HeartBreaker
11 #11 Mudanças repentinas de plano
Notas iniciais
Depois da descoberta da "lista" de Blaine e Puck, o plano de Quinn ficava cada vez mais doentio e insano na opinião do primo. A loira havia espalhado fotos de Blaine por todo seu quarto, alguns mapas e capturas de tela de seu facebook ou de mensagens que ele havia mandando quando ainda estavam juntos.
A Fabray tinha enormes bolsas em baixo dos olhos, mas não conseguia tirar uma noite de sono. Provavelmente o histórico de seu navegador teria milhares de abas sobre como se vingar de um ex-namorado canalha. Ela estava disposta a quebrar o coração de Blaine a todo custo.
— Quinn, falta quinze minutos para o encontro. - Kurt gritou da sala, tentando descobrir o porquê da prima ainda estar se arrumando se o encontro era com ele e não com ela.
Assim que se virou encontrou uma linda loira à sua frente com um vestido pouco apertado mostrando suas curvas e os cabelos levemente presos. Uma maquiagem leve, mas ainda assim destacando os olhos cor de esmeralda que brilhavam conforme a luz tocava seu rosto.
— Vamos? - Sorriu sem graça ao ver o jeito que o primo a encarava.
O caminho até a casa de Tina foi um silêncio completo que nem o rádio deixou de se fazer constrangedor. Passou algumas vezes pela cabeça de Kurt que Quinn tivesse se arrumado desse jeito para Blaine, mas não era a mesma que estava pronta à destruir a vida do moreno? Deixou a prima na casa da asiática (seguiriam para o restaurante em seguida) e dirigiu até a casa de Blaine.
O carro parou em frente ao condomínio e Kurt discou o número de Blaine em seu celular. Alguns segundos depois o portão se abrira para o castanho entrar com o carro. O automóvel não era um carro luxuoso, o que fez Kurt se sentir mal assim que estacionou em frente à casa de Blaine.
Hesitou em entrar, mas para seu infortúnio Blaine não aparecera na porta naqueles minutos em que havia estacionado o carro. Seus dedos deslizaram pela campainha da maior casa do condomínio e em alguns segundos a porta era
aberta por um rosto conhecido.
— Kurt? - Chandler levantou uma das sobrancelhas.
— Oi Chandler. - Sorriu sem graça ao se lembrar de ter faltado a aula e dado uma desculpa esfarrapada para o amigo, quando na verdade precisava apenas de tempo para se arrumar para Blaine. Kurt vestia uma camisa xadrez clara com um colete por cima, e uma calça jeans apertada que Quinn insistiu que o castanho usasse. - Blaine está?
— Ah, claro. Você está aqui por causa do encontro... - Chandler revirou os olhos e abriu espaço para o amigo entrar na casa, ainda não entendendo porque mesmo depois daquela mensagem, Kurt concordaria em almoçar com Blaine. — Vou chamá-lo, fique à vontade.
E o mais novo saiu subindo as escadas. Kurt aproveitou para passar seus olhos pelo lugar novamente. Olhou o sofá em que fizera sexo com Blaine e sorriu ao perceber que continuava o mesmo. As esculturas no canto do cômodo haviam mudado, assim como os quadros na parede.
Enquanto isso, Blaine descia as escadas e encontrava Kurt observando um ponto específico na parede da sala. Deu uma "conferida" no jovem e se perguntou por alguns instantes como Kurt Hummel usar uma calça apertada daquele jeito não era crime por perturbação da ordem pública. Suspirou e caminhou lentamente até o garoto.
— Esse menino da foto realmente é muito fofo. — Sussurrou assustando Kurt que levou sua mão ao peito imediatamente tentando controlar seu batimento cardíaco.
O Hummel tirou alguns segundos para observar Blaine usar uma blusa de manga comprida cinza que aparentemente era alguns números menores que o de Blaine (mas Kurt não reclamaria pois marcava o peitoral do veterano), e um jeans escuro.
"Fale alguma coisa, qualquer coisa" dizia seu cérebro, mas Kurt piscava inconsciente e não conseguia formular uma frase concreta.
— Oi.
— Oi. - Blaine sorriu. - Não te vi pelos corredores hoje.
— Pois é, eu... Hm... - Kurt se embaralhava com as palavras vendo Blaine tão perto de si, em um ambiente que já havia presenciado um ato de amor entre os dois. - E-eu tive que arrumar a casa.
— Chandler me disse que seu pai estava na cidade. - Blaine sorriu vendo o garoto a sua frente se embaralhar com seus pensamentos. Ele adorava esse efeito, sabia que podia controlar Kurt se quisesse.
— Sim, eu estava arrumando a casa porque meu pai não suporta sujeira.- "Sério, Kurt? Você poderia fazer melhor do que isso" Kurt se odiava mentalmente por não ter conseguido formar uma desculpa melhor. - Mas então, vamos? Foi realmente difícil arranjar uma reserva em cima da hora para almoçar no El Amparo. - Kurt se afastou de Blaine caminhando até a porta.
— Na verdade, ocorreu uma pequena mudança de planos. - Blaine deu a volta em Kurt e se encostou na porta antes que o castanho pudesse abri-la.
— Como assim? — Perguntou receoso.
— Liguei há alguns minutos para o El Amparo e cancelei nossa reserva.
— Você o quê?! — Kurt alterou a voz.
— Calma. — O Anderson abriu um sorriso e abriu a porta da entrada para Kurt. - Ainda teremos nosso almoço se é isso que você está preocupado. — Realmente não era. - Mas não nesse restaurante.
— Por que isso está me cheirando à trapaça? - Kurt brincou indo até a rua
acompanhado do estudante de música. Blaine apenas gargalhou baixo e esperou o estudante de moda abrir o carro para entrar no lado do passageiro.
Deu o endereço do novo local para Kurt e continuou a viagem em silêncio. Conforme o carro ia chegando mais perto do destino, Kurt ia encontrando uma multidão de gente ao lado de fora, algumas bandeiras, muitos carros e muitos vendedores ambulantes. "Onde fui me meter?" sorriu ao ter esse pensamento, estacionando o carro em uma vaga que parecia ter sido reservada para eles.
— Um estádio, Blaine? - Kurt tentou segurar o riso.
— Você me disse que já teve muitos bons encontros em sua vida, e que provavelmente não se lembraria desse. - Tirou o cinto de segurança e encarou o jovem ao seu lado. - Então resolvi te dar o pior dos encontros, porque no final do dia você vai se lembrar dele de qualquer jeito, bom ou ruim.
— Esperto. - Kurt assentiu, deixando o celular e relógio no painel do carro e saindo do mesmo esperando por Blaine do lado de fora. Caminharam até dois garotos que estavam de costas para a rua. - Onde estamos, afinal? - Blaine ignorou a pergunta e apertou o passo, colocando a mão no ombro do jovem a conversar com um cambista.
— Blaine! - Se virou e abriu um sorriso enorme. O garoto tinha um moicano, vestia um simples jeans e uma camiseta preta, e um óculos aviador que impedia o sol tocar seus olhos. - Pensei que você não vinha, cara.
— Puck, esse é Kurt. — Blaine puxou o encontro para perto e Puck abriu um sorriso de todos os dentes. - Kurt, conheça Noah Puckerman, meu melhor amigo desde que me conheço por gente.
— Kurt? Então você é o menino que deu um nome falso depois de uma noite especial, sumindo e tendo a infelicidade de encontrá-lo nos corredores da faculdade? Além de estudar com o irmão dele? — Tinha um sorriso enorme.
— PUCK!— Blaine chamou a atenção do amigo enquanto Kurt tentava não corar. Tentava. - Não liga, às vezes ele fala essas coisas... Bom, espero que tenhamos lugares bons.
— Sorte sua que estou com dois ingressos sobrando. - Puck piscou para o amigo. - Agora vamos entrar ou seremos pisoteados se demorarmos mais alguns minutos.
Puck foi com seu outro amigo na frente enquanto Blaine e Kurt iam atrás. O castanho nunca havia se imaginado em um lugar como esse. Kurt Hummel em um jogo de basebol? Por mais que estivesse familiarizado com o esporte, não pensava em frequentar um estádio nem em seus sonhos mais distintos.
Sentaram BigJay (seu nome era Jason, mas todos o conheciam pelo apelido), Puck, Kurt e Blaine, respectivamente. Seus lugares eram bem no meio da multidão que começava a chegar para ver o time jogar. Jogariam os Mets contra os Yankess. Puck havia conseguido em algum lugar, roubado de alguém provavelmente, quatro bonés dos yankees e algumas mãos de espuma.
— Você está com fome? - Blaine forçou um pouco o tom de voz, já que o estádio estava lotado e todos gritavam tentando se comunicar com a pessoa ao lado. - Vou pegar uma cerveja pra mim, você quer alguma coisa?
— Um refrigerante seria ótimo. - Kurt sorriu e Blaine se levantou. - Blaine! Chamou o moreno que estava quase no corredor. - Coca diet.
— Coca diet para Kurt. Anotado. - Deu seu melhor sorriso e sumiu em meio aos torcedores que gritavam e atiravam coisas no campo enfurecidos com a demora do início da partida.
Kurt já havia assistido basebol em casa com seu pai e Sebastian algumas vezes e sempre foi ensinado a odiar os yankees por conta do time da casa ser os Nicks de Dallas. Porém sabia as regras, seu pai havia o feito decorar, e sabia o nome de todos os jogadores. Não seria difícil se enturmar com os amigos de Blaine, seria?
— Então Kurt, você gosta de basebol? Perguntou BigJay em um tom provavelmente tentando desmerecer o Hummel. Puck deu um gole de sua cerveja e encarou o encontro do amigo esperando por uma resposta óbvia.
— Gosto, sou fã dos yankees inclusive. - Puck se esforçou para não engasgar com a resposta repentina e inusitada vinda de Kurt.
— Sério? Você não parece ser do tipo de cara que gosta. - Puck ainda encarava Kurt e BigJay sabia que aquilo era algum tipo de brincadeira com sua cara. Qual é, enquanto todos usavam camisetas e regatas e um bermudão Kurt estava arrumado demais para um jogo dos Yankees.
— Bom, eu não estava esperando vir em um jogo deles hoje. - Respondeu o olhar de Jason sobre suas roupas. - Mas sim, são meus preferidos. - Mentiu e a multidão se levantou assim que os jogadores começaram a entrar no campo. — Santa Cher, não acredito que escalaram o Alex Rodriguez no lugar do Derek! — Soltou inocente. Talvez Burt estivesse se contorcendo de felicidade em algum lugar de Lima nesse momento.
— O técnico vai levar uma grande surra se eles não se classificarem. - Puck tentava enxergar o campo, porém um maldito homem com um cabelo enorme havia sentado à sua frente.
— Com o Ichiro na defesa acho muito provável isso acontecer. - BigJay falou, tomando um gole de sua cerveja e soltando um arroto alto o suficiente para Kurt ficar enojado.
— Eu discordo. — Interviu. — O Ichiro é muito bom, ainda mais quando está no lado esquerdo do campo. O sol não vai atrapalhar sua performance como em 96... Embora eu ache que o Wright sim está prejudicado nessa posição. - Kurt falava sua opinião sobre a escalação, deixando Puck e Jason de boca aberta. Burt realmente tinha sido um pai e tanto.
— Tenho que concordar com Kurt nessa. - Puck sorriu para Jason que fazia uma cara de descontentamento por não ter recebido a aprovação do badboy.
— Perdi alguma coisa? - Blaine se sentou ao lado de Kurt, entregando-o o copo com refrigerante e gelo.
— Só a escalação sendo narrada e o fato de que Kurt é o mestre do basebol. — O garoto de moicano sorria com as palavras inacreditáveis que sua própria boca falara.
— Como? - Perguntou curioso.
— Lembra da minha teoria da escalação de 1996? - Blaine assentiu. - Kurt acabou de repetí-la sem ao menos saber que ela existia. Ichiro é maravilhoso e o único motivo por qual ele perdeu aquela bola foi por causa do sol que estava atrapalhando sua visão.
— Ou por causa do olho torto do técnico. - Brincou o Hummel.
— Boa!– As mãos de Puck e Kurt se encontraram no ar.
Blaine encarou Kurt sorrindo e continuou a prestar atenção no campo. Talvez aquele jogo fosse mais especial do que o estudante de musica achou que seria.
[...]
— Senhoritas, tenho que pedir que se retirem se não forem consumir nada. Disse o garçom receoso. — Há outros clientes esperando alguma vaga para poderem almoçar. — Completou.
— Não acredito que Kurt nos deu o bolo. - Quinn bufou tirando o guardanapo de seu colo e rolando seus olhos da entrada do restaurante até seu celular onde escrevia uma mensagem enorme para o primo.
— Iremos querer a lagosta. - Tina sorriu para o homem que agradeceu e logo sumiu com o pedido para a cozinha. - Onde será que ele e Blaine se meteram?
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