Heartbeat
20 Body talks
Notas iniciais
Com o estúdio montado para o ensaio fotográfico de um editorial de moda que trazia as novas tendências para o verão daquele ano, Emma posicionava os modelos de acordo com as poses que mostrariam melhor os detalhes das peças, valorizando o produto do cliente e os melhores ângulos dos modelos. Como sempre, fazia aquilo sob o olhar constrangedor de abutre carniceiro que Jekyll lançava sobre as modelos, o que naquela tarde, irritou Emma tão profundamente como nunca antes, e a levou a fazer algo que não estava acostumada, bater de frente com pessoas superiores a ela dentro da hierarquia da revista.
— Você pode, por favor, se retirar do meu estúdio, Jekyll? — perguntou por entre os dentes.
A pergunta era claramente um auxílio para que ela não parecesse grosseiramente direta.
— O que? Porque? Sempre acompanho os ensaios, Emma, se esqueceu disso?
— Aqui é o meu local de trabalho, é tudo da minha alçada, então tenho autonomia o suficiente para fazer o que bem entendo aqui embaixo. Eu não interfiro no modo o qual você escolhe os modelos, então não interfira no meu trabalho.
— Não vejo como eu posso estar atrapalhando o seu trabalho, Swan. — disse olhando para um lado e para o outro, como se estive se certificando de que de fato não estava. — Estou no meio do cenário? No meio das câmeras? Falando com diretamente com você ou as modelos enquanto posam? Não!
— Você não tem trabalho lá em cima para ser feito? — perguntou se referindo a redação da revista.
— E você acha que estando aqui eu não estou trabalhando? Sou eu quem cuida da contratação de cada uma dessas modelos, os books de todas passam por as minhas mãos antes de qualquer coisa, estar aqui embaixo faz parte do meu trabalho, porque assim comprovo se fiz boas aquisições ou não. Dessa forma defino quem volta para mais um ensaio, ou quem nunca mais nessa vida vai tirar uma foto sequer para a Gold’s Magazine.
— Sou eu quem trabalha diretamente com elas, acho que sou eu quem deveria tomar essa decisão ou não.
A risada de dó juntamente com algo que ela não conseguiu identificar, fez com que Emma tivesse vontade de arrebentar a cara dele com a câmera que ela trazia pendurada no pescoço. Mas ele definitivamente não valia apena o gasto de dinheiro para comprar uma câmera nova, e muito menos um futuro processo por danos físicos e morais, então apenas respirou fundo.
— Você não tem o que é preciso para fazer essa escolha, Swan. Você já foi mais legal, sabia Emma? Eu até gostava de você, mas aí você começou as se relacionar com certas pessoas que claramente só te fizeram mal. — adicionou uma nota mais alta a sua voz quando percebeu a entrada de Regina no estúdio. — Isso até te deixou agressiva, o colarinho do meu terno que o diga.
Mesmo conversando com Cruella perto das araras de roupas, enquanto os olhava de canto de olho, Regina estava atenta a tensão eistente entre Emma e Jekyll.
— Você realmente não tem noção alguma do ridículo ou do perigo.
— Eu vou te dar um conselho, e isso é só porque eu não quero o seu mal. — Emma revirou os olhos. — A Regina, ela já tem uma família construída, ela já tem um filho, que não deixa a minha filha em paz, diga-se de passagem. Você merece mais, Emma, merece construir a sua própria família, e só olhando para você eu consigo perceber que é isso o que você quer. Você merece mais do que entrar em uma já que está “andando”. Encontre alguém livre, assim como você, com a mesma vivacidade, os mesmos sonhos, e construa a sua família com ele ou ela. Não vale apena tentar se meter em algo que não te cabe.
— Você detesta a Regina por que ela ocupou um cargo que você achava que era seu, e você claramente está tentando atingir ela através de mim, mas deixa só eu te dizer uma coisa, não vai dar certo. Eu já passei por tantos infernos Jekyll, mas tantos, que não é qualquer demônio que consegue tirar a minha paz. Guarde o seu veneno em forma de conselho para si, e morra envenenado com ele, aliás, talvez eu até devesse oferecer esse mesmo aconselho a Kristin, acho que ela precisa mais do que eu. Não quero que continue aqui nesse ensaio Jekyll, e nem que apareça no meu estúdio para nenhum outro mais, qualquer modelo que saia ou não do que está previsto nos contratos, será comunicado a você por mim. Você aqui, “fazendo o seu trabalho”, constrange as minhas modelos, seus braços envoltos das cinturas ou dos pescoços delas, praticamente configura assédio. Não quero mais ver a sua sombra por aqui enquanto estiver acontecendo qualquer tipo de ensaio, apesar de já ter notado a sua preferência, porque olha que coincidência, parece que você só aparece por aqui para fazer o seu trabalho quando eu estou fotografando mulheres. Acho que o RH iria adorar saber disso. Se pareço estar mais “agressiva”, acredite em mim quando digo que a culpa é totalmente sua, e pelo fato de eu não fechar mais os meus olhos para as suas escrotices aqui dentro.
— Já terminou, Swan? — perguntou limpando a garganta.
— Não. Sobre o fato de você achar que merecia ser o editor chefe, de que esse cargo já era seu, cada um se ilude como pode, não é?! Você nunca teve capacidade e nem o profissionalismo suficiente para isso. Um dia, todos vão conseguir ver quem de fato você é, e nesse dia até a Kristin vai te abandonar, e não vai existir sarcasmo, ironia ou lugar algum para você se esconder, vai ser só você, apodrecendo sozinho.
— Não diga que eu não avisei, quando você perceber que ali não há lugar para você.
Dito isso, furioso, o produtor executivo da revista saiu à passos largos, batendo a porta do estúdio ao passar por ela.
Passando a mão na testa, Emma respirava fundo enquanto sentia o coração bater acelerado dentro do seu peito, nesses momentos sempre desejava não ser tão transparente como era.
— Emma, está tudo bem? — ouviu a voz de Regina e sentiu a mão dela em seu ombro.
— Está sim. — respondeu mexendo na câmera e ligando o aparelho, sem olhar ela nos olhos.
— Você está suando, e o ar-condicionado está ligado aqui dentro. O que aconteceu? — perguntou mais baixo.
— Eu só pedi para que ele saísse do estúdio para que eu pudesse trabalhar em paz, só isso. — olhando para ela, tentou passar confiança no que dizia.
— Mesmo?
— Uhum. — sorriu — Agora eu vou voltar ao ensaio, ou se não vou precisar ficar até mais tarde para terminar essas fotos. — disse já se afastando e voltando ao trabalho.
Emma era conhecida por os seus ensaios animados, por as músicas contagiantes, o seu bom humor e energia, mas quem a visse naquele momento duvidaria da sua fama. Definitivamente não queria, tinha certeza dos seus sentimentos por Regina, e do que Regina sentia por ela, mas as coisas que Jekyll haviam lhe dito, junto com as considerações da sua médica quanto aos riscos que uma gestação traria, rodavam e piruetavam em sua cabeça. Mas tentou convencer a si mesma de que só estava cansada, mentalmente cansada.
Depois do acidente e do transplante, aquela foi a primeira vez em que ouviu que não poderia engravidar, e a informação veio justamente quando teve esse sentimento desperto dentro de si, o de construir a sua própria família. Quando mudou os seus hábitos e a sua vida, o desejo de formar uma família e de ter crianças a acometeu, ainda se sentia um pouco como a adolescente problemática que foi, querendo ter o mesmo que os seus pais tinham, mais então veio o laudo médico, juntamente com uma extensa cartilha de recomendações dada por a sua médica de porque não engravidar. Sem querer se abater, disse a si mesma que haviam outras formas de se ter um filho, de ser mãe, o que foi fácil de aceitar, uma vez que estava sozinha e ninguém a havia feito cair de amores, até então.
Mas as coisas agora eram diferentes, estava com alguém com quem, timidamente, vislumbrava um futuro, o desejo antes latente da maternidade, agora lhe acertava em cheio, junto com furor de gerar uma vida. Em sua mente, de um lado ouvia claramente todas contraindicações médicas, e do outro a voz irritante de Jekyll. Regina já era mãe, tinha um filho fruto de uma relação com alguém que ela claramente muito havia amado, mais filhos talvez não fizessem mais parte dos planos dela, e mais, ainda era muito cedo para tocar nesse assunto. Um pouco mais de depois meses havia se passado desde que se acertaram.
Emma pensava que, se fosse ao contrário, e que com dois meses de relação a sua namorada já surgisse falando sobre filhos, fugiria o mais rápido que desse.
Como se a confusão em sua mente já não fosse o suficiente, Regina se manteve no estúdio acompanhando o ensaio, que se arrastou até o início da noite. Dentro da sua perturbação, Emma se desagradou de praticamente todas as fotos que tirou, exigindo mais tempo de imobilização dos modelos, até que alguma fotografia chegasse o mais próximo possível de agradar a ela.
—
Regina deu espaço a Emma e voltou para o fundo o estúdio onde ajudou Cruella e as modelos com as trocas de roupas e deu alguns telefonemas, tudo isso sem tirar os olhos de Emma. A música no estúdio era animada, como sempre, mas aquela não era a Emma de sempre, o que não foi sentido somente por Regina, uma vez que os modelos pareciam menos dispostos e Emma ainda mais exigente, o que fez com que o ensaio durasse mais tempo do que o previsto.
— O Jekyll pode ser bem chato quando quer. — Cruella comentou com Regina.
— Esse “quando quer” me parece o tempo inteiro.
— Ele normalmente, praticamente não fala com o restante dos meros funcionários daqui, a não ser claro, a Kristin, não que ele me apeteça, definitivamente não faz o meu tipo, darling — estalou a língua —, mas é como se nós não fossemos merecedores o suficiente da graça de o ouvir falar, ou de ao menos sermos cumprimentados por ele. O engraçado é que, é ele quem parece não merecer nem virar comida para os meus cachorros, não que eu dê porcaria a eles, isso estraga a sedosidade dos pelos. — ela rosnou baixo fazendo com que Regina sorrisse.
Nada une duas pessoas tão bem quanto a antipatia em comum por uma outra pessoa.
— Agora me diz. — falou se aproximando mais de Regina. — É excitante para você ver ela trabalhando?
— Oh. — Regina se engasgou com a própria saliva — Hã. — coçou a cabeça — Porque você está me perguntando isso? — devolveu a pergunta.
— Você é a editora chefe, tem textos e mais textos sendo produzidos na redação, contudo, você está aqui embaixo, trocando algumas palavras comigo, mas sem tirar os olhos dela. As pessoas ficam tão bobas quando estão apaixonadas. — revirou os olhos.
— Todos já estão sabendo?
— Todos nós já sabíamos antes mesmo disso. Por favor, vocês duas conversando no bar, o ar era tão denso, que não daria para ser cortado nem com uma serra elétrica, e vocês no karaokê então, puf... parecia que não tinha mais ninguém lá embaixo, que eram só vocês em um show particular.
— Eu não achava que estava tudo tão óbvio assim. — corou.
— Estava, um pouquinho assim. — indicou com os dedos e gargalhou. — Mas voltando a minha pergunta, é algum tipo de fetiche seu ver ela fotografando?
— Não, Cruella! Não... — falou parecendo reconsiderar. — Lá em cima está tudo encaminhado já, a Ruby está recebendo os textos e as entrevistas para me passar depois, só desci para ver como estavam as coisas aqui e para ajudar no que eu pudesse. Não é como se fosse a primeira vez que faço isso.
— Exatamente, darling, é essa a questão! E você ainda achava que não era tão óbvio... — disse negando com a cabeça.
Quando o ensaio finalmente acabou, Cruella foi receber de volta as roupas usadas pelos modelos, e uma vez que as peças estavam penduradas na arara, as levou de volta para a redação, Regina por sua vez, foi se aproximando de Emma enquanto a ajudava a desmontar os equipamentos usados durante o ensaio, até que sobrou apenas elas duas no estúdio.
— E o Henry? — Emma perguntou quando recebeu de Regina uma de suas câmeras. — Já passa e muito da hora de a creche fechar.
— Ele foi para casa de uma das crianças que estudam lá creche, o filho de uma das redatoras, é o aniversário do garoto e o tema é festa do pijama. Conversei com o Henry no horário de almoço e ele disse que se comportaria, mas a mãe do aniversariante tem o meu número, então caso alguma coisa aconteça, ou se ele estranhar e não quiser passar a noite lá com as outras crianças, ela me liga.
— Olha só, a primeira noite dele fora de casa. — riu.
— Eles crescem tão rápido.
— Teve folga do trabalho lá em cima? — perguntou enquanto guardava os seus equipamentos dentro da bolsa.
— Perguntando assim, você não parece ter ficado muito feliz por eu ter estado aqui, acho que por pouco não fui expulsa como o Jekyll então.
— Não é isso, não perguntei com esse intuito, desculpa. — suspirou. — Só estou um pouco cansada, esse ensaio demorou mais tempo do que eu pensei que fosse durar.
— Você deveria ter se alternado com o Walsh.
— Não se preocupe, não ultrapassei nenhum limite físico meu.
— Assim eu espero. Emma, eu estava pensando, nós poderíamos ir para a minha casa, pedir um japonês ou uma massa, e conversar um pouco. — Regina se aproximou tirando a bolsa das mãos de Emma e colocando sobre um puff. — Foi você mesma quem disse que convivendo fora daqui faz com que pareça real.
— Foi, não foi? — disse por entre um suspiro quando o nariz de Regina alcançou o seu pescoço e os lábios dela roçaram em sua pele.
— Uhum. — Regina falou enquanto mordiscava lóbulo da orelha de Emma e deixava uma trilha de beijos até a clavícula.
— Eu só preciso ligar para Alice e avisar que vou chegar um pouco mais tarde hoje. — falou debilmente, enquanto de olhos fechados, suspirava pelo contato entre as suas peles.
Antes de deixarem o prédio da revista, assim como disse que faria, Emma ligou para irmã e avisou que não voltaria para o jantar. Em seu carro, seguindo logo atrás do de Regina, não demoraram para chegar ao prédio dela. No saguão, lembrou da última vez em que esteve ali, em como havia praticamente subido aos beijos com Regina, e de como tinha descido destruída, mas preferiu afastar a lembrança quando a mão quente dela tocou a sua.
Quando as portas do elevador se abriram, e Regina destrancou a porta do seu apartamento e deu passagem para que Emma entrasse primeiro, viu a boca da fotografa se abrir em um perfeito “O”.
A sala de estar estava iluminada apenas por velas de LED que trilhavam um caminho até a cozinha, para onde elas também seguiram. No cômodo, iluminado por uma meia luz, havia uma mesa de jantar posta apenas para duas, ornamenta por mais algumas velas de LED, um arranjo de flores repleto de rosas vermelhas que perfumava o ambiente e pétalas espalhas por sobre o tampo. No centro da mesa havia uma tábua de frios completa para a entrada, pães, vinho servido em uma das taças e água tônica posta em um balde com gelo. Sobre a louça branca de porcelana, repousava os talheres de prata envoltos por uma dobradura no guardando de linho rosa pastel. Em um aparador próximo a mesa, sob cloches, estavam os pratos que seriam servidos durante o jantar.
— Regina, como... como isso é possível? — Emma gaguejou e tropeçou nas palavras ao tentar formular uma frase coesa.
— Se você aceitar jantar comigo, prometo te contar tudo. — falou puxando a cadeira para que Emma se sentasse — Posso? — pediu licença para servi-la com a água tônica.
— Não. Vinho, por favor.
— Tem certeza?
— Acho que essa noite pede isso, e no mais, é só uma noite.
Regina sorriu e a serviu, para depois se sentar na cadeira do outro lado da mesa, de frente para Emma.
— O Henry ao menos está em algum aniversário? — Emma perguntou e Regina respondeu em um aceno em positivo com a cabeça, enquanto sorria por ainda ver a expressão de surpresa no rosto de Emma. — Como, Regina?
— Calma, que graça teria se eu revelasse os meus truques tão facilmente?! — falou enquanto as servia.
— Então, saúde? — Emma ergueu a sua taça.
— A nós. — tintilou a sua taça com a dela em um brinde.
Por cima da sua própria taça, enquanto tomava o vinho, Regina observou Emma sentir o aroma da bebida e depois sorver o líquido tinto enquanto tinha os olhos fechados.
Ao abri os olhos, corou suavemente ao perceber que estava sendo observada tão atentamente.
— É só que faz algum tempo que não bebo nada assim, com álcool. — se justificou dando de ombros.
— E está tudo bem? — perguntou enquanto comiam.
— Está sim.
— Não falo só pelo vinho. Hoje você me pareceu estar tendo um dia... hum... — mordeu o lábio inferior enquanto pensava. —, um dia difícil, talvez até uma semana.
Olhando para Regina enquanto ela procurava a palavra certa para usar, tudo em que Emma conseguia pensar agora era no quão sexy e enigmática ela parecia sob aquela iluminação e por trás daquelas velas. Os seus pensamentos racionais se anuviavam cada vez mais.
— Como eu disse, expulsei o Jekyll do estúdio.
— Quando eu cheguei, vocês pareciam estarem tendo uma discussão passiva-agressiva, e acredite em mim, disso eu entendo.
— Quando eu pedi para que ele saísse, ele me questionou e não aceitou. Você sabe como ele age, procura alguma coisa que possa te desestabilizar, e depois ataca.
— E me deixa só adivinhar, a nossa relação foi o alvo?
— Como você adivinhou? Mas eu não deixei barato. — disse omitindo o que de fato ele havia dito — Se ele acha que pode dizer o que quer a qualquer um e sair ileso, ele está prestes a descobrir que não é assim. Mas não é assim mesmo. — bebericou o vinho.
Regina notou um brilho diferente nos olhos de Emma, um brilho feroz, digno de um predador, o que fez com algo entre as suas pernas se empertigasse.
— Para mim, a presença dele por si só já é intragável, mas ele quase sempre acompanha os seus ensaios, o que foi que mudou dessa vez?
— Sempre percebi a forma com a qual ele olhava para as modelos, deixei passar várias vezes porque eu preferia fazer o meu trabalho, sem confusão. Mas hoje eu cansei, cansei das tiradas deles, das encaradas para as modelos, da monopolização em cima delas quando ele as abraça pela cintura... cansei de habitar o mesmo espaço que ele. — suspirou. — Talvez eu esteja de TPM? Só saberei daqui a alguns dias.
— Se estiver, essa será a TPM mais sensata que já vi alguém ter em toda a minha vida. — riu. — Mas algumas das modelos já comentou alguma coisa com você, Emma?
— Não, nada comigo, mas é que nem todas estão ali porquê de fato querem essa vida de posar de biquinis ou lingerie, algumas estão ali apenas para conseguir algum dinheiro para faculdade ou coisas assim, então precisam se sujeitar a convier com esse tipo de pessoa para poder ter um emprego.
— O Jekyll me enoja. — falou espetando um cubinho de queijo e o levando a boca — Você fala sobre elas quererem outras coisas da vida assim como você quer algo mais além de apenas tirar fotos posadas?
— Não é bem assim. Amo o meu trabalho na revista, gosto mesmo do que faço lá, mas eu também gostaria de poder explorar um outro nicho meu.
— Expondo as suas fotos, por exemplo.
— Um sonho distante, mas é algo assim. Mas podemos mudar de assunto? O Jekyll não merece tanta atenção assim.
— Claro, para o que você quiser.
— Ok, então me diga como que você conseguiu organizar tudo isso? Você passou a tarde inteira no estúdio comigo.
— Ué, se você é a incrível amiga, eu também posso ser a super-namorada. — brincou quando se levantou para servir o prato principal do jantar.
— Franquia errada, Regina. Não envergonhe o Henry.
— Já viu falar em crossing over? — a voz de Regina soou sedosa próxima a ao ouvido de Emma, quando essa ela deu a volta na mesa para servi-la.
— Nossa. — Emma disse quando Regina levantou a cloche revelando qual seria o prato.
Sob a cloche estava uma posta de salmão com crosta de nozes, banhado por um molho de laranja, acompanhado por aspargos grelhados e risoto de parmesão. Emma esperou que Regina também servisse a si mesma, para que então pudesse provar da comida. Quase sentiu um orgasmo quando o salmão derreteu em sua boca.
— Hum... — gemeu. —, isso está delicioso. Mas não foi você quem fez, foi?
— Primeiro, deixa isso para mais tarde. — disse se referindo ao som que Emma havia emitido — E segundo, por algum acaso você está sugerindo que não cozinho bem, Emma? — se fez de ofendida.
Emma riu enquanto passava a língua por entre os lábios.
— Não, não foi isso que eu quis dizer. — pegou a mão de Regina por cima da mesa. — Só que eu imagino que você não teve tempo para fazer tudo isso, a revista não para, e consequentemente você também não, há sempre as edições semanais e as edições especiais que pedem ainda mais de nós. O Gold também tem aparecido com ainda menos frequência, se é que isso é possível, o que me diz que o seu trabalho tem aumentado ainda mais. E você também é mãe em tempo integral, o que segundo a minha mãe, é trabalho para toda a vida.
— Ela está certa, e você também. Eu tive uma pequena ajuda. — afagou o dorso da mão de Emma com o seu polegar — A sua irmã me ajudou.
— A Alice não consegue guardar segredos, parece que ser transparente é uma coisa de família. Como você conseguiu fazer isso?
— Acredite ou não, eu só precisei pedir, enfaticamente, e lembrar a ela de que a Robin é praticamente uma filha para mim. E sim, o Henry está em um aniversário, mas não foi com ele que eu fui falar no meu horário de almoço, vim organizar algumas coisas aqui e encomendar o nosso jantar, mas como eu estava na revista, foi a Alice quem foi buscar.
— Malditazinha, eu nem ao menos suspeitei. — Emma xingou Alice.
— E que graça teria se você suspeitasse, Emma? Era para ser uma surpresa. Agora que todo o meu mistério se desfez, podemos continuar o nosso jantar?
— Claro que podemos.
Enquanto comiam, conversaram sobre alguns assuntos da revista, os menos densos e que não envolviam pessoas desagradáveis, também falaram sobre coisas triviais a respeito de suas vidas e suas famílias, e assim iam se conhecendo, descobrindo um pouco mais da vida uma da outra, além do que se referia aos seus trabalhos, e dessa forma, tudo se tornava mais real.
Emma riu abertamente quando Regina lhe contou das suas traquinagens com Zelena, e de como a mais velha sempre aprontava para ela, Regina também contou das incontáveis vezes que quando criança, foi enganada pela irmã ao sentar de costas para o mar para brincarem de adoleta, na baía perto de casa, para logo em seguida ser banhada pela a água gelada do mar no refluxo da maré.
Dividindo com Regina coisas sobre a sua infância, Emma falou das vezes em que fugiu da escola para fazer coisas não tão nobres assim, e que de todas as aulas que detestava na época, a disciplina de artes era a única na qual tinha 100% de presença. Falou sobre como se sentia solitária, por ser tímida demais na primeira infância, era apontada como estranha pôr as outras crianças, o que apenas reforçava a sua vontade de ser mais como os seus pais e menos como si, e de como a intensificação daquilo acabou se tornando o seu gatilho.
Conversavam sobre assuntos visto como mórbidos de forma tão leve, que eles não pareciam carregar o peso que de fato traziam.
Entre muita conversa e poucas garfadas, finalizaram a garrafa de vinho antes que terminassem os seus pratos.
— Eu tenho outra garrafa na geladeira. — Regina disse pronta para se levantar da cadeira e ir buscar mais uma garrafa de vinho.
— Eu acho que para mim já está ótimo. — já sentia as nuances do álcool sobre os seus sentidos, os últimos três anos sem consumir nenhuma bebida alcoólica havia diminuído a sua resistência ele.
— Por causa do... ? — Regina não terminou a frase, apenas apontou para o próprio peito.
— Não necessariamente por ele, mas pelo que me levou a ter ele. A possibilidade de uma pessoa ex-viciada trocar um vício por outro é bem alta, então... já atingi a minha cota do mês.
— Oh, tudo bem, então eu vou acompanhar você na água tônica.
— Você não precisa, Regina, você sabe que pode beber o quanto quiser, prometo colocar você na cama depois. — não havia falado com aquele intuito, mas a frase tinha saído e chegado aos ouvidos de Regina com mais malicia do que de fato tinha.
— Tentador, mas você bebeu comigo, fez isso por mim, mesmo mão podendo. — falou se sentindo uma boba por não ter percebido aquilo antes, por não ver o álcool para Emma como um paliativo. — Vou continuar na água tônica com você, e não vai ser sacrifício nenhum para mim.
Assim como disse, Regina fez, continuou o jantar acompanhando Emma na água tônica, terminaram o jantar e foram para sobremesa com Emma quase soltando um gritinho extasiado por ser o ser o seu doce favorito, tiramisu de café com morangos.
Na porcelana branca decorada com cauda de chocolate em zigue-zague, o doce jazia bem no centro com morangos laminados sobre ele.
— Eu ia perguntar como você descobriu que esse era o meu doce favorito, mas a Alice com certeza deve ter te contado.
— Uhum. — sorrindo, afirmou em positivo com a cabeça — E pelo o que estou vendo, valeu muito apena seguir essa dica dela. — com o guardanapo em mãos, se debruçou um pouco sobre a mesa e limpou o canto da boca de Emma que estava suja de creme da sobremesa.
— Como que eu posso te agradecer por essa noite e esse jantar tão delicioso? — disse segurando a mão de Regina nas suas.
— Eu tenho pensado em algumas formas, e a primeira delas é — disse se levantando e estendendo a sua mão para Emma. —, dançando comigo.
Seasons ♪
— Não, você sabe que eu não faço isso bem, não quero estregar a nossa noite dançando de forma “peculiar”. — fez aspas com os dedos. —Você sempre ri da forma que eu danço.
— Então dançaremos nós duas de forma peculiar.
— Isso ainda é o vinho falando por você? — perguntou aceitando a mão de Regina e ficando de pé.
— Isso é você em mim, Emma Swan.
Na sala, por entre as velas de LED espalhadas pelo cômodo, Regina pôs os braços de Emma envolta do seu pescoço e colocou as suas próprias mãos na cintura dela, e então começaram a dançar no ritmo ditado pela música que ecoava do sistema de som do apartamento conectado ao celular dela.
— E se eu pisar no seu pé? — Emma perguntou.
— Eu piso no seu de volta. — Regina riu.
Enquanto dançavam, Emma vasculhava o rosto de Regina com o seu olhar, ainda havia um traço de riso nele. Ela decorava cada canto dele, cada linha de expressão, cada pequeno vinco na pele, cada linha que o desenhava de maneira tão sutil e tão belamente. O gravava em sua memória, não como se Regina pudesse sumir ou voltar para o Maine de novo, mas para que Emma pudesse materializa-lo perfeitamente no escuro do seu quarto quando estivesse sozinha a noite.
Quando os seus olhos caíram sobre os dela e então percebeu que ela também a olhava de volta, Emma a beijou. O beijo era ritmado pelo balançar dos seus corpos e pela música, que causava nelas sensação da necessidade de ainda mais contato entre as duas peles.
— Não foi como ir a um restaurante cinco estrelas — Regina falou em um sussurro enquanto roçava o seu nariz no de Emma em um beijo de esquimó. —, mas espero que você tenha gostado, e que a companhia tenha sido ao menos agradável.
— A comida estava deliciosa e a companhia super agradável, mesmo comigo quase pisando no pé dela agora a pouco. — riu um pouco tímida.
Regina riu afagando o rosto de Emma.
— Desde que eu te conheci, tenho me perguntado de onde vem essa força que me atrai tanto a você, que faz com que tudo pareça tão certo. Eu não sabia nem o seu nome Emma, mas já me sentia atraída. Quando os meus olhos encontraram o seu rosto no meu primeiro dia na revista, eu fiquei compenetrada pelo seu olhar, a sensação que tive foi a de estar atada a uma corda, e de ser puxada diretamente para dentro daquela sala, diretamente em direção a você. — revelou enquanto se olhavam.
— Quando você entrou na redação da revista pela primeira vez, todos na sala de reunião se calaram, os meus olhos não conseguiram desgrudar de você por um só segundo, o ar ficou rarefeito, difícil de respirar, meu coração ficou palpitante e então você me encarou por trás do vidro da parede da sala de reuniões. Achei que eu fosse implodir sentada ali, e que ninguém iria perceber. Os segundos até que você entrasse pareceram durar uma eternidade.
— Por uma fração de tempo eu achei que tivesse descoberto de onde ela vinha, porque que ela existia.
— Acho que é justamente aí onde erramos Regina, temos uma necessidade absurda de nomear as coisas, de defini-las, de saber de onde vem, como veio e para onde vão. Mas e se houverem coisas que não precisam ser definidas, questionadas ou entendidas? Coisas e assuntos que estão além do que nós podemos compreender com as nossas mentes limitadas. Não poderia ser o amor uma delas? As vezes ele acontece de maneiras tão inusitadas que faz com que as histórias incríveis de telas de cinemas fiquem com inveja.
— Seríamos nós umas dessas histórias?
— Eu não tenho dúvidas. O que nós temos é raro e único Regina, afinal, qual seria a probabilidade de isso acontecer? Mínima. No entanto, nós estamos bem aqui agora.
— Não existe maneira mais linda de enxerga o que nos aconteceu e o que nós temos como a sua, Emma, e é exatamente assim que eu quero ver. Por isso que eu te peço que, quando eu estiver cega, que você seja os meus olhos.
—Serei, e não se preocupe, pois não faço planos de sair daqui.
Ao dizer isso, plantou um beijo no alto da testa de Regina, depois desceu beijando os seus olhos, nariz, bochechas, o canto da boca a provocando, queixo...
De olhos fechados, Regina os sentia quentes e acalentadores em sua pele.
Quando Emma se afastou um pouco procurando uma forma de continuar incitando Regina, que com a boca entreaberta ansiava por um beijo, se surpreendeu quando foi puxada de volta por a morena para um beijo que começou lento, mas que rapidamente adotou volúpia, se tornando quente, intenso e ardoroso. Dentro das suas urgências, os seus corpos se procuravam em busca de mais contanto e calor, atrás de sentir a rotineira e deliciosa eletricidade que sempre fluía através de seus corpos quando estavam próximas.
Enquanto suas línguas travavam árduas batalhas, Regina levou a troca de beijos até o seu quarto. Ao entraram, encontraram o cômodo iluminado por uma iluminação baixa e decorado por rosas vermelhas, sobre a cama, se encontrava um coração formado por um misto de pétalas rosas e vermelhas.
— Oh, Regina...?
— Acho que devo mais uma a sua irmã.
— Devo me preocupar pelo fato da minha irmã mais nova está pensando no que eu vou fazer hoje à noite?
— Não. Ouse. — Regina falou cada uma das palavras com tamanha lentidão enquanto se aproximava, que Emma pôde jurar ter visto perfeitamente a língua dela dar voltas dentro da boca dela enquanto pronunciava cada palavra, o que fez com que um comichão a acometesse por entre as pernas.
Do you remember ♪
Quando as mãos de Regina alcançaram o primeiro botão da camisa que Emma vestia, o coração da fotografa disparou. Um misto de sensações se apossavam de Emma; déjà vu porque aquilo já tinha acontecido antes, e não tinha terminado nada bem; curiosidade pelo que aconteceria agora, e tesão, pois sentia o seu sexo pulsar tanto quanto o seu coração.
Regina abriu os botões da camisa sem desviar os seus olhos dos de Emma, e a medida em que ia os abrindo, percebia o verde dos olhos deles irem se tornando cada vez mais escuros e intensos. Quando finalmente os abriu, escorregou a camisa por ombros de Emma, e ficando atrás dela, a ajudou a tirar. Sua mão correu pelas alças e pelo fecho da lingerie, mas sem abri-la. Enquanto os seus dedos serpenteavam tão próximo a pele de Emma, podia notar os pelos dela se erriçando e ela inclinando convidativamente a cabeça para o lado.
Regina afastou os cabelos dourados para o lado e deu início a uma seção de beijos, que partiram do ombro, passaram pela clavícula e ascenderam o pescoço de Emma. Enquanto mordiscava o lóbulo e a cartilagem da orelha dela, Regina suspirava baixo, o que fazia com que Emma debilmente gruísse.
As mãos de Regina corriam pelos braços de Emma os arranhando de leve enquanto desciam, e circundavam e apertavam os seios dela por sobre o sutiã enquanto subiam.
Quando Regina finalmente abriu o sutiã que Emma vestia e o lançou para longe, revelou os seios alvos entumecidos que tanto ansiavam por um toque mais direto, e assim a editora chefe fez. Ainda atrás de Emma, os apertou, e aprendendo os mamilos entre os seus dedos, os friccionou.
Emma gemia e jogava a cabeça para trás enquanto empinava a sua bunda e a roçava contra a buceta atrás dala saia lápis que Regina vestia.
Regina já sentia o seu clitóris tão duro que chegava a doer, mais ainda tinha muito o que fazer. Com uma mão ainda dando atenção aos seios de Emma, desceu outra até a calcinha dela, ela estava simplesmente ensopada, tão molhada que fez com Regina gemesse, e então começou a masturba-la por cima do tecido. Como não queria que ela gozasse ainda, apenas deixar ela ainda mais excitada, Regina parou, para logo em seguida receber um gemido em desagrado.
— Isso não va... — Emma começou a dizer, mas assim que Regina parou na sua frente e encarou o seu peito, as palavras se foram.
Com Emma despida da camisa e do sutiã, a cicatriz deixada pelo transplante estava ali, totalmente exposta.
Lentamente e sem fazer nenhum movimento brusco, Regina levantou a sua mão e tocou a cicatriz. Ela vinha do alto do esterno e seguia até um pouco abaixo dos seios de Emma. Suavemente e bem devagar, Regina percorreu com o dedo toda a extensão dela.
Emma só percebeu que prendia a respiração segundos depois que tudo se passou, a sua cabeça parecia girar um pouco zonza enquanto olhava com fascínio toda a atenção que Regina parecia dar a sua marca da sobrevivência.
Regina se afastou, se sentou na beirada da cama e a chamou com o dedo.
Emma se sentou no colo dela de frente para Regina, que desferiu beijos em toda a extensão da cicatriz. Emma sabia que, independente do que acontecesse naquela noite, nenhum outro toque poria ser mais íntimo do que aqueles. Quando Regina começou a chupar e morder os seus peitos, e a língua dela passou a circundar os seus mamilos, Emma achou que pudesse se desmanchar ali mesmo, quanto rebolava no colo dela, mas aparentemente aqueles não eram os planos de Regina.
Brincando com os seios de Emma em sua boca, Regina desceu uma de suas mãos até a buceta dela, e afastando o tecido para o lado, voltou a masturbar ela, circundada e esfregava o clitóris dela fazendo com ela aumentasse a velocidade com que rebolava em seu colo em busca de mais contato. Brincava com a entrava da vagina dela, e quando Emma empurrava o quadril para frente afim de ser penetrada, Regina logo afastava os seus dedos dali.
Já podia ver a impaciência no rosto de Emma quando tirava algo que ela achava estar tão próxima de conseguir, mas também via fagulhas se acenderem dentro dos olhos dela enquanto rebolava em seu colo.
Cansada das preliminares e afim de conseguir o que realmente queria, Emma empurrou Regina na cama fazendo com que ela se deitasse, e antes que também pudesse subir, tirou fora a última peça que faltava, a sua calcinha.
Enquanto Emma engatinhava sobre a cama por cima dela, Regina pôde perceber no rosto dela um olhar de predador poucas vezes visto antes, só o havia visto em duas ocasiões, quando Emma estava consumida de raiva, e quando estavam prestes a ignorar o tudo que estava redigido no termo de responsabilidade assinado na revista.
Emma ia se sentar sobre o abdômen de Regina, mas mudou de ideia assim que a viu apontar para a própria boca. O sinal havia sido entendido.
Quando Emma se sentou ali, o encaixe da boca de Regina com a buceta foi perfeito. Emma já estava tão molhada, que a sua lubrificação escorria pelo queixo de Regina.
Regina começou dando voltas entorno do clitóris dela com a língua, depois brincou com a sua entrada, lambendo e mordiscando os lábios, para depois penetrá-la com a língua. Emma que rebolava com sofreguidão sobre o rosto de Regina, precisou se apoiar na cabeceira da cama enquanto ela sugava avidamente o seu clitóris.
Regina não parava, e para evitar que Emma ao menos pensasse em sair dali, tinha os seus dedos fincados nas cochas dela, o que também a impedia de fechar as pernas. A medida em que aumentava a pressão com que a sugava, os gemidos de Emma também aumentavam, e já sensível, logo começou a implorar e choramingar para Regina a deixasse gozar, o que não foi atendido prontamente.
Regina só desacelerou de fato o ritmo com que a chupava quando sentiu o corpo de Emma tremer sobre o seu, a chupando em um ritmo menos frenético, deixou que ela gozasse, e então lambeu todo aquele líquido precioso, antes que o corpo de Emma cedesse e que ela deitasse o seu corpo sobre o de Regina, cobrindo as duas com o manto dourado que eram os seus cabelos.
Regina afastou um pouco dos fios loiros e afagou rosto corado e suado de Emma, que ofegante e de olhos fechados, tentava controlar a sua respiração.
— Se você estiver cansada, podemos esperar mais um pouco para o segundo turno.
— Você só pode estar brincando comigo. — Emma disse se sentando sobre o abdômen de Regina e dando uma jogada de cabelos para trás.
O sorriso maroto no rosto da morena comprovava aquilo.
— Não faz assim que eu me apaixono. — falou enquanto contemplava aquela mulher que havia acabado de ter em sua boca.
— Mais?
— Uhum, e eu nem sei se isso é possível.
Fazendo força, Regina se levantou de uma vez, ficando sentada e tomando a boca de Emma com a sua. O beijo era bravio, animalesco, quando se pararam as suas bocas, Emma se apossou do pescoço de Regina, ela estava em um estado tão elevado de excitação, que nem a possibilidade de marcas serem deixadas para o outro dia a incomodou.
Com Regina entregue aos seus braços, Emma rapidamente tirou a blusa e o sutiã dela, se deparando com uma grata surpresa. Nem em seus sonhos mais vívidos com Regina se comparava ao que estavam tendo e fazendo naquele momento. Emma abocanhou os seios dela, os mamando, apertando, mordiscando, e certamente deixando marcas da sua estadia ali.
Regina que jogava a cabeça trás enquanto tinha Emma brincando habilmente com os seus seios, precisou passar um de seus braços em volta de Emma, ou então certamente cairia de costas no colchão. Jamais conseguiria mensurar o quão delicioso aquilo era, mas precisava de mais.
Quando saiu de cima de Regina, Emma e se empenhou em tirar a saia e calcinha que ela ainda vestia.
— Você fica absolutamente linda nela — se referiu a saia quando jogou as peças no chão. —, mas sem, você fica perfeita.
Apenas a proximidade do hálito quente em sua fenda foi capaz de fazer com que Regina se jogasse de costas no colchão e suspirasse.
Emma começou devagar, beijou as partes internas das cochas de Regina, o baixo ventre, roçou o dedo na entrada dela, e enquanto a excitava, apertava os seios dela com uma de suas mãos. Só quando Regina enterrou uma mão em seus cabelos e empurrou a cabeça dela para o meio de suas pernas, foi que a Emma a estocou com dois dedos, fundo e rápido.
Seguindo os movimentos feitos por Emma, Regina começou a se chocar e ir de encontro aos dedos dela, fazendo com que a penetração fosse ainda mais rápida e mais funda, tentou continuar segurando os cabelos de Emma, mas acabou os largando para se agarrar aos lençóis da cama.
Regina não parava de ir e vir contra Emma, e a loira parava menos ainda de estocar, mas a gota d’água para a editora chefe foi quando, além ser penetrada, Emma também passou a chupar o seu clitóris.
Um gemido rouco passou pela garganta de Regina sem que nem ela mesma percebesse. Quando se permitiu olhar para baixou e encontrou aquele olhar verde ferino a encarando, qualquer resistência do corpo ao gozo a abandonou. Regina gemeu alto cobrindo o rosto com as mãos enquanto os espasmos do orgasmo faziam o seu corpo tremer.
Satisfeita, assim como Regina fez, Emma lambeu o gozo dela com a certeza de que queria aquilo para o resto de sua vida.
— Se você estiver cansada, podemos esperar mais um pouco para o terceiro turno. — disse voltando a se sentar sobre Regina.
— Então ser assim, você jogando as minhas palavras sobre mim?
— Só quando for realmente necessário. — Então começou a rebolar sobre ela, fazendo com que as suas partes relassem uma na outra.
— Emma... — Regina começou a dizer, ainda estava sensível, mas as palavras fugiram da sua boca como se nunca tivesse estado lá.
Ao contrario das estocadas anteriores, Emma rebolava devagar, se certificando de as bucetas estarem em contato, enquanto isso, deitada, Regina alternava entre apertar os seios da fotografa e entrar no ritmo com as mãos na cintura dela, mas sempre encarando Emma.
Emma se exibia para ela enquanto esfregava a sua buceta na dela com sofreguidão, ora sorria maliciosamente enquanto a encarava, ora jogava a cabeça para trás gemendo.
Quando o orgasmo se aproximou para as duas, Regina se levantou, e abraçadas enquanto gemiam juntas e aumentava a velocidade que com roçavam uma na outra, o orgasmo chegou, para as duas.
Ofegante, Regina apenas se deitou pesadamente na cama.
— Eu não consigo respirar. — disse rindo.
— Eu posso fazer uma respiração boca a boca. — Emma se deitou sobre ela apoiando os cotovelos no colchão, o roçou o seu nariz no de Regina em beijo de esquimó enquanto sorriam.
O beijo que veio a seguir foi calmo, afetuoso e amável.
Emma deitou ao lado de Regina na cama, e sem que esperasse, a morena se deitou sobre o seu peito.
— O seu coração está acelerado. — ela comentou.
— Ele sempre fica assim quando encontra você.
— Então quer dizer que não é por causa do que fizemos agora a pouco? — brincou.
— Também, 50%. — riu.
Enquanto conversavam, Emma tecia figuras geometria nas costas de Regina, ligando todos os sinais existentes ali, formando constelações. A abraçou ainda mais forte quando sentiu os dedos dela contornarem toda a extensão da sua cicatriz.
A sensação de estar nos braços de Emma, de estar a pele com pele, boca com boca... era indescritível para Regina. Parecia dar a ela poder de carregar todo o mundo nas costas sem que aquilo lhe fosse um fardo. Tinha o peito cheio de sentimentos bons que achou que nunca mais fosse capaz de voltar a sentir.
— Emma?
— Hum. — respondeu sonolenta.
— Acho que eu não disse isso hoje, mas eu te amo. — falou se aconchegando ainda mais dentro daquele abraço.
— A sua boca pode não ter dito isso, mas todo o resto falou bem alto. Eu também amo você.
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