HeartBreaker
4 #04 A primeira desilusão de NYC
Abriu seus olhos em um lugar diferente, sentiu o cheiro em volta e soube que precisava sair dali o mais rápido possível.
[...]
Quinn acordou no domingo com uma preguiça percorrendo seu corpo e se pudesse não levantaria daquela cama pelas próximas duas décadas. O ar estava frio e Quinn torcia pra que olhasse na janela e visse neve nova iorquina pela primeira vez. A loira tinha curiosidade em saber se os flocos seriam diferente dos de Lima.
Pegou suas pantufas e se arrastou até a janela ficando frustrada por encontrar um sol fraco no topo do céu. Sequer pensou em arrumar a cama ou tomar um banho, se jogando no sofá e ligando a televisão em algum desenho que passava. Arrumaria a casa depois, ela precisava de um tempo sozinha para acordar.
Ouviu algumas batidas na porta que tiraram a atenção da animação que passava na televisão, porém as ignorou, pensando que talvez assim a pessoa fosse embora e a loira não precisaria se levantar e ir até lá. Alguns segundos depois a batida continuava e Quinn se levantou com raiva, pensando no esporro que daria em quem a incomodava às... Olhou para o relógio e soltou um sorriso. Às 11:49 da madrugada.
"Por favor, que seja alguma coisa importante, que valha a pena ter levantado do sofá... Por favor..." repetia Quinn para si mesma assim que destrancava a porta sem sequer olhar no olho mágico.
A porta se abriu e a reação da loira mudou totalmente. Um sorriso apareceu em seus lábios e em segundos estava jogada nos braços da pessoa, abraçando-a com todas as forças que tinha. Sua mente precisava de alguns segundos para acreditar no que estava vendo.
– Eu pensei que nunca mais iria te ver. — O som de sua voz saiu abafada pressionada contra o pescoço do primo, que tinha um sorriso com a reação da prima.
– Você está me sufocando... — Kurt gargalhou.
A loira entre sorrisos se desvencilhou do familiar e agora o convidava para entrar. Nunca iria admitir para a prima que seu sonho era estar em Nova Iorque, por mais que houvessem conversado sobre essa cidade desde que a descobriram no mapa, praticamente. Deu uma olhada no local e por incrível que pareça, se sentiu em casa.
– Isso cheira pior que Lima, Quinn. — Kurt gargalhou e a loira franziu o nariz. O castanho terminou de observar tudo e se sentou no sofá qual a loira estava jogada antes.
– Pensei que você demoraria pra vir. Por que veio tão rápido?
– Precisava provar um pouco dos homens nova-iorquinos. — Sorriu com a confusão no rosto da prima. — E ver qual será meu quarto. Afinal, não havíamos conversado sobre eu morar aqui?
Os olhos da loira se encheram de brilho e felicidade. O sorriso que ficava em seu rosto podia iluminar a cidade inteira.
– Então quer dizer que...? — Kurt assentiu e a loira socou o ar em alegria. Kurt era o melhor amigo de Quinn, longe de qualquer outra pessoa. A pequena diferença de idade entre os dois apenas aumentava essa amizade.
Isso se estendia desde quando eram crianças. Kurt nunca foi do tipo de meninos que brincava com carrinhos e power rangers, então saía com Quinn para aventurar a rua onde cresceram em Lima. E a partir de hoje, se aventurariam em Nova Iorque.
– Bom, isso é maravilhoso. — Ainda tinha um sorriso nos lábios doces. — Amanhã mesmo vamos falar com o reitor de NYU para você continuar seu curso de moda aqui! Mas antes disso, temos que sair. Ouvi falar de algumas boates que não fecham, dessas que você gosta, então poderíamos ir lá hoje a noite pra comemorar e "te introduzir ao mundo nova iorquino"... — A loira sequer parava para respirar.
– Quinn, calma. — Puxou a prima para o sofá. — Eu cheguei anteontem e já não sou mais um virgem da cidade. Podemos comemorar de um jeito mais tranquilo se quiser... — Antes que pudesse continuar, fora interrompido.
– Você já saiu? Perguntou orgulhosa, recebendo um abraço do primo para fazer um sorriso surgir naquele rosto que tinha uma confusão.
– Já, e já conheci os homens nova iorquinos também. Isso significa que hoje eu sou todo seu! Que tal um passeio no shopping? Tô vendo que esse apartamento precisa de uma decoração se você quer que eu more por aqui...
– Não tem nenhum problema com a decoração atual. — Cruzou os braços.
– Quinnie... Duas coisas pra você: cortinas de bolinhas com tapete persa. Em que mundo eles combinam? — A loira gargalhou e o primo continuou. — Se eu vou começar uma vida nova em Nova Iorque, eu pretendo começar do zero.
– Tudo bem. Quem sabe eu ligo pro Blaine encontrar a gente lá para almoçar, que tal? Vai ser legal porque eu posso te apresentar ele. A gente tá meio que namorando já, e se você o aprovasse seria muito bom.
Blaine.
Aquele nome trouxe arrepios no estômago de Kurt. Se lembrou da noite que teve com Blaine Adams e se veria ele novamente, e imaginou se o tal Blaine Theodore, também conhecido como príncipe encantando de Quinn, seria um pouco parecido com o seu amante selvagem, ou se o faria lembrar do garoto misterioso.
Suspirou.
– Algum problema? — Continuou a loira e Kurt apenas negou com a cabeça, empurrando a amiga até o quarto com a função de escolher alguma roupa apresentável para a prima, que até agora vestia pijamas com gatinhos estampados.
[...]
Blaine acordou com seu braço dormente e pescoço travado, muito desconfortável com o couro do sofá preso em sua pele. O sol encontrava com seu rosto pela janela da sala e Blaine poderia jurar que aquela era a pior ressaca que o garoto havia há anos.
– Buenos dias, Señor Anderson. — Disse Rosa, a empregada latina.
– Bom dia, eu acho. — Levou a mão até a testa tentando impedir o efeito da ressaca sobre si. Aparentava ter tomado dois caminhões pipa de uísque.
– Ponha alguma roupa, Señor. Soy una mujer con principios. Seu irmão e seu pai chegam daqui a algumas horas, não acho que seria apropriado encontrá-los assim. — Disse a empregada jogando uma calça jeans e uma camiseta no braço do sofá sem sequer olhar para o patrão, que ainda não tinha lembranças do que tinha acontecido noite passada.
– Kevin.
Se relembrou sorrindo. Blaine pegou sua roupa e correu até o chuveiro se lavar, e acabou demorando um pouco mais por lá se lembrando vagamente da noite anterior. A água caía sobre seu corpo lavando toda a lembrança da noite suja com o garoto. Ouviu seu celular apitar uma ou duas vezes, mas deixou para depois. Nada podia ser tão importante como tentar reviver as memórias de Kevin.
.:.
– Rosa, Quinn? — Levou os braços ao ar. — Você quer que seu apartamento pareça o quarto da Barbie? — A garota continuava encarando o primo tentando entender qual era o problema com a cor rosa. Depois de alguns segundos, Kurt desistiu. — ...e eu ainda pergunto!
– Voltamos aqui depois. — Disse a loira para a atendente da loja e tratou de arrastar o primo até a praça de alimentação, se sentando em uma mesa afastada perto de uma lojinha de pizza.
– Pra quem aparentemente se deu bem na noite anterior, você está de um horrível mal humor. — Quinn disse se sentando em frente ao primo. — Você quer me contar sobre esse cara nova iorquino? Você pegou o número dele? Vocês vão sair novamente? — Dizia Quinn encarando Kurt por cima dos óculos escuros.
– Deus, não. — Sussurrou. — Não trato minha vida como um conto de fadas. Eu peguei sim seu número, mas duvido muito que ele tenha me dado o verdadeiro. — Suspirou. — Foi um cara como os outros, nada demais. — Kurt dizia, por mais que sua mente o mandasse falar a verdade, que Blaine havia mexido consigo e que havia o deixado marcas que ninguém jamais deixara.
– Você acha que um dia, no metrô ou no shopping, vocês possam se encontrar? E se ele te procurar no facebook e quiser marcar um encontro novamente? — Dizia a loira interessada na história do amigo.
– Acho bem pouco provável. Dei um nome falso e acredito que ele também. Os dois queriam apenas algo de uma noite, coisa passageira, Quinn. Foi só sexo, e nenhum de nós teve a obrigação de ligar no dia seguinte. Nós dois sabemos que eu não quero me envolver, e mesmo se quisesse, Nova Iorque é o pior lugar para achar alguém sério. — Sorriu ao ver a loira franzir o cenho. — Não vim pra cá pra namorar, e sim pra estudar. — Completou.
– Se você acha isso. — Suspirou nervosa, sem concordar. Havia achado Blaine, certo?. — Eu pretendo fazer pela primeira vez com alguém que sei que quando acordar vai estar me abraçando, distribuindo beijos pelo meu rosto e com um sorriso feliz por estar comigo.
– Tipo seu príncipe encantado? — Kurt sorriu. Quinn era preciosa demais.
– Exatamente! — Assentiu com outro sorriso. — E-eu sinto algo nele, sinto
que não vai ser apenas mais um caso de faculdade, K. Ele me olha com aqueles olhos apaixonantes e eu fico sem chão, sabe? É totalmente diferente de qualquer cara que eu tenha me interessado até hoje.
– Você me deixa cada vez mais ansioso para conhecê-lo. Do jeito que você o descreve, acho que eu vou acabar me apaixonando por ele. — Gargalharam com a piada. — Ele vem, aliás?
– Quando ele atendeu o celular havia acabado de sair do banho. Disse que se arrumaria e viria me encontrar. Nem citei você... Acho Blaine um cara tímido demais, e era capaz de se assustar se eu mencionasse que meu primo está aqui comigo.
– Tudo bem. Você vai esperar Blaine chegar para pedir alguma coisa? Porque eu estômago está roncando de fome desde que saímos daquela loja de vitorianas, e eu juro que a atendente me olhou diferente depois que meu estômago roncou alto. — Kurt fez uma careta. — Bom, eu vou até a loja de comida natural. Você quer alguma coisa ou vai comer essas porcarias? — Quinn assentiu. — Muito bem, mas quando estiver velha e cheia de estrias, não me culpe!
Kurt pegou sua bolsa e foi até o outro lado da praça de alimentação. Depois de flertar com o atendente, acabou pedindo um sanduíche natural tamanho família, um suco natural de laranja e uma salada de pepino com tomates para completar. Enquanto esperava seu pedido, sentiu seu celular vibrar com uma mensagem de Quinn.
Mensagem de Quinn: "Blaine está aqui! Finja que acabou de me encontrar no shopping como uma doce e bela coincidência, ok? Não esqueça de fingir que não nunca ouviu falar dele!"
Kurt sorriu e pegou sua bandeja no balcão. Nela havia seu suco, seu lanche, sua salada e o número do atendente que fez questão de piscar para Kurt com um sorriso enorme no rosto. O castanho era um pedaço de carne fresca em Nova Iorque e todos os homens queriam tirar um pedaço para si. Kurt se virou e caminhou até a mesa que estava sua prima, mas diante de alguns metros viu algo que fez seu corpo paralisar.
Blaine Adams estava na mesa com Quinn.
Não era possível.
Nova Iorque era muito grande para aquilo estar acontecendo com Kurt. O castanho deveria ter passado debaixo de algumas escadas para tanto azar acontecer com ele. Se sentiu sujo, se sentiu um canalha por fazer isso com a prima, mesmo sem culpa se sentia como se tivesse compactuado com o amante. Tudo era tão novo e estranho. Ele torcia para que tivesse outra explicação, mas isso era tão improvável.
Diante dele estava Blaine Adams, disfarçado em roupas comuns e muito gel no cabelo, mas era Blaine. Aquele sorriso, aquelas sobrancelhas... Kurt não tinha dúvidas, definitivamente aquele era o Blaine da noite anterior.
Um impasse havia tomado conta de seu corpo. Kurt não sabia o que fazer, se ia ou se ficava, havia perdido até a linha da respiração e seus olhos pareciam vagos na mesa onde Quinn gargalhava de algo bobo que o garoto falava para ela... Aquilo era demais para o Hummel. Piscou algumas vezes para se certificar de aquilo estava mesmo acontecendo.
"Em uma Nova Iorque tão grande, como aquilo poderia ter acontecido?" Se perguntava enquanto deixava a bandeja em uma mesa ali perto.
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