Heart rater
14 Running in circles
Notas iniciais
"A emoção mais antiga e mais forte da humanidade é o medo, e o mais antigo e mais forte de todos os medos é o medo do desconhecido."
— H.P. Lovecraft
Diário de E. Swan
O céu tempestuoso reforçava ainda mais a sensação de que alguma coisa iria dar muito errado, puxando o zíper da jaqueta quase ate o pescoço segui para a porta quando ouço batidas desesperadas pensando ser Regina corri abrindo a porta e encarando uma Ruby esbaforida e uma Zelena a beira da histeria com os olhos vermelhos.
— O que aconteceu? –Perguntei atônita.
— Loira é a Regina ela sumiu. –Ruby falou. Sabe quando você sobe as escadas em direção ao seu quarto no escuro, você da um passo a mais pensando ter um degrau então seu pé afunda na escuridão, eu me senti assim, meu coração errou as batidas, não consegui formar uma frase coerente apenas encarei as duas de boca aberta.
— Emma você precisa nos ajudar a procurar minha irmã. –Zelena pediu levando a mão tremula e secando algumas lágrimas que lhe escaparão dos olhos azuis.
— Zelena vamos fazer assim, você procura na casa e nos reviramos à pensão. –Ruby falou e a ruiva concordou e saiu.
— Vem cá nós vamos encontra-la loira. –Falou me puxando para um abraço que aceitei ainda atônita pela noticia. –Vamos Emma temos que começar a procurar.
— Certo como foi isso, ela estava comigo há uma hora atrás. –Perguntei me soltando de seus braços.
— Esperava você no café como combinamos e do nada Zelena apareceu nervosa e chorando disse que Regina passou por ela no corredor falando com alguém no celular, parece que ela estava bem irritada. –Ruby fez um sinal para que eu a acompanhasse para fora do quarto. –Quando Zelena foi atrás dela encontrou seu celular caído no chão perto da porta que sai da enfermaria para o jardim.
Fechei a porta e seguimos pelo corredor, minha cabeça chiava céus eu não podia perdê-la.
— Preciso encontra-la Ruby. –Falei encarando o chão.
— Nós vamos. –Falou dando um sorriso contido. –Somos uma dupla imbatível lembra.
O silencio reinou enquanto revirávamos a pensão e conversávamos com os hospedes que não viram nada, cada quarto e sala, olhamos tudo e por fim decidimos nos dividir, Ruby no estacionamento, Zelena com a ala norte do jardim e eu com a ala sul.
O buraco em meu peito crescia eu sabia que algo ruim estava para acontecer, não procurei culpados, não ainda eu só queria encontrar Regina e por todos os deuses se a pessoa que provavelmente raptou ela encostar em um só fio do seu cabelo eu nem sei do que sou capaz, uma coisa é certa não vou desistir ate encontrar ela e nem o inferno me separaria de Regina Mills.
Regina em pouquíssimo tempo se tornou algo vital para mim, era minha chittaharini em outras palavras era a que cativou minha mente e parece que também meu coração.
Com estes pensamentos procurei em cada canto daquele jardim e nada com a cabeça baixa segui em direção à macieira com os bancos de mármore ao redor e me deixe cair pesadamente sentando no mármore frio, fiz uma pequena prece aos céus, apoiei os cotovelos nos joelhos e bem ao lado dos meus pés vejo um bilhete, peguei o papel com cuidado e abri.
Emma Swan eu tinha que me vingar pela surra que você me deu, estou com sua preciosa Regina, venha me ver na antiga mina amanhã antes do sol nascer e sozinha sem policia minha intriga é com você não me faça machucar Regina, siga as regras Swan.
Graham.
A fúria queimou como fogo em minhas veias aquele miserável, droga será que eu não apaguei, mas lembro de claramente ter dormido no carro o que esta acontecendo comigo, sai correndo ate o estacionamento encontrar Ruby, minhas mãos tremiam se aquele bastardo machuca-la eu vou arrancar a carne dos seus ossos.
Zelena viu minha corrida desesperada e veio ate mim.
—Emma achou alguma coisa, a encontrou? –Perguntou ofegando.
— Não, mas encontrei isto. –Entreguei o bilhete para a ruiva.
— Aquele porco desgraçado. –Falou enquanto lia o bilhete seus olhos faiscando de raiva. –Vamos encontrar a Ruby precisamos de um plano. –Saiu andando e a segui.
Andando atrás da ruiva que marchava furiosamente pelo jardim lembrei-me das coisas que aconteceram horas antes, Cora estava morta não perguntei a Regina o que foi feito do corpo, será que Zelena já sabia, perguntas e mais perguntas. A confusão e a fúria corriam como fogo pelo meu corpo e o medo de Regina se machucar o medo de perde-la esse era o pior dos sentimentos, tão forte quanto a vontade de socar a cara daquele babaca de verdade dessa vez, não consigo acreditar que fui eu quem acabou com ele, tenho certeza que apaguei no carro. Sou arrancada de meus devaneios quando finalmente Ruby vem ao nosso encontro.
— Então acharam alguma pista. –Seu semblante preocupado.
— Emma encontrou esse bilhete no jardim. –Zelena entregou o bilhete a Ruby que leu atentamente com uma expressão de raiva e depois preocupação.
— Loira eu sei o que diz sobre policia, mas temos que chamar alguém, você não pode ir ate lá sozinha. –Pensei sobre o que ela disse.
— Não vamos envolver ninguém, não quero que Regina pague o preço. –Falei alternando o olhar entre as duas.
— Emma Ruby tem razão ela é minha irmã, minha única família, mas quem garante que ele vai a deixar sair segura depois que você for ate lá. –A ruiva falou seria.
— Zelena tem razão loira, precisamos de um plano. –Ruby falou colocando as mãos na cintura. –Esse maldito não deveria estar preso.
— OK, mas como vamos fazer isso. –Perguntei me dando por vencida
— Magia, vocês não são bruxas. –Falou Ruby naturalmente encarando Zelena.
— A pronuncia correta é conjuradores. –Falou seria olhando para Ruby. –Pelo jeito vocês descobriram mais sobre a historia da minha família do que Regina comentou, mas enfim o xerife babaca sabe desse pequeno detalhe.
— Como isso não é meio que um segredo. –Falei.
— Não é um segredo para os humanos que ajudam a manter nossa identidade em segredo, Graham era um deles assim como seu avô e seus pais Emma. –Falou me encarando, não fiquei surpresa por ela saber disso. –E pelo jeito vocês também. –Falou olhando entre Ruby e eu. –Respondendo a pergunta ele conhece muito do nosso mundo inclusive como bloquear nossa magia, ou você acha que Regina seria pega assim tão fácil. Minha irmã pode se recusar a praticar magia, mas isso não anula o fato de que ela é muito poderosa.
— Ai merda, tem algum jeito de resolver isso. – Ruby falou retorcendo as mãos.
— Ele precisa pensar que eu cumpri o combinado e fui sozinha. –Falei mirando o céu.
— Ele não é idiota Emma, sabe que eu não deixaria você ir sozinha afinal é minha irmã que esta lá. – Pensou por um tempo.
— Acho que ele conta com isso, você usar sua magia. – Ruby pontuou.
— Por tanto precisamos de você Ruby ele não conta com você. –Falei coçando o queixo pensativa.
— Emma tem razão. –Zelena sorriu diabólica. – Eu tenho uma arma, isso pode ajudar, Ruby você sabe atirar? –Perguntou seria.
— Sim, na verdade sei sim. –Falou confusa.
— Ok Zelena divida conosco sua ideia. –Falei começando a ligar os pontos.
— Emma vai “sozinha” como combinado ele espera que eu apareça e tente usar magia, é o que farei, depois disso o xerife vai ficar mais confiante tendo em mãos euzinha aqui minha irmã e a Emma, Ruby é ai que você entra com um rifle não vai precisar nem chegar perto, consegue atirar nele? Só preciso de uma breve distração. – Perguntou alterando seu olhar entre minha amiga e eu.
— Mas é claro que eu consigo atirar naquele imbecil, mas onde vamos conseguir um rifle.
— Meu pai costumava caçar, não ouviu quando falei que tinha uma arma. –Zelena riu como um predador a espreita.
— Certo não é o melhor plano, mas é o que temos. –Falei dando de ombros preocupada.
— Quais as chances de tudo dar errado. –Perguntou Ruby.
— Eu diria uns 75% de chance de dar errado. –A ruiva encolheu os ombros. – Vou deixar Belle avisada, se não voltarmos ate o meio dia ela manda a policia.
— Não quero arriscar a vida da Regina. –Falei preocupada, aquele era um plano muito arriscado.
— Vai dar certo. – A ruiva falou com convicção. – Eu preciso ir tenho que me preparar e sugiro que vocês façam o mesmo. –Com um maneio de cabeça Zelena saiu andando.
— Eu não acredito que você bateu nele loira. – Falou me encarando.
— Obrigada Ruby. – Falei seguindo em direção à sala onde agora o almoço era servido sendo seguida por Ruby.
Andamos lado a lado em silencio, meu peito estava apertado, Ruby acabou por me convencer que seria melhor comer alguma coisa, enquanto eu empurrava uma azeitona no meu prato com o garfo divagando Ruby chamou minha atenção.
— Azeitona te fez alguma coisa. –Falou tentando me animar.
— Não, Ruby eu tenho medo. –Falei bufando.
— De que exatamente? –Perguntou bebericando seu suco.
— De como tudo aconteceu rápido, e Regina é como uma droga extremamente viciante e eu a amo, não posso mentir para mim, tinha medo de falar isso em voz alta por que de certa forma tornaria tudo real. –Respirei fundo. – Acontece que já é real. Uma coisa eu sei, no cerne dos meus ossos, no fundo da minha alma e em cada célula do meu corpo, um amor por uma pessoa pode ter o poder de te destruir.
— De fato tal sentimento pode mesmo nos destruir, mas também pode ser a salvação não esqueça isso. –Ruby falou sorrindo sem mostrar os dentes.
— Não vou, eu não poderia de forma alguma esquecer, só de pensar em ir para um lugar onde Regina não esteja. –Respirei fundo sentindo uma dor aguda. — É minha definição de inferno.
— Emma eu tenho uma sensação estranha em relação à Zelena. – Ruby falou baixando a voz.
— O que? Deve ser tesão. – Falei e recebi um chute na canela.
— Sim também. –Falou encolhendo os ombros. – Eu não confio nela, sei lá. –Falou preocupada.
— Certo eu também não, a gente cruza essa ponte quando chegar a ela. –Falei e Ruby concordou.
Depois do almoço combinamos um encontro as três da manhã para por em ação nosso plano para resgatar Regina. Como Ruby eu também não confiava sem por cento em Zelena, mas o foco agora era minha chittaharini, decidi me preocupar com questão da ruiva depois.
Nada parecia me acalmar e não conseguiria dormir de jeito nenhum então tentei desenhar o que também não deu certo, por fim fiquei andando de um lado para o outro sem tirar Regina na cabeça, olhava para o relógio e parecia que os ponteiros não saiam do lugar.
Sem mais alternativas liguei o rádio e fui em direção ao banheiro deixando um rastro de roupas pelo caminho. Entre no box a água quente escorrendo por meu corpo e o som de is this love flutuando no ar ao redor, era tudo tão mais fácil quando não acreditava em magia e nessa maluquice toda o mundo era mais fácil, tudo preto e branco.
Mecanicamente sai do box vesti um roupão, peguei uma toalha enrolando os cabelos molhados e fui ate a poltrona sentando pesadamente enquanto olhava fogo crepitado na lareira pesando em como minha vida mudou, afinal o futuro não esta gravado em pedra, as circunstâncias também mudam pensei.
Os medos que me atormentavam com relação a segurança de Regina e o amor que sentia por ela estavam como monstros na profundidade de um lago de águas calmas, sorri lembrando de uma frase do filosofo Soren Kierkegaard.
“Arriscar-se é perder o pé por algum tempo.
Não se arriscar é perder a vida”.
Percebi que me arriscava agora mais do que em toda minha vida, e sabia como Soren que arriscar-se a amar é também arriscar-se a não ser amado, e se Regina não sentisse o mesmo. Afastei esse pensamento, mas mesmo inconscientemente uma parte de mim sabia que esse sentimento era reciproco.
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