HeartBreaker

12 #12 Eu poderia te beijar se quisesse


O jogo estava a dois home runs para o intervalo e Kurt já estava no mesmo clima que Puck. Chegou a jogar o boné de Blaine no campo com raiva do juiz que havia dado fora quando não havia sido um. Puck e Kurt gritavam como se quanto mais alto os berros fossem, maiores as possibilidades do juiz escutar.

— Ultima tacada antes do intervalo. — BigJay disse se levantando. -­ Vou no banheiro, mas se certifiquem que Puck não vá tomar minha cerveja.

— Não garantimos. -­ Kurt e Blaine falaram em uníssono antes de abrirem um sorriso enorme ao ver o que haviam se completado.

A multidão gritou, David Robertson arremessou a bola com força para longe do campo, todos que estavam na arquibancada seguiam a pequena bolinha com os olhos tentando pegá-­la, uma vez que ficou claro pela liga que a bola seria do torcedor se ele a conseguisse. Os olhos de Puck brilhavam e, como em câmera lenta, se levantou e pegou a bola no ar. A torcida toda berrava para Puck em comemoração.

"E o torcedor recebe a bola, ponto para os Yankees. Vamos para o intervalo." Disse o narrador pelos auto falantes.

— Eu não acredito que consegui pegar a bola de David Robertson. — Dizia alisando a bola em sua mão, tinha os olhos brilhando e um sorriso no rosto. — Isso é maravilhoso.

— Espere alguns anos e isso aí valerá uma fortuna. Só não diga pro BigJay que a bola iria cair bem onde ele estava sentado, senão ele que vai querer ficar com o premio. -­ Blaine advertiu. -­ Hey Kurtie, está com fome agora? — O castanho assentiu. — Vi uma barraquinha de cachorros quentes, tudo bem pra você?

— Claro.

Blaine se perdeu nos olhos de Kurt envolvidos com a luz do sol por alguns segundos e então lembrou que deveria ir atrás de comida (sendo que combinaram de sair para almoçar e era praticamente quase três horas da tarde e não haviam comido nada desde então). Enquanto o músico sumia na multidão, Kurt aproveitou para tirar a mão de espuma e a repousou no colo, retirou também o boné e tentou ajeitar o cabelo em uma tentativa falha.

— Kurt, vou te dizer... — O estádio esvaziou em alguns instantes. Provavelmente Blaine teria problema em conseguir entrar em uma fila já que todos estavam mortos da fome. ­- ...de todos os caras que Blaine já saiu, você é o melhor!

— Então foram muitos? -­ Se divertiu em ver a confusão no rosto do garoto de moicano.

— N-­não, digo... Teve alguns, mas... -­ Puck estava a algumas palavras de estragar o encontro do amigo. -­ Ele não é um santo. ­- Gargalharam. -­ Mas você é a única pessoa que conheço que sabe a escalação dos Yankees decorada.

— E você é a única pessoa que conheço que conseguiu pegar a bola de David no ar. — Sorriu ao ver o orgulho encher o rosto do mais velho. ­- Digo, estou feliz de não ter ido àquele restaurante chique e...­ -­ Merda. Kurt finalmente havia se dado conta de que havia deixando Quinn e Tina sozinhas o esperando no restaurante e não poderia sequer ligá­-las já que havia deixado o celular no carro.

— Aconteceu alguma coisa?

— Não, nada... -­ Disse sabendo a bronca que levaria da prima ao chegar em casa. ­- Apenas estava me divertindo demais e esqueci que meu... Hm, meu pai está na cidade.

— Então Blaine já conheceu o sogro? -­ Perguntou BigJay assim que voltava do banheiro, pegando a conversa no ar. Puck arregalou os olhos para o amigo tentando avisá­-lo que Kurt era apenas mais um caso do Anderson, nada sério.

— Não, pelo amor de Deus não.— Kurt gargalhou. -­ É nosso primeiro encontro, não é como se fossemos sair daqui direto para uma capela nos casar.

— Você é legal, Kurtie. -­ Puck finalmente assumiu, sabendo que seria uma pena o Hummel ser mais um dos casos de Blaine. Realmente no fundo queria que ele fosse "um deles".

— Obrigado. ­- Sorriu sincero.

A atenção dos três rapazes foi desviada para Blaine Anderson voltando com a camisa alargada (provavelmente puxada por alguém) e o cabelo totalmente desarrumado. Em suas mãos apenas dois cachorros-­quentes.

— Acho que alguém foi atropelado pelos animais do zoológico... -­ Puck brincou.

— Você está bem? ­- Perguntou Kurt preocupado assim que Blaine se sentou.

— Sim, meu deus, foi um horror chegar aqui com vida. -­ Brincou. -­ Eu consegui os dois últimos cachorros-­quentes da barraquinha e havia uma fila enorme atrás de mim. Não sei como estou intacto, e nem queiram saber o que fiz pra chegar até aqui. Creio que pisei em algumas pessoas, mas consegui. ­ — Gargalhou.

— Ótimo, passa um pra cá. -­ Puck arrancou um dos pães da mão do amigo.

— Ei, são pra mim e pro Kurt!

— Você está negando um cachorro-­quente para seu melhor amigo? Para a pessoa que mais te ajudou nessa vida quando você precisou? Do cara que foi seu ombro amigo nos momentos difíceis e nunca te negou nada? Está negando um...­ ­- Kurt interrompeu Puck.

— Tudo bem, pode ficar. Desde que pare com o drama. ­- Puck sorriu para Kurt antes de dar uma mordida devorando quase todo o pão de uma vez só. — Podemos dividir um, certo?

— Certo. -­ Sorriu Blaine para o encontro.

Kurt partiu delicadamente o cachorro quente no meio e dando a parte de Blaine para o mesmo. Comeu o seu rapidamente (porque estava morrendo da fome) e tentou fingir que aquele pedaço minúsculo de pão havia saciado sua vontade de comer alguma coisa. Os quatro jovens conversavam sobre a defesa dos Giants quando BigJay gritou uma coisa totalmente alheia.

— Ei, olhem. ­- Apontou para o telão onde mostrava um casal se beijando porque a câmera estava os filmando. -­ Estão fazendo a câmera do beijo.

E em questão de segundos, como se Deus estivesse armado o dia perfeito para Kurt, e em um golpe de sorte em Nova Iorque, a câmera pairou entre dois rapazes da torcida. Não dois rapazes comuns. Kurt e Blaine apareciam no telão.

— Isso é maravilhoso. -­ Jason gargalhava.

— Vocês vão ter que se beijar. -­ Puck parecia uma menina da terceira-­série ao ver sua melhor amiga e um menino de mãos dadas.

— O quê? N­-não, eu não vou beijar Blaine na frente de uma multidão de pessoas só porque o telão está mostr...­-­ Kurt não conseguia mais falar porque foi calado com uma língua pedindo passagem em sua boca.

Não demorou muito para corresponder o beijo e ver a multidão gritando, tanto em descontentamento em ver dois caras aos beijos, como em alegria pelo beijo na câmera do beijo. Podiam estar em Nova Iorque, porém sempre haveria alguns homofóbicos por ali (ainda mais em um jogo de futebol). A sorte é que o estádio ainda estava meio vazio por conta do intervalo.

Logo a câmera já filmava outro casal, mas Kurt e Blaine continuavam se beijando. A mão do castanho puxava o corpo de Blaine mais perto enquanto se deliciava na boca de Blaine, aquilo sim era um beijo de tirar o fôlego de qualquer um. Blaine se encontrava na mesma situação. Sua mão passeava entre os cabelos de Kurt (bagunçando­-os, mas o Hummel nem se importava com isso agora). O beijo era sincronizado e a vontade dos dois naquele ato era como se quisessem por isso, como se estivessem matando a saudade daquele dia no sofá da casa de Blaine.

Se separaram com alguns selinhos. Kurt demorou para abrir os olhos, e quando abriu se deparou com Blaine sorrindo maravilhosamente para si. Provavelmente estaria corado.

— Você está corado. -­ Blaine sorriu sem graça. Kurt agradeceu à Deus naquele momento (mesmo não acreditando em um, porque o que aconteceu a seguir só poderia ser obra de alguma divindade) pelos jogadores retornarem ao campo. Blaine voltou seu olhar para o meio do campo e Kurt também, tentando disfarçar o fato de que não conseguia controlar sua respiração.

[...]

— Ele não atende o celular. ­- Quinn andava de um lado para o outro. Estava na casa da asiática há horas e não havia recebido nenhum sinal de vida do primo. O mataria quando chegasse em casa.

— Talvez ele esteja se divertindo demais com o Anderson que não possa ligar agora. — Brincou Tina, porém a loira só a encarou com ódio.

— Não está ajudando! ­- E colocou o celular na orelha novamente enquanto Tina jogava os braços pro ar e sussurrava "só estava querendo quebrar o clima". Kurt iria pagar caro por deixar Quinn esperando.

Os Yankees haviam ganhado de 4 a 3 dos Mets. Os quatro amigos saíam animados do estádio e seguiam até o estacionamento. Blaine fez questão de comprar uma pipoca doce para Kurt (porque sabia que uma metade de cachorro quente não saciaria sua fome), e durante todo o trajeto tinha o braço em sua cintura.

— Whoa, isso foi demais. ­- Jason gritava. Puck apenas assentiu uma vez que estava sem voz de tanto gritar por causa do fora errado que o juiz dera novamente no fim da partida.

— Devemos fazer isso mais vezes. -­ Blaine assentiu, chegando ao carro de Puck.

— Com certeza. ­- Disse com uma voz quase inaudível. -­ Foi ótimo conhecer você, Kurt. Podemos marcar novamente no próximo jogo? -­ Perguntou mesmo sabendo que no próximo jogo Blaine já teria quebrado o coração do castanho e o Hummel nunca mais iria querer olhar na cara de ambos novamente.

— Claro. ­- Sorriu sem ter certeza da resposta.

— Nos vemos então! ­- Puck fez o símbolo do rock com as mãos e entrou em sua caminhonete, dando uma carona para BigJay. Saiu cantando pneu e assustando algumas pessoas que também saíam do estádio.

Kurt e Blaine continuaram caminhando até o carro de Kurt. Agora que o pacote de pipoca já havia sido jogado no lixo e o castanho estava com as mãos livres, o músico fez a questão de segurá-­las até o momento em que chegaram no carro. O caminho até a casa de Blaine foi novamente silencioso, mas ambos não conseguiam tirar um sorriso do rosto.

Chegaram no condomínio minutos depois. Kurt estacionou em frente à casa de Blaine, que tirou o cinto mas ainda permaneceu no carro.

— Espero que tenha odiado seu encontro. -­ Blaine gargalhou se virando para encarar o motorista. Um sorriso maroto surgiu no rosto de Kurt.

— Você vai ter que se esforçar muito mais do que isso.

Chandler estava em seu carro prestes à ir para a loja de tecidos escolher os materiais para o desfile que valeria metade da nota de seu semestre quando viu da garagem um carro parando em frente à sua casa. Se inclinou sobre o volante e percebeu que era apenas Kurt e Blaine voltando do jogo dos Yankees. Pôde ver pelo vidro escuro do carro os dois garotos sorrindo e bem próximos. O irmão estava odiando aquela aproximação de Kurt e Blaine.

— Adorei o fato de você ter virado amigo de Puck. Agora ele arranjou um colega de baseball e não preciso mais ficar ouvindo as piadas infames que ele faz sobre os irmãos Beltrán. -­ Sorriu sem olhar nos olhos de Kurt.

— Não o subestime, o cara é um gênio. — Kurt gargalhou baixinho ainda olhando para Blaine. Os olhares se encontraram e um sorriso brotou nos lábios dos dois garotos. Kurt não sabia o que estava fazendo, lembrava muito bem de Quinn ditando as ordens e falando "nada de beijos", mas seu corpo insistia em
dizer "vá em frente".

— Adorei também o fato da câmera do beijo ter nos filmado. -­ Blaine disse sem se importar de corar um pouco e Kurt perceber.

— Foi sua sorte a câmera ter nos filmado. Você talvez não conseguiria arrancar um beijo de mim se não fosse por ela. -­ Sorriu, chegando cada vez mais perto do rosto do moreno.

— Não?

— Eu costumo ser bem difícil.

— Claro... -­ Blaine fez menção ao fato de que semanas atrás ter encontrado Kurt pela primeira vez e feito sexo com ele no primeiro encontro. Gargalharam baixo por alguns instantes. ­- Então digamos que se eu tentasse te beijar agora, sem câmera nenhuma, não conseguiria?

— – E-­eu não sei. -­ Os rostos estavam praticamente colados.

— Ah, por favor. -­ Chandler se inclinou um pouco mais tentando enxergar alguma coisa, quando acidentalmente pressionou seu peito sobre a buzina, fazendo os dois rostos que estavam quase colados se afastarem no susto.

— Bom, eu... Hm... -­ Kurt se atrapalhou com as palavras, se separando de Blaine com pressa.

— ­Te vejo na aula amanhã?

— E-­é, claro.

Kurt sorriu e viu Blaine se despedir com um tchau no ar e entrar em casa rapidamente. Jogou sua cabeça contra o banco e suspirou antes de dar partida no carro e sair pelos portões do condomínio de luxo que os Anderson moravam. Chandler sorriu ao ver o que tinha feito acidentalmente e ligou o carro, seguindo até a loja de tecidos sempre mantendo uma boa distância do carro de Kurt que ainda mantinha o mesmo caminho. Kurt seguiu até casa tentando inventar uma boa desculpa para a Quinn furiosa que iria encontrar em seu apartamento. Provavelmente tempestades virão.

Blaine tentou fazer daquele o pior encontro que o Hummel já havia estado, mas acabou sendo o melhor de todos.