HeartBreaker
19 #19 Tudo sobre Blaine
“Porém quando a porta se abrira o sorriso de Blaine se desfez quase como imediatamente. Não era Kurt que estava ali. Sentiu sua boca secar. Encarou a pessoa à sua frente tentando entender como ela estava ali.
— Quinn? – Perguntou receoso ao ver seu antigo caso em sua frente.”
Blaine percorreu seus olhos pela loira em sua frente, ainda tentando entender o motivo de ter encontrado sua ex no apartamento que deveria ser de Kurt. Sentiu um frio tomar conta de si, não sabendo ainda explicar o porquê.
— Blaine. – A loira apenas conseguiu falar seu nome. Quinn estava tão branca e atônita quanto o moreno em sua frente. Como se ambos tivessem visto um fantasma ou algo do tipo.
Fazia algumas semanas que Blaine e Quinn tiveram seu último contato. Na verdade, lembravam-se muito bem daquele quarto de hotel, da sessão de beijos que quase levou o casal ao sexo, da loira surtando e chorando enquanto estapeava Blaine... E então ele desistira dela. Nunca mais havia mandado mensagem, entrado em contato. A Fabray também não tinha tentado encontra-lo novamente.
— K-kurt. – A loira gritou pelo primo, ainda encarava fixamente o Anderson (ou seria Theodore — o nome falso que havia dado para a Fabray quando se conheceram?).
— Quinn, eu preciso que você prove o cachecol e... – Kurt aparecera de um corredor segurando algumas folhas de croqui. Não demorou muito até olhar em direção à porta onde pôde ver um desastre iminente. – Blaine.
O relógio havia parado e todo o tempo se passava como em câmera lenta. Nenhum dos três jovens sabia exatamente o que falar ou fazer naquela situação. Quinn desejava atacar Blaine, bater ou machucá-lo, por tudo que o moreno havia feito com ela. Kurt queria desaparecer ao ter que explicar para o “namorado” que Quinn estava ali porque a loira morava ali. E Blaine... Era o que menos sabia o que fazer.
— B-Blaine, o que você está fazendo aqui? – Kurt quebrou o silêncio interminável enquanto caminhava até a porta que continha toda a tensão do mundo.
— Chandler pediu que te entregasse algumas coisas... – Blaine piscava rapidamente, tentando ignorar a figura da jovem loira em sua frente.
— Oh. — Os três jovens se encararam novamente. – E-entre. Pode deixar em cima do balcão. – Kurt apontou para o móvel perto da entrada da casa, dando espaço para que Blaine entrasse no recinto.
Quinn ainda não havia se movido ou dito nada, apenas acompanhava os garotos com os olhos. O Anderson desviou da Fabray que atrapalhava o caminho e adentrou o apartamento, deixando a caixa exatamente onde o Hummel havia pedido.
Assim que o fez, aproveitou para dar uma breve checada em tudo por ali. O lugar era bem arrumado (tirando rolos de tecido e toda a bagunça daquele projeto) e aconchegante. As cortinas não faziam um bom trabalho de evitar o sol, porém era charmoso. Nas estantes Blaine pôde brevemente enxergar alguns troféus, que imaginou serem do coral que Kurt havia dito ter participado. Também havia muitos livros e decorações que se encaixavam muito com Kurt.
Mas eram as fotos de Kurt e Quinn que chamavam atenção do Anderson. Porta-retratos contendo foto dos jovens com muita intimidade, como abraçados ou comemorando o campeonato nacional que haviam ganhado.
— Você aceita uma água, um café...? – Kurt tentava fingir que aquilo não era um desastre prestes a acontecer, porém era difícil. Mais alguns minutos Blaine poderia juntar as peças desse quebra-cabeças e entender o que se passava naquele apartamento em Chelsea.
— E-eu... – Blaine tentou falar algo, porém fora interrompido por Quinn.
— Kurt, eu vou deixar vocês conversarem. – A loira finalmente havia saído do transe. Entrou rapidamente no apartamento em busca de sua bolsa e seu celular. Inventaria algo pra fazer enquanto Kurt e Blaine conversavam.
— Só... – Kurt limpou a garganta. – Só cuide com a roupa. – Se referiu à vestimenta da loira, que estava usando uma das peças que seriam apresentadas como produto do trabalho final dos estudantes de moda.
Quinn assentiu, caminhando até o primo e lhe dando um beijo estalado na bochecha. Chegou a sussurrar um “me ligue se precisar de ajuda” e logo saiu porta afora, deixando Blaine e Kurt sozinhos no cômodo.
— Eu não esperava te ver aqui. – Kurt tentava fazer da situação algo menos complicado do que realmente era. Sentou-se no sofá vazio, sem as peças do trabalho, e fez sinal para que Blaine se sentasse também.
Sentou-se com certo receio. Blaine tentava imaginar ou raciocinar algo, porém a única coisa que vinha em sua mente eram as palavras de Puck que diziam: “É questão de tempo até ele descobrir que você saiu com metade do campus... Você já pensou o que aconteceria caso ele ficasse sabendo da aposta? O que te garante que caso você se envolver mais ainda com Kurt, ele não venha eventualmente a descobrir?”
Kurt conhecia Quinn. Conhecia bem até demais, a ponto de saber sobre o que havia acontecido entre eles semanas atrás. Respirou fundo e por um breve momento de sanidade Blaine havia se decidido: falaria sobre isso com Kurt.
— Blaine? – O Hummel tinha um tom de preocupação em sua voz. O Anderson parecia distante e não havia fraseado nenhum pensamento até então. – Planeta Terra chamando Blaine Anderson. – Kurt estalou os dedos em frente ao rosto do moreno, que gargalhou baixo com a ação.
— Oi, Kurt. – Disse.
— Oi. – Kurt sorriu sincero.
— Então... – Limpou a garganta. – Você mora aqui... – Kurt assentiu, e então Blaine completou seu pensamento. – Com Quinn.
— É... – O estudante de moda desviou o olhar.
— Eu acho que precisamos conversar sobre uma coisa. – Blaine alcançou as mãos do colega, que ficou um tanto surpreso com o toque do Anderson.
— Acho que sim. E-eu... – Tentou falar algo, porém fora interrompido.
— Deixe-me falar primeiro, okay? – O Hummel assentiu. – Kurt, eu... Droga. Eu peço pra falar primeiro e não faço ideia do que falar... – Blaine sorria sem graça, o que fazia o coração de Kurt se apertar ainda mais. Aquele garoto em sua frente era adorável. Como um ato de encorajamento de fazer o Anderson falar, apertou sua mão carinhosamente. Seus olhos azuis encaravam os olhos castanhos esverdeados do moreno. – Okay. Como falar isso... Bem... Kurt. Eu... Eu já conhecia Quinn. Quero dizer... Eu já saí com Quinn. Algumas vezes. Nós...
— Blaine, eu sei. – Kurt mantinha um certo ar de compreensão que deixava o moreno mais confortável em se abrir para o castanho.
— É, eu imaginei que você soubesse quando vi suas fotos juntos, o jeito que vocês se despediram... Vocês pareceram bem próximos. – Engoliu, seco, como se aquilo fosse uma tarefa árdua.
— Nós somos. – Foi o que Kurt se permitiu dizer.
— Ótimo. Então você sabe que nos envolvemos. – E provavelmente deve saber como tudo isso acabou... – Kurt assentiu.
“É questão de tempo até ele descobrir que você saiu com metade do campus...” as palavras de Puck martelavam a cabeça de Blaine. Não tinha muito tempo para colocar seus pensamentos em ordem, porém sabia muito bem de uma coisa: odiaria ter Kurt se afastando de si por esse motivo.
— Merda, Kurt. Eu não imaginei que isso fosse acontecer. Foi idiota da minha parte pensar que eu conseguiria esconder isso de você. Eu quero te contar uma coisa. Eu preciso de contar sobre uma coisa. Porque eu... Eu não sou um santo.
— Você saiu com outras pessoas, Blaine. Acontece. — Agora era Kurt que estava se sentido desconfortável com aquela situação toda. – Você não me deve satisfações sobre as pessoas com quem saiu, ou com quem sai.
Não deveria ser Kurt que deveria estar se explicando? Sobre ter Quinn em seu apartamento, sobre fazer parte de um plano mirabolante, sobre querer desde o começo ter aquele garoto na palma de sua mão e fazê-lo sofrer como ele fazia com suas vítimas? Porém era Blaine quem se explicara. Kurt se sentiu sujo, manipulador. E ele não era assim.
— Eu devo sim. Eu te devo satisfação. Porque você é... Droga, Kurt. Você é importante pra mim. E eu sei que não conversamos sobre isso, sobre nós, mas eu gosto de você. Eu gosto muito de você. – Disse a última parte como um sussurro. – E precisar ter essa conversa com você me deixa com medo.
— Com medo?
— Medo de falar coisas que façam você não querer me ver mais. Medo de te mostrar quem eu sou e você se afastar, se assustar. – Kurt sentia um frio na barriga. Que conversa era aquela?
— Blaine, eu não estou entendendo.
— Eu gosto de você, Kurt. De um jeito... diferente. E eu quero que você goste de mim. Quero que você queira estar comigo como eu quero estar com você. Só com você. — Kurt deixou suas mãos soltarem a de Blaine com a surpresa. Aquilo era... Uma declaração?! – Mas eu preciso que você saiba de uma coisa, sobre mim, antes de eu pedir que você se envolva comigo ainda mais.
— Blaine, você não precisa.
— Kurt, só me ouça. Se você decidir depois que não quer mais me ver, que me odeia... Você pode. Só não posso continuar escondendo isso de você, ok? Porque se for pra te perder, eu prefiro que seja agora que ainda estamos nos conhecendo, do que lá na frente quando eu estiver ainda mais apaixonado por você. – Blaine parecia não prestar muita atenção nas coisas que falava, pois tentava apenas formular seus pensamentos em uma confissão, porém Kurt ouvia tudo atentamente. – Você se lembra quando estávamos indo para Bridgeport e te contei que raramente eu passava do segundo encontro com alguém? Ou nunca levava ninguém pra minha casa, apenas você?
— Sim. – Disse como em um sussurro.
— Kurt, antes que eu te conte, quero que você saiba que você é diferente. Eu vou te contar coisas que talvez façam você se sentir mal, se sentir usado... Porém você não faz parte disso. Você é diferente. Você é... Você é o Kurt. Você não é como os outros...
— Blaine, você está me assustando.
— Bom, lá vai. – Respirou fundo e capturou as mãos de Kurt novamente, mesmo que o castanho estivesse um pouco afastado como resposta à estranheza do estudante de música. – Eu tenho essa... Essa competição. É estúpida. Mas é importante que você entenda que eu fiz essa aposta quando eu ainda era um moleque, quando eu comecei a faculdade. Eu não pensei nas consequências, não pensei que um dia isso poderia vir à tona.
“Oh não” pensou Kurt. Blaine estava prestes a lhe contar sobre a aposta?
Blaine continuou:
— Eu conheci Puck em uma festa. Eu e ele estávamos tentando chamar atenção da mesma garota. Nós dois estávamos alegres pela bebida e na hora, como dois meninos, apostamos um valor em quem conseguisse a menina. E ela decidiu ficar comigo. Foi aí que eu e Puck nos conhecemos e começamos nossa amizade. Não da melhor forma, mas enfim. – Deu de ombros. – Nos primeiros dias de aula acabei descobrindo que ele também estava no campus, e como já havíamos apostado antes, qualquer garota que víamos no campus, continuamos a apostar com qual dos dois ela gostaria de sair... Até que chegou uma hora que pensamos: por que não fazer disso uma atividade “extra-curricular”? E começamos com as apostas semestrais. Era nossa missão: sair com mais pessoas do que o outro.
Blaine contava a história tentando receber algum tipo de reação de Kurt, sem saber que o castanho já sabia da aposta e apenas ouvia o Anderson explicar algo que já conhecia há muito tempo. Continuava:
— Eu tinha uma certa vantagem, porque eu conseguia sair com garotos e garotas. Puck precisava se esforçar um pouco mais. Logo isso começou a sair do campus, e qualquer lugar que estávamos podíamos pontuar no semestre. Basicamente precisávamos enviar uma foto um pro outro, pra provar que saímos com aquela pessoa.
— Uma foto? – Essa informação era novidade para Kurt.
— É, algo que provasse que tínhamos conseguido sair com alguém. – Kurt revirou os olhos com tamanha infantilidade, porém continuou a ouvir. – E isso foi se mantendo durante os anos de faculdade, sempre evoluindo. No ano passado resolvemos envolver prêmios. Quem, no final do semestre, tivesse mais pessoas em sua lista, ganhava uma quantia em dinheiro.
Kurt sentia repulsa do que ouvia. Não é como se não soubesse da aposta, havia sido informado por Chandler. Porém ouvir Blaine contar os detalhes deixava tudo ainda mais nojento.
— E daí chegou esse ano. E eu conheci Quinn. E tentei colocar Quinn nessa aposta, como mais um nome na lista. Mas ela era... diferente. Ela não queria apenas sair, ela queria algo mais sério. Eu só queria poder acabar com aquilo logo pra poder partir pra outra, mas não deu certo com ela. Foi aí que eu a conheci. Acabamos parando de nos falar porque ela queria me apresentar para a família, queria que começássemos um relacionamento... Mas pra mim... – Foi interrompido.
— Era só pela aposta.
— Era só pela aposta. – Concordou. – E então você apareceu. Naquele maldito dia naquela maldita boate, com seus olhos azuis e seu sorriso. Eu te vi tentando convencer o segurança da boate pra poder entrar e algo me disse ali que não poderia perder a oportunidade de te conhecer. É claro que, naquela hora, eu não sabia como você era. Eu não conhecia o cara incrível que você é. Eu só... Me interessei em você. Então te coloquei pra dentro da festa, te observando de longe até finalmente criar coragem de te pagar uma bebida. E... bom, o resto você já sabe.
— Por que você me levou pra sua casa? Se era contra suas regras?
— Ah, isso... – Blaine brincava com os dedos de Kurt. – Bom... Eu não sei, Kurt. Eu até tinha alguns quartos de hotel que costumava ir, mais pertos do que a mansão, mas eu estava sozinho em Nova Iorque, queria te levar pra casa. Eu não pensei muito. Não foi premeditado. E então tivemos nossa primeira noite, e você saiu antes de eu acordar. E eu achei que nunca mais iria te ver.
— Eu contei pra você? – Perguntou com medo da resposta.
— Como assim?
— Eu contei como um nome da lista pra você? Eu fui um ponto na aposta?
— O quê...? Não, não! – Sentou-se mais perto de Blaine. – Eu não tinha como provar. Não tinha seu telefone, não tinha seu nome verdadeiro. Foi uma noite pra mim, não pra competição. Você nunca fez parte da lista.
O coração de Kurt palpitava diferente agora. Não que fizesse muita diferença naquela situação absurda de cafajestagem, porém saber que Blaine não o via como “apenas mais um” o deixava mais tranquilo.
— Certo, continue. – Kurt o incentivou. Blaine ainda não conseguia decifrar o que se passava na cabeça do colega, então voltou a assumir seus atos.
— E eu te vi no campus. E droga, Kurt. Você me intrigou. Porque eu estava acostumado naquela rotina da aposta, onde era sempre eu dispensando e usando as pessoas e... Você tinha feito a mesma coisa comigo. Me dando nome e telefone falso. Quando eu falei com você e você não me reconheceu... Você mexeu com o meu ego, cara. Ali eu sabia que precisaria te conquistar de novo. Mas...
— Mas o quê?
— Mas foi você que me conquistou, Kurt. – Encarou o castanho com sinceridade. – Eu não tentei mais sair com ninguém, eu não me importava com mais nada além de tentar te conquistar. Mas não era como os outros. Eu só... Eu só queria que você me quisesse como eu te queria. Você era tão interessante, sempre tão ocupado, tão relutante... Eu achei que não conseguiria te ter de novo. E quanto mais eu me dedicava pra ficar com você novamente, mais eu descobria o quão incrível você era.
— Blaine, e-eu...
— Shh, deixe eu terminar, por favor. – Blaine sentou-se mais perto de Kurt, terminando com qualquer distância entre os jovens no sofá. – Eu gosto de você, Kurt. Eu gosto de conversar com você, de descobrir coisas novas sobre sua vida. Caramba, Kurt. Eu não consigo fazer nada no meu dia sem pensar algo como “o que o Kurt pensaria sobre isso” ou “preciso contar pra ele o que aconteceu na aula hoje”. Eu acho que estou me apaixonando por você. Não, espera, eu não acho. Eu estou apaixonado por você.
— Blaine, você não pode. – Kurt disse suplicante.
Aquelas coisas não podiam estar acontecendo na cabeça do Hummel. Embora fosse isso que quisera desde o começo: ter Blaine em seus pés, falando o quanto estava apaixonado, com a guarda baixa – ele não queria mais. Ele não queria ver Blaine naquele estado. Não queria pois sabia exatamente o que viria depois disso: exposição de Blaine, coração quebrado do moreno. Pela primeira vez que se abrira para gostar de alguém, quebraria o coração ao saber que tudo fazia parte de um plano.
— Eu não posso, Kurt. Mas eu estou. – Blaine sorriu sem graça. – E essa aposta... Ela nunca foi sobre você. Ela foi sobre mim. Hoje quando cheguei em casa e soube que teria que trazer algo pra você, que te veria novamente... Foi o ponto alto do meu dia, saber que te veria de novo. Eu não consigo mais ficar longe de você, Kurt. Mas... Eu encontrei Quinn. E se ela mora aqui, se vocês são amigos... Você provavelmente saberia sobre nossa história. E eu quero ficar com você. Quero poder te encontrar após uma aula cansativa no campus e conversar com você... E você precisa saber que os comentários na faculdade sobre mim podem ser... Malvados. E você encontraria pessoas dispostas a fazer você me odiar, que iriam falar que eu estou só te usando... Mas não você, Kurt. – Apertou as mãos. — Nunca você. Você nunca fez parte da aposta. E hoje eu fui até Puck e ele me disse o quão envolvido eu estou com você, que poderíamos cancelar essa aposta... E é o que eu mais quero, Kurt. Eu não quero ficar com outras pessoas... Eu quero ficar com você, e acho que você quer ficar comigo.
— Eu quero, Blaine. O que eu mais quero é ficar com você. – Kurt quebrou. Foi como um desabafo, ele não aguentava mais participar dessa novela de fingir que não tinha sentimentos, de ter encontros incríveis com Blaine e ter que fingir não ter sido o ponto alto de sua semana... Ele apenas queria ficar com Blaine longe disso tudo.
O moreno sorriu sincero.
— Mas Kurt, se formos ficar juntos, você precisa saber sobre isso, sobre a aposta e sobre como você vai encontrar pessoas que fizeram parte do meu passado e tentarão se intrometer na gente e... – Kurt o interrompeu.
— Tina.
— Como?
— Eu conheço Tina.
— Tina, como em Valentina? – “Droga, a pior delas” pensou Blaine.
— Sim.
— Ótimo, você conhece a louca. – Kurt gargalhou baixo. – Certo, acredito que ela tenha te falado sobre nós... Mais alguém que tenha te falado sobre esse meu passado?
— Tina, Quinn, Kayle, Melanie, Tiffany, George...
— Uau. – Blaine se jogou contra o sofá. – Todos eles?
— Todos eles.
— E o que eles te falaram sobre mim?
— O clássico. – Kurt se afastou um pouco de Blaine. – Que você é um galinha, que só se aproveita das pessoas e as descarta depois que as usa, e que eu seria mais um, que você faria o mesmo comigo.
— Eu nunca faria isso com você.
— E tem mais... – Kurt respirou um pouco antes de falar o que diria em seguida. Não sabia ao certo como, mas faria. – Eles estão contra você.
— Eu ficaria surpreso se não estivessem... – Blaine tentou brincar com a situação. – Digamos que eu não fosse muito cordial depois de terminar com eles. Na verdade, eu nunca terminei com ninguém, eu só desapareceria. É meio óbvio que todos me odeiem e... – Foi interrompido.
— Não, Blaine. Você não me entendeu. – Kurt continuou. – Eles estão contra você. Como em um plano. Eles querem te ver pagar pelo o que fez. E... E eles me usaram pra isso. – O Anderson tinha as sobrancelhas levantadas em dúvida e já se sentava ereto no sofá, tentando entender. – E-eu... Eu sou parte desse plano.
— Como assim? – Foi o que conseguiu perguntar.
— Eu sabia da aposta, Blaine. Eu descobri há muito tempo. Eu sei sobre a aposta, sobre seus casinhos pela NYU, sei como você conquista a pessoa com suas melhores qualidades e depois as descarta. Eu sei de tudo isso.
— Kurt, você... Você sempre soube? – Blaine olhava para o amigo como se ele fosse um estranho.
— Você foi honesto comigo quando disse que se fôssemos ficar juntos eu precisava saber sobre o seu pior e sobre todos os seus segredos... Então é a minha vez, Blaine. Você precisa saber sobre o meu lado agora. Sobre a “minha aposta” e tudo de ruim que eu fiz e estou envolvido.
O Anderson cruzou os braços na altura do ombro e sinalizou com a cabeça para que Kurt começasse a contar sobre tudo. Não sabia sobre o que ouviria e nem se estava pronto, mas queria saber sobre tudo. Sobre Kurt já ter conhecido da aposta, sobre Kurt conhecer Quinn, Tina e todo o resto. E sobre esse “lado” que comentara. Agora era a hora que os jogos invertiam.
Fale com o autor