Heart rater
13 When the dam breaks
Notas iniciais
“O verdadeiro amor é aquele que permanece sempre, se a ele damos tudo ou se lhe recusamos tudo”.
— Johann Wolfgang Von Goethe
Diário de E. Swan
A empolgação de Ruby por termos descoberto boa parte das verdades sobre as Mills era notável ela tagarelava e andava de um lado para outro enquanto eu mantinha meus pensamentos em como faria para invadir a casa, depois de muito pensar tive uma luz, invadiria a casa durante a madrugada Regina estaria dormindo e provavelmente Zelena também, mas eu não via a ruiva desde ontem a noite.
— Ei Ruby você viu a Zelena hoje? –Perguntei interrompendo seu falatório que não estava ouvindo.
— Loira você não estava prestando atenção no que eu falei. –Falou se jogando no sofá ao meu lado. –Zelena viajou hoje pela manhã e volta amanhã pelo que eu ouvi. –Bufou me encarando preocupada.
— HO. –Vi sua expressão de desagrado. –Desculpa o que você esta dizendo?
— Que eu confio em você e vou estar ao seu lado sempre, mas essa historia de profecia me deixa apreensiva. –Pensou por um instante. –Na verdade me deixa com medo.
— Bom não precisa ter, o que vier nos vamos enfrentar juntas. –Falei sorrindo de lado.
— Você não acredita muito nisso não é?
— Não, é muito difícil acreditar. –Falei desligando o computador.
— Pense bem loira eu não duvido de nada prometa que vai tomar cuidado, eu sei o que você sente em relação à Regina e há grandes chances de seu coração acabar quebrado. –Falou me encarando seria.
— Eu sei. –Suspirei fundo. –Se meu coração acabar quebrado vai me ajudar a arrumar? –Perguntei com um sorriso contido.
— Cada pedacinho dele com muito chocolate e algumas bebidas porque não. –Falou sorrindo. –É clichê, mas pensamento positivo faz bem, acreditar e ter esperanças sempre.
— OK . –Olhei pela janela vendo o céu escurecido e salpicado de estrelas.
— Loira vai descer para jantar? –Perguntou pegando sua bolsa e indo em direção à porta.
— Não estou com fome acho que vou tomar um banho de banheira e dormir.
— A gente se vê no café então? –Perguntou levantando uma sobrancelha.
— Sim mesa perto da parede de vidro. –Ruby assentiu soltou um cuide-se e saiu fechando a porta.
O fato de Zelena estar viajando torna as coisas um pouco mais fáceis é Swan parece que temos uma missão solo pensei irônica enquanto arrancava meus tênis indo em direção do banheiro. Deixei a banheira enchendo e fui pegar meu celular, tinha uma ligação de um numero desconhecido e duas mensagens de Killian.
“ Ems James perdeu o celular num passeio de gôndola da para acreditar ele esta histérico, mas enfim estamos bem e com saudades quando puder da uma ligadinha”
Gargalhei alto James era bem controlador e perdia o prumo por qualquer bobagem inesperada, ainda rindo fui desligar a água da banheira que já estava cheia enquanto retornava a ligação que foi atendida no primeiro toque.
— HO Emma estou com saudades. –A voz de James agitada, podia ouvir Killian comentando algo sobre um celular novo rindo.
— Eu também estou com saudades, como esta a viagem, soube do pequeno acidente. –Comentei rindo e pude ouvi-lo bufar.
— A viagem esta maravilhosa tirando o fato de ter perdido meu celular, Emma meu celular!
— Calma é só um celular, compraram meu presente? –Perguntei ainda rindo.
— Tem razão. –Ouvi seu riso nervoso. –Claro que compramos.
— E o que é? –Perguntei curiosa.
— Nada disso só vai saber quando nos encontrar em Toronto. –Falou a voz mais calma.
— Tudo bem. –Suspirei. –Quando vocês voltam?
— Temos mais três semanas, como vai o livro. –Pergunta inocente mas que me lembrou da confusão de informações e tudo mais.
— Indo bem já tenho todas as informações de que preciso. –Falei tentando esconder o peso em minha voz.
— Sei, sua voz esta diferente sabe que eu te conheço muito bem não é. –Suspirou. –Seja o que for vai ficar tudo bem não precisa me contar se não quiser cuide-se por favor.
— Eu vou, obrigada por entender, mas só estou com um pouco de enxaqueca.
— Hum sei, não esqueça que nos te amos e tome um remédio você lembrou de pegar os remédios para enxaqueca antes de viajar não é?
— Claro que eu lembrei, eu também amo vocês e aproveitem Amsterdã. –Falei sorrindo e finalizando a chamada.
Coloquei o celular carregar e fui tirando as roupas, prendi o cabelo num coque e afundei na água quente da banheira, meus músculos agradecendo a sensação de relaxamento, afastando todas as preocupações e temores sobre as Mills e me concentrando em respirar fundo focar em lembranças felizes.
Com os olhos fechados voltei para minha primeira viagem fora do país, James me levou para Sendai no Japão, eles estava muito animado era a noite do festival Tanabata Matsuri ou festival das estrelas, lembro de sua animação me ajudando a escrever um desejo numa fita e como mandava a tradição juntos amarramos as fitas com os desejos num bamboo e ao final da celebração os desejos seriam queimados para chegarem ate os céus e segundo a lenda Altair e Veja um casal que foi separado por um deus que os colocou de lados opostos da via láctea e somente se encontravam na noite do festival realizariam os desejos. Minha fascinação por mitos e lendas nasceu naquela noite quando James contou a historia por traz da comemoração.
Pensar em momentos como esse sempre me acalmava, sentindo a água já morna sai da banheira, peguei um roupão e uma tolha para os cabelos, com os olhos no relógio sentei na cama secando o cabelo e desfazendo os nos, por incrível que pareça não estava ansiosa eu tinha um objetivo e iria cumpri-lo, invadir a casa das Mills uma segunda vez, queria poder ter uma fita para queimar pedindo a Altair e Veja que Regina não me flagrasse.
Com o cabelo seco e desembaraçado prendi-o num rabo de cavalo, fui ate a mala vestindo um top preto e uma calcinha box da mesma cor, depois de muito pensar sobre o que vestir acabei optando por uma calça de moletom preta um tanto justa, calcei os tênis novamente afinal botas fariam mais barulho quando invadisse a casa, revirando a mala encontrei meu moletom com capuz também preto e o vesti, pronto Emma look marginal concluído com sucesso pensei enquanto me sentava na cama pegando a pasta de desenho e por mais que pensasse somente o rosto de Regina me vinha a mente, rabiscando furiosamente no papel seus olhos castanhos tomavam forma na folha.
Algum tempo passou comigo desenhando vários esboços de Regina quando parei guardando a pasta a pensão estava mergulhada em sombras, é agora pensei, mas antes de sair arranquei todas as informações desmanchando o quadro e a linha do tempo que Ruby e eu construímos não poderia arriscar de alguém entrar e ver tudo aquilo então juntei tudo dentro de uma pasta e guardei na mala, com um suspiro profundo apaguei as luzes do quarto puxei o capuz sobre a cabeça e sai do quarto trancando a porta.
O corredor mais ameaçador do que nunca envolto em sombras por todos os lados, cautelosamente caminhei na ponta dos pés sentindo como se a escuridão ao meu redor tivesse olhos, ignorei a sensação desconfortável e segui pelas escadas controlando a respiração, acalmasse pensei. A sala de café fria e sinistra sem a movimentação e o cheiro de comida que possuía durante o dia. Sai sem problemas chegando ao jardim andei agachada e memórias da noite do baile povoaram minha mente continuei com uma prece silenciosa para que tudo desse certo.
A terceira janela copiando os movimentos de Ruby abri a tranca com um estalo abafado e sem olhar para os lados passei minhas pernas sobre o parapeito aterrissando suavemente do outro lado, meu coração acelerado e a adrenalina correndo por minhas veias bloqueou um pouco do medo que tentava se apoderar de meu ser, agachada segui pelo corredor os olhos atentos para qualquer movimentação, chegando a sala mirei a escada e senti uma pontada de culpa Regina estava lá em cima dormindo e eu espreitava em direção a sua cozinha como uma patife. Com cuidado para não fazer ruídos circundei a cozinha chegando à porta que levava ao porão, céus isso é tão filme de terror barato pensei, destrancando a porta com um grampo de cabelo que estava no meu bolso, encarando a escada que descia para um buraco escuro repeti a frase em minha cabeça enquanto descia encostando a porta “qui huc intrasti desperantibus” (abandonai a esperança vós que aqui entrais).
No terceiro degrau peguei uma pequena lanterna no bolso e mantendo feixe de luz pálida em direção ao chão fui descendo com cuidado, o cheiro de mofo impregnando minhas narinas, faltando um degrau para a base da escada a madeira rangeu sob meus pés e parei imediatamente, Ruby não poderia ter visto o que a atacou mesmo se quisesse sem minha pequena luz estaria envolvida em sombras.
As paredes eram cinzentas e sem janelas, varias caixas amontoadas no canto esquerdo e uma estante de metal cheia de frascos na parede direita e o mais estranho havia correntes presas ao chão e as paredes uma cama e ao lado uma mesinha com pratos e copos a maioria quebrados, minha mente em polvorosa criando varias possibilidades uma mais impossível que a outra.
Respirando fundo e ousei levantar o feixe de luz, o que vi ficara tatuado nos meus olhos. O medo me golpeando como um carrasco cruel quando mirei a figura de Cora encolhida num canto respirando rapidamente em intervalos curtos suas roupas rasgadas, ela tremia sua pele cinzenta e suas mãos assemelhavam-se a garras, os olhos cobertos por uma bandagem limpa, como Regina e Zelena fizeram isso, Cora não morreu? Bom aparentemente não, perguntas como essa flutuavam no oceano de pavor que formava meu raciocínio agora, todos os alertas piscando claros em minha mente.
Ruby foi mordida por Cora, lembrei-me do que Gold falou e peças se encaixavam em minha mente, se o sacrifício feito não for um coração puro a pessoa ate pode voltar à vida, mas não será a mesma se tornando algo vil e venenoso, céus então uma das Mills ou as duas realizaram o ritual em Cora, balancei a cabeça espantando esses pensamentos e com um esforço descomunal consegui dar pequenos passos para trás.
Tudo teria dado certo se não tivesse esbarrado numa caixa derrubando-a no chão, a criatura que deveria ser Cora virou em minha direção soltando um guinchado agudo que gelou minha alma, paralisei completamente e vi a coisa se lançar em minha direção sendo contida pelas correntes, tentando ignorar o estouro da corrente começando a ceder corri para as escadas, quando minhas mãos alcançaram a maçaneta senti uma dor aguda na panturrilha e com um puxão a coisa me jogou contra a estande, minhas costas queimaram e gemi de dor quando atingi o chão os fracos agora eram um amontoado de vidro ao meu redor , minha lanterna caiu acessa perto da escada, pude sentir sua mordida queimando minha perna.
Meio zonza e com um corte no supercílio esquerdo tentei levantar gemendo de dor, Cora estava estranhamente interessada no feixe de luz e aproveitei sua distração para pegar uma barra ferro caída uns centímetros a minha frente, sentei no chão com muito esforço, não iria desistir me coloquei em pé com dificuldade atraindo a atenção daquilo, apertei a barra de ferro em minha mão, como um raio a coisa se jogou contra mim guinchando, acertei sua cabeça com força atordoando-a.
Mancando rapidamente ate a base da escada, quase consegui, quase. Suas mãos frias agarraram meu cabelo puxando com violência, senti minhas se chocando contra a parede, Cora prendeu meu corpo a parede fria suas mão envolveram meu pescoço num aperto forte, estava sufocando, meus olhos ardiam e ainda pude ouvir o som da barra de ferro escorregando dos meus dedos e atingindo o chão, de todas as maneiras que poderia morrer com certeza não imaginei essa, minha visão ficou turva, esperei minha vida passar diante dos meus olhos o que não aconteceu só vi o rosto de Cora retorcido de raiva, apesar de magra ela ou aquilo era muito forte eu não conseguiria meus olhos já se fechando.
Um Guincho agudo invadiu meus ouvidos forçando-me a abrir os olhos, minha garganta livre do aperto, estava sentada no chão com Cora morta aos meus pés, a barra de ferro atravessando seu crânio e uma Regina me olhando consternada.
— Emma. –Sua voz preocupada livre de raiva e sarcasmo.
Murmurei um obrigado cedendo ao torpor que tomava conta do meu corpo.
S.M.
Senti seu perfume antes de acordar, abri os olhos estava no meu quarto tentei levantar quando percebi Regina deitada ao meu lado seu braço envolvendo minha cintura, não consegui conter o sorriso e suspirei aproveitando a sensação boa que aquela proximidade proporcionava então fleches do porão e de Cora invadiram minha mente.
— Acordou finalmente. –Sua voz rouca preencheu o ambiente afastando as imagens perturbadoras. –Deve ter ainda mais perguntas, prometo responder. –Falou levantando rápido e acendendo a luz.
Nunca tinha visto Regina de jeans e camiseta, ela estava ainda mais linda se é que isso era possível.
— Como? –Perguntei sentando na cama e senti minhas costelas protestarem.
— Eu nunca quis fazer parte disso, quando Zelena viajou com mamãe tive medo sabia que ela era facilmente influenciável, e quando ela voltou de viajem transtornada Zelena veio ate mim chorando e disse que nossa mãe era um monstro, que matou uma mulher a sangue frio. –Respirou fundo se aproximando de mim com um copo de agua e uns comprimidos, seus olhos mergulhados nos meus.
— Obrigada. –Falei tomando os comprimidos e entregando o copo em seguida.
— Quando ela matou nosso pai, ficamos desesperadas apesar de tudo ela era nossa mãe, eu a amava não conseguiria fazer o que era preciso, internamos ela o que pareceu evoluir de fúria assassina para estado vegetativo, Zelena trouxe ela para casa e no dia que meu noivo Daniel veio me ver mamãe surtou e o matou, Zelena decidiu tranca-la no porão ate conseguir algo que a curasse. – Fiz um sinal para que ela sentasse ao meu lado. –Forjamos sua morte, o caixão no cemitério contem apenas pedras.
— Desculpe ter feito você matar sua mãe. –Falei evitando seus olhos.
— Emma eu acabo de contar tudo isso e você pede desculpa, aquilo não era mais minha mãe eu só não queria aceitar isso. –Falou segurando minha mão. – Embora não gostei nada de ter invadido minha casa, você poderia ter morrido. –Seus olhos prenderam os meus.
— Eu sinto muito. –Falei fazendo carinho nas costas de sua mão.
— Emma ela chegou a te morder? –Perguntou sua expressão preocupada.
— Sim na panturrilha. –Falei e Regina ergueu a barra da calça examinando a ferida.
— Emma eu preciso ir tenho que encontrar Zelena isso vai precisar de um remédio especial. –Falou se levantando e caminhando em direção à porta.
— Regina. –Chamei em aproximado dela que mantinha a porta aberta.
— Sim. –Sua expressão estava desconfiada.
— Cuidado. –Falei com um mal pressentimento.
— Terei. –Então suas mãos enlaçaram meu pescoço e senti seus lábios pressionados aos meus.
Apertei sua cintura gemendo quando nossas línguas se encontraram, a eletricidade gostosa correndo entre nós, subitamente ela se afastou um pouco deu um selinho e murmurou um preciso ir, saiu fechando a porta o vazio se apoderou de mim junto com a sensação de que algo ruim se aproximava.
Livrei-me das roupas indo para o chuveiro, uma ducha quente era o que precisava antes de encontrar Ruby no café.
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