HeartBreaker

20 #20 Tudo sobre Kurt


“— Você foi honesto comigo quando disse que se fôssemos ficar juntos eu precisava saber sobre o seu pior e sobre todos os seus segredos... Então é a minha vez, Blaine. Você precisa saber sobre o meu lado agora. Sobre a “minha aposta” e tudo de ruim que eu fiz e estou envolvido.

O Anderson cruzou os braços na altura do ombro e sinalizou com a cabeça para que Kurt começasse a contar sobre tudo. Não sabia sobre o que ouviria e nem se estava pronto, mas queria saber sobre tudo. Sobre Kurt já ter conhecido da aposta, sobre Kurt conhecer Quinn, Tina e todo o resto. E sobre esse “lado” que comentara. Agora era a hora que os jogos invertiam.”

— Eu e Quinn não somos apenas amigos, Blaine. Somos família. Ela é minha prima, crescemos juntos em Lima, criamos planos, e quando nos formamos falamos sobre morar em Nova Iorque juntos. Mas ela veio primeiro, conheceu a faculdade, conseguiu esse apartamento... Conheceu você. – Sussurrou na última parte. – Depois que tudo estava organizado, eu vim. Meu primeiro dia em Nova Iorque foi naquele dia, no dia em que nos conhecemos, que tivemos nossa noite. Eu não avisei que estava vindo, cheguei de surpresa e resolvi explorar a cidade antes de falar com ela. Imagine minha surpresa quando descobri que o cara que havia me envolvido na noite anterior era o “príncipe encantado” que ela estava namorando.

— Você sabia sobre mim e Quinn desde aquela época?

— Sim, e quase foi o fim da minha amizade com ela. Ela estava apaixonada por você, Blaine. E quem poderia culpa-la? Você é completamente apaixonável. — O moreno sentiu as bochechas corarem, porém não reagiu de nenhuma forma, estava apenas ouvindo o castanho falar. – Mas nos ajeitamos. Ela não ficou com raiva de mim.

— Ficou com raiva de mim. – Blaine respondeu.

— Bom, sim... Quinn pode ser um pouco mimada e difícil quando não tem o que quer. E ela não teria o amor de filmes de romance com você. Foi quando todo esse plano contra você começou.

— Foi ela que te contou da aposta?

— Não, ela também não sabia. A gente não sabia metade das coisas que você estava metido, da aposta ou nada do tipo. No início era só sobre um cara que havia a usado e ela queria algum tipo de vingança. Foi quando você me encontrou no campus e a gente viu seu interesse em mim. A ideia seria usar você do mesmo jeito que você a usou. – Kurt falava em voz alta, deixando a história ainda mais ridícula do que realmente era.

— Então você começou a brincar comigo? – Perguntou.

— Bom, falando desse jeito... – Limpou a garganta. – A gente apenas queria que você se sentisse rejeitado, que percebesse que o planeta não girava ao seu redor... Mas as coisas foram evoluindo de formas enormes.

— E onde Tina entra nisso?

— Quinn conheceu Tina durante as pesquisas sobre as pessoas que você havia se envolvido, e logo se juntaram mais pessoas nesse grupo. Todos muito machucados por você, desiludidos. E todos queriam apenas te ver quebrar a cara. A gente achava que você era um inconsequente e precisava de uma lição. Foi quando as coisas começaram a ficar mais obscuras... Descobrimos sobre a aposta.

— Como? – Se limitou a perguntar apenas isso.

— Não importa como. – Kurt tentava não piorar a situação. Blaine tinha uma feição fechada, quase brava, e se soubesse que o próprio irmão teria sido responsável pelo vazamento dessa informação coisas poderiam ficar feias. – Mas ficamos sabendo, e Tina surtou.

— Kurt... – Blaine parecia sem paciência. – Tina é louca.

— Eu não sabia disso na época. De todas as informações que eu tinha até então: o errado da história era você. E eu só queria ver minha prima bem. Eu me sentia culpado por ter saído com você enquanto vocês namoravam, Blaine.

— Você não sabia. – Tentava ser compreensível, porém era difícil.

— Eu comecei a seguir os direcionamentos de Tina. Falar e agir de maneiras que ela queria, coisas que fariam você se interessar mais em mim. Ela queria que você se apaixonasse por mim, que abaixasse essa sua guarda de rapaz cafajeste se transformasse em alguém vulnerável.

— Então tudo isso que passamos juntos: era tudo planejado?

Blaine tentou perguntar com cuidado porém era possível ver algo em sua voz, como se estivesse quebrado. Não era um garoto fácil de lidar e nunca havia se declarado como fizera antes. Saber agora que tudo que fizera o moreno se encantar por Kurt era um plano de Tina o deixava enjoado, podia sentir um aperto em seu estômago.

— Sim, e não. – Kurt falava baixo. – Elas me direcionavam, falavam onde estar e como agir... Mas sempre fui eu, Blaine. Eu não conseguia me manter no personagem. Você me desarmava.

— Tá, mas era tudo um plano. Aceitar sair comigo, ser amigo de Chandler e aparecer lá em casa... Tudo isso aconteceu por causa do seu plano idiota com Tina? – Sua voz agora tomava um tom agressivo.

— Não pense isso, por favor. – Tentou alcançar as mãos do moreno, mas ele não deixou. – Eu adoro Chandler, e eu adoro você.

— Mas se não fosse por causa desse plano ridículo, você talvez não seria amigo de Chandler. Talvez não tivesse ido comigo ao estádio, à Bridgeport, nada.

— Tina não sabe sobre Bridgeport. Eu fui porque eu quis.

— Mas todo o resto? – Blaine se levantou, não conseguindo ficar sentado próximo ao castanho. Algo em seu corpo o jogava pra longe.

— Todo o resto, sim, fazia parte do plano. – Kurt também se levantou, indo em direção ao moreno que agora andava em círculos pelo apartamento. – Mas Blaine, eu te conheci. Eu conheci o cara por trás da aposta e dos corações quebrados. Eu conheci sua história, seus trejeitos. E deixei você conhecer os meus. Eu me abri pra você.

— Ah, porque isso exime você das consequências, não é? – Blaine dizia irritado e se Kurt se esforçasse poderia dizer que sua voz tinha um timbre de quem estivesse prestes a desabar em um choro. – E o que você ganha com esse plano agora, Kurt? Porque a ideia era me ver machucado, vulnerável. Basicamente como estou agora.

— Blaine...

— Não, agora eu quero saber. – Blaine cruzou os braços. – Seu intuito era fazer eu me apaixonar por você, pra você quebrar meu coração. E olha onde estamos. Eu acabei de me declarar pra você, porra. Eu nunca fiz isso por ninguém. Então, você conseguiu seu plano, parabéns. O que você mais quer de mim agora?

— Eu quero que você entenda que eu não concordo com esse plano.

— Como não? Você participou de tudo! Você me manipulou, você me usou.

— Você fez a mesma coisa com a sua aposta!

Kurt também entrara em modo defensivo. Podia entender a insatisfação de Blaine quando contara pra ele sobre o plano, mas o moreno não podia se dizer santo também. Havia feito muitas coisas erradas, não poderia tentar sair por cima da situação.

— Mas eu nunca fiz isso com você. – Blaine jogou os braços pra cima. – Kurt, nunca com você... – Os olhos castanhos esverdeados começavam a ficar marejados. – Eu nunca quis te machucar. Eu nunca te envolvi na aposta. Eu te contei, te contei tudo, e deixei claro que não queria mais. Eu me envolvi com você, além do que eu esperava.

— Eu também me deixei envolver, Blaine.

— E se eu não tivesse te contado da aposta, hein Kurt? Se eu tivesse apenas cancelado a competição com Puck e continuado a me envolver com você. – Encarou o Hummel no fundo dos olhos. — Você me falaria sobre esse seu plano ridículo com Tina e todos os outros? Ou continuaria?

— E-eu...

— Você não sabe. – Blaine colocou suas mãos na cintura e encarou o chão, como se procurasse por alguma ideia do que fazer. – Você não sabe se me contaria do plano. – Sua voz estava embargada.

— Blaine, por favor. – Kurt caminhou até o amigo colocando sua mão no queixo do moreno e levantando sua cabeça, fazendo os olhares se encontrarem. O Anderson tinha lágrimas nos olhos porém se recusava a deixa-las rolares. – Eu nunca quis isso pra nós. Eu nunca pensei que teria um “nós”.

— E aparentemente nunca teve. – Cuspiu as palavras. – Era tudo encenação, foi tudo armado pra me “capturar”. – Estava machucado. – Foi tudo sobre mentir pra Blaine e fazê-lo se apaixonar sozinho, criar tudo em sua cabeça, pra depois usar contra mim. Não é?

— Não diz isso.

Sentia as palavras do estudante de música como facas em seu coração. Não podia discordar porque basicamente era isso mesmo. Sempre soube que esse plano não seria uma boa ideia, porém nunca imaginou quando chegasse a hora de efetivar as ações contra Blaine.

O castanho continuou:

— Nunca diga que você se envolveu sozinho. – Kurt soltou como um desabafo, se aproximando de Blaine e capturando seus lábios como um pedido de permissão para um beijo.

Os lábios de Kurt tocavam os de Blaine, mas a sensação era diferente de antes. Se fosse igual as outras vezes o estudante de música não pensaria duas vezes em trazer Kurt pra perto e aproveitar daqueles lábios pra si, mas dessa... Era uma enorme nuvem em sua mente tentando entender se queria ou não aquele beijo. E assim o fez: Blaine retirou Kurt de perto com uma certa delicadeza.

— Kurt, só... Só me deixa ir embora, por favor.

— Você não tem direito de ir, Blaine. Você também errou. Me contou sobre sua aposta e eu te perdoei. – Dizia como se acreditasse.

— Tá aí a nossa diferença, Kurt. – Hesitou em abrir a porta do apartamento. – Eu fui honesto com você e te contei da aposta sabendo que eu poderia te perder. Já você me contou do seu plano considerando que eu fosse ficar, porque se você me perdoasse eu também precisaria te perdoar. – Engoliu seco. – Eu sei que eu errei também, mas dois errados não fazem um certo.

— E como ficamos agora, Blaine? – Kurt estava exausto de tudo aquilo. Odiaria perder Blaine e tudo que passaram juntos, porém sabia que não podia continuar ainda nessa novela. – O que você quer fazer? Você quer me esquecer? Esquecer o que passamos, tudo que conversamos e conhecemos sobre o outro, esquecer sobre ontem...

— Eu não sei, Kurt. Eu não sei! – Disse em um tom um pouco alto, assustando o castanho. – Você conseguiu o que queria. Pode falar pra Quinn, Tina e todo o clube da Luluzinha que conseguiu: fez Blaine Anderson se apaixonar e depois se sentir usado. Pegue seu prêmio. Eu... Eu vou embora, preciso pensar.

— Fica, por favor. – Foi o que conseguiu dizer.

— Você está pedindo demais de mim, Kurt. – Blaine podia sentir seu choro vir a qualquer momento. Qual é, o moreno não era de se deixar desabar por qualquer motivo.

— Tem algo que eu possa fazer? Pra te provar que eu gosto de você, que esse plano não significa nada pra mim? – Os olhos azuis começavam a se perder e Blaine precisava sair dali o quanto antes pois sabia que não aguentaria ver Kurt chorar sem ir até os braços do castanho e cuidá-lo.

— Só não agora, ok? Me deixa processar tudo isso.

— Tudo bem. – Kurt caminhou até a porta de entrada do apartamento e a abriu, dando permissão para Blaine ir embora. Os garotos estavam frente a frente. – Quando você me disse que eu não contei pra sua lista de aposta, que eu não era mais um dos seus casos... Eu decidi confiar em você, por mais que tudo me dissesse o contrário. Espero que você pense e decida confiar em mim também. – Kurt alcançou a mão de Blaine. – Você é muito mais que só uma peça do plano de Tina pra mim.

— Até mais, Kurt.

E com um enorme embrulho no estômago Blaine saiu do apartamento. Foi extremamente difícil para o Anderson não pegar Kurt em seus braços e dizer que tudo ficaria bem.

O problema ali não era o plano de Tina em si. Sempre soube, desde que se envolvera com a asiática, que ela não era muito certa das ideias. Viu durante seu período com ela e até mesmo depois. Porém não imaginaria que ela seria insana o suficiente para juntar uma extrema quantidade de pessoas para machucá-lo daquele jeito.

Kurt conseguiu ver através da janela o carro de Blaine sumir na rua. Seria um final de semana impossível de focar na costura. Se pudesse, costuraria seu coração em pedaços novamente. Não havia quebrado apenas o de Blaine, mas também o seu.

MENSAGEM DE KURT — Ele já se foi. Pode voltar pra casa.”

MENSAGEM DE QUINNVocê está bem?”

MENSAGEM DE KURT— Não.”



[...]

“- Blaine Anderson entrou no prédio, galera! – Gritava Puck enquanto segurava uma garrafa de cerveja ao alto, gerando outros gritos animados das pessoas que estavam na festa.”

Após dirigir por muito tempo sem rumo Blaine decidiu ir até a única pessoa com quem poderia conversar sobre isso: Puckermann. Seria uma ótima ideia caso o amigo já não estivesse na tal festa de calouras de estética que havia comentado antes.

O moreno queria apenas focar em outra coisa. Pensou em ir pra casa porém se lembrou que seu quarto ainda cheirava a Kurt, à noite maravilhosa que tiveram juntos após Bridgeport. Após descartar essa ideia pensou também em dirigir sem rumo, porém Kurt também fizera presença por ali. Geralmente quando se sentia perdido iria até a boate do pai para beber e espairecer, porém também se lembrava de Kurt lá.

O castanho havia conseguido: teria invadido não só o cérebro, mas também a vida do Anderson. Não havia um lugar de conforto que pudesse ir, nada que pudesse fazer, sem se lembrar do castanho e de tudo que haviam passado nas últimas semanas. Podia confirmar: fora um plano muito bem executado. E Blaine nem se viu cair nas garras do Hummel. Apenas estava ali, vulnerável e exposto, como queriam.

Se viu então seguindo o rumo da república onde aconteceria a dita festa, onde poderia se ocupar e deixar sua mente se perder. Fora recebido por alguns amigos, onde foi direto até a mesa de bebidas onde passou um longo tempo aproveitando cada um dos drinks por ali.

— Cara, você vai entrar em coma alcoólico desse jeito. – Puck aparecera. Cabelos bagunçados, marcas de batom por todo seu pescoço e o eterno copo vermelho em sua mão, sempre cheio. – Você precisa se controlar um pouco.

— Me esquece, Puck. – Blaine deu um outro gole em seu copo até perceber que o mesmo já se encontrava vazio.

— Qual é, você tá nessa fossa porque você quer. – Puck tentou puxar o amigo pra longe da mesa de bebida, sem sucesso. Blaine era incrivelmente forte e determinado quando bêbado. – Você sabe disso.

— Eu sei disso? – Perguntou irônico. — Eu com certeza não sabia que isso iria acontecer. Se soubesse não teria me envolvido com ele.

— Claro. – Revirou os olhos enquanto praticamente carregava Blaine até um canto mais tranquilo da festa. Sua intenção naquele evento era beijar garotas e se divertir, porém havia se tornado o mentor do amigo bêbado de coração partido. – Vem, vamos conversar.

— Eu não quero conversar. – Dizia manhoso.

— Você prefere conversar ou brigar? Porque eu adoraria te dar uns socos agora. – Resmungou enquanto colocava Blaine dentro de um dos quartos da república. O Anderson não entendeu tamanha violência. – Senta aí. – Colocara o amigo sentado em uma cama afastada. – Qual é o problema?

— Eu contei pra Kurt da aposta.

— Você me disse isso quando chegou, antes de correr até a mesa de bebidas e praticamente encher seu copo com vodca pura. – Puck se aproximou. – E lembro de você me falar dele já saber da aposta.

— Ele sabia da aposta. – Confirmou.

— E qual o problema?

— Ele usou isso contra mim. Ele queria fazer eu me apaixonar por ele pra poder quebrar meu coração, porque eu fiz isso com várias pessoas. – Dizia arrastado, tentando segurar alguns arrotos de bebida.

— Certo, vou te perguntar novamente: e qual o problema?

Blaine encarou Puck com olhos confusos.

— Como assim qual o problema? Ele queria me usar.

— Blaine, você faz aniversário pra trás? Porque eu me lembro de você ser maior de idade, não uma adolescente insuportável de quinze anos. – Blaine iria reclamar porém Puck continuou. – Ele queria te usar, você queria usar ele. Os dois são um lixo. Mas você não se arrependeu da aposta porque se apaixonou por ele?

— Sim. – Disse curto, como quem fosse reprendido pelo pai.

— E ele também não pode ter se arrependido do plano que fazia parte porque se apaixonou por você?

— Pode, mas...

— Mas o quê, Blaine? – Puck queria gritar com tamanha irritação que estava do amigo. O Anderson bêbado não era nem um pouco divertido. – Os dois fizeram merda, os dois estavam errados, mas se arrependeram e agora podem acertar. Então vou te perguntar de novo: qual é o problema?

Noah estava certo pela segunda vez naquele dia. Alguma coisa estava errada naquele universo que Blaine estava habitando e logo o planeta entraria em um buraco negro se Puck fosse coerente mais vezes, com certeza.

— Então o que eu faço? – Blaine deu de ombros. – Porque existe um plano pra quebrarem meu coração e me expor pra faculdade inteira.

— O único jeito de quebrarem seu coração é você se apaixonando por Kurt e ele não te querer. Ele te quer? – Puck sentou-se à frente do amigo como quem falasse com uma criança. Blaine assentiu que sim, o castanho o queria. Havia dito isso, não havia? – E o plano de te expor pra faculdade inteira seria pra você não conseguir mais ninguém pra sua lista, não é? – Blaine assentiu novamente. – E você quer colocar mais alguém na sua lista?

— Não tem mais lista, Puck.

— Então qual é a do plano? Não vai acontecer.

— Tá, mas...

— Mas...

— Mas. – Disse como uma criança emburrada.

— Cara, vai embora. Vai pra casa dormir.

— Eu não quero ir pra casa.

— Então fica na festa. Tenta ficar com alguém, sei lá.

— Eu não quero ficar com ninguém.

— Então vai atrás de Kurt. – Disse como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. – Alguma coisa você tem que fazer, mas não dá pra ficar choramingando por coisas sem sentido que tem solução.

Talvez Puck estivesse certo.



[...]

Quinn tinha o primo em seu colo enquanto alisava seus cabelos. Sempre havia visto o castanho como alguém centrado, com tudo resolvido e respostas e soluções pra tudo. Não estava acostumada a ser a voz da razão da relação entre os dois.

— Eu não sabia que você se sentia assim por ele... – Dizia tentando não mostrar decepção em sua voz. – Eu achei que você estava fazendo aquelas coisas apenas pelo plano, Kurt.

— Eu tentei, Quinn. Eu juro que tentei. – Desabafava. – Eu odiei cada pedaço de mim quando percebi que talvez estivesse gostando mais dele do que o esperado, mas eu não podia mais desistir do plano.

— Você tem certeza que você está apaixonado por quem ele realmente é, e não só as coisas que ele fala pra te conquistar? – Tentava colocar um pouco de razão na mente de Kurt. A loira conhecia as estratégias de Blaine, mas não conhecia o moreno o tanto quanto o primo.

— Eu quero acreditar que sim. – Desabafou. – Mas acabou, Quinn. Eu contei pra ele sobre o plano, eu contei que fiz muita coisa por Tina e... Meu deus, Tina. Ela vai me matar quando souber que eu acabei com tudo.

— Ela vai entender... – Quinn mentia muito mal.

— Ela vai me matar. – Levantou-se do colo da amiga.

— Talvez ela tente. – Gargalharam baixo. – Mas ela conseguiu o que ela queria, não? Ela queria que isso tudo machucasse Blaine, e machucou. Acho que o que acontece a partir de agora não influencia muito.

— Você acha que eu devo contar pra ela que machuquei Blaine?

— Não sei, você quer contar?

— Não sei.

O silêncio tomou conta daquele ambiente até Kurt prestar atenção na loira em sua frente. Não era apenas Kurt e Blaine que estavam quebrados, mas a prima provavelmente também estaria. Além de ter sido a pessoa quem arrastara Kurt pra essa bagunça, ainda tinha resquícios de decepção com Blaine, havia tido seu coração quebrado por conta disso também, e ninguém parecia se importar muito.

— Quinn, me desculpa, eu não queria que você fosse ser a pessoa a me consolar sobre Blaine. Eu que deveria fazer isso por você...

— Kurt, eu me importo muito mais com você do que com esse plano. – A garota sorriu sincera. – Eu preferia que você não tivesse se apaixonado por esse idiota? Claro. Mas você se envolveu, fazer o quê. Já estive no seu lugar. Não se preocupe comigo. Eu estou bem. – Tentava confortar o primo. – Antes sofrer por Blaine em Nova Iorque do que por Sebastian em Lima. Eu vejo isso como progresso.

— O que eu faria sem você?

— Boa pergunta. – A loira sorriu e se levantou. – Você quer comer algo? Você não comeu nada hoje, só chorou e costurou.

— Eu não estou com fome. – Suspirou fundo e se levantou. – Eu acho que vou deitar um pouco. Preciso descansar.

A loira recebeu um beijo termo na testa do primo, que caminhou até o corredor e sumiu pra dentro de seu próprio quarto. Quinn sabia o quanto ele estava machucado quando o primo passara pelo espelho e nem se importara em conferir se seu cabelo estava certo ou suas roupas abarrotadas. Suspirou fundo. Toda aquela situação era complicada.

Pegou o celular e se pôs a escrever.

MENSAGEM PARA BLAINE— Onde você está?”