HeartBreaker

10 #10 O que te impede de sair comigo?


Notas iniciais
Pra quem não lembra: Kurt havia aceitado em participar do plano da prima, Quinn Fabray, em destruir o coração de Blaine Anderson. Conforme o que a loira pedia, Kurt continuava a fingir seu relacionamento com Neil, um estudante de artes cênicas, a fim de fazer Blaine ficar com ciúmes.

Quinn não passou a noite com Kurt, apenas deixou um aviso na geladeira dizendo que estaria em um jantar com Tina e que não dormiria em casa. Essa amizade com a asiática estava assustando o castanho de uma maneira enorme! Quinn estava cada dia mais mudada, ela finalmente havia deixado de ser aquela princesinha ingênua, mas Kurt preferia a Quinn de antes à essa. A loira estava se tornando uma vadia malvada.

Ao acordar havia uma mensagem em seu celular dizendo que ela iria da casa da amiga até a faculdade, então Kurt teria que pegar o metrô sozinho. O garoto de olhos azuis acabou chegando na faculdade atrasado porque havia pegado o trem errado, já que a prima não estava lá para ajudá-­lo. Kurt poderia dizer que percorreu Nova Iorque inteira ao lado de um mendigo que estava dormindo. Correndo, subiu as escadas e esperou dar a segunda aula para poder entrar na sala. Encostou-­se na parede e começou a mexer em seu celular a fim de distraí-lo.

Alguns minutos depois a porta da sala ao lado da sua se abriu e saíram duas meninas e Blaine, conversando animadamente sobre algum musical que estariam planejando. O castanho tirou os olhos do celular rapidamente, mas ao ver Blaine desviou o olhar e voltou a ler o artigo de moda que estava observando. Blaine se despediu das amigas e foi até Kurt.

— A aula é do lado de dentro. ­- Fez piada e Kurt tentou esconder o sorriso, porém aquela havia sido a primeira coisa engraçada que ouvia no dia depois do estresse de percorrer a cidade inteira, então não teve sucesso e os lábios logo se abriam em um riso fraco.

— Eu sei, mas briguei com um colega de trabalho e as coisas não saíram bem. Me pediram para esperar a viatura da polícia do lado de fora. -­ Falou com um sorriso gostoso no rosto, entrando na brincadeira.

— Seu namorado não deveria estar aqui com você, então?

— Ele é meu cúmplice, se ficasse aqui provavelmente iria ser detido também. ­- Continuou na brincadeira. Blaine soltou um último sorriso e encarou o castanho.

— Eu sei que vocês não são namorados. Conversei com Brandon e ele negou qualquer Kurt na vida do ex-namorado, e até assumiu que ele e Neil estavam tentando se entender. ­ — Encarou Kurt nos olhos.

O castanho sentiu um frio subindo sua espinha, e sua barriga se revirava. Não sabia se saía correndo ou se abraçava Blaine pelo alívio de ver o plano finalmente encerrado. Abriu a boca algumas vezes para falar algo, mas nada saía. Blaine apenas continuava observando-o com aquele olhar encantador.

— Tudo bem. ­ Finalmente Kurt se pronunciou. ­ Eu sabia que isso não daria certo. Ele pode até fazer faculdade de teatro, mas precisa aprender a disfarçar todas as pistas... O­-o que mais ele te falou? ­- O medo cercava a voz de Kurt. Se Neil tivesse comentado com esse Brandon sobre o plano, Quinn ficaria furiosa e faria alguma loucura no campus, provavelmente. Algo como passar com o carro por cima de Neil, aproveitando e atropelando Blaine também.

— Não muita coisa. -­ O moreno tinha um sorriso enorme, parecido com o de uma criança. -­ Eu não conversei muito com ele, na verdade, trocamos apenas algumas mensagens. Mas você acabou de assumir que ele não é seu namorado de verdade, e que mentiu... -­ Kurt se sentiu a pessoa mais tola do mundo.

— Culpado. ­ Assumiu, encarando o chão. Por pouco não havia ficado desesperado e começado a inventar desculpas, falando para o moreno que o plano havia partido de Quinn, e não dele, que Kurt era diferente da prima e... Ele não devia explicações à Blaine, devia?

— Então já que agora você não tem mais um namorado, não vejo motivo para não almoçarmos juntos. Quinta-­feira, eu te busco. -­ Falou com seu melhor jeito de galanteador e, droga, ele era tão bom naquilo. Kurt teve que se segurar para não aceitar o pedido do menino do sorriso maravilhoso.

— Não acho que seja uma boa ideia...

— Kurt, você está me enlouquecendo. ­- Assumiu, com um sorriso pequeno nos lábios. ­- Desde aquele dia, aquela noite, você não sai da minha cabeça. O que te impede de sair comigo mais uma vez? Eu sei que você gostou...

"Sim, eu gostei, mas minha prima maníaca quer seu pescoço. Ou talvez o que me impeça é fato de que desde a nossa noite juntos eu também só tenho pensado em você, e isso pode comprometer todo meu relacionamento com Quinn", pensava o mais velho. Antes que Kurt pudesse formular uma resposta, a porta de sua sala foi aberta pelo professor, que saía toda a semana exatamente à esse horário para tomar uma xícara de café.

O olhar de reprovação do Mr. Maccad caiu sobre Kurt, e ele se sentiu na obrigação de correr até a sala e colocar toda a matéria atrasada em dia. Deu alguns passos tentando entrar na classe, mas Blaine segurou seu braço, gentilmente, ainda esperando uma resposta.

— Eu realmente preciso ir. -­ Disse tentando se soltar, mas Blaine tinha os braços mais fortes que... Santa Madonna, aqueles braços... Pigarreou.

— Não antes de dar a resposta que estou esperando.

— T­-tudo bem, podemos almoçar juntos na quinta, mas eu te busco. -­ Disse com medo de Blaine descobrir que o castanho morava com Quinn. O estudante de música satisfeito soltou do braço de Kurt e o deixou entrar na sala, que teve a porta fechada e o estudante logo correu para sentar com Chandler, que acenava com um lugar vago ao seu lado.

Imediatamente foram passando a matéria atrasada e Kurt logo se adiantou. Um sorriso estranho tomou conta de seus lábios a manhã inteira e Chandler desconfiava do porquê. Queria se sentir feliz também, mas sabia que, eventualmente, Blaine quebraria o coração de Kurt. Queria poder intervir, conversar com o irmão de que Kurt era um cara diferente, que, se o castanho não tivesse tão na do moreno, tentaria ele mesmo alguma coisa com o amigo. Suspirou e ignorou seus pensamentos. Se Blaine quebrasse seu coração, Chandler estaria ali para ajudá­-lo, do mesmo jeito que fez com todos seus outros amigos que Blaine machucava.

E ainda se diziam irmãos. Tsc. Tsc.

Era intervalo e como todos os outros, Kurt correu até a biblioteca para sua reunião com as amigas maléficas de NYU. Tina e Quinn conversavam animadas e só pararam ao ver que o castanho havia chegado no local. A loira encarou o primo com os olhos raivosos assim que ouviu o que o primo tinha a dizer.

— Você aceitou sair com ele? Você ficou completamente louco? E Neil?

— Blaine foi mais esperto e descobriu que era um namoro falso. E­ eu aceitei porque não sabia o que fazer, ele estava me cercando e você sabe como eu fico quando sou submetido à pressão. ­- Tina revirou os olhos.

— Tudo bem. ­- A asiática finalmente interviu. -­ Isso pode ser até bom. Blaine no primeiro encontro me levou para um restaurante romântico, no lado oeste da cidade. É o único que dá pra ver o poente do sol. É romântico, é tudo que alguém precisa pra se apaixonar. Ouvi dizer que ele também levou Bethany, Chloe e Richard pra lá. Não deve fazer diferente com Kurt.

— Isso nos dá uma vantagem. ­- Quinn sorriu e abriu seu macbook, procurando esse tal restaurante em um site de buscas conhecido. As fotos realmente eram de tirar o fôlego de qualquer um. -­ Quando é esse encontro exatamente? — Perguntou sem tirar os olhos da tela.

— Quinta-­feira. Ele queria me buscar, mas pensei que talvez ele soubesse onde você morava... Falei que eu o buscaria. — Disse mais tranquilo por não ter levado uma bronca tão grande da prima. O plano estava cansando Kurt e ele mal podia esperar pra que tudo isso acabasse definitivamente.

— Bom, assim você já descobre onde é a casa dele.

— Na verdade, eu já sei.

— O quê?! ­- As duas meninas perguntaram perplexas ao mesmo tempo. Após conversarem com dezenas de meninas envolvidas pelo Anderson, chegaram à uma conclusão que ele sempre as levava para um hotel e dava a desculpa que seus pais não haviam achado uma casa ainda. Blaine nunca havia mostrado sua casa para nenhum de seus affairs.

— Aquele dia, q­-quando saímos juntos, acabamos indo para a casa dele e... Você sabe. -­ Kurt coçava a nuca e tentava fazer Quinn não ficar tão abalada ao se lembrar que tiveram um breve caso enquanto eles ainda namoravam.

— Ele te levou pra casa dele no primeiro encontro? ­- Quinn perguntou mais uma vez para se certificar. Kurt assentiu lentamente, fazendo a loira pensar mais um pouco, sobre como Blaine agia e porque ele havia feito aquilo.

— Quinn, isso é bom, na verdade, é ótimo. ­- Tina colocou a mão sobre o ombro da amiga. -­ Kurt conseguiu chegar no ponto certo de Blaine antes mesmo de tentarmos. Seu primo é um gênio! Isso vai ser muito mais fácil do que esperávamos. — Quinn não disse nada, apenas assentiu com um sorriso falso. O primo soube na hora que ela estava magoada, porque por mais que Blaine fosse aquele canalha cafajeste, era por Blaine que a loira havia se apaixonado. Blaine foi seu primeiro amor novaiorquino e realmente era uma droga saber que tudo que havia vivido fora uma mentira.

— Quinta­-feira, às duas da tarde. ­- Tina encarou Kurt. ­- Eu e Quinn estaremos na mesa mais afastada do restaurante. Tente arrancar segredos íntimos de Blaine, tente fazê-lo confiar em você. Quanto mais apaixonado ele estiver, melhor será para quebrar seu coração. ­- Disse a asiática com um sorriso maldoso no rosto.

— E nem cogite em o beijar, Kurt. ­- Quinn finalmente havia saído do transe em que entrou minutos antes. -­ Se ele vir que você é difícil, vai apenas atiçar sua vontade de te ter. Entendeu? Não seja como você sempre é, fácil.

— Tudo bem. — Suspirou ignorando o que a prima havia dito.

— Ótimo. Tina e eu iremos falar com as vítimas de Blaine novamente, tentar achar mais algum detalhe que talvez pudéssemos ter perdido. Quero a faculdade inteira rindo da cara desse moleque. -­ Disse com os olhos vagos, fazendo o primo se assustar por alguns segundos.

[...]

— Blaine, cara, desiste. ­- Puck apoiou sua cerveja no balcão e encarou o amigo que estava do outro lado enchendo um copo de chopp. O mais forte adorava ser melhor amigo do filho do dono do bar, o que significava bebida grátis para toda eternidade. -­ Eu acredito, ele é o tal Kevin e podemos colocar aquele ponto na sua lista. Agora desencana e vai pra outra.

— Não, você ainda não acredita. -­ Blaine deu a volta, sentando no banco alto ao lado do amigo. ­- Vou ter Kurt mais uma vez, e aí sim podemos colocá-­lo no meu lado da lista. É questão de honra.

— Você tem certeza?

— Sim, não vou perder pra você! -­ Deu um gole em sua cerveja.

— Eu estava perguntando se você tem certeza que quer fazer isso. Nas últimas semanas eu não vi você investindo em mais ninguém, seja garoto ou garota, Blaine. Tudo que você fala ou faz é em favor desse tal Kurt.

— Você não está insinuando que eu esteja me apaixonando, está? ­- Blaine perguntou com desdém e recebeu apenas uma careta do Puckerman. -­ Gosh, Puck. Você está na minha frente com alguns nomes apenas.

— Quatro nomes. ­- O interrompeu.

— Que seja. Só estou fazendo as coisas saírem certas. Depois desse almoço volto para a ativa e te mostro que, mesmo com essa desvantagem, ainda consigo pegar a liderança fácil fácil! -­ Piscou para o amigo.

— Se você diz. Só não quero ver o meu melhor amigo caindo no erro de se apaixonar por alguém. E além do mais, um alguém que inventou um numero falso e arranjou um ator pra se passar por namorado, apenas pra não sair com você. — Riu da cara de sem graça que Blaine ficou.

— Obrigado pelo conselho, mas eu sei me cuidar.

Chandler estava à algumas mesas do bar do pai fazendo seus trabalhos de faculdade. Como era um pouco depois do meio-­dia, o lugar era considerado uma lanchonete frequentável. Escutava a conversa dos amigos inteira e não poderia acreditar no que estava ouvindo. Uma competição de quem pegava mais "caras" e garotas? Isso era doentio. Sacou o celular, e escondendo de Blaine o máximo que pôde, mandou uma mensagem para Kurt.

.:.

— Quinn, você vai querer ler isso!

Kurt gritou para a amiga que estava no banho. A loira gritou alguma coisa que o primo não entendeu e minutos depois apareceu na sala com uma toalha enrolada no corpo e outra em seus cabelos loiros.

— Espero que seja algo importante para interromper o único momento do dia que tenho para relaxar naquela banheira. ­- Bufou cruzando os braços.

— Único momento do dia? Você fica em casa o dia todo. -­ Kurt gargalhou baixo, finalmente dando o celular para a prima ler a mensagem. ­- Acredite se quiser, essa mensagem veio do irmão de Blaine.

"MENSAGEM DE CHANDLERBom, eu te prometi que não me intrometeria nesse seu 'lance' com o meu irmão, por mais estranho que fosse pra mim, mas eu juro que tentei, Kurtie. Você tem que acreditar em mim agora. Eu te falei que ele não era uma boa pessoa, e aqui vai a prova. Estava aqui fazendo os esboços do nosso desfile quando ouço ele e Puck (um amigo dele, nojento igual o próprio) conversarem sobre uma tal competição. Aparentemente todo ano eles fazem um concurso sobre quem consegue ficar com mais garotas (e garotos), e você está totalmente incluso nesse lance. E­ eu sei que não tenho nada a ver com esse 'relacionamento' que você tem com ele, mas achei que talvez gostasse de saber. Nos vemos amanhã. Xx"

— Isso é doentio. ­- Quinn encarava o celular com as duas sobrancelhas no alto. A mesma não acreditava nessa lista. É claro que conheceu Puck, o famoso melhor amigo de Blaine e... De repente tudo fazia sentido. No primeiro dia de aula ele e seu amigo atacando Quinn e Kayley daquele jeito, como se fossem dois pedaços de carne expostos. Kayley semanas depois aos prantos por Puck nunca ter ligado no dia seguinte... Isso era totalmente uma competição, e a loira ficou ainda mais nervosa com o Anderson do que antes. Seus olhos ficaram marejados, tanto de raiva, como de mágoa. – Quebre o coração dele. ­- Disse em um tom de voz baixo, entregando o celular para Kurt e saindo para seu quarto.

Notas finais
Desculpem a demora! :(