Heartless
25 At Night Everything Changes
Notas iniciais
Era madrugada comum em Nova York, se tratando da cidade que nunca dorme era mais uma normal madrugada escura, e Sasuke Uchiha assim como a própria e agitada, também não dormiria, e como poderia? Sentia a cabeça estralar, Naruto e um lado, Hinata do outro, Hyuugas pra lá os Uchihas querendo tudo, o fim de ano da Faculdade de Direito e Sakura, ah doce rosada, no meio de tudo isso. Ele não podia mais esperar nenhum segundo.
Os olhos ônix tentavam enxergar o céu, já que estava mais perto, o chão era uma mera queda, na verdade uma queda feia. Poucas pessoas tinham a petulância e os recursos necessários para conseguir subir ao Empire State Building, o arranha-céu de 102 andares lhe dava a vista perfeita de toda a cidade iluminada. Noite estrelada e privilegiada, que fez a interseção na 5ª Avenida com a West 34th Street um marco zero.
– Que bom que veio irmãozinho – ouviu a voz em meio ao escuro no terraço e o vento gelado correu entre eles, Sasuke entortou a face para o lado encontrando finalmente o irmão mais velho. Itachi era sempre sóbrio, sempre quieto, desvendar seus pensamentos um desafios para até os melhores metalistas.
– Sempre se tratou de dinheiro? – Sasuke indagou direto ao ponto por que queria neurônios parassem de cozinhar o seu cérebro. Decepção maculava sua alma.
– Você soube da corrupção... – respondeu Itachi ainda severo e sério como o pai Fugaku.
– Corrupção? Isso é uma quadrilha sem tamanho! – rebateu o mais novo já um tanto indignado com a situação – foi só para isso que ele quis se tornar 1º Ministro? Estamos falando de dinheiro, centenas de milhares de ienes convertidos em dólares e escondidos na Suíça.
– Um erro na bolsa de valores levou as Petrolíferas da família à falência, a crise despencou arramada a todos os pilares das empresas, nos arrastou para o fundo do oceano, falidos totalmente, até que não foi um problema graças aos desvios de dinheiro – explicou o mais velho com um olhar distante – com a Corregedoria nas nossas costas não podemos tocar nesse dinheiro, e por isso papai quer o casamento, tirar o nome dos Uchihas da lama é o ponto principal para a reconstrução do nosso Império.
Itachi Uchiha, tão sombrio quanto à própria noite, apesar de cheia de estrelas, que abençoavam os seus olhos cerrados secretamente, bem lá, lá no terraço no Empire State, seu irmão mais novo perceberá seu olhar, tão sombrio quanto ele mesmo, tão sombrio quanto a escuridão, onde pupilas tão negras e brilhantes escondiam uma infinidade de sentimentos, mais do que ele podia presumir, mais do que podia imaginar que tinha, e talvez Itachi nunca fosse tão transparente como estava sendo naquele momento. Que defeito mais idiota os dos Uchihas, essa mania de se esconder dentro de uma casca dura e rígida. Todos iguais.
Sasuke bufou o próprios fios de cabelos retirando de dentro do seu casaco a pasta que Kakashi Hatake levou para ele já no começo da noite, não estava impressionado em relação a Fugaku, ele era tão ambicioso e louco quanto todos os seus ancestrais juntos, morou longe, morou o suficiente, conhecia bem o homem que o criou, mas estava chocado com o irmão, ele era bem mais surpreendente do que esperava, e tinha mais caráter do que qualquer pessoa já conheceu, até mais que ele.
– Por quê? – perguntou Sasuke como um sussurro apertando agora todo aquele conteúdo com informações que raspavam a sua garganta de tão duras.
– Nossa família é lacrada com vitórias – ele respondeu firme e jogando seu olhar encima do mais novo – conquistadas com roubo, coação, chantagem, os Uchihas pisaram e enganaram seus aliados durante todas as gerações para chegarem no topo de tudo – ele fez uma pausa para inflar os pulmões já cansados – eu tenho nojo deles, de todos os eles, principalmente do nosso pai, a confiança de um povo não é algo para se brincar, eu me recuso a representar uma família dessas que joga baixo para se erguer e ainda expõe e se engrandece, usa os próprios membros para conseguir mais dinheiro, mais enganação.
– Pensei que quisesse esse casamento?
– Eu tinha que ficar do lado dele, alias ainda tenho...
– Por que trocou o nossos nomes? Desde quando papai usa o meu nome para fazer negócios clandestinos? Que historia é essa de Diretor da ANBU? – começou a proferir pergunta por pergunta se sentindo irritado, mentiras sem fim ecoavam na sua mente sem parar.
– Por que você é diferente – Sasuke sustou, arregalando os próprios olhos que lhe arrancavam a expressão séria que sempre tinha travada – Oras Sasuke, eu estou perdido a muito tempo, Sr. Nosso Pai me coloca milhões de expectativas e me envolve nisso todos os dias, mas meu nome não pode ser sujado, por que se não a Presidência da Empresa estaria comprometida, ele sempre usou seu nome. Eu procurei Kakashi para ter informações e em mim ele enxergou potencial virei Diretor da ANBU em menos tempo do que esperado, achei que assim conseguiria confronta-los achar uma solução e não achei, vivi uma vida dupla até finalmente reunir todas as provas necessárias, só precisar modificar algumas e entrega-las.
– Você vai ser caçado... Todos...
– Entreguei esse relatório há três anos, a ANBU não iniciou uma caçada até agora por que eu desapareci, e não vai iniciar enquanto eu estiver desaparecido, eles estão sem Diretor e Kakashi jamais permitiria, é um jogo de hierarquia, as pessoas certas, sabem tudo que eu fiz pelo Japão, vão encenar, fingir que vão me caçar, mas nunca caçaram, até por que jamais me encontrariam.
– E por que eu?
– Esta sem saber o que fazer? Pela primeira vez Sasuke Uchiha tem duvidas – Itachi riu curto e de maneira cínica – é bom prevenir, é bom ter alguém lá dentro, alguém que vai garantir que a ANBU continue cumprindo suas promessas. Você é mais do que capaz, é o melhor e mais confiável, eu amo o Japão e amo a ANBU mais ainda por proteger tanto o Japão, eu jamais indicaria alguém que não servisse.
– Itachi...
– Você não percebe! – o mais velho o cortou, e o encarou numa pausa completamente ameaçadora, Sasuke engoliu o seco, não sabia se estava surpreso, confuso, triste, talvez tudo ao mesmo tempo. Ele sabia que o pai esta estava envolvido, mas não que era mandante de tudo – agora você tem Fugaku Uchiha nas mãos, e mais do que isso tem a confiança de Kakashi Hatake, homens mais poderosos não há eu lhe garanto. É o suficiente para viver em paz com a pessoa que ama.
– O que?!
– Não deixe essas pupilas negras cegarem os seus olhos – sibilou com volúpia encarando o céu escuro e a noite que abraçava a caótica Nova York, os Uchihas tinham a mania de ser superiores, tinham a mania de ser seletivos, exagerados na ambição, até ele mesmo deixou que o poder subisse a cabeça, entrou na ANBU com esperança e saiu dela percebendo que ter poder não era nada se não tivesse tempo. Itachi Uchiha não tinha mais tempo, mas Sasuke tinha – você ama aquela Rosada, ama mais do que imagina.
– Eu sou um idiota – respondeu relaxando a musculatura.
– Nunca imaginei ela como seu tipo de mulher – confessou então risonho – mas ela deve ser realmente especial, o amor é complicado Sasuke, em todas as suas formas, conquistar alguém não é nada fácil, conquistar alguém que já amamos é mais difícil ainda o universo que desvenda seus sentimentos sempre conspira contra. Parabéns a ela, por não ter desistido.
– Ela desistiu.
– Não, não desistiu – Itachi quase que não conteve e gostosa gargalhada, algo que jamais usava, mas não aguentou, logo sua expressão séria retomou o momento e seus olhos se cerraram encarando o irmão mais novo em silencio continuo.
– O que? – perguntou Sasuke tão fechado quanto os próprios sentimentos, Uchihas.
– Faça o melhor, que é o que já deveria ser feito a tempos – respondeu com singelo tão gentil que até se surpreendeu – mude Sasuke, mude, e mude todos os dias, e seja o homem justo que eu enxergo em você desde que tinha 8 anos, volte para casa, para o Japão, concerte essa família, concerte esse podre grudado no nossa sangue e deixe nossas futuras gerações terem orgulho de quem somos. Você tem orgulho desse nome, eu quero ter também...
– Itachi...
– Faça valer a pena tudo que fiz.
[...]
Agora outra hora, 4h00 da manhã, como o universo podia ser tão veloz em um momento de tão difíceis decisões.
A mente de Sasuke Uchiha estava fervilhando, como brasa na lareira no inverno. Dirigia pelo asfalto seco na noite negra pelas ruas de Nova York, agora já consideravelmente silenciosas, mas nunca completamente silenciosas. Pensou no Japão, pensou na família, no seu sangue mais sujo que tinha correndo pelas veias nutridas. Apertou o volante sentindo os olhos se marejarem de lagrimas pela milésima vez, conversou muito com o irmão, era a madrugada mais agitada dos seus 23 anos, tanto que nem se lembrava da ultima vez que chorou na vida, na verdade ele nunca chorava, ouviu tudo em cada detalhe tão odioso que nem esqueceu das palavras, do pai que sempre usou seu nome para manipular os negócios, do milhões que ele roubou durante todos os anos que foi 1º Ministro, e pensar que orgulhava do homem que lhe deu a vida, as quadrilhas de corrupção das quais era aliado e do tanto de dinheiro roubado que ele ainda mantinha, das pessoas coagidas, notas verdes desviadas e de quantas de pessoas provavelmente tiveram que ser caladas. Se arrepiou com a própria imaginação. Como podia? Como eles puderam? Os Uchihas, gerações inteiras que enganaram para subir. Que ódio ele tinha da sociedade, pensava enquanto pensava no seu irmão, e no quanto se odiava por tudo isso, por não conseguir enxergar o óbvio o concreto o certo. Burro, era o que era, seu mundo estava de ponta cabeça agora sim, completamente sem nenhuma duvidas. Itachi falou do quanto Fugaku tinha escondido na Suíça e que esse casamento era muito mais ambicioso do que ele realmente sabia, o contrato com Hyuugas de que Sasuke nunca poderia levar Hinata para o Japão, ele era muito mais que um plano de fuga, muito mais que a reconstrução com império da família, ele era a prisão definitiva da melhor amiga, concordou em qualquer coisa foi o que disse ao pai quando ele pediu para que enganasse Hinata para se casar, mas não concordaria com isso, ela podia ser a pessoa mais louca do mundo e talvez toda errada de tudo, mas não faria isso com a mulher que lhe estendeu a mão de tão boa maneira do meio do seu desespero, só por que ele tinha medo que algo acontecesse, com Sakura.
Então seus pensamentos sumiram, precisou de um segundo e uma palavra, e só ela estava lá, poluindo suas memorias insanas, com suas palavras citadas com uma voz tão doce quanto a arvore de cerejeira, fazia até sentir saudades de casa, ah aquela Rosada.
Pisou os pés no freio com força se sentindo extraído como se fosse sequestrado por alienígenas e o carro pobre dos pneus fortes de boa marca e das engrenagens tão eficientes, as rodas travaram no mesmo momento, e o grito de borracha rasgando pelo asfalto ecoou pela rua como se anunciasse um acidente. Foi alto, alto demais.
Olhou para o lado com a mente travada, viu a luz na janela do canto direito encima da garagem, acessa, para o seu azar ela ainda estava acordada, ele relaxou a musculatura jogando o corpo no banco de couro branco e deixando que o ar condicionado despojasse um pouco de vento. O mundo estava descontrolado, nem percebeu seu rumo e agora, estava lá, na casa dela. E por falar em descontrole até que não demorou muito.
A residência dela deveria ser com certeza a que tinha o jardim mais florido do bairro mesmo a vista da luz da lua, as portas duplas de madeira esverdeada se abriram como um vendaval alvoroçado, Sakura Haruno de pijama de verão, a blusa de alça e renda e o short com babados de renda e as pantufas brancas que calçava, os cabelos róseos presos pela tiara, ela com certeza estava estudando, e ele pensou no quanto ele atrapalhava a vida dela, sempre a enrolando, e constatou o real, era ela, sua mera existência que o atrapalhava. Abriu a porta a jogando para frente com força e desceu do carro afoito.
– O que você esta fazendo aqui?! – disse como um sussurro a repreensão, vendo as marcas de pneu na rua da sua casa, estava mais brava do que ele esperava, mas lembrava que ela agora o odiava. Estava mesmo estudando e conhecia bem o carro do amigo de longe, quase não acreditou quando viu pela janela.
– Eu estava só dirigindo – ele respondeu caminhando com velocidade a sua direção com expressão mais séria do que ele estava acostumado – quando me dei conta eu estava simplesmente aqui, eu nem percebi.
– Hã? – ela nem teve tempo de pensar no por que ele deu essa resposta, como se andar pela cidade o fizesse simplesmente parar na frente da sua casa. Sasuke apanhou a sua mão e a arrastou pelo gramado a tirando das vistas da noite escura que era iluminada pela rua – o que você esta fazendo?! São 4h00 da manhã?
Não pareceu lhe dar ouvidos, nunca lhe dava ouvidos, Sakura franziu até que sentiu o coração acelerar o seu toque solene ainda era quente e lhe causava um turbilhão de efeitos que nem imaginava que tinha mais. Sentiu as costas baterem contra o tronco da arvore que ficava na frente a sua sala, seus olhos esmeralda se perderam no instante que ele aprendeu com o próprio corpo, do jeito que sempre era, e do jeito que ela sempre amava, do jeito que não resistia; sentiu o queixo ser tocado e a mão máscula ergueu seu rosto. Sasuke, sempre a analisando adentrando em seus pensamentos com uma enorme facilidade, como se mergulhasse nos seus olhos, era a parte que mais odiava nele, em todas as formas que ele poderia enganar, escolhia a pior, seus próprios sentimentos.
A beijou, rápido e sem deixar que ela protestasse, enterrou sua mão rígida nos fios rosados e apertou seus lábios sentindo aquele sabor surpreendente e adocicado, sentiu falta disso, sentiu falta dela, do seu jeito neurótico e romântico ao mesmo tempo, da maneira como ela era elétrica e ainda sabia acalmar, do modo sempre petulante e extraordinária, sentiu falta do seu rosto, dos seus olhos esmeraldas cintilantes e sonhadores, do seu corpo, ah o seu corpo sentindo em cada curva que sua mão fazia deslizando pela cintura. Aquele não era mais um momento rápido, e agradeceu pela Terra finalmente começar a girar devagar, seu beijo era melhor ele sabia disso, mas ela estava respondendo muito confusamente, e cada instante no balançar de línguas valiam por todos os momentos juntados como um filme. É como dizem, quando é eterno na vida de alguém, nada mais é mero instante.
Mas sua Haruno ainda era tão determinada quanto petulante.
– Para! – ela controlou a voz para não acordar os pais que sonhavam longe no andar de cima enquanto a confusão acontecia, ele se afastou e sorriu cinicamente aquele jeito vitorioso que ela tanto odiava – o que você veio fazer aqui? Eu não posso nem mais estudar em paz!!! E se sua noiva acordar??? Você é idiota Sasuke?
– Ela não é muita noiva – respondeu de cabeça baixa guardando as mãos nos bolsos – é minha amiga apenas isso e nada mais que isso.
– Você enlouqueceu?!
– O casamento é uma farsa Sakura – ele proferiu de maneira solene e ergueu a cabeça mirando sinceridade olhos nos olhos, pupilas esmeraldas franziram sem entender e até seu corpo se desconcertou consideravelmente – Hinata e eu não nos amamos, ela é minha amiga, os Uchihas estão falidos, falidos e perdidos, no fundo do poço com certeza, meu pai me ameaçou para que eu me casasse com Hinata.
– O que?! Co-como assim? – ela grunhiu tremula dando passos para trás, ele era um mentiroso as vezes e ela sabia, mas agora falava a verdade – você não pode ter feito isso com ela?! A-aliás isso não tem nenhum cabimento!
– Hinata sabe, ela aceitou meu desespero de coração aberto, apesar do meu pai mandar eu mentir, eu jamais mentiria para ela – tratou de explicar a deixando com a boca entre aberta de espantada, não sabia quem era mais louco do casal que agora sabia que era uma farsa – meu pai foi muito esperto e usou armas certas, eu contei a verdade para Hinata e ela aceitou se casar comigo para me ajudar. Hinata bateu o carro quando era jovem, acidente que resultou na deficiência física da irmã mais nova, o erro imperdoável a visão dos Hyuugas, e meu pai também deveria saber disso, que Hiashi Hyuuga pagaria qualquer preço para que Hinata tivesse ele nome retirado da família, e ele está, pagando muito.
– Meu Deus...
– É, e meu futuro sogro foi hoje me visitar, e ele foi muito sincero quando disse que jamais deixaria que a filha, por mais rebelde, se casasse com alguém que não a fizesse feliz – ele suspirou chutando a grama fria pelo sereno – eu jamais vou faze-la feliz, e Hina francamente ela não precisa, ela é feliz por ela mesma, ela é feliz por simplesmente ser, ela não deixa as pessoas baterem a porta na sua cara ela atropela as regras e vence qualquer um que ousar duvidar da sua vontade, ela pensa que precisa de mim para mostrar pro pai o quanto ela é extraordinária, mas não precisa, Hiashi já sabe, é por isso que quer se livrar dela.
– Como você foi ameaçado? – ela perguntou engolindo o seco.
– Você – Sakura sustou – meu pai foi 1º Ministro, ele tem muito poder, ele disse que faria qualquer coisa para prejudicar você, a sua vida, o seu futuro.
– Eu...
– Eu jamais permitira, jamais deixaria que ele destruísse seus sonhos.
– Não... – ela sussurrou num recuo e os olhos se afundando em lagrimas que surgiam vagarosamente – não! Você não pode chegar aqui depois de tudo, tudo! E simplesmente falar o contrario de tudo, você não pode me confundir mais Sasuke... e-eu...eu não sou perfeita como ela...
– Sakura! – ela proferiu se aproximando dos seus braços – não deixe que todas as vezes que te deixei te faça pensar tal absurdo, você é! Até mais perfeita do que ela...
– Não sou...
– É! – ele sorriu – eu disse para Hinata assim que ela chegou, que você é incrível e ela concordou achando você linda, concordei com ela e ainda disse que eu queria ser o cara que faria você se sentir assim. Você é a rosada irritante mais extraordinária que eu poderia conhecer, não existi ninguém como você.
Ela nada disse além de abaixar a cabeça a cabeça se soltando de seus braços, ignorando a situação que não queria acreditar, ou pelo menos, se prometeu a não acreditar. Recuou os passos e começou a andar com a intensão de entrar na casa, andou rápido e sem olhar para trás, sua cabeça estava agora como uma panela de pressão, cozinhando seus sentimentos um a um de maneira rápida.
– Eu amo você.
Foi o golpe final.
Mesmo de costas Sasuke tomou por satisfeito por ouvir os passos dela pararem. Girou o corpo e viu que ela girou junto com ele, não aguentou mais, lagrimas escorreram dos olhos esmeraldas enquanto ela o encarava chocada.
– Eu te amo – ele repetiu – e nem sei dizer como, ou o porquê, eu só simplesmente amo, amo por amar, por que já sou idiota o suficiente de não ter percebido antes, e desculpa pela demora, mas eu seria um estupido total se não te amasse. Eu te amo Rosada.
– Sasuke... – mal conseguiu dizer desacreditada, ela não esperava palavras bonitas, ele não era romântico, nem um pouco e por isso não lhe exigia romantismo, mas ele sabia ser, o que ninguém mais era para ela. Ele sabia encanta-la e sem ela querer ser encantada.
– Eu vou proteger você – ele explicou gentil – amanhã eu vou viajar para o Japão, o primeiro voo, eu vou revolver isso, vou cuidar de tudo e volto, volto para te buscar. Sakura eu quero que você viva comigo...
– O-oque?? – fraquejou a voz – como assim? Viver com você aonde? Você nem pode viajar! E a faculdade? O caso? O Naruto???
Ele se aproximou novamente e a abraçou a surpreendendo.
– Podem esperar – disse apertando o corpo dela junto ao dele – Naruto se vira, agora eu só preciso cuidar de você.
[...]
Memma Namikaze perambulava no escuro com o pouco de luz que tinha na tela no celular, ainda vislumbrando a mensagem que havia acabado de receber chocado. O saguão do hotel era até maior do que imaginava, aliás todo aquele lugar muito maior do que imaginava, Kakashi Hatake era muito mais influente do que ele mesmo se lembrava, e a tal ANBU muito mais eficiente. Continuou passando pelo corredor, arrastando os pés calçados apenas pelos chinelos, os americanos eram estranhos a partir daquele instante, com aqueles chinelos desconfortáveis, a calça jeans era arrastada junto pisava na barra sem importância, a camiseta regata estava o deixando incomodado não era o tipo que usava, mas olhou novamente a mensagem como uma emergência colocou o primeiro traje que estava jogado na poltrona; passou pela recepção e viu o segurança cochilando enquanto o gerente noturno estava no computador, grudado nas contas, continuou reto e sem rodeios rezando para não encontrar ninguém importante, ou pelo menos para que Kushina, dormindo lá encima não acordasse.
O salão ao lado do restaurante, agora fechado, era quase como uma sala de visitas, e foi lá que Memma chegou com a sua mensagem recebida de maneira inesperada, ele sentou em uma das cadeiras de couro almofaçadas apoiando o cotovelo no braço da mesma, e bocejou o sono interrompido.
– Ainda bem que você tem um sono leve – ouviu a voz atravessar a escuridão e levantou assustado. O viu.
Lá estava Naruto, Mori, o irmão desaparecido, de pé admirando a rua pela vasta janela de vidro, ele tinha um físico mais despojado, mas ainda tão loiro quanto ele com os fios desgrenhados como os do pai enquanto ele havia puxado os escorridos da mãe. Memma relaxou na musculatura com um suspiro e puxou a corda fina de contas que ligava o abajur, finalmente o via realmente.
– Como? – ele perguntou mostrando o celular com erguida do braço tentando não transparecer o sono que vivia agora na sua alma – aliás como entrou aqui?
– A tecnologia faz coisas interessantes – Naruto respondeu então – o dinheiro mais ainda.
– Que bom que eles te deram tanto assim – agora em tom ríspido – pelo menos isso.
– Não esta chocado? – perguntou Naruto o analisando como mero telespectador de tudo, e querendo entender como de todos, ele era o que mais estava mantendo o controle.
– Chocado? – Memma repetiu as palavras do irmão – nem uma palavra define o que eu estou sentindo nesse momento, estou mais que chocado, com tudo! Entretanto alguém tem manter a cabeça no lugar por aqui, para nossa mãe não fazer nenhuma loucura.
– Kushina não é? – ele proferiu e o gêmeo abaixou a cabeça assentindo enquanto esfregava as têmporas – como ela esta?
– Péssima, afinal o filho desaparecido a 13 anos, esta vivo, vivo saudável e pior vivendo com a nossa avó que a odiava. Sabe o quanto ela sofreu? Eu achei que eu sofria, mas passei a esconder o que sentia quando eu passei a ouvir ela chorando, todas as noite ajoelhada no templo pedindo, implorando para que te encontrassem...
– Fala como se eu fosse culpado.
– Você poderia ter o mínimo de consideração – proferiu até que revoltado.
– Eu não lembro de nada! – rebateu o Uzumaki por finalmente – eu não lembro! Eu queria lembrar, é tudo novidade de mais para mim. De um segundo por outro eu tenho uma mãe uma avó e uma irmão, gêmeo.
Naruto coçou a cabeça e andou em zig zag por uns dez passos envolta do recinto, Memma suspirou, era mesmo Mori, como em um daqueles filmes de guerra que as vitimas passam por lavagem cerebral. De primeiro momento parecia bravo e arrogante, como um homem cheio de exigência a si próprio e a própria vida, enxergou bem isso enquanto ele brigava com a madrinha que na verdade era sua vó, mas justo ele que o conhecia desde os primeiros resquícios de vida sabia como Mori Namikaze era de verdade, e aquele jeito de se mostrar confuso e atrapalhado era uma das características escondidas na sua casca.
Ele riu de canto e viu o irmão erguer a cabeça o encarando como se estivesse julgando algo, Memma tirou a carteira do seu bolso de trás e agradeceu a mania de não sair sem ela para nenhum lugar, a abriu, vários papeis e como sempre vazia de dinheiro, bem atrás do cartão tirou um papel especial e sem mostrar entregou ao outro.
– É nós.
Naruto franziu não entendendo bem, mas percebeu o que era apesar de pequeno, apanhou a foto de maneira desconfiada e a visualizou de imediato por que não era de fazer rodeios com detalhes, seus olhos azulados perderam o rumo como um turbilhão de sentimentos que caíram encima do peito, tudo de uma vez deixando as pupilas tremulas de susto. Ele não se lembrava deles, de nenhum, mas sentia, sentia algo que nem sabia se conhecia, apenas sentia.
A mulher de cabelo vermelho como sangue, e três loiros sorridentes a abraçando e juntos. Um bem feliz de cabelos lisos e pose galanteador com o braço sobre o pescoço dela como se orgulhasse e muito, o mais velho estava no meio com as mãos pousadas em seus ombros e o rosto apoiado nos seus cabelos, sereno sendo sua base, e o terceiro a abraçava pelo abdômen, a expressão de quem havia acabado de soltar uma gostosa gargalhada tão feliz que nem os olhos saíram abertos, nem desse que era ele mesmo se lembrava. Ela estava feliz, aquela que dizia ser sua mãe.
– Pode ficar – Memma disse o libertando os devaneios pensativos que os fizeram perder sobre a foto – é sua.
– Como eu era?
– Um idiota – o irmão respondeu sorrindo e jogando o corpo no sofá finalmente – mais palhaço que você não existia na verdade, tudo era brincadeira risada, você era animado, fazia até que amizade com facilidade por causa disso, e competitivo muito, brigava com todos na ed. Física e voltava todo machucado para casa, por que era também um desastrado ou atrapalhado demais. Você fazia pegadinhas com todo mundo e roubava tinta da construção da esquina e pintava a estatuas do jardim da nossa casa, nós dois competíamos pelas notas, mas eu sinto dizer eu sempre ganhar, aliás eu sempre estava a um passo de você em tudo embora eu seja o irmãos mais novo, 4 minutos mais novo.
Ele era mesmo galanteador, o que fez Naruto pensar em tudo que se tornou depois que acordou, ele era uma pessoa completamente diferente da realidade.
– Eu gostava de alguém? – engoliu o seco preso na garganta, pela primeira vez com medo de ouvir uma resposta e viu o irmão sorrir o percebendo interessado.
– Gostava. Há! Anany era o nome dela, e você a perseguia – agora Naruto também riu curtamente relaxando a musculatura até que impressionado, realmente muito ao contrario do que realmente era agora – a perseguia mesmo, para todos os lugares, brigou com vários garotos por causa dela, mas ela não te dava muita bola.
– Está ai algo que não vejo acontecer.
– Ela morreu – ele proferiu – no terremoto, a casa dela desabou de um penhasco.
Naruto suspirou se aproximando novamente da janela, tentando adquirir condolências da menina que nem se lembrava mas deveria ser importante já que ele jamais havia se apaixonado. Resolveu deixar que a luz da lua o banhasse com suas energias. Memma o observava, Namikazes unidos mais uma vez, era como nos velhos tempos, que se escondiam assim dos pais. Kushina lá encima arrancaria os cabelos se acordasse, ela era uma mãe muito protetora afinal.
– Eu tinha um sonho? – o irmão mais velho perguntou ao seu gêmeo sonhando para que realmente tivesse um, afinal nunca teve momento que se lembrava.
– Astronauta – ele respondeu, ganhando a surpresa de Naruto, de maneira que até arqueou as sobrancelhas – você subia no telhado praticamente todas as noites, tanto que nosso pai até comprou um telescópio, você gostava de ver a Lua, tinha uma paixão por olhar a Lua, todos os dias.
– A Lua... – cerrou os olhos e desviou para o céu lá longe, era só mais uma noite comum, comum como qualquer outra, tinha que admitir amava a Lua.
Girou os calcanhares e começou andar em silencio. Memma notou que ele de repente ficou diferente, mais do que já estava, algo havia notado. Havia tantas coisas que queria falar a seu irmão desaparecido, sobre o pai, a vida depois dele, a empresa, Konoha, e Naruto queria saber, ele queria, mas nada era mais importante agora do que aquilo.
A Lua
– Eu tenho que ir – Naruto proferiu já dirigindo seus passos em direção a saída – é melhor não dizer a ela que eu vim, eu não sei quando eu volto.
– Mori... – Memma o chamou perplexo como aquele inédito e viu ele travar desconfortável, realmente desde a amnésia ele era outra pessoa completamente diferente, sentiu isso no usar das roupas pretas desde o casaco de lã até os coturnos que não tinha nenhum cadarço amarrado direito, seu irmão de treze anos atrás andava todo engomado por que queria sempre impressionar – desculpe, Naruto.
– Eu ainda não me acostumei com a ideia, do meu nome não ser Naruto, me desculpe eu – ele respondeu ainda de costas – eu tenho realmente que fazer algo, eu volto logo – corrigiu finalizando por fim.
Mori Namikaze, Naruto Uzumaki, a mesma pessoa, personalidades completamente contrárias, ele não era nada atrapalhado como antigamente, ponderou em seus pensamentos os irmão gêmeo mais novo, Memma.
[...]
A penumbra escura maquiava a casa de Sasuke Uchiha, mas ele não ligava muito para isso, porém não deixava de ir no quarto da noiva todas as noites ver a única luz que ficava acesa o tempo todo, Hinata tinha medo de escuro pobrezinha, estava com todo o rosto afundado no travesseiro denunciando o quanto estava exausta, deveria mesmo já que passou o dia fora. Ele fechou a porta singelamente agradecendo por ela finalmente estar em casa, provavelmente mais uma vez ele havia a deixado preocupada, que sacanagem a dele, mas era necessário pelo menos fora vencida pelos sonhos e não acordaria até o dia seguinte, ela tomaria um susto pela sua decisão, mas de todas até mais que Sakura ela o apoiaria.
Direcionou os passos pelo corredor até sair das paredes fechadas e alcançar a vista de toda arquitetura, como uma sombra estreita e silenciosa, a luz da noite era perversa, mas o pouco deixava seus olhos enxergarem a sua mansão do alto, deslizando a mão pelo corrimão como se já se despedisse da sua casa, aquela casa que acolheu tantas festas, noitadas, confusões, bons tempos, estava na hora de realmente crescer parece. Tomou uma decisão difícil, e tomou uma decisão muito rápida, rápida demais até, a Haruno nem sequer havia lhe dado uma resposta e nem daria ela ainda estava chocada e ele não fora amplamente especifico, mais um dos seus defeitos perversos. Mas agora não se tratava apenas de Sakura, se tratava dos Uchihas, e tudo que podia fazer pelo futuro da sua família, pelo pai, Fugaku Uchiha, completamente cego em pupilas negras como as dele pelo poder que adquiriu, ele não era cego, não mais, ele era um promissor estudante de Direito e podia ir, além disso, nem sabia muito como faria, tudo dependia de Kakashi só sabia que faria, e não iria voltar atrás e só queria que Sakura estivesse ao seu lado, no lugar que ele jamais deveria ter tirado.
Sakura Haruno com seus imensos e cintilantes olhos esmeraldas, ela tinha um lugar significativo na terra do sol nascente, imaginou sua beleza combinando com a primavera japonesa, oh céus ele estava enlouquecendo com os próprios pensamentos, ela mais estupido do que o irmão havia falado, pelo menos estupido o suficiente para desacreditar dos próprios sentimentos, era tão obvio, não sabia ficar sem ela, sem possui-la, sem suas caricias, não sabia viver de outra maneira que não fosse do lado dela, sua existência ela significativa.
Eram 4h50 da manhã, e logo os raios solares que a essa altura ameaçavam desaparecer do outro lado do mundo já começariam a mudar as cores do céu. Começou a descer as escadas sentindo um sono distante e até que uma ausência da vontade de ir para o quarto, era uma noite de planos. Mas ele não era o único com planos.
A porta que levava a sua área de lazer, correu no movimento de alguém do lado de fora a abrindo sem se preocupar com alguém lá dentro, Sasuke franziu o cenho já que a essa hora ela já deveria estar trancada. Travou os calcanhares ali mesmo no meio da escada. Através das cortinas a mais inesperada das visitas e também a melhor.
Naruto Uzumaki era realmente imprevisível, por isso que nem ele conseguia se lembrar do próprio passado que estava trancado nos seus lobos celebrais.
– Idiota – Sasuke proferiu pelo seu sumiço e pela falta de comunicação e viu o loiro banhado pela luz da lua que quase se despedia. Sorriu cinicamente ele realmente achou que teria que acordar o melhor amigo.
– Oras, pelo visto não sou o único que teve uma longa madrugada – argumentou Naruto até que animado e Sasuke fez uma gesto de silencio descendo o resto dos degraus indo alcança-lo.
– Silencio! Hinata esta dormindo – ele pediu – e eu estava resolvendo coisas importantes, passaportes, negócios, amanhã eu vou viajar! Onde você se meteu seu Dobe?
– Viajar?! – bufou a risada baixa – acho que nunca vou entender esses apelidos que trouxe da sua terra, mas agora que sou japonês como você, isso vai ser interessante.
– Interessante é você não se lembrar da língua japonesa – ele gesticulou – talvez o entender do inglês ajudou Tsunade e Jiraya no fim das contas – Naruto riu andando um pouco pela casa e se encostando na primeira parede que encontrará, ainda com seus olhos azuis sendo abençoados pela vista da janela aberta, a Lua, tão bela Lua que logo partiria – eu tenho coisas para resolver no Japão.
– Nós temos que conversar – disse Naruto suspirante.
– Sim nós temos – Sasuke assentiu inocentemente imaginando um desabafo – já disse que amanhã irei viajar nós temos que tratar de várias, várias! Coisas....
– Você tem terminar esse noivado ridículo – afirmou cético e sereno, que resultou no melhor amigo moreno no único travar da mandíbula. Foi uma frase instantânea, dita com tanta naturalidade que o Uchiha mal custou a acreditar, teve efeito instantâneo. Nem de longe em todos aqueles anos de amizade, jamais havia visto aquele olhar, perdido encarando seu como se deixasse o mar que vivia nos seus olhos serem abduzidos pela Lua.
Que noite mais cheia de imperfeições, que madrugada mais agitada, era tudo tão errado.
– Os olhos dela lembram a Lua não é? – Sasuke proferiu a pergunta com o punho fechado pela sobre força a frente da boca tentando pensar um pouco.
– São puros – Naruto respondeu sem hesitar – como a Lua.
Sasuke Uchiha, tão mais idiota do que ele mesmo imaginava, e aconteceram tantas coisas que ele se esqueceu dos detalhes. Ainda bem que Naruto lhe custeou a lembrar-lhe.
Quando o loiro pensou de girar a face para encarar o melhor amigo, sentiu a lentidão dos próprios pensamentos. Sasuke já estava de cima de si, ele o agarrou pelo suéter preto com toda força e o emburrou de volta contra a parede fazendo suas costas baterem de maneira violenta.
– O quão próximos vocês ficaram através dos meus serviços? – perguntou o Uchiha transbordando raiva e Naruto não respondeu de primeiro momento – aliás eu já havia notado algo assim a dias, mas realmente não esperava que você meu melhor amigo iria dar encima da minha noiva. Eu não teria te contado a verdade se soubesse disso! Seu traidor!
– Foi antes de você me contar, e foi ela que aproximou primeiro – Sasuke cerrou os olhos com os absurdos e tratou de depositar o soco no rosto de Naruto, acertou a mandíbula que o fez urrar de dor consideravelmente.
Naruto de recompôs de primeira linha, e jogou o corpo encima do moreno retribuindo a punição dada injustamente. Eles não queriam fazer barulho, mas o soco o atingiu perto do olho, o Uchiha cambaleou e quase caiu sobre o abajur.
– Canalha!
– Você não a ama – Naruto afirmou exaltado tentando controlar o tom de voz, tendo a vez de agarra-lo pelo colarinho – ela não merece isso, ela não merece se casar com alguém que não ama e que não ama ela de volta.
– Sendo repreendido pelo cara que transa com uma por dia – Sasuke gargalhou e os olhos de Naruto cerraram, o moreno se soltou ainda com raiva enquanto via o amigo consolar a boca que agora sangrava – ela não é como as mulheres que você come, eu não vou permitir que você se aproveite dela...
Naruto lhe direcionou o olhar e abaixou a pupilas muito bem entendidas.
– Ah não... – traçou os dedos pelos fios negros e riu cinicamente – você é impressionante.
– Eu jamais faria com ela o que você faz com a Sakura – proferiu o suficiente para tomar o segundo soco na face. Naruto não era do tipo que deixara barato, abaixou o corpo já depositando seu segundo ataque no tórax do Uchiha.
– Eu amo a Sakura – afirmou cambaleante com os passos perdidos.
– Eu amo a Hinata.
Era o ultimo golpe da madrugada, Sasuke pensava enquanto o encarava perplexo tentando entender o que esta acontecendo e impressionantemente o loiro retribuía mais sustado ainda. Era o golpe que bastou para travar o tempo.
– Eu não sei como isso começou – Naruto explicou mostrando estar tão confuso quanto o próprio amigo – ela se instalou na minha vida como uma doença genética, como um câncer ou até como a minha amnésia, imperceptível.
– Cara...
– Eu não me lembro de ter amado antes – ele cortou Sasuke como um tratado de paz – mas eu sei que eu a amo, mais do que já amei qualquer pessoa. Sei por que ela é a única pessoa que eu quero por perto. Eu confio nela como confio em você ou na Sakura, mas por ela eu tenho um desejo inexplicável que vai além de sexo, eu não quero soltar ela não quero que ela vá embora, o simplesmente tocar da pele dela já me desperta...
– Eu não preciso saber desses detalhes!
– Eu sei que foi errado seu pateta! Eu jamais faria isso com você – ele admitiu, e olha que tinha um orgulho grande o suficiente para nunca admitir – mas eu a amo tanto que em nenhum momento eu me senti errado. Sou apaixonado por ela inteira, eu daria a minha vida por ela.
– Isso é loucura – o moreno bufou.
– Eu amo ela Sasuke – se declarou ainda impressionado até consigo mesmo – eu quero faze-la feliz. Ela merece ser feliz.
– Eu vou terminar amanhã – Sasuke disse tentando pensar no certo ou no errado junto com a questão do ser enganado ou se não foi enganado – eu já disse, vou tomar uma posição importante no Japão, e quero levar Sakura comigo.
– Sakura?
– É Idiota... – ele começou também – você não é o único! Eu amo aquela Rosada.
– Nós realmente temos que conversar muito – Naruto disse então.
– Foi o que eu disse – Sasuke assentiu – o que pensa falar para Hinata da sua gangue?! Acha que eu vou permitir que você a enfie nessa vida?
E tinha mais essa, Naruto podia ser secreto, mas nunca era secreto para Sasuke Uchiha, claro que o melhor amigo sabia, o tempo todo embora fingisse muito bem não saber de nada. Sasuke já correu perigo ao lado de Naruto e Jiraya, e assim tomou conhecimento dos atos. Embora Naruto escondesse bem os negócios a fundo, ele sabia o suficiente para se preocupar.
O loiro suspirou.
– Eu vou acabar com isso Sasuke – ele disse – esse não sou eu. Essa não é a minha vida.
– Espero – rebateu Sasuke – eu já vivi ao lado de criminosos por tempo o suficiente.
– O que quer dizer?
– Vou tomar uma posição importante no Japão já disse – ele o pleiteou com informes, foi bem assim que Sasuke ganhou a confiança de Naruto, com sinceridade, e foi bem assim que Naruto conseguiu a aceitação de Sasuke, jamais o moreno ia esquecer daquele dia, que ele salvou sua vida embora nem estivesse envolvido – seu avô, padrinho, sabe Deus, ele é do Japão.
– E dai?
– Vou ser treinado para ser do Órgão de Investigação Japonesa ANBU – ele respondeu cruzando os braços – meu irmão me indicou como Diretor, para aquele Investigador que veio aqui sua mãe.
– Por quê?
– Por que os Uchihas, são impossíveis.
O suspirar de ambos disse muita coisa. A madrugada estava apenas começando, pelo menos para eles. Havia uma infinidade de coisas que deveriam ser contadas, haviam ainda mais coisas para ser esclarecidas, e muitas a planejar.
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