HeartBreaker

9 #09 Até quando teremos que mentir?


Notas iniciais
Muito obrigada à Aysha por ter recomendado a história e um bom dia pra você que estava escrevendo esse capítulo e a guia do chrome fechou sozinha! ♥

Blaine e Chandler chegaram em casa perto do meio dia. O loiro sequer olhou para o pai e seguiu direto para seu quarto. O mais velho da família sabia que o pequeno Chand só precisava de um tempo sozinho para colocar as ideias em dia. Foi uma revelação para ele descobrir que seu pai tinha outra família e que, cinco meses depois da morte de sua mãe, eles teriam que morar juntos. O velho pai agradecia a boa amizade de Blaine e Chandler, mas ainda assim sentia que devia algo ao pequeno filho.

Blaine sentiu a amargura do coração do pai, então apenas deu um abraço carinhoso no velho e foi até o meio-irmão. Bateu algumas vezes na porta, e mesmo sem receber uma resposta a abriu, encontrando um loiro no canto da cama com a cabeça afundada no travesseiro.

– Hey, pequeno. — Caminhou até o irmão que não fez questão nem de levantar a cabeça do travesseiro. Blaine suspirou e continuou. — Isso deve ser horrível pra você, eu sei. Você pode culpar o papai, pode morar aqui e sequer olhar pra ele, mas isso não vai adiantar em nada. E eu sei que fazem apenas cinco meses que sua mãe faleceu, mas uma hora ele teria que seguir em frente e... — Chandler o interrompeu.

– O problema não é esse. — Levantou a cabeça e encarou Blaine com seus olhos pouco vermelhos. — Papai é novo, eu sei que eventualmente ele acabaria namorando outra pessoa. Mas é que... Você tem a minha idade, Blaine. Isso significa que ele estava traindo a mamãe com a sua mãe. — Fungou. — Que nos finais de semana quando ele dizia que iria viajar à negócios, ele iria passar com vocês...

Blaine sentiu uma pontada no coração ao ver o meio-irmão daquele jeito. Sabia que o pai era um cafajeste, sempre soube porque sua mãe deixava claro para Blaine que o grande Anderson jamais poderia morar em uma casa com cercas brancas porque ele tinha outra família. Era um choque de realidade para uma criança de dez anos saber que seu pai era um canalha, mas agradecia à mãe por ter contado e o poupado de qualquer sofrimento futuro.

Chandler podia ter quase vinte anos, mas ainda parecia uma criança. Blaine jogou todo seu orgulho fora e puxou o irmão em um abraço. Chand no começo se sentiu desconfortável, mas logo sorriu e abraçou Blaine também. Era essa relação estranha de irmãos que eles adoravam ter um com o outro. Sabia que o irmão podia ser horrível em várias situações, mas em outras ele era simplesmente o melhor.

.:.

Kurt estava perdendo a conta de quantos dias já havia chegado na faculdade perto das sete horas da manhã e havia escutado as músicas da Katy Perry no segundo andar. Aliás, não sabia se restavam mais músicas dela para serem tocadas por Blaine e os calouros do curso de música em NYU.

Na verdade o que acontecia é que Kurt estava com um mau humor enorme, e tudo graças à uma discussão que tivera com Quinn de manhã cedo. O castanho estava começando a ficar preocupado com a obsessão da loira com esse plano maluco de quebrar o coração de Blaine. Quinn não dormia há dois dias e não saía da frente da tela de seu computador onde conversa com Tina vinte e quatro horas incansavelmente. Como se aquilo não fosse o suficiente, agora a loira resolvera inventar que seria ela quem escolheria as roupas com quais Kurt iria para a faculdade.

O castanho andava pelos corredores com uma calça super apertada, assim como sua camisa, se lembrando de como havia sido esgotante a briga com Quinn para escolherem um visual que ambos concordassem que seria vestível, já que o gosto da Fabray era péssimo. Kurt achava tudo aquilo desnecessário. Sabia que poderia chamar a atenção de Blaine com roupas que não apertassem seu corpo de uma maneira depravante.

Ao chegou na porta de sua sala a encontrou trancada, o que fez seu mau humor apenas aumentar. Sacou seu celular e tentou ligar para Chandler, porém o loiro não atendia as ligações. Não havia nada que pudesse deixá-lo mais irritado naquele momento.

Blaine tocava o último verso de Part Of Me no violão e todos aplaudiam, dando início a mais um dia de aula na Universidade de Nova Iorque. O moreno desviou o olhar dos companheiros de turma e olhou para a porta, enxergando Kurt andar em círculos enquanto fazia uma ligação.

O que mais chamou a atenção do moreno foram as calças apertadas de Kurt mostrando cada centímetro quadrado do corpo de Kurt sendo praticamente exposto. Tudo que o estudante queria era pegar seu casaco da NYU e correr para cobrir Kurt de olhares maldosos que vinham de outros alunos. Suspirou, deixou seu violão sob a carteira e caminhou até a porta. Kurt tinha as mãos na cintura e olhava para a tela do celular, respirando lentamente.

– Bom dia, tight pants. — Blaine se encostou no batente da porta esperando Kurt o olhar com um sorriso lindo, o que não acontecera. O castanho apenas o encarou e revirou os olhos rapidamente. — Nossa, que mau humor é esse? — Perguntou.

– Semana difícil, dia pior ainda. — Suspirou desviando seu olhar para o telefone e tentando ligar para Chandler novamente

– Desista, Chand não vem hoje. — Kurt olhou o músico com curiosidade. — Ele não quis sair da cama, fez manha e disse que como não tinha nada de importante hoje, não viria. — Blaine gargalhou rápido ao se lembrar da cena. — Acabou se enrolando nas cobertas e ficando por lá mesmo.

Eram muitas informações para Kurt. Chandler e Blaine haviam dormido juntos? Isso era nojento. Sua respiração saiu do lugar e Kurt pôde jurar que vomitaria a qualquer momento.

– Vejo que a noite foi longa pra vocês dois. — Falou orgulhoso.

– Sim. Ele chorou praticamente a noite toda e tive que ficar o abraçando. O jeito que ele estava mal fazia parecer que a dor nunca iria embora. Ele consegue fazer as coisas ficarem tão duras... — Kurt o interrompeu.

– Oh, meu deus. — Gritou. — Eu não preciso saber dos detalhes de você na cama com outros rapazes. — Franzia o cenho ao tentar ignorar as imagens.

– O quê? ...Não! — Blaine gargalhou por longos segundos. Kurt não entendia nada do que estava acontecendo ali. — Chandler... — Colocava a mão na barriga enquanto esperava por ar. — Chandler mora comigo, ele e eu temos o mesmo pai. — Riu mais um pouco.

– Isso faz tudo ter sentido e parecer menos assustador. — Kurt sorriu pela primeira vez no dia e incrivelmente seu mau humor havia ido embora, como se Blaine tivesse o curado ou algo parecido. O castanho só não entendia ainda porque continuava sorrindo daquela forma.

Enquanto isso o Anderson se aproximava do garoto e olhava em seus olhos. O sorriso nos lábios de Kurt desapareceu na hora e ele apenas ficou encarando Blaine com seus olhos azuis brilhantes.

– Você não respondeu minhas mensagens. — Disse o moreno.

– N-não.

– Pensei que talvez poderíamos almoçar juntos hoje depois da aula... — Blaine se aproximou um pouco mais, centímetros de seus corpos se tocarem.

"- Kurt, você conhece alguém na faculdade além desse tal Chandler? — Quinn perguntou tirando brevemente seus olhos da tela de seu notebook e encarando o primo que assistia a algum seriado que passava na TV.

– Não... Quero dizer, conheço algumas pessoas da minha sala, mas ninguém com quem eu tenha conversado por mais de cinco minutos... Por quê? — Quinn não respondeu nada, apenas deu um sorriso enorme e voltou a teclar com Tina por skype. Essa história de plano já havia começado a irritar Kurt, mas o castanho havia prometido para Quinn que ajudaria.

– Ótimo. — Falou após alguns segundos. — A partir de agora, se Blaine perguntar, você está namorando Neil. Ele faz teatro e topou, por uma singela quantidade de dinheiro, fingir ser seu namorado. Isso está saindo melhor que o
planejado. — Sorria e esfregava as mãos, digna de um papel maléfico em uma peça.

– Quinn, eu acho que isso está saindo do nosso controle. — Advertiu.

– E eu ainda nem comecei. — Sorriu e voltou a teclar."

– Na verdade... Combinei de almoçar com o meu namorado.

Kurt ouviu a si mesmo e teve ideia de quão idiota isso havia saído. Quinn dizia que Kurt ter um namorado apenas faria Blaine ficar mais motivado em ter Kurt em seus braços, mas o castanho não tinha tanta certeza assim após ver o sorriso nos lábios do estudante de música desaparecer e dar lugar a um olhar descontente.

– Namorado? — Perguntou.

– Sim. — Encarou o chão enquanto falava. Sabia que se olhasse nos olhos de Blaine talvez o músico pudesse decifrar que Kurt estava mentindo.

– Claro. Um garoto com um rosto tão lindo só podia ter um namorado. Ninguém assim fica solteiro por muito tempo. — Sorriu jogando seu charme.

– Essa teoria não se aplica a você, aparentemente. — Disse sem pensar, se culpando logo após ter dito. Não sabia de onde havia saído aquelas palavras e tinha certeza que provavelmente o plano havia ido por água abaixo naquele momento. Blaine abriu um sorriso enorme novamente.

– Esse seu namorado sabe sobre nossa pequena diversão há algumas semanas? — Kurt engasgou e Blaine o encarava. Ver o castanho corar fora a melhor coisa no dia do moreno até agora.

O Hummel engoliu a vergonha e decidiu que já que estava envolvido no plano seguiria até o fim com ele. Deu alguns passos, quase colando o rosto com o de Blaine, e sussurrou olhando no fundo de seus olhos.

– Não. E nem deve saber. — Disse provocante antes de entrar na sala que o professor havia acabado de destrancar segundos antes. O moreno ficou alguns segundos ali parado até se recompor e voltar à sua respectiva sala.

O intervalo chegou rápido e Kurt praticamente correu para a biblioteca se encontrar com Quinn e Tina. Aqueles encontros diários haviam virado rotina entre os estudantes e servia apenas para continuarem com o plano de como fariam para machucar o coração do maior cafajeste de todo o campus.

Ao chegar, Kurt avistou Quinn, Tina e um jovem muito bonito, um pouco mais alto e com cabelos pretos levemente perdidos em um topete, quem deveria ser Neil.

– Até que enfim, Kurt. — Quinn deu de ombros à desculpa de Kurt que seu bloco era longe demais da biblioteca e passou a apresentar os dois jovens. — Kurt, este é Neil, seu mais novo namorado. Neil, esse é Kurt.

Kurt levantou as sobrancelhas em um cumprimento envergonhado e Neil respondeu com um sorriso tímido, também estranhando a situação. Os trinta minutos do intervalo serviram para Kurt, Neil, Quinn e Tina combinarem como aquilo funcionaria. O Hummel queria desistir daquele plano a todo custo, mas o sorriso enorme estampado no rosto da prima apenas fazia tudo valer à pena, e quem sabe poderia tirar proveito desse plano agora com Neil, que pareceu ter uma enorme química com Kurt.

– Bom, está na hora de voltarmos para nossas aulas. Neil tem aula no mesmo bloco que você, Kurt, então preciso que vocês troquem carinhos na frente de Blaine, tudo bem? — Kurt assentiu, revirando os olhos sem a loira ver.

– Ótimo. — Tina sorriu. — Agora voltem de mãos dadas até o campus e façam ciúmes em Blaine. Ele merece! — Dizia tão psicótica quanto Quinn.

Kurt deu de ombros à toda aquela loucura e saiu da biblioteca mantendo uma distância razoável de Neil. O ator sorriu e se aproximou um pouco do designer de moda.

– Você não está muito a vontade com esse plano, está? — Perguntou entrelaçando seus dedos no de Kurt.

– Não é isso. — Suspirou. — É que Quinn costumava ser a pessoa mais doce e bondosa que alguém pudera conhecer, e esse plano acabou a transformando em uma vadia vingativa. — Sorriu para si. — Só quero que isso acabe logo para eu poder ter minha velha prima de volta

– Tudo bem, vamos fazer isso acontecer. — Neil sorriu.

Subiram as escadas do segundo andar de mãos dadas e Neil fez questão de levar Kurt até a porta de sua sala para conhecer Blaine pessoalmente. Quinn e Tina haviam conversado tanto sobre aquele rapaz que agora o próprio moreno estava curioso para saber como ele era.

– Ali está ele. — Kurt sussurrou, ainda caminhando de mãos dadas com o estudante de artes cênicas. Pararam poucos metros antes da sala e chamaram rapidamente a atenção de Blaine, que estava mesmo procurando o castanho pelos corredores.

– Posso ver o charme. — Sussurrou Neil disfarçando enquanto olhava para Blaine. — Bom, ele está nos olhando. Creio que teremos que nos beijar agora. — E antes que Neil pudesse falar mais alguma coisa, Kurt pressionava os lábios contra os do ator. O beijo foi longo o suficiente para Blaine sentir seu pulso se fechar de raiva. Kurt estava nas pontas dos pés e sorriu assim que saiu do beijo com o moreno. Ambos pareciam surpresos com o quão não-tecnico aquele beijo havia sido.

– Ele viu? — Kurt perguntou em um sussurro e Neil apenas assentiu, queimando com o olhar de Blaine sobre si. — Ótimo. Te vejo na saída?

– Claro. Quinn me passou seu número, conversamos durante a aula. — Sorriu e partiu para as escadas.

Com um sorriso satisfeito no rosto, Kurt caminhou até sua sala, ignorando o olhar quente de Blaine pairando sobre si. Sentou-se no fundo e jurou que tentou prestar atenção na aula, mas apenas ficava pensando em um modo de fazer tudo aquilo acabar logo. Seu celular vibrou algumas vezes em cima da mesa e Kurt rolou os olhos rapidamente até o aparelho.

"MENSAGEM DE BLAINE Então Neil é o seu namorado? Que desperdício, Kurt. Você conseguiria alguém melhor do que ele. Tenho que fazer o papel de vilão e te dizer que ele também não é muito fiel à você, do mesmo jeito que não fomos à ele!"

"MENSAGEM DE +1 646 55...– Aqui é o Neil."

Ignorou ambas as mensagens e prestou atenção na aula. História da moda era a matéria que mais agradava Kurt, mesmo o castanho sabendo de todas essas coisas faz anos. Suspirou feliz ao ver o relógio marcar a hora de ir embora. Acabou sendo um dos últimos a sair da sala e sorriu ao ver Neil encostado na parede o esperando enquanto mexia no celular. Viu também Blaine no canto do corredor, apenas esperando Kurt aparecer.

Caminhou até o "namorado" e o abraçou. Neil não entendeu nada, então Kurt sussurrou: — Blaine está olhando. — Fazendo o ator gargalhar baixo e passar o braço pelos ombros de Kurt, descendo as escadas logo em seguida. O estudante de psicologia convidou o falso namorado para um almoço juntos e Neil aceitou. Passaram um tempo convidativo no restaurante na frente do campus e Blaine não gostou nem um pouco da ideia de ver que estava perdendo Kurt para um cara qualquer.

Blaine não era de se irritar com ciúmes. Na verdade, o moreno nunca havia sentido ciúmes de nada além do primeiro lugar nas apostas com Puck, mas aquilo era aceitável, certo? O único motivo de Blaine estar ainda atrás de Kurt era porque sua noite com Kevin não havia sido registrada na contagem oficial, logo, sair com Kurt uma segunda vez seria necessário. Bom, era isso que Blaine acreditava, mas no fundo as coisas eram bem diferentes.

Notas finais
Só porque Tamires e Mandy me encheram o saco mesmo, hahaa. Estão gostando? Me digam pelos comentários o que estão achando!