Heartbeat

19 The spouse declaration


Notas iniciais
Bit** I'm back, pelo menos por agora. Antes de fazerem a leitura do capítulo, eu gostaria muito que vocês lessem as notas iniciais, acho que precisamos conversar um pouquinho. Sei que estou sumida e a última a att aqui fazem meses, e ninguém me cobra a respeito disso mais do que eu mesma, mas se antes eu dizia a vocês que eu estava na reta final da graduação, hoje eu estou ainda mais próxima disso, e com isso temos a terrível monografia. Tenho vivido um caso intenso com a minha, uma verdadeira relação de amor e ódio, amo o que estou pesquisando, mas a exaustão mental que ela me causa me faz evitar a minha mesa de estudo/barra trabalho por dias. E o que aconteceu, toda vez que eu sentava para escrever HB, eu me sentia culpada por não estar escrevendo a minha mono, e esse sentimento automaticamente me travava, ou melhor, ainda me trava. Então fui escrevendo um pouquinho aqui e outro acolá sempre que a "inspiração" me vinha. Atualmente, além desse capítulo que estou postando hoje, tenho mais outro com escrita finalizada e em processo de correção, e uma vez que os dois estiverem postados, eu infelizmente não saberei mais quando haverá atualizações :/ , até por que a previsão para entrega e apresentação da minha mono é só no final do ano. Mas mesmo com o bloqueio e esse travamento, jamais esqueci a minha fic e essa estória, apesar de nem sempre conseguir escrever, estou sempre em mais plots para desenvolver, e as vezes me frustrando por não conseguir estar trazendo com o mínimo de frequência que eu gostaria. Já fui leitora ávida de fanfics e sei bem como é terrível esperar por a atualiza que nunca vem, é péssimo, mas para os que ainda estão por aqui e vão ler: Tenham uma boa leitura e nós nos vemos nas notas finais.

Depois da franca conversa que tiveram no outro dia no estúdio da revista, onde os seus corações estiveram em suas mãos e todas as cartas foram postas sobre a mesa, Emma e Regina voltavam a ficarem mais próximas a cada dia que passava. Tentavam sempre almoçarem juntas, e quando não dava para sair porque o prazo para impressão da edição semanal da revista estava apertado, comiam juntas na sala da editora chefe, ou no estúdio mesmo, entre um ensaio e outro.

E de todos eles, Henry era quem mais adorava toda aquela proximidade entre elas, pois vez ou outra, por ideia de Emma, quando saiam durante o almoço, o pegavam na creche e o levavam junto, que segurando na mão de sua mãe e da sua amiga, saía saltitante do prédio. Ele passava o almoço inteiro conversando, contando sobre as suas aulas e todos os passeios que iria querer fazer durante as suas férias de verão, antes que as suas aulas na escola de meninos grandes começassem. Regina ora ou outra tinha que pedir para que ele parasse de falar para que então pudesse comer, e o repreendia quando falava de boca de cheia. Mas Emma adorava, não duvidava que pudesse passar um dia inteiro só o ouvindo falar, contando da rotina, da casa do avô e da nova namorada dele, dos primos e dos tios. Dessa forma se sentia cada vez mais inserida na rotina e na vida deles, e esperava que Regina também quisesse o mesmo, uma vez que aquilo agora parecia ser o maior desejo da fotógrafa.

Quando elas ficavam até mais tarde na revista finalizando alguma edição, ou depois de um dia estressante, Henry ficava com Granny, e elas iam com o restante da turma da revista para o pub, The Haven, onde Emma tomava a sua água tônica e Regina o que achasse que cabia para o momento.

Quando a equipe estava animada e passavam a noite cantando no karaokê, eram shots de tequila, já quando estava estressada e desejando o sumiço de alguém em específico, era whiskey puro.

Sentada na banqueta do balcão, Regina via Emma animada cantar junto com Ruby e Cruella, bêbadas, diga-se de passagem,7 rings no karaokê, a loira mandava o rap com se tivesse recebido o espírito da própria Nicki Minaj. Se perguntava como ela conseguia estar quase sempre tão animada sem que nada a mais causasse aquilo.

Mas sabia que no final, era quem de fato Emma era, e amava aquilo.

— Hoje eu vou ser mais ousada. — dizia decidida — Me traz uma soda bem gela e com gelo batido. — pedia ao barman enquanto Regina gargalhava do seu lado.

Trocando água tônica por soda, estava praticamente trocando um refrigerante por outro.

As vezes Emma conseguia arrastar Regina para o karaokê ou para a pista de dança, quando ela estava de bom humor era mais fácil, porém era quando Regina estava mais irritada com os problemas da revista que Emma fazia ainda mais questão de fazer com que ela se divertisse. Por mais passageiro que o momento fosse, seu intuito era de fazer com que ela fosse para casa se sentindo ao menos um pouco mais leve. As vezes se sentia uma boba, por ter isso como intuito, mas esquecia logo que a via sorrir por uma piada idiota ou pôr o seu jeito “peculiar” de dançar.

Na revista, não ficavam mais receosas caso alguém as vissem conversando muito próximas, porém, todos os seus beijos haviam acontecido à portas fechadas. Mesmo já planejando tantas coisas para o seu futuro, isso não incomodava Emma, ela melhor do que ninguém sabia que tudo tinha o seu tempo para acontecer, e que aquilo não seria diferente.

No estúdio, Emma ainda mantinha o seu ajudante, apesar de já conseguir fazer todo o ensaio em si, ainda precisava de ajuda com a montagem dos equipamentos mais pesados e dos cenários, mas o estúdio novamente era seu, era sua casa e era ela quem colocava ordem. Também foi liberada pelo fisioterapeuta para voltar a andar de bicicleta, depois de uma avaliação física rigorosa, ele lhe disse que ela poderia voltar a vida de ciclista, contanto que não exagerasse, que fosse apenas aonde podia e que não fizesse esforços desnecessários.

No primeiro dia em que tirou a Bug do suporte da parede depois de mais de um mês sem usá-la, a sensação que se apossou de sou corpo foi quase prazerosa, que se concretizou quando inspirou o ar da manhã de Boston e sentiu o vento em movimento contra o seu rosto. Não pedalou muito, pois além das recomendações médicas, o seu corpo a avisou que, por aquele dia, já era o suficiente, então seria paciente e seguiria apenas no seu novo ritmo.

Em sua sala na redação, trabalhava editando as fotos para a campanha do dia dos pais que logo seria liberada para as bancas, dentre as fotos que o cliente tinha escolhido para entrarem na edição, estava a foto de uma família interracial com dois pais e um garotinho o cabelo black, que com uma janelinha causada pela perda dos dentes de leite da frente, sorria tanto que os seus olhos quase sumiam. Lembrava de que durante o ensaio, um dos seus pais havia lhe feito cócegas.

Emma se deteve olhando aquela foto, no ensaio para o dia das mães também tinha fotografado um casal lésbico, e a sensação era a mesma, de admiração, e talvez, só talvez, um pouco de inveja. Foi tirada do seu transe apenas quando a guia do chat da revista piscou no canto tela do seu notebook, era Regina, e pedia que ela fosse até a sua sala.

— Oi, se for sobre as fotos, eu já estou terminando as edições. Logo vou manda-las para Kristin. — disse assim que entrou.

— Que bom, estamos adiantados com essa edição, mas não foi para falar sobre isso que eu te chamei aqui, não. Senta aí. — Regina indicou uma das cadeiras a frente da sua mesa.

Desconfiada e intrigada, Emma se sentou.

— Algum problema? — perguntou estreitando os olhos.

— Não! Quer dizer, eu não sei, talvez possa se tornar um.

— Então fala logo, Regina! Já sabemos que não aguento emoções tão fortes assim. — brincou, mas logo se arrependeu ao ver a boca de Regina se abrir incrédula — Piada de mal gosto, eu sei. Mas o que aconteceu?

— O RH me ligou, e pediu que eu descesse lá hoje mais cedo.

— É algo sobre a minha licença? É o Walsh ainda me ajudando?

— Não, não é sobre nada disso.

— Então diz logo, Regina!

— Calma, vou dizer. Me chamaram lá para perguntar sobre nós.

— Oh, ok. — assentiu.

— Queriam saber sobre a nossa relação, se é algo sério. — Emma balançou a cabeça entendendo o que ela estava dizendo — Me entregaram essa declaração aqui, — sobre o tampo da mesa, Regina empurrou o papel para perto de Emma — é um documento que, caso assinado, alegará que nós estamos tendo um relacionamento sério, que não vamos permitir que ele atrapalhe o nosso trabalho, e que vamos saber separar a revista do nosso relacionamento, tipo igreja e estado. — Emma a olhava sem muita expressão no rosto, o que fez com que Regina se exasperasse um pouco diante da falta de reação dela. — E-eu já assine, estava esperando que você... que você também fizesse o mesmo.

— É só que eu não sabia que era assim que se pedia alguém em namoro atualmente, com documentos registrados em cartório. Me empresta uma caneta?

Regina riu aliviada.

— Aqui. — tirou uma do porta canetas e entregou a Emma.

— Prontinho. — assinou e entregou a declaração de volta a Regina. — Não sabia que existia isso aqui.

— Que bom, não é mesmo?!

Uma vez que Emma não sabia da declaração de conjugue, era um sinal de que ela não havia tido nada romântico com ninguém da revista.

— Vou fingir que não entendi. — Emma se levantou da cadeira em que estava sentada, foi para o outro lado da mesa em que Regina estava, e se encostou no tampo — Não que me desrespeite, mas Jekyll e a Kristin assinaram essa declaração? — perguntou curiosa.

— Também me fiz essa mesma pergunta, e não. Quando me disseram o motivo de terem me chamado, eu perguntei o porquê desse procedimento todo, eu também não sabia que tinha isso na revista, então me explicaram que esse era um procedimento comum, e em segredo, por eu ser a editora chefe, me disseram que o Gold e a Belle havia assinado recentemente, e que o Jekyll tinha sido chamado para esclarecer a relação dele com a Kristin.

— E aí?

— Ele assegurou ao RH que eles não tinham nada nesse nível de responsabilidade afetiva para ser declarado.

— Hum... eles de fato nunca disseram nada, mas todo mundo sabe que eles têm alguma coisa há pelo menos mais de um ano.

— Devem estar unidos pela falta de caráter, apenas por isso mesmo. Mas enfim, você disse que queria que eu te pedisse em namoro à moda antiga? — falou afastando a cadeira um pouco da mesa e encarando Emma.

Emma quase engasgou com o ar ao ouvir aquilo. Podia apostar que estava tão vermelha quanto um tomate maduro.

— Não! Não foi isso que eu disse Regina.

— Tem certeza? Porque foi quase isso que eu ouvi.

— Não, você sabe que não foi.

— Será mesmo? — Regina se levantou prendendo Emma entre o seu corpo e a mesa.

— Eu só estava brincando. Mais uma piada fracassada. — se justificou.

— Você quer namorar comigo, Emma, e tentar manter o máximo possível de profissionalismo aqui dentro da revista? — tentou falar séria.

— E por algum acaso, você acha mesmo que estar tão próxima assim de mim, me encurralando desse jeito, é profissional?

— Você não respondeu a minha primeira pergunta, Swan.

— Aceito, mas acho que o “ manter o profissionalismo”, deve ser negociado. — disse provocativa.

— Emma, Emma... — falou roçando o seu nariz no dela. — Você já assinou a declaração.

— Assinei? — disse por entre os lábios de Regina.

— Você não existe.

Regina pôs as mãos na cintura de Emma e impulsionou para que ela sentasse em sua mesa. Com um sorriso que facilmente ultrapassava as segundas intenções e burlava tudo que estava escrito na declaração de cônjuge que haviam acabado de assinar, Emma puxou Regina pela gola da camisa e a beijou, um beijo que desde o seu início foi intenso, quase febril, sentiam os seus corpos latejarem e implorarem mais contato, mais toque, mais pele. Emma prendeu Regina junto a si ao passar as suas pernas em volta dela, e se surpreendeu ao sentir as mãos dela descerem até as suas nádegas, e as apertarem de modo que fez com que Emma gemesse entre os beijos que trocavam.

Pressionando o corpo de Emma com o seu, Regina tinha a fotógrafa praticamente deitada sobre a sua mesa. A essa altura o peso de papel já havia rolado mesa abaixo, o papeis já haviam caído no chão e as canetas que antes estavam dentro do porta canetas, agora estavam espalhadas pela mesa e sob o corpo de Emma. Regina desceu os seus beijos pelo o colo de Emma, e antes que alcançasse a cicatriz, ouviu baterem na porta da sua sala.

— Regina? — ouviram a voz de Belle soar do outro lado da porta.

As duas se encaram em silêncio absoluto, até ouvirem Belle bater novamente. Institivamente Emma levou a mão a boca para conter o riso.

— Só um instante, Belle. — Regina disse se afastando de Emma e ajeitando a sua roupa amassada. Estendeu a mão para fotografa ainda deitada sobre a sua mesa e a ajudou a se levantar — Pode entrar. — Regina gritou.

— Regina, eu... — Belle cortou a sua fala quando entrou na sala da editora chefe e a encontrou pegando as canetas que estava espalhas por sobre a mesa, enquanto Emma estava agachada no chão apanhando papeis caídos. — E-eu atrapalho ou atrapalhei alguma coisa?

— Não! — Emma e Regina responderam juntas.

— Ok, é... eu só queria dizer que as tintas que você tinha feito o pedido, já chegaram, Regina, e eu pedi que as deixassem lá embaixo na gráfica.

— Oh, certo. Isso é bom, chegaram antes do prazo.

— Eu preciso da sua assinatura aqui. — Belle estendeu a nota fiscal para Regina, que pegou, a assinou e devolveu.

— Obrigada, e me desculpem se atrapalhei alguma coisa. — Belle saiu antes que elas pudessem responder algo.

— Eu acho que é para assegurar que nada assim aconteça que essa declaração serve. — Emma falou enquanto colocava os papeis que tinha apanhado do chão sobre a mesa.

— Ah, você acha? — Regina disse passando as mãos nos cabelos e rindo de nervoso. — Que bom que foi a Belle e não outra pessoa.

— Que nervoso. — Emma também riu — Mas mudando de assunto, nós podemos levar o Henry para almoçar hoje? — perguntou se aproximando e desamassando a gola da camisa de Regina.

— Infelizmente hoje não dá, eu tenho terapia. — segurou as mãos de Emma nas suas. — Podemos trocar por um jantar?

— Tenho reunião do NA essa noite.

— Então deixamos o almoço para amanhã. — deu um selinho em Emma.

— Tenho consulta marcada para amanhã, vou levar os meus exames para a minha médica ver como tudo estar.

— Ah, então é amanhã que você vai me levar para falar com a sua médica e saber se você realmente foi liberada?

— O que? Você levou à sério isso mesmo?

— É claro que levei. Não deveria ter levado?

— Regina...

— Você disse que eu deveria me sentir convidada, e eu estou, então vou com você sim amanhã.

— Posso argumentar contra isso? — perguntou tentando fazer com que aquilo soasse em tom de brincadeira, quando na verdade falava sério.

— Não, de jeito nenhum. — Regina roçou o seu nariz no dela em um beijo de esquimó.

— Ok. — suspirou. — Já que você vai passar o seu horário do almoço com o seu terapeuta, será que posso levar o Henry para almoçar? Prometo só dar a sobremesa a ele depois que o prato estiver limpo.

Sorrindo, Regina também suspirou, mas por uma razão diferente pela qual Emma havia feito aquilo. Lhe aquecia o peito vê-los juntos, a forma como Emma o tratava era quase maternal, enquanto ele fica ainda mais feliz e saltitante quando ela estava por perto. Quase ficou triste por perder o almoço com os dois.

— É claro que você pode. Vou avisar na creche quando eu descer que você vai pegar ele, está bem?

— Obrigada. — Emma a beijou.

Assim como disse a Emma que faria, Regina, deixou avisado na creche que Emma passaria para pegar o Henry para leva-lo para almoçar, e depois disso feito, seguiu para a sua terapia.

— Como você está se sentindo hoje, Regina? — o terapeuta perguntou quando a Regina quando ela se aconchegou no sofá.

— Bem, muito bem. — sorriu largo.

— E ao que devemos esse bem-estar?

— Hoje eu e a Emma oficializamos o que temos, estamos namorando. — mordeu o lábio inferior animada.

— E foi você quem tomou a iniciativa?

— Não necessariamente. O RH da revista me procurou para que declarássemos o que estávamos tendo, em outras palavras, queriam saber que era algo sério ou não, e então uma coisa levou a outra. Na verdade, eu até já estava pensando em fazer isso, só não sabia se já era o momento certo.

— Para você?

— Acho que para nós duas. Eu precisava saber que eu estava pronta, que eu não iria me sentir eventualmente culpada ou traindo a...

— A sua falecida esposa?

— É.

— E você não está se sentindo assim?

— Não, é como se tudo tivesse voltado a parecer certo. Como se estar com a Emma fosse natural. Não sei se explicou muita coisa, mas é assim que eu sinto.

— Não precisa ser explicativo para mim, só precisa fazer sentido para você. Mas você falou que não sabia se era o momento certo para as duas, porque você achou que a Emma não estaria pronta?

— Como você disse outra vez, acho que ela precisava sentir segurança em mim, saber que eu não iria “surtar” de novo e fugir, saber que eu estava pronta.

— E você tem alguma vontade de fazer isso, por mínima que seja?

— Senti um pouco logo que voltei, me sentia insegura, nada era certo e eu não tinha nenhuma notícia quanto ao estado da saúde dela, mas agora não. Agora eu só quero estar perto dela, dentro e fora da revista, sinto vontade de dividir com ela o que me toca e até mesmo toda as pequenas coisas do meu dia, minha rotina com o meu filho, o que acontece na minha casa...

— O que você está me dizendo é que há aspectos da sua vida que você deseja dividir com ela, é isso?

— Mais do que achei que fosse possível eu querer novamente.

— E como você se sente sobre isso, sobre estar amando alguém de novo? Em uma das nossas primeiras sessões você disse que no início se preocupou se a Felicity estaria de acordo, e tocou nesse assunto hoje novamente.

— Eu me sinto bem, nossa relação me faz feliz, ela me faz feliz, e é, antes eu estava. Quando ela nos deixou, eu disse ao meu filho que ela estava lá em cima olhando por nós dois, então se ela estava lá o tempo inteiro, queria dizer que ela estava vendo eu me apaixonar por outra pessoa, e em um momento eu senti como se estivesse traindo ela.

— E hoje, como você se sente sobre isso?

— Acho que ela está feliz por mim. Acho que se ela tivesse podido se despedir e me dizer as suas últimas palavras, ela me pediria para cuidar bem do Henry e para que eu não ficasse sozinha por muito tempo. Talvez até ela escolhesse a Emma a dedo para mim.

— E porque você acha isso? Você as acha parecidas.

— Fisicamente, não, mas o jeito maternal, um mais pouco liberal da Emma lidar do Henry me lembra a Felicity, a qualidade de se importar com os outros, de se dispor a ajudar... há algumas similaridades entre as personalidades delas, mas hoje eu sei que não é isso que me faz amá-la, quer dizer, que é não só isso. A Emma carrega um universo dentro de si, com sois e buracos negros, aos quais eu contemplar.

— E você se sente segura nesse relacionamento?

— Me sinto.

— Consegue colocar em porcentagem?

— Hum... acho que me sinto 80% segura.

— E o restante, os 20%?

— Depois daquele acidente que aconteceu com o Henry e a Felicity, é difícil me sentir 100% segura com qualquer coisa nessa vida

— Mas essa imprevisibilidade não pode te impedir de viver, e nem de deixar que o seu filho viva.

— Eu sei. — disse olhando para as próprias mãos.

Como a autorização de Regina e a liberação da creche, Emma pegou Henry e o levou para almoçar.

— A minha mamãe não vai comer com a gente hoje não, Emma? — ele perguntou enquanto caminhava segurando na mão de Emma e seguiam para o restaurante.

— Hoje somos só nós dois, amigão. Tudo bem?

— Depende.

— Do que? — Emma olhou para ele.

— De se eu vou poder comer sobremesa ou não.

— Você sabe que pode comer sim, contanto que almoce direitinho.

— Eu vou comer tudinho. — garantiu.

No restaurante, Emma o sentou na cadeira mais alta, própria para crianças, uma vez que apenas a cabeça de Henry ficava aparecendo por sobre a mesa quando ele se sentava nas cadeiras normais.

— A minha mãe disse que daqui a pouco eu vou ser grande igual ao meu tio Robin, e daí eu não vou mais precisar sentar aqui. — se referiu a cadeira alta.

Emma segurou o ímpeto do riso com aquele “daqui a pouco”, porque crianças tinham tanta presa de crescer? Se perguntou. Nada de tão grandioso assim os esperava do outro lado, a vida sem a preocupação dos boletos é tão mais vida.

Emma já conhecia toda a família de Regina apenas pelo o que o Henry lhe contava, ele adorava falar das brincadeiras e das disputas com o primo, das apostas de quem chegava primeiro de bicicleta no outro quarteirão da rua e de quem subia as escadas correndo mais rápido. E também ouvia ele reclamar, que, por ser menor e mais novo, sempre chegava por último. Ele falava sobre os tios, o avô e a nova namorada dele, que Henry a propósito gostava muito, mas que segundo ele, confidenciando em segredo a Emma, contou que a sua mãe não gostava muito dela.

Se àquela altura do campeonato, Regina ainda tinha ciúmes do próprio pai, quem diria de Henry em alguns anos, Emma pensou.

Depois de terem almoçado e de ter incentivado o garoto a comer salada, cumpriu o que tanto prometeu. Quando o sundae de morango com calda e granulado de amendoim foi colocado sobre a mesa pelo garçom, os olhos do garoto brilharam como estrelas no céu.

Antes que ele começasse a comer, Emma pediu ao garçom que os atendia, um babador, para que nenhum dos dois recebem reclamações de Regina quando Henry voltasse para a creche com a farda suja de sorvete ou de calda de morango.

— Isso é coisa de bebê, Emma. — ele falou emburrado — Eu não sou mais um neném faz tempo. — tentou estalar os dedos, como já viu a sua mãe fazer, mas os seu polegar apenas passou por os outros dedos sem fazer barulho algum.

— Eu sei que não, sei que já é um rapazinho que sabe até andar de bicicleta sem rodinhas, mas isso é só para que você não se suje, e para que a sua mãe não deixe nós dois de castigo. Ok amigão?

bom. — e então dedicou toda a sua atenção a sobremesa.

Ver ele comer com tanto entusiasmo, só deu a Emma a certeza que o babador havia sido uma ótima ideia.

— Você me dá um pouquinho do seu, Henry? — ele comia com tanto gosto, que Emma pediu só para provocá-lo mesmo, já tinha visto Robin pedindo uma mordida do lanche dele, e Henry havia defendido o seu cachorro quente ferozmente.

— Hum... — ele olhou para ela de canto de olhou. —, dou, mas só um pouquinho. — e então voltou toda a sua atenção e concentração para a sua sobremesa.

Emma tirou o pouquinho que Henry deixou e ficou vendo-o se lambuzar. Quando saíram do restaurante, deram de cara com o vendedor de algodão, e os olhos do menino brilharam novamente.

— Acho que já foi muito doce por hoje, você não acha, Henry?

— Não! Porfavozinho-inho Emma. — juntou as mãozinhas.

— Acho que a sua mãe não deixaria.

— Mas ela nemaqui.

— Henry, Henry...

— Só hoje, Emma.

— Ok, mas esse é um segredo nosso, hein, você não pode contar para ela.

bom. — respondeu saltitante.

Emma comprou o algodão doce para Henry e o garoto caminhou ao seu lado contentíssimo, enquanto comida o seu doce de cor azul.

Quando o deixou na creche, Henry prontamente perguntou quando iriam fazer aquilo de novo, e se o parque ainda estava na cidade, porque queria que Emma o levasse lá novamente. Se agachando e ficando na altura dele, Emma respondeu que se dependesse dela, iriam fazer tudo aquilo muito em breve, afinal, era o que ela também esperava

Antes de sair correndo para a sua sala, Henry deu um abraço bem apertado em Emma e um beijo estalado na testa dela.

— Do jeito que a minha mamãe faz comigo.

Abobada, Emma ficou parada vendo ele voltar para a sala juntamente com outras crianças, e quando ele entrou na sala de aula e sumiu da sua visão, sentiu algo como um nó se atando dentro de si. Será que era assim que Regina se sentia toda vez que precisava se afastar dele? se perguntava.

Á noite, depois do seu expediente na revista, foi diretamente para a reunião do NA, no subterrâneo, sob a nave principal da igreja. Havia sido muito bem recebida nas reuniões em Norwood, mas era diferente ali, conhecia todas as pessoas, ou pelo menos eram quase sempre as mesmas quase todas as noites, e o Marco era alguém por quem tinha amizade.

Assim que entrou, encontrou Marco próximo a mesa de madeira com o bolo fatiado, os biscoitos em potes, e as garrafas térmicas idênticas identificadas com plaquinhas que diziam “chá” e “café”, oferecendo tudo a todos, como sempre fazia, e foi cumprimenta-lo.

— Quanto tempo, Emma.

— Um pouco — riu sem jeito. —, mas sigo na luta, um dia de cada vez.

— Será que posso perguntar sobre a sua acompanhante de quase dois meses atrás?

— Ela está bem, nós estamos bem agora. — respondeu sem dar detalhe algum a Marco, mas sabia que aquilo era o suficiente.

— Isso é bom, e eu estou feliz por ver você bem.

Devido há anos realizando o trabalho no NA, Marco sabia que quando algum dos frequentastes sumiam pôr dias, voltavam sempre no mesmo estado, com olheiras profundas, alguns tiques nervosos, como olhos piscando seguidamente ou pés inquietos batendo no chão descompassadamente, e a aparência quase cadavérica, isso é, quando voltavam a aparecer. Mas Emma estava longe de parecer daquela forma, tinha as maçãs do rosto coradas, um aspecto saudável, então sabia que seja lá o que tivesse acontecido, ela tinha resistido.

Quando todos ocuparam as cadeiras brancas de plástico que formavam um círculo no meio do salão, e antes que cada um começasse a dividir os seus relatos e suas vivências, Marco pediu licença para os fazerem um comunicado.

— Essa manhã eu fui informado de que a nossa amiga, Milla, frequentante das nossas reuniões, infelizmente não está mais entre nós, e apesar de muito triste o que aconteceu a ela, pode servir para nós como uma motivação para que nos mantenhamos limpos, para nos mantermos nessa luta diária que é encararmos as nossas vidas e os nossos problemas sóbrios, sem recorrer a nenhum opioide que nos tire da realidade. Nossas vidas valem muito mais do que isso.

Durante a reunião, tudo em que Emma pensou foi que, em há alguns meses atrás, Marco poderia estar anunciado ao grupo a sua morte, pois sabia que uma vez em que ela se utilizasse de alguma droga para escapar de toda aquela confusão, com certeza usaria uma segunda, terceira e sabe-se lá quantas vezes mais. Tudo era tão denso, que sem sombra de dúvidas afundaria assim como aconteceu com Milla.

Com o tempo Emma passou a perceber que a morte tinha se tornado um assunto muito delicado para si, uma vez que já tinha visto ela tão próxima tantas vezes.

Naquela noite Emma não falou muito, mas absorveu como uma esponja tudo que foi compartilhado por aqueles que fazia parte do grupo. Haviam tantas pessoas, de tantos nichos diferentes, pessoas sem nada em comum, a não ser, claro, algum vício. Ali haviam os filhos, pais, mães, avôs de alguém, pessoas que por algum motivo desgraçado se permitiu recorrer a válvulas de escape altamente destrutivas.

Emma sabia bem do seu motivo primordial, e quase suspirou aliviada ao notar que ele não era mais de fato um motivo.

Enquanto isso, a voz de Marcos soava ao fundo: Nossas vidas valem muito mais do que isso.

No dia seguinte, trabalhava na edição das fotos para edição da revista da semana seguinte, devido ao foco e aos fones de ouvido no volume máximo, só percebeu que Regina havia entrado na sua sala quando a editora chefe estalou os dedos bem na frente do seu rosto.

— Que susto Regina! — disse tirando os fones de ouvido rapidamente e levando a mão ao coração.

— Desculpa, eu bati na porta várias vezes e como você não respondeu, eu entrei. Sabia que estava dando para ouvir a música daqui?!

— A essa altura você já deveria saber que eu só sei trabalhar assim.

— É, isso eu já percebi. — Regina deu a volta na mesa e deu um selinho em Emma quando essa olhou para cima. — Você não tinha uma consulta hoje no seu horário de almoço, não?

— Eu achei que você estivesse brincando quando disse que queria ir junto. — afastou a cadeira da mesa e Regina se encostou no braço cadeira dela.

— Eu não estava brincando, Emma, mas se você não quiser que eu vá junto, caso não se sinta à vontade comigo lá, tudo bem, eu só queria saber como é que estar tudo aí dentro. — mordendo o lábio inferior, Emma olhou para Regina maldando o que ela havia digo — Ai Emma! Não dentro — se levantou em protesto. —, quer dizer, aí também. — envergonhada levou as mãos ao rosto.

— Vem cá. — disse pegando Regina pela cintura e fazendo com que ela se sentasse de lado em seu colo.

Emma colocou a mão no pescoço de Regina e afagou a bochecha dela com o polegar, a viu fechar os olhos e inclinar a cabeça para o lado como um gatinho, riu, sabia que ela faria aquilo.

— Quer saber? Tudo bem se você quiser vir comigo, porque assim, convivendo fora daqui, dessas quatro paredes, do estúdio e da revista, parece ser mais real.

— Mas é real, Emma — Regina falou sussurrando próximos aos lábios dela. —, é tudo muito real, e intenso, e verdadeiro. E eu de fato me preocupo, não quero mais precisar ver você daquele jeito, ligada a tubos e a aparelhos. Na verdade, eu espero não precisar ver mais ninguém com quem eu me importo assim.

Emma sabia que, além de estar falando dela quando estava internada devido a rejeição do transplante, Regina também falava de Felicity.

— Prometo que se depender de mim, você nunca mais vai precisar ver ninguém assim.

— Obrigada. — selou os seus lábios com os de Emma e um beijo intenso teve início.

Enquanto a mão de Emma ia subindo por debaixo da saia que Regina usava, ela apertava a cocha da morena que arfava baixo entre os beijos trocados. Quando a mão de Emma alcançou a calcinha de Regina, a editora chefe se levantou de sobressalto.

— Alguém pode entrar, e dessa vez pode não a Belle. — disse ajeitando a saia.

— Claro. — Emma falou se levantando e se recompondo. — E talvez nós já estejamos atrasadas para a minha consulta.

No carro de Emma, não demoraram muito para chegarem ao hospital, e ao se identificar na recepção, a recepcionista as avisaram de que Ingrid estava em sua ronda vespertina, dando alta a alguns pacientes, mas que logo ela as veriam, então sentaram e esperaram serem chamadas.

— Eu não tenho lembranças tão boas assim desse hospital. — Regina cochichou para Emma.

— Tudo bem — pegou na mão dela. —, é um hospital, quase ninguém tem.

— Você lembra de alguma coisa daquele dia, do que aconteceu depois do acidente? — perguntou ainda mais baixo.

— Eu fui imobilizada, então só vi os rostos dos paramédicos, o céu e o teto da ambulância, e ainda assim tudo estava desfocado, fora do foco e embasado, mas lembro de ouvir um choro. Por anos eu achei que fosse meu, sei lá, eu estava drogada quando aconteceu, mas hoje eu sei que não era meu, eu acho que era o Henry chorando assustado.

Ao ouvir aquilo, um arrepio se propagou pela espinha dorsal de Regina a fazendo tremer. Por vezes preferiu nem ao menos imaginar o seu filho preso nas ferragens do carro, assustado, chorando e chamando por uma de suas mães, e por esse motivo era muito feliz por o Henry não guardar lembranças daquele acidente.

— A doutora Ingrid já está à espera de vocês no consultório dela no terceiro andas. — a recepcionista as avisou, e rapidamente Regina afastou aqueles pensamentos e seguiu com Emma para onde havia sido indicado.

— Bom dia, quase boa tarde. — Ingrid disse de cabeça baixa enquanto guardava alguns prontuários na gaveta da sua mesa — Hãm, olá. — se empertigou na cadeira quando percebeu quem acompanhava Emma.

— Oi. — Regina sorriu amarelo.

Ingrid fez todo um briefing com Emma perguntando como ela estava se sentido, como ia a fisioterapia, se ela ainda estava se cansando com muita facilidade, se estava pegando leve no trabalho, o que ela esperava que sim, auscultou o coração e os pulmões de Emma enquanto ela tossia, e passou mais uma lista de exames para ela fazer até a próxima consulta.

Regina se mantinha atenta a tudo, enquanto prestava atenção nas expressões de Ingrid afim de identificar qualquer traço de preocupação no rosto da médica.

— Sua recuperação está indo de acordo com o esperado, você está indo bem, Emma — Indrid disse ao colocar o estetoscópio em volta do pescoço e se sentar. —, mas quero que continue indo devagar, sem exageros e sem extrapolar os seus limites. Não adianta querer pedalar a cidade inteira quando você não tem fôlego para dar uma volta no seu próprio bairro, então continue indo com calma.

— Não se preocupe, eu estou indo, até porque nem você, nem a minha mãe, nem a minha irmã e nem a Regina me deixando ir de outra forma, que não seja com calma.

— É porque eu me preocupo — Regina se defendeu. —, andei lendo, e sei que há chances de reincidência do que acontece há alguns meses, ou eu estou enganada doutora?

— Não, não está, e a Emma está ciente disso.

— Sim, eu estou, e por isso obedeço a todas vocês.

— Muito bem. Quando você tiver os resultados dos exames que eu passei hoje, você os traz juntamente com os anteriores para compararmos e analisarmos o seu quadro, se ele tem mudado progressivamente, o que está claro que sim, mas precisamos nos manter vigilantes. E quanto a alimentação, como ela está?

— Me mantenho no que tem sido proposto desde o início, muitas frutas e legumes, mas todos muito bem lavados ou cozidos.

— Isso é muito importe, porque você é considerada uma pessoa imunodeficiente devido aos imunossupressores que você faz uso por causa do transplante, então qualquer parasitose que você adquirir por causa da ingestão de algum alimento contaminado, vai ser mais difícil de ser tratada.

— Isso quer dizer que até uma simples gripe pode ser perigosa, doutora? — Regina perguntou preocupada.

— Podem sim, e isso nós chamamos de doenças oportunistas, porque em qualquer outra pessoa que tenha o sistema imunológico bem estruturado, elas seriam autolimitantes, e isso quer dizer o que? Que se resolveriam sozinhas, mas no caso da Emma e de todas as outras pessoas transplantadas ou que tenham HIV, não é assim que acontece.

— Isso é... — Regina começou a dizer.

— Assustador, é, eu sei, mas para alguém que é imunodeficiente, tenho vivido uma vida saudável.

— Tem mesmo. — Ingrid confirmou. — E espero que continue assim. Bom, os seus exames estão dentro do esperado para a sua recuperação, não quero que se apresse, mas acredito que em breve você poder é estar voltando a sua rotina antes dessa reincidência. Vocês têm mais alguma pergunta para me fazer, ou há alguma coisa que esqueceu de me contar, Emma?

— Hã... eu não esqueci nada, mas gostaria de saber se as coisas ainda continuam no mesmo estado quanto a... quanto a uma possível gravidez.

— Eu sinto muito em te dizer isso, Emma, mas sim, se não até piores. Você faz o uso contínuo e interrupto dos imunossupressores, uma medicação. Em outras palavras, são drogas, e nós não sabemos exatamente que tipo de efeitos eles poderiam causar sobre o feto, podendo ir desde de más formações nos membros, até microcefalia ou anencefalia, isso é, se o feto chegasse a se formar pelo menos até esse ponto. E nós também não sabemos se o seu organismo suportaria uma gestação completa. Uma gestação traria muitos riscos tanto para a sua vida como para a dessa criança.

— Você não precisa se desculpar, não é como se eu já não tivesse ouvido isso nas outras consultas.

— Você tem outras opções, Emma, barriga de aluguel, adoção...

— Eu sei, são coisas que tenho considerado desde a primeira vez em que você me contou sobre todos os riscos que eu correria em uma gravidez.

No carro voltando para a revista, o silêncio atípico de Emma atrás do volante não passou despercebido por Regina.

— Você quer almoçar na minha sala ou na sua? — Regina perguntou quando as portas do elevador se abriram no andar da redação.

— Eu tenho que terminar a edição de algumas fotos e entrar em contato com o anunciante da edição do dia dos pais, para saber de quais fotos ele gostou mais, então vou comer na minha sala mesmo. Tenha uma boa tarde de trabalho. — Emma deixou um beijo na bochecha de Regina e saiu para a sua sala.

Regina ficou parada vendo Emma caminhar até o escritório dela e sumir por trás da porta fechada, enquanto assimilava o que tinha acontecido.

— Como vai o romance, Mills? — ouviu a voz de Jekyll soar bem próxima ao seu ouvido, segundos após as portas do elevador atrás dela tornarem a se abrirem.

— Absolutamente nada relativo a ele, é da sua conta. — girou por sobre os saltos, ficando de frente para ele.

— Nada que passou pelo RH fica escondido por muito tempo. — falou em um tom zombeteiro.

— Você melhor do que ninguém, deveria saber que nada, fica escondido por muito tempo aqui, tendo passado por o RH ou não. Aliás, como vai o seu romance? Oh, me desculpa, esqueci que não é nada oficial ou de relativa importância. — disse dando três tapinhas no ombro dele, enquanto no rosto trazia uma expressão de “sinto muito pelo meu erro”.

Regina já caminhava pela redação em direção a sua sala quando girou sobre os saltos mais uma vez e lançou:

— Mas ela sabe que não é importante e que você não está dando a mínima para seja lá o que vocês tenham?

— Não é da sua conta. — ele rosnou.

— Foi o que pensei.

Notas finais
O capítulo veio e sem capa e acabou sendo um pouco menor do que os que eu estava acostumada a trazer, e isso foi por todas as razões que expliquei nas notas iniciais. Esse capítulo é algo que eu considero como um ponto de transição, onde elas oficializaram a relação e estão bem consigo mesmas, então é a partir daí que essa relação entre as duas vai deslanchar. Muito obrigado por ter chegado até aqui, um bj grande e nós nos vemos na próxima. tt: anxrth