou impedi-los. Se acham mesmo que conseguirão sobreviver no deserto, vão em frente. – Diz estendendo o braço em direção à porta.
Heitor, Rick e Willard vão pra cozinha da torre forjar novas armas. Enquanto Heitor aquece o aço, pede um favor a Rick:
– Está vendo aqueles legumes? Pegue algumas cenouras pra viagem.
– Mas eu não gosto de cenouras. – Responde Rick
– Apenas obedeça.
Rick faz cara de entediado e reverte a ordem a Willard.
– Pegue algumas cenouras, Willard.
– É para o me gatinho? – Pergunta Willard.
– Ah... É... Claro. Todo nosso plano gira em torno do gatinho.
– Excelente. Ele vai adorar.
Heitor resfria as armas na água gelada e entrega uma pra Willard e outra pra Rick.
– Escutaram isso?- Pergunta Heitor — Parecem sons de passos. Temos que correr.
Os três correm para a saída da torre, e Rick alarma os companheiros:
– Se preparem. É bem provável que teremos que lutar.
Heitor faz uma expressão mais séria que a comum.
– Qual é o problema, Heitor? – Pergunta Willard – Vai dizer que nunca lutou antes?
– É exatamente isso Willard. Eu sempre fui um covarde. Só me tornei ferreiro pra reforçar o exército o máximo que eu pudesse, porque eu sabia que se o exército fosse abatido na guerra, logo começariam a convocar civis. Esse era o meu medo, morrer em batalha.
– Boa sorte então, você... ou melhor, nós precisaremos muito. – Responde Rick.
Enquanto corriam, Willard para e aponta para um pássaro azul morto.
– Olhem! Alí está ele. – Solta a espada no chão e corre em direção ao pássaro. Pega o animal morto e o abraça. – Podem ir, amigos. Eu ficarei aqui. Muito obrigado por me ajudarem a achar o gatinho.
Heitor olha aquela cena e seu coração se enche de pena, e cochichando para Rick diz:
– Não podemos deixa-lo aqui abraçando um pássaro morto.
– Por que não? Olhe bem para ele. Não vê o quanto está feliz?
– Isso é errado, Rick. Não podemos deixar um ser-humano viver assim. Ele está louco.
– Heitor, Eu trabalhei a minha vida com ilusionismo. E sei melhor que ninguém que às vezes tudo o que as pessoas querem é viver um sonho, mesmo sabendo não ser real. Já viu a expressão de uma criança quando um adulto a diz que não existe mágica, e tudo não passou de um truque? Deixe o homem, Heitor, é o que devemos fazer.
Heitor com uma expressão repleta de tristeza, sai do ambiente e continua correndo para a saída da torre. Rick o segue.
– Estamos chegando, Heitor. Talvez agora teremos que lutar como nunca.
Chegando a saída, eles se deparam com um vagão com dois cavalos, mas sem nenhum soldado ou cocheiro por perto.
– Onde eles estão? – Pergunta Rick.
– Devem ter subido pra guiar um novo prisioneiro à cela. Vamos, não podemos perder tempo.
Heitor sobe para guiar os cavalos, e Rick entra no vagão. E ambos começam a correr pelo deserto com os busca da cidade mais próxima.
– Conseguimos, Heitor. Estamos livres hahaha!
– Sim, mas não é hora de comemorar. O caminho adiante será bem mais difícil. Acho que os cavalos ficarão com fome logo, você trouxe as cenouras.
– Não, eu já disse que não gosto de cenouras, então deixei esse trabalho para o Willa... Ah, droga! Ele ficou lá.
– Rick, você é desprezível.
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