HeartBreaker
7 # 07 Você vai me ouvir rugir
Notas iniciais
O final de semana passou tão rápido como os relacionamentos de Blaine. Quinn passou os dias incansavelmente procurando pela asiática que havia conhecido em seu primeiro dia de faculdade, talvez ela soubesse alguma coisa para destruir Blaine.
Kurt ainda não tinha certeza se o plano da prima daria certo, mas havia dormido com o namorado da loira e devia alguma coisa a ela. Aquele final de semana para o castanho passou demasiadamente lento. Conseguiu atualizar suas fanfics de The Downton Abbey (estava orgulhosíssimo por elas, aliás), conseguiu colocar em dia aquela nova série que havia começado mês passado e ainda conseguiu dar andamento em uns projetos da faculdade de moda.
– É isso então. — Quinn fechou a tela de seu macbook assustando Kurt um pouco. — Amanhã iremos cedo para a universidade e já adiantaremos sua matrícula. Teremos que dar um jeito te de encaixar na sala 206, porque fica bem na frente da sala de música.
– Blaine faz música? — Perguntou interessado até demais.
– Sim, mas isso não vem ao caso agora. Marquei um encontro durante o intervalo com Valentina, ela faz medicina veterinária e é a tal asiática que eu te contei. Talvez ela saiba de mais alguém que teve o coração quebrado por Blaine. — Falou com um sorriso vitorioso no rosto.
– Quinn... — Alertou o castanho. Talvez aquilo não desse certo.
A loira deu de ombros e alcançou seu telefone, discando para Valentina para conversar sobre alguns fatos sobre Blaine. Kurt suspirou e continuou a dedilhar as teclas de seu notebook, terminando algumas anotações sobre as roupas das famosas no Oscar.
Segunda-feira chegou rápido para Quinn. Assim que a loira sonolenta passou pelo corredor e chegou à sala, sentiu um cheiro de café desconhecido naquele apartamento. Era perto da seis da manhã quando começaram a se arrumar para a faculdade. Quinn, sem se importar muito, colocou um moletom cinza com um desenho do mickey e uma calça jeans colada. Já Kurt vestiu uma calça preta estampada com pequenas zebras, uma camisa branca e um blazer preto por cima, não esquecendo-se de um broche de tesoura dourado bem ao lado da lapela. Alguns quilos de laquê em seu cabelo, alguns potes de hidratante e protetor solar para encerrar.
– Meu deus, Hummel. — A Fabray se assustou ao ver Kurt tão arrumado passando pelo corredor. — Estamos indo à fashion week, por acaso?
– Pelo jeito que está vestida, acho que estamos indo adotar alguma criança de um lixão. — Brincou o primo apontando para as roupas da loira.
– São seis e quarenta da manhã. Seis. E. Quarenta. — Deixou bem claro, caindo na gargalhada. Realmente Quinn não era uma pessoa das manhãs.
Os primos fecharam o apartamento e caminharam até o metrô e com alguns minutos de viagem chegaram à faculdade antes que a maioria dos alunos. Com a reitoria havia dado tudo certo. A transferência de Lima viera com uma nota do diretor complementando a ficha de Kurt, elogiando-o como o melhor aluno da sala. Ninguém ali precisava saber que o diretor da faculdade de Lima era da família de Kurt, certo?
– Te vejo no intervalo? — Perguntou Quinn ainda na secretaria com Kurt, tendo o castanho um mapa do campus em mãos e alguns papeis que deveria entregar para seu professor.
– Sim. Ainda estou me acostumando no campus, mas espero que sim...
A loira deu um beijo estalado na bochecha do castanho e saiu arrastando sua mochila pelos corredores. Era incrível que Quinn mesmo vestindo roupas de abrigo conseguia ser incrivelmente linda, com aqueles cabelos loiros na altura do ombro balançando conforme andava
Kurt colocou sua mala no ombro e caminhou até o bloco D, onde teria aula. Seus olhos brilhavam e podia deduzir de longe quem faria moda e quem faria outro curso só pela roupa que vestiam.
– Você está maravilhoso. — Um jovem loiro acompanhou Kurt na caminhada, apontando para suas roupas assim que o castanho percebeu.
– Obrigado. — Disse empolgado. — Você também está maravilhoso.
– Sou Chandler. — Sorriu. — Você deve ser novo aqui.
– Sou Kurt, vim de Lima. — Assentiu. — É tão fácil assim distinguir quem faz design de moda e quem não faz? — Perguntou sem se importar muito.
– Nesse bloco nem tanto, mas se no intervalo você estiver livre eu posso te mostrar o bloco A. Lá fica os estudantes de Direito e de Engenharia... Eles estudam tanto que são praticamente zumbis nessa faculdade. — Chandler gargalhou e Kurt apenas apreciou a risada do menino com sotaque britânico.
– Em que sala você está? — Perguntou o castanho atrapalhado com os papeis em sua mão, desejando rapidamente que o novo amigo pudesse estar na mesma classe que si.
– 206.
Kurt abriu um largo sorriso e Chandler entendeu, assentindo para a escada que os levariam para o segundo andar do edifício do bloco D. O engraçado é que Kurt não pensou que se encaixaria tão bem nessa faculdade
como na de Lima, mas estava enganado. Nova Iorque era seu lugar.
[...]
– Qual agora? — Perguntou Joey animado.
Blaine estava sentado em cima da mesa do professor com o violão escuro no colo. Em volta da mesa havia uns cinco estudantes de música. Ambos participavam da maratona de aquecimento antes da aula começar.
– Nem precisa falar. Já sei uma que vocês adoram. — Blaine dizia com um sorriso lindo e com a palheta em mãos começou a tocar as cordas do violão. Assim que ouviram o instrumental os alunos deram um breve grito em animação, esperando para cantarem também.
I used to bite my tongue and hold my breath
Scare to rock the boat and make a mess
So I sat quietly, agreed politely
Kurt terminou de subir os lances de escada e enxergou no fim de um corredor longo os números de sua sala. O corredor antes silencioso era preenchido com uma linda canção, uma das preferidas de Kurt atualmente.
– I guess that I forgot I had a choise, I let you push me past the breaking point... — Kurt cantarolava baixinho, como se sua voz não pudesse sair, apenas acompanhando o ritmo da música.
– Que bom, você gosta de Katy Perry. É a única coisa que você vai ouvir por aqui pelas manhãs. — Kurt olhou curioso para Chandler, que tentou se explicar. — É que a sala de música fica ao lado da nossa, e eles todos os dias chegam horas antes da aula começar para aquecer a voz. E parece que só conhecem a música de um cantor...
– Katy Perry. — Completou Kurt sorrindo e Chandler assentiu.
– Sinta-se livre para cantar, se quiser. Os corredores do nosso bloco são conhecidos por show inesperados. Quem sabe você até consegue uma vaga no curso de música se tiver melodia. — Gargalharam baixo e continuaram caminhando corredor abaixo. Conforme a música ficava mais alta, Kurt tinha a necessidade de cantá-la ainda mais.
You held me down, but I got up
Already brushing off the dust
Your hear my voice, your hear that sound
Like thunder, gonna shake your ground
You held me down, but I got up
Get ready cause I've had enough
I see it all, I see it now
I got the eye of the tiger, a fighter, dancing through the fire
'Cause I am a champion and you're gonna hear me roar
Louder, louder than a lion
Cause I am a champion and you're gonna hear me roar
Oh oh oh oh oh oh oh
You're gonna hear me roar
Todos os estudantes de música escutaram uma voz vinda do corredor, uma voz desconhecida apesar de linda. Nenhum estudante de música na NYU havia conseguido ser um contra tenor até hoje, pelo menos não um digno de respeito. Blaine levantou as sobrancelhas confuso e, ainda tocando a música,
caminhou até a porta.
Now I'm floating like a butterfly
Stinging like a bee I earned my stripes
I went from zero, to my own hero
You held me down, but I got up
Already brushing off the dust
You hear my voice, you hear that sound
Like thunder, gonna shake your ground
You held me down, but I got up
Get ready 'cause I've had enough
I see it all, I see it now
I got the eye of the tiger, a fighter, dancing through the fire
'cause I am a champion and you're gonna hear me roar
Louder, louder than a lion
'cause I am a champion and you're gonna hear me roar
Blaine ainda não conseguia enxergar quem era o contra tenor que cantava baixinho junto com ele porque o corredor estava lotado de pessoas tentando chegar à suas salas, mas sentia que já havia ouvido aquela voz em algum lugar.
Oh oh oh oh oh oh oh
You're gonna hear me roar
Logo os alunos que pertenciam àquele corredor entravam em suas salas e algumas pessoas apenas ficaram no corredor. Os olhos de Blaine passaram por Chandler, o representante de sala do curso ao lado de seu, cantando com um amigo, e esse amigo fez um sorriso brotar nos lábios de Blaine.
Oh oh oh oh oh oh oh
You hear me roar
Roar-or, roar-or, roar-or
You're gonna hear me roar
Os olhos de Kurt se encontraram com os de Blaine e tudo que o castanho queria fazer era achar um lugar para se esconder. O músico o olhava fixamente e em seu rosto havia estampado um pequeno... sorriso? Kurt havia chegado à porta de sua sala, que, como Quinn havia dito, era ao lado da sala de música.
– Bom dia, Blaine. — Disse Chandler destrancando a sala 206. Uma vez como representante de sala, o loiro tinha a chave e a chamada, fazendo da vida do professor algo muito mais fácil.
– B-bom dia, Chand. — Cumprimentou sem ainda tirar os olhos de Kurt.
O castanho, como um bom seguidor do plano de Quinn, fez o que a loira pediu. Encarou Blaine como se não lembrasse do moreno, sorriu fraco como um sorriso para um desconhecido e entrou em sua sala, torcendo os punhos de nervosismo e ansiedade. Blaine conseguia ficar mais lindo que aquele dia na boate vestindo apenas uma calça jeans e um moletom da faculdade.
– Blaine? — Cameron deu uns tapinhas nas costas do amigo. — O professor já chegou.
– S-sim. — Disse tirando o olhar da porta da sala de moda se fechando e chacoalhando a cabeça um pouco. — Muito bom, pessoal. ROAR! — Gritou Blaine e todos aplaudiram a performance; mas o moreno ainda pensava em Kevin e se era realmente Kevin o rapaz que havia visto entrar na sala ao lado.
.:.
– Quero saber como está o andamento do trabalho de fim de semestre de vocês. Irei preparar um intensivo de aulas para colocarmos tudo em dia para o grande evento. — Dizia uma velha senhora, palestrante na aula de Kurt.
– Que grande evento? — Sussurrou para Chandler.
– É o trabalho que recebemos todo fim de semestre. Cada grupo ganha uma estação e temos que desenhar roupas e fazer um pequeno desfile. Vale dois terços de nossa nota do semestre. — Respondeu no mesmo tom. — Você pode se juntar a nós, mas devo lhe avisar que não temos nenhuma peça pronta ainda.
– Claro. — Sussurrava tentando não chamar atenção da mulher na frente da sala. — Qual é a estação de vocês?
– Inverno chique.
Kurt sorriu e continuou prestando atenção na palestra. Bom, na verdade ele queria estar prestando atenção na palestra, mas em sua mente vinham apenas ideias de roupas e acessórios que faria desse desfile o melhor de todos.
Uma hora e meia com a velha mulher repetindo as mesmas coisas de sempre se passaram e o intervalo foi anunciado. Kurt e Chandler saíram da sala animados e conversando sobre xadrez e lã, que, segundo as revistas, estavam voltando com tudo para esse inverno.
Blaine observou Kurt descer as escadas animado e tentou seguir o jovem, mas logo o corredor ficou lotado e o Anderson perdeu Kevin de vista.
– Você tem planos para o intervalo ou quer mesmo me acompanhar até o outro bloco para fazermos anotações sobre as roupas dos estudantes de direito e relações internacionais? — Perguntou o loiro animado.
– Puxa. Hoje não vai dar... Combinei com minha prima de passarmos esse intervalo juntos, sabe como é? É meu primeiro dia, ainda teremos cento e noventa e nove para julgarmos as pessoas, certo?
– Certo. — Tentou não parecer tão chateado. — Mas não se atrase para voltar à aula. A sra. Dhog não gosta de atrasos. — Kurt assentiu e correu em direção à biblioteca, onde havia prometido encontrar Quinn.
– Pensei que você havia se perdido no meio de tanta gente. — Disse Quinn já impaciente com a demora do primo. Kurt estava ofegante e se soubesse que a biblioteca ficava do outro lado do campus não iria correndo e não correria o risco de suar sua roupa nova.
– OK... — Colocou as mãos nos joelhos para respirar mais calmamente. — O-onde iremos nos sentar? — Disse recuperando o fôlego.
Quinn sorriu e puxou Kurt pelas mãos, quase arrancando o braço do primo com tanta força. Caminharam até os fundos da biblioteca — que era enorme, por sinal — em um canto escuro que parecia que ninguém ia ali. Um sinal disso era a poeira nas cadeiras onde Kurt recusou sentar-se.
– Senta logo. — Quinn o empurrou, fazendo Kurt sentar. O olhar do castanho foi de desespero ao pensar no tecido de sua calça em contato com tanto pó.
– Kurt, Valentina. — Apresentou a asiática que vestia um vestido de formas geométricas, que Kurt poderia rasgar ali na hora de tão horrendo que era. — Valentina, Kurt.
– Oi. — Disse o castanho com receio.
– Podem me chamar de Tina. — Sorriu sem graça. — Bom, quando iremos introduzir o seu primo para Blaine? Quero ver aquele músico de quinta com a reputação mais baixa que suas notas. — Resmungou vingativa.
– Na verdade, Blaine já me viu hoje... — Kurt falou com um pé atrás, arrependido do que fez assim que Quinn pulou em cima de Kurt, literalmente, a cadeira só não foi para o chão por um milagre. – Onde? Como? O que aconteceu? Vocês conversaram? Ele estava lindo como sempre? — Perguntou
correndo, até receber olhares de represália vindos de Kurt e Tina. A loira se recompôs e sentou-se na cadeira ao lado do primo e da asiática.
– Como vocês combinaram, minha sala é a do lado da dele...- Limpou
a garganta e continuou. — Eu estava conversando com um colega de turma quando ouvi Blaine cantando em sua sala. Quando cheguei à porta da minha sala lá estava ele, me olhando. Apenas sorri sem graça e entrei... Não o vi desde então.
– Você fez o que sugeri? De fingir que não o conhecia? — Kurt assentiu para a prima. — Ótimo. Ele tem que pensar que o sexo de vocês não foi nada pra você, que foi apenas mais um diante de todos. — Tramava.
– Mas foi. — Kurt mentiu.
– Claro. — Debochou Tina. — Sabemos o quão maravilhoso pode ser o sexo com Blaine, então não venha tentar me enganar sobre como não significou nada, por favor.
– Vocês transaram?! — Perguntou Quinn incrédula.
– Isso não vem ao caso agora. — Tina desconversou e Quinn continuou olhando para a asiática com os olhos arregalados e a boca aberta. — Kurt, você disse de um colega de turma. Você já é amigo de alguém?
– Bom, tem esse cara... Chandler. Ele é legal.
– Ótimo. Quero que você trate-o como se fosse seu namorado.
– O quê?! — Perguntou um pouco alto, fazendo todos da biblioteca procurarem de onde vinha aquele som. Felizmente a mesa onde estavam sentados era atrás de um labirinto de livros de psicologia avançada, ou seja, livros que ninguém lia. — O quê? — Corrigiu o tom de voz.
– Blaine tem que pensar que ele é seu. Se eu o conheço bem, ele vai adorar a concorrência e vai se dedicar ainda mais pra te ter. — Respondeu.
– Vocês estão ficando loucas com esse plano. — Suspirou finalmente falando o que sempre quisera desde o começo dessa ideia maluca. — Eu não quero estragar a primeira amizade que fiz na faculdade, e acho que esse plano todo de fazer Blaine sofrer é um grande erro. — Assumiu.
– Kurt, você disse que faria qualquer coisa pra se desculpar comigo por ter dormido com o meu namorado, e agora está com medo? Você tem que decidir quem quer decepcionar, se é Blaine ou se sou eu. — Disse Quinn séria.
– Eu escolho Blaine. — Kurt disse tentando manter um tom de voz firme, mas no fundo estava querendo desistir de tudo aquilo. Desde quando a prima havia virado aquela víbora? Sabia que aquele plano não daria certo, sabia que não vivia em um filme e que aquela ideia era infantil o suficiente.
– Ótimo. — A loira sorriu, sentando no colo de Kurt e lhe dando um beijo estalado na bochecha. — Você fez a escolha certa.
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