HeartBreaker
6 #06 Todas (e todos) contra Blaine
Notas iniciais
Kurt tentava afastar os pensamentos da prima inocente e ingênua fazendo coisas nada inocentes e ingênuas com Blaine. Kurt também tentava afirmar pra si mesmo que o que estava sentindo era apenas raiva e vontade de proteger a prima, e nem um pingo de ciúmes de Blaine.
Por mais que estivesse odiando o garoto, quando pensava na noite que tiveram juntos suspirava. Mas Kurt não podia... Não podia fazer isso com Quinn e tinha que colocar em seus pensamentos que aquele garoto havia sido um infortúnio na vida de ambos.
– Pelo amor de deus, Quinn! — Sussurrou.
Kurt levantou do sofá e correu até o telefone que ficava ao lado da janela. "Atenda, Quinnie. Atenda!" Não atendia, porém Kurt agora ouvia o número discado chamar, o que poderia ser chamado de progresso já que antes a chamada caía direto na caixa postal e, se agora isso não acontecia mais, significava que Quinn havia ligado o celular.
– Será que ela leu a mensagem? Será que ela leu a mensagem? — Falava alto enquanto rediscava o número da prima com um tanto de força, quase capaz de quebrar o aparelho telefônico.
– Eu li a mensagem. — Disse Quinn na porta, com os olhos vermelhos de provavelmente tanto chorar, com um olhar vago para Kurt, diferente do jeito que ela costumava o olhar. As pernas de Kurt tremeram e ele podia jurar que sua vida teria o ponto baixo ali naquela sala.
[...]
Blaine ainda não entendia porque Quinn agiu daquela maneira após olhar o telefone. Apenas pegou suas roupas e saiu do hotel correndo. Mesmo que isso fosse de alguma forma algo bom, porque o moreno já estava cansado de Quinn, algo o dizia que deveria ficar preocupado com o que havia acontecido.
O mês estava passando e Blaine estava, definitivamente, perdendo. Pegou as chaves do seu carro e sem sequer ir pra casa, seguiu do hotel até alguma balada ali perto, pronto a recuperar seu posto nessa competição. Ligaria para Quinn depois e exigiria uma explicação. Do jeito que a caipira era louca pelo moreno, voltaria engatinhando para si. Bom, isso é o que o Anderson achava.
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– Quinn. — A voz de Kurt havia finalmente saído, porém em um tom desesperado e um tanto humilhante, como quem estivesse em estado terminal e dependesse de seu pior inimigo para continuar sobrevivendo.
A loira estar com os olhos inchados e olhar Kurt de uma maneira diferente não era um bom sinal. Ela voltar pra casa duas horas depois de Kurt ter enviado a mensagem, muito menos. Kurt sabia muito bem o que a loira poderia fazer com Blaine em duas horas, mas seu cérebro simplesmente ignorava a imagem da prima rolando em lençóis com o garoto.
– Por quê? — Ela continuava com um olhar vago para Kurt. Algumas lágrimas se atreveram a cair, mas Quinn nem se importou em limpá-las. — Por que, Kurt? — Repetiu, como se estivesse em modo automático.
– Meu amor, não foi minha culpa! — Kurt correu até a prima e pegou suas mãos, apertando-as como quem quisesse passar algum tipo de emoção por ali. Quinn estava muito pálida. — E-eu não sabia, e... Eu sumi do shopping porque não queria te contar. Eu me senti tão sujo... — Kurt estava prestes a chorar. Não podia perder a prima e a melhor amiga.
– Por que as coisas só acontecem comigo? — Repetiu ainda parada e aquilo estava começando a assustar o castanho. Era como se Quinn estivesse em um estado de transe, ou algo parecido.
– Eu juro que se pudesse voltar no tempo, eu voltaria e mudaria totalmente isso... — Dizia com o coração quebrado ao ver as lágrimas descendo o rosto da prima sem intenção de parar. — Quinn, olhe pra mim quando eu digo: eu nunca estive tão arrependido na minha vida. E, por um lado, isso tudo acontecer foi até bom, não foi? Agora você conhece o verdadeiro Blaine Adams, ou seja lá qual sobrenome ele inventou. — Kurt tentava fazer a amiga não sentir tanta raiva do que estava acontecendo, mas quando Quinn levantou os olhos para finalmente encarar o Hummel, aquela ideia parecia um tanto errada.
De repente, em um ato de surpresa, a loira havia tirado suas mãos das de Kurt e lhe depositara um tapa bem lado no lado esquerdo do rosto. O Hummel sequer falou alguma coisa, sabendo que merecia aquele tapa e muito mais do que viesse a seguir.
– Porquê, porquê, porquê? — Quinn partiu pra cima de Kurt, dando rápidos socos sem seu ombro. Agora a loira chorava desesperadamente. Precisava gritar, precisava bater em alguém para esse nó em sua garganta desaparecer. Kurt ficou apenas quieto, recebendo os socos da prima. Não é como se não doesse, na verdade, Quinn estava batendo bem forte, mas Kurt sentia que deveria receber tudo aquilo como parte de uma punição. — Porquê você fez isso comigo? — Gritava. — Estava tudo bem até você aparecer! — Quinn soluçava durante o ataque.
– Quinn... — Kurt estava quebrado. Segurou os pulsos da prima, que tentou se livrar do primo nos primeiros segundos, mas depois apenas desabou. Abraçou Kurt e enterrou seu rosto na curva de seu pescoço, exatamente como nas outras vezes. Repetiu alguns "porquês" por longos minutos antes de ser ninada por Kurt e acabar dormindo nos braços do mais velho.
O mais novo nova iorquino levou Quinn no colo até seu quarto, a cobriu e depositou um beijo no topo de sua testa. – Descanse, Quinnie Winnie. — E logo depois a porta foi fechada com cuidado.
[...]
– Então ela simplesmente pegou as roupas e foi embora? — Puck
perguntou gargalhando. — Por que essas coisas só acontecem com você?
Blaine deu de ombros e tomou um longo gole de sua cerveja. O bar não estava lotado para uma noite calma como essas, então Blaine convidou Puck para tomar alguns drinks pois sabia que o moreno não seria assediado pelos homens que frequentavam a boate do pai.
– Então se a virgem puritana continua virgem e vocês não consumaram o amor de vocês... Ela está livre pra se divertir com o Puckzilla aqui?
– Fique a vontade, mas acho que se ela não abriu as pernas pra mim, irá muito menos com você. — Blaine tomou mais um gole do seu líquido amargo. — Sabe o que foi mais estranho? — Puck fez um som para o moreno continuar, já que estava dando atenção demais ao seu copo de uísque para perguntar com palavras. — Estávamos prestes a começar alguma coisa quando o telefone dela anunciou uma mensagem e ela insistiu em ler porque poderia ser algo importante. Foi então que ela ficou com os olhos cheios de lágrima, me bateu e foi embora... Rápido e sem explicação. — Dizia Blaine.
– Então quer dizer que além de não ganhar nenhum prêmio da loirinha você ainda apanhou? Que comédia, cara. — Puck só não ria mais alto para não chamar a atenção de todos do bar, mas estava se rachando de rir.
– O que poderia ter naquela mensagem que fez fazer isso? — Se perguntava.
– Não sei, talvez um ex-namorado que a queria de volta, ou alguém contando sua verdadeira histórias... Ou talvez a virgem Maria insistindo pra ela se afastar de você e só ter relações sexuais depois do casamento... — Puck tinha lágrimas nos olhos de tanto rir.
– Você não presta.
– E mesmo assim você ainda tenta arranjar um jeito de entrar nessas calças apertadas aqui. — Puck sorriu com um enorme sorriso amarelo.
Blaine jogou um olhar de reprovação para Puck que apenas continuou gargalhando e tirando sarro do mais novo. Afinal, é isso que melhores amigos fazem de melhor, não é?
[...]
Kurt tinha seus óculos de grau colocados e um notebook com uma pilha de janelas abertas. Precisava preencher a papelada da transferência da faculdade, precisava terminar o esboço dos vestidos que estava desenhando, precisava assistir o último episódio de sua série favorita e precisava colocar suas fanfics em dia, mas não tinha um pingo de vontade pra nada disso. Olhava para a tela mas sua cabeça estava longe, confusa.
Tomou mais um gole do café que estava o mantendo acordado desde a noite anterior. Sim, já havia amanhecido e Kurt não tinha conseguido pregar os olhos nem por alguns segundos. Suspirou firme e começou a digitar em seu notebook. Resolveu atualizar sua fanfic primeiro, afinal, os fãs de Downton Abbey não podia esperar para saber o que havia acontecido com Sybil após o sequestro feito por, ninguém mais ninguém menos que Samantha, e também precisava achar algum lugar onde pudesse despejar todo o drama que estava sentindo no momento. Suspirando, seus dedos deslizaram pelas teclas.
– Eu não acredito que você ainda escreve essas coisas!
Kurt se virou e viu Quinn Fabray atrás de si mesmo com um pequeno e torto sorriso. Quinn deu a volta no balcão e pegou uma xícara de café pra si e encarou o primo, esperando uma breve conversação.
– Não é como se eu fosse um Julian Fellowes, mas tenho alguns fãs consideráveis pelas minhas escritas. — Kurt tirou um sorriso bobo de Quinn, não sabendo ao certo se aquilo era um bom sinal. — Você está bem?
– Tão bem como alguém que acabou de ser atropelada por um caminhão, mas estou tentando me acostumar com o choque. — Tomou um gole do café puro, ignorando o líquido quente rasgar sua garganta. — Fiquei alguns minutos na cama tentando processar tudo que havia acontecido, e porque aconteceu comigo.
– Quinn, eu... — Antes que pudesse formular o frase, Kurt havia sido interrompido pela prima que parecia tranquila agora.
– Sim, eu sei. Você não teve culpa nenhuma, mas é que eu precisava culpar alguém! Eu precisava jogar a culpa em alguém porque senão iria acabar caindo tudo sobre mim e eu não sei se aguentaria. — Quinn deu de ombros com o sensacionalismo barato que parecia a colocar uma trama de novela mexicana onde ela e o primo brigariam pelo homem amado. — E eu não conseguia olhar para Blaine sem ter vontade de matá-lo, então fugi por algumas horas. Não sabia se conseguia olhar pra você, por isso não atendi suas ligações.
Kurt não sabia o que falar ou o que pensar. Isso era um "eu te perdoo" disfarçado, ou Quinn estava apenas aproveitando alguns segundos antes de expulsar o primo de seu apartamento e odiá-lo pra sempre?
– Então você me perdoa? — Arriscou.
– Não é como se eu fosse te odiar pra sempre... — Forçou um sorriso no canto da boca. — Não estou dizendo que estou bem com o que aconteceu, mas sinto que do dia anterior até agora amadureci uns quinze anos.
– Você... Vocês fizeram algo...? — Kurt pareceu receoso de perguntar.
– O quê? Não... Não. Eu estava prestes a, quando vi que tinha uma mensagem sua, e você é tão dramático que achei melhor ler, caso você fosse se jogar de um prédio ou coisa parecida. — Dizia entre os goles de café.
– Você contou pra ele?
Quinn engoliu seu café demoradamente, negando com a cabeça. – Não, eu não consegui. Se eu fosse falar alguma coisa acabaria chorando desesperadamente e ele conseguiria me dobrar, e eu provavelmente acordaria arrependida de alguma coisa que eu havia feito na noite anterior.
Kurt pegou a mão de Quinn que estava no balcão, então surpreendentemente um sorriso brotou no rosto da loira, que continuou: — E também, depois de reler sua mensagem umas duas vezes, meu cérebro começou a criar um plano infalível... — Quinn gargalhou baixinho.
– Sério, Quinn? Até nos piores momentos?
Kurt se referiu à mania de Quinn de querer viver em uma história com final feliz. Como por exemplo a vez que Quinn descobriu que os pais de seu namorado haviam se cumprimentado educadamente e a loira acabou cismando que eles ainda se amavam e deu uma de Operação Cupido, com direito a trancar os dois em um elevador e tudo mais. No fim, os dois acabaram voltando, mas o mérito foi somente ao Sr. Hannigan que pediu desculpa pelas coisas horrorosas que havia feito com a mulher.
– Fazer o quê se eu nasci para isso? — Deu de ombros, gargalhando.
Kurt fechou seu notebook e encarou Quinn.
– Desembucha.
– Você me contou que para Blaine você é apenas Kevin, certo? — Kurt assentiu com a cabeça, com medo do que viria pela frente. — Então, alguns dias atrás, antes de você chegar em Nova Iorque e eu estava perdida em um tédio mortal nesse apartamento, eu estava assistindo esse filme na sessão da tarde que contava a história de três meninas que tiveram seu coração partido pelo mesmo cara e resolveram "criar a namorada perfeita" pra ele. Combinaram com uma menina de gostar das mesmas coisas que ele, frequentar os mesmos lugares, só para ele se apaixonar por ela, e quando ele se apaixonasse, iria ser publicamente humilhado.
– Isso soa bastante como aquele filme... Como é o nome? Todas contra John. — Kurt buscava em sua memória.
– De qualquer jeito... — Quinn limpou a garganta. — Eu poderia me juntar com algumas meninas que Blaine quebrou o coração e você poderia fazer o papel da garota que faz Blaine se apaixonar e depois quebra seu coração. — Quinn tinha um sorriso enorme, enquanto Kurt tinha as sobrancelhas levantadas.
– Deixe-me ver se eu entendi bem... — Riu sem graça. — Você quer que eu faça Blaine se apaixonar por mim, mostrar seus pontos fracos e tudo mais, e depois mostre para a faculdade inteira que ele é um canalha? — Quinn assentiu a cabeça rapidamente, com um sorriso enorme. — Isso é doentio, Quinnie. Você deveria ir à um psicologo ou algo.
– Eu estou falando sério, Kurt! — Cruzou os braços no maior estilo Quinn Fabray de conseguir as coisas. — Você transou com o meu namorado! É a melhor coisa que você possa fazer pra se desculpar.
– Resolveu me culpar novamente, é? — Kurt gargalhou. — Se eu aceitar isso, e eu digo com um grande se. Onde você vai achar outras pessoas que Blaine machucou?
– A faculdade está cheia delas. Lembro-me do dia que conheci Blaine e uma menina veio me alertar para ficar longe daquele desgraçado... Se arrependimento matasse... Mas o assunto não é esse. Se eu achar mais duas meninas que tiveram o coração partido por Blaine, você aceita?
– Quinnie... — Alertou Kurt, embora sua vontade fosse mesmo quebrar o coração de Blaine e vê-lo pagar por todas as coisas ruins que fez para a prima.
– Por favor... — Se ajoelhou na frente de Kurt. — Por favorzinho? — Deu seu melhor sorriso, sabendo que nem mesmo o primo poderia resistir.
– Ok, ok... — Desistiu. — Agora levanta e tira esse olhar de cachorro abandonado da cara que eu sei que você não é tão santa assim! — Ambos gargalharam.
– Vamos começar? — Quinn lançou um olhar amedrontador para Kurt, que ainda tentava entender como a loira havia pulado tão rápido da fase "coração partido" para a fase "ex-namorada louca por vingança".
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