Notas iniciais
OI GENTEE — Há quanto tempo você não entra pra atualizar essa história? — Já faz 84 anos... Gente me perdoa! Sério, eu tive alguns problemas pessoais mas voltei com tudo agora que minhas férias chegaram (EEEEE) , pra provar, postei dois capítulos em um único dia! APROVEITEM! E NÃO DESISTAM DE MIM! ;-;

APESAR DE gostar de chuva, os pingos grossos de água me fazem arrepiar. O cheiro pútrido de algum lugar desconhecido entra como ácido em meus pulmões, fazendo com que minhas narinas inflem e meus olhos lacrimejem, talvez seja também por culpa da densa neblina que circunda o lugar.

Como os maiores caminham atrás, é fácil enxergar Enzo, que caminha junto a Genoveva mais a frente e reprime o riso enquanto ela segura o fuzil que parece mil vezes maior que ela.

O lugar em que Temiscira se encontra é um deserto, sem absolutamente nada, nenhuma planta sequer crescia nos portões ou qualquer bloco de concreto sujava a paisagem, era apenas areia.

Caminhamos mais um pouco, talvez durante horas intermináveis até perceber prédios caídos, veículos amassados uns sobre os outros e até esqueletos se desfazendo. O tempo passa enquanto continuamos a andar enquanto observamos a paisagem destruída. Nenhum barulho era ouvido além dos pássaros e o vento sôfrego que uivava.

Victoria levanta a mão direita envolta em uma faixa branca e fecha o punho cheio de cicatrizes costuradas, fazendo com que todos parem. Enzo bate a testa nas costas de Arthur, que vira para trás e o fuzilou com o olhar, rosnando como um animal.

— Dez segundos para se separarem em grupos de cinco — Ela Sussurra em um fio de voz tão baixo que eu só escuto depois que Enzo repete tudo que ela fala em meu ouvido. Mal pude respirar quando vi Genoveva agarrar meus braços e o de Enzo. — Vocês têm uma hora para explorar o local,quero todos aqui no horário marcado.

Haviam quinze pessoas, então fomos divididos em três grupos, colocaram Aodh e a garota da cabeça raspada em nosso time. Victoria passou para cada um de nós um comunicador e uma máquina preta, que parecia uma lupa, com um botão escrito "Verificar", ela disse que ele servia para se caso encontrarmos seres humanos — O que era muito pouco provável — para sabermos se eles são mesmo o que aparentam. Se você não estiver preparado, demônios costumam vasculhar sua mente e se transformar naquilo que mais danifica seu psicológico.

— Lembrem-se sempre do juramento! — Ela começa a citar um trecho, e logo a acompanhamos.

— "Assim como a quimera, permanecemos conectados, no mesmo corpo, como o leão, a cabra e a serpente, seremos sempre unificados." — Falamos em uníssono.

— Tenham cuidado soldados. — Ela deu as costas e saiu com alguns soldados a acompanhando.

Nós nos separamos, entrando mais a fundo na rua desconhecida. Não sei por qual motivo, mas deixamos que Aodh nos guiasse, apesar de que ele não faça de propósito, apenas seguimos seus passos, com cuidado para não tropeçar nos escombros de concreto. Posso ver as mãos de Genoveva temerem, então Enzo afaga seus cabelos louros e desgrenhados, isso parece acalmá-la um pouco.

O lugar onde estamos parece um estacionamento, com vários carros em péssimo estado, mas ainda assim consigo ver os corpos magros s que morreram lá dentro. Aquelas pessoas que não tiveram ninguém por elas naquele momento, apenas o desespero correndo por suas entranhas enquanto tentavam se salvar ou salvar a vida de seus amados. A garota da cabeça raspada olha na mesma direção que eu e parece reprimir náuseas quando vê dois corpos despedaçados dentro do carro.

Aodh entrou por uma porta, ficamos receosos em ir atrás dele, mas Enzo foi, seguido da outra garota. Olho para Genoveva, que devolve o olhar repleto de medo, mas entra atrás de mim. O lugar é um breu completo, e fede tanto que somos obrigados a colocar a máscara de gás, o odor pútrido é de decomposição, apenas humanos mortos fedem tanto. O lugar não é totalmente fechado, por um golpe de sorte, o teto foi quebrado e raios de sol batem em nossos rostos enquanto andamos.

Um barulho me faz apontar a arma para a direita, Enzo pula de susto e aponta a arma na mesma direção, assim como os outros. Quando o abutre, que estava fazendo todo o barulho sai dos escombros, suspiro aliviada. Ouço um sussurro atrás de nós, e me viro, por conta do meu susto anterior ninguém me acompanha a não ser Aodh, Enzo chega a rir de mim, mas a imagem que vemos nos faz gritar e logo todos nós apontamos as armas para um grupo de alguns demônios, acho que são quinze.

— Demônios? Nessa área? — Pela primeira vez ouço Aodh falar. Ele parece procurar algo no chão ao seu lado e então olha para Genoveva. — O que estão fazendo parados? Corram!

— Vamos nos distanciar uns dos outros, devemos ficar juntos! — Enzo grita. — Como a quimera...

— Se não corrermos, seremos possuídos! — A garota de cabeça raspada acompanha Genoveva que corre primeiro acompanhada de Enzo. Pego meu comunicador, mas percebo que está quebrado. Como isso quebrou em tão pouco tempo?

— Vá, corra!

— Não vou deixar você! Victoria disse para não deixarmos nossos parceiros para trás. — Ele suspirou e apontou o fuzil para alguns dos demônios e fiz o mesmo, mas haviam mais vindo dos lados. Atiramos em alguns e seguimos para o lado oposto de onde os outros correram, atraindo-os para longe, entrando em um lugar que mais parecia um mercado antes de ser destruído.

Nos separamos, cada um entrando em uma fila estreita de estantes, os demônios também eram rápidos e gritavam coisas que eu tentava não ouvir. Corri o mais rápido que pude para encontrar Aodh do outro lado, mas uma das criaturas parou em minha frente, correndo em minha direção a todo vapor, levantei o fuzil e atirei em sua face, banhando as estantes do lugar com líquido encefálico e tentando não ligar para a pessoa que provavelmente ainda dividia o corpo com aquele espírito imundo.

Pulo o cadáver com os olhos abertos, tão mortos quanto antes e encontro Aodh sujo de sangue da cabeça aos pés.

— Sente esse cheiro? — Estava com uma faca em uma mão junto com sua máscara enquanto limpava os olhos. As mãos estavam pingando sangue.

— Cheiro? — Fui para perto dele, retirei a máscara de gás e senti o cheiro ácido, não era de podridão, mas um cheiro que doía as narinas e queimava tudo por dentro. Recoloquei o objeto pesado de volta ao rosto e tossi. — Pela deusa, o que é isso?

— Isso é um mal sinal. Fique perto de mim.

Recolocou o objeto no rosto e se encaminhou para a saída, mas se surpreendeu quando viu vários demônios cobrindo a porta. Ele pega meu braço e me conduz até o final do mercado, onde está bastante claro e com vários carros amontoados.

O que há com esses demônios afinal? Eles nunca ficam nessa área justamente pelos caçadores que saem de Temiscira.

— Talvez tenha alguma porta que... AH!

Minha perna se desequilibra e escorrego para um buraco que eu antes não havia visto. Felizmente consigo sustentar meu corpo nos pedaços do chão que ainda não estão rachados. Coloco minhas mãos segurando o concreto e os dedos ainda encostando nas partes boas. Olho para o fundo, estou para cair a vários metros e minhas mãos começam a suar e escorregar pela possibilidade, o braço lateja pelo esforço. Seguro mais forte com os dedos e com os pés o asfalto a volta do buraco, com o rosto virado para o subterrâneo, que está iluminado.

Aodh tenta me puxar do abismo, mas a terra faz barulhos enquanto ele pisa mais perto, posso até sentir alguns pedaços de área ficarem mais baixos.

Meu coração começa a quase sair pela boca, e os cabelos cacheados grudam na testa molhada de suor.

"Que morte horrível!"

Consigo ouvir o barulho de possuídos chegando perto, os seus sussurros deixam Aodh alerta, e sua perna vira em direção dos corpos, mas com esse movimento, um barulho estrondoso causa uma rachadura na pedra em que eu me sustento. Tento ver os próximos passos dele, mas pensamentos de Aodh estão confusos, um barulho em sua cabeça me faz ver a sequência de imagens que ele calcula enquanto aponta a arma para os demônios que vêm em nossa direção. Na sua imaginação vejo seu corpo pular para o outro lado do buraco enquanto suas mãos me puxam pelo colete, logo depois prontos para atirar nos demônios.

Seria algo que dizem como saída triunfal, se não fosse por um pequeno detalhe crucial: É decididamente impossível pular daquela altura.

— Droga Chad, isso é você? Saia da minha cabeça! — Ele balançou o pescoço e colocou um pé para trás, rachando o concreto ainda mais.

— Isso é impossível! — Grito enquanto fazia eco dentro do ugar subterrâneo. — Você não vai conseguir!

Vi seus tornozelos preparados para dar o impulso, fecho os olhos e espero o pior, que acontece de imediato.

Antes de Aodh pular, sinto um tremor junto com seu barulho, e o terreno desce com os pedaços de concreto caindo comigo, alguns batem em minha máscara, quebrando o vidro, tampo os olhos com os braços esperando o chão duro bater contra minhas costas.

Talvez eu tenha ouvido a voz do soldado me chamando, ou tenha sido apenas a minha imaginação.

Eu deveria ter visto o buraco, deveria prestar atenção, mas isso tinha que acontecer comigo. Eu só sirvo para fazer merda mesmo.

Notas finais
O que acharam? OMG e o que aconteceu com a nossa Chad? No próximo bloco em... Hecatombe.