Heart rater

9 We're just two lost souls


Notas iniciais
Mais um ai, desculpem os erros e aproveitem a viagem.

“So, so you think you can tell

Heaven from Hell

Blue skies from pain”.

— Pink Floyd — Wish You Were Here

Diário de E. Swan

Alguns minutos se passaram e meu corpo parecia preso ao chão, onde inferno eu fui me meter, a raiva da minha idiotice queimava como fogo, precisava de informações, tinha que descobrir tudo. Levantei do chão seguindo para o banheiro deixando as roupas no caminho, não ousei encarar meu reflexo no espelho, no box deixei que a água quente limpasse minha mente e relaxasse meus músculos, a noite com Regina foi uma das melhores se não a melhor porem no dia seguinte foi como ser expulsa do paraíso e cair direto num inferno de raiva, culpa e duvidas.

Parte de mim queria rapidamente relacionar as imagens do diário de Cora, destrinchar tudo isso, a outra só queria sumir, há tantos lugares com historias no mundo deveria esquecer isso, não Emma Swan nunca desiste posso não consertar as coisas com Regina, mas vou desenterrar essa historia mal contada e também tinha Ruby.

Sai à contra gosto de baixo da água, sequei o cabelo e vesti minhas roupas tudo mecanicamente, o clima lá fora estava frio o que era estranho porque quando acordei há algumas horas um discreto sol permeava as nuvens, olhando a mala dei de ombros vestindo a jaqueta vermelha por cima da regata branca, prendi o cabelo num rabo de cavalo, depois de calçar as botas e pegar o celular sai trancando a porta.

Ignorei a sensação de ser vigiada e seguida naquele corredor, desci as escadas e não ousei passar pela sala de café não queria encarar Regina tão cedo, ainda estava confusa com tudo que aconteceu, droga eu preciso de uma bebida forte ou bater em alguma coisa, respirei fundo tentando me acalmar quando finalmente cheguei ao corredor da enfermaria.

Bati duas vezes na porta e escutei Ruby falando um entra, pelo menos ela esta acordada pensei enquanto abria a porta, a maluca estava no soro e Zelena ao seu lado anotando alguma coisa numa prancheta.

— Oi maluca. –Falei me aproximando da cama.

— Oi loira, como pode ver estou meio enrolada aqui. –Zelena nos observava atentamente. –Tem como me ajudar a fugir daqui. –Perguntou encolhendo os ombros com um sorriso travesso.

— Nada disso Lucas, pode ir relaxando você vai ficar umas oito horas em observação ainda. –Zelena se pronunciou com uma voz um tanto divertida pelo fato de minha amiga querer sair dai o mais rápido possível. –Bom dia Emma, tudo bem? –Perguntou me observando atentamente provavelmente já sabia do acontecido.

— Sim estou ótima. –Falei vendo que ela não acreditou muito no que eu falei.

— Parece com dor. –Falou insistindo, Ruby apenas nos observava.

— Somente uma enxaqueca passageira. –Falei dando de ombros, mas a verdade é que minha cabeça estava explodindo.

— Tenho analgésicos aqui. –Falou pegando algo num armário atrás de si. –Aqui beba vai melhorar. -Me entregou um cartela com dois comprimidos que guardei no bolso da jaqueta. -Eu vou deixar vocês conversarem. –Falou olhando fixamente para Ruby. –Cuide-se Lucas, Belle vira ver como esta em duas horas e nada de fugir ok. – Ergueu uma sobrancelha desafiadora.

— Pode deixar. – Ruby falou batendo continência em tom zombeteiro, Zelena saiu sorrindo. Como ela era diferente da irmã, pensei.

— Então a Dra. Mills cuidou bem de você. –Falei me sentando na borda da cama.

— Olha eu não me lembro de muita coisa, somente do jardim depois eu apaguei, Emma eu nunca me senti tão mal em toda a minha vida. –Falou um tom mais baixo se aproximando de mim, gesto que imitei.

— E o que ela disse que aconteceu com você? –Perguntei vendo Ruby pensar com a mão no queixo.

— Lembro de uns fleches do que ela falou quando estava me estabilizando, Zelena disse que fez uma transfusão de sangue em mim, algo sobre limpar meu sangue e também disse que estava com uma temperatura de quarenta graus. –Falou visivelmente preocupada.

— Ela disse o que te mordeu?

— Não Emma, Zelena disse que não era uma mordida quando perguntei, fez um curativo e disse que eu devia ter pisado em alguma armadilha de caçador que eles costumam deixar na linha das arvores e peguei uma infecção. –Pensou um pouco. –Ela parecia bem relutante em falar mais,é estranho ate porque eu não estava próxima a linha das arvores e sim no porão dela, mas isso eu não podia falar.

— Sim, mas Ruby eu vi seu tornozelo e tenho certeza que foi uma mordida. –Falei dando de ombros.

— Emma você esta horrível. –Falou tentando desviar do assunto.

— Não adianta se esquivar Ruby Lucas, de fato estou um lixo. –Falei sorrindo sem mostrar os dentes. –Vamos você não desconfia de nada? –Perguntei empurrando de leve seu ombro.

— Não sei Emma, eu tenho medo das respostas sobre isso e de alguma forma estranha eu confio na Zelena, quando você me colocou naquele banco eu sentia como se meu sangue virasse magma nas minhas veias, eu só quero esquecer aquela sensação horrível. –Falou baixando o rosto.

— Tudo bem, desculpa não vamos nunca mais falar disso se você quiser. –Falei vendo Ruby me olhar agradecida.

— Agora me conta porque essa cara, sabe eu lembro que você ficou no jardim acompanhada da Rainha das patadas, foi tão ruim assim? –Perguntou encolhendo os ombros.

— Na verdade depois que você saiu eu beijei ela.

— NÃO BRINCA! –Disse gritando e quase pulando da cama.

— Ei, calma ai não é para o estado inteiro saber. – A repreendi.

— Tudo bem. –Respirou fundo. –Ela beija bem? – Perguntou com um sorriso sacana enfeitando seu rosto.

— Sim. –Sorri ao lembrar de como era bom. –Mas o problema não é esse.

— Então qual é? –Perguntou curiosa.

Resumidamente contei como dormi com Regina e tudo que aconteceu na manha seguinte, Ruby ouviu tudo em silencio o que foi um verdadeiro milagre, quando terminei ela pensou por um tempo.

— Emma isso é uma droga. –Disse pesarosa.

— Eu sei, o que eu faço?

— Olha a verdade é sempre melhor, não pode deixar Regina pensando que você a usou, mas tem toda essa situação estranha que cerca a historia de cora, loira. –Falou segurando minhas mãos. – Você devia se acalmar em primeiro lugar e liberar essa frustração depois pegue todos os dados que juntou no quarto da falecida tenho certeza que a historia toda pode se esclarecida com isso ou pelo menos parte dela. Quando resolver tudo vá ate a Regina e conte a verdade a ela. –Pensou um pouco. –Não vou mentir existe a possibilidade grande de ela nunca te perdoar ou pode ate perdoar e nuca esquecer.

— Então depois de tudo ainda posso perdê-la. –Falei com pesar.

— É a vida loira, mas não precisa desistir você foi a primeira pessoa que ela demonstrou algo em muito tempo segundo Zelena. –Disse calmamente.

— O que? Ruby sua doida você comentou isso com Zelena. –Falei desesperada.

— Claro que não relaxa, eu apenas perguntei se Regina não ia arrancar sua pele, porque quando a gente estava no baile ela parecia querer te esfolar. –Pensou um pouco. –Zelena me disse que ela estava com ciúmes de você e que desde o dia da entrevista ela só sabia resmungar e xingar mais do que o normal, Zelena também disse ter a ouvido murmurando algo sobre uma loira petulante e intrometida.

— Hum, vou fazer o que você disse. –Suspirei por algum motivo sentia que Regina não ia relevar ou perdoar isso, calma Emma vamos devagar com isso pensei.

— Não enfie os pés pelas mãos Swan. –Ruby comentou seria.

— Vou tentar, eu já vou indo preciso organizar as ideias, quer que eu venha te buscar aqui quando a Dra. Mills der alta?

— Eu gostaria, pedi para Zelena não contar nada para minha avó, ela me mataria depois de ter um chilique em proporções apocalípticas. –Comentou sem jeito.

— Essa eu queria ver. –Falei rindo. –Ate mais tarde vê se não me da outro susto desse.

— Claro claro. –Falou em tom divertido.

Caminhei lentamente enquanto pensava em tudo, conversar com Ruby surtiu o efeito esperado, estava mais calma e raiva havia sumido, me peguei pensando na sensação maravilhosa dos lábios de Regina o gosto maravilhoso que ela tinha, céus como em tão pouco tempo eu já sentia tanto a sua falta e saber que ela me repudiava tornava tudo extremamente doloroso. Não sei o que o universo tem contra mim olhei pela janela do corredor antes da sala do café e vi Regina com um sorriso magnifico andando de braços dados com aquele Graham no jardim, xerifezinho de uma figa, a raiva voltou com tudo senti o gosto amargo do ciúme me corroer, não tinha o direito de ficar brava o que não me impediu de fechar os punhos enterrando as unhas na palma da mão, a dor me despertou do torpor, sai a passos largos em direção a escada que dava para meu andar, céus como eu preciso de uma bebida.

Não prestei atenção em nada eu só queria poder ter um motivo para chutar a bunda daquele babaca, subi a escada correndo, o corredor silencioso nem me intimidou tamanha era minha raiva, entrei no quarto batendo a porta e andando em círculos, eu nunca gostei de conflitos ou agressão ate me assustava os sentimentos negativos que passavam por mim toda vez que a imagem dos dois de braços dados vinha em minha mente, talvez a raiva fosse direcionada ao tal Graham quando eu era a idiota da situação.

A cada segundo sentia o descontrole tomar meus sentidos, sem pensar muito apenas desferi vários socos contra a parede com toda a minha força arrancando pedaços da tinta, aquilo era deveras idiota e continuei batendo na parede ate ver marcas vermelhas nela, minhas mãos estavam feridas o sangue escorrendo dos cortes abertos quando finalmente parei, aquela atitude abrandou um pouco minha fúria, fui ate minha mala peguei as chaves do carro sem me importar com a ardência nos meus punhos, sai batendo a porta novamente, nunca havia feito o percurso do quarto ate a sala de café tão rápido.

Atrai olhares curiosos da senhora que retirava a mesa, o lugar estava vazio agradeci mentalmente por isso vendo também o olhar curioso de Belle que ajudava a senhora, acho que a expressão em meu rosto impediu que ela me perguntasse qualquer coisa.

Nem o perfume das flores no jardim aplacou o rompante fúria que me movia agora, quase chegando ao estacionamento vi Regina entrar no carro do Graham, respirei fundo três vezes e entrei no meu carro batendo a porta com mais força do que o necessário atraindo a atenção deles para mim, não ousei olhar em sua direção, dei a partida arrancando com carro dali.

S.M.

Dirigi por horas apertando o volante ate os nós dos dedos ficarem brancos, os cortes com sangue coagulado que não me importei em limpar ardiam, a raiva ainda estava ali como um sombra primitiva cobrindo minha alma, minhas atitudes estavam me assustando essa raiva quase palpável não me era comum, pisei fundo no acelerador ate avistar um posto de gasolina, bem deve ter bebida ali pensei diminuindo a velocidade enquanto encostava perto da bomba.

Sai do carro e fui em direção a lojinha de conveniências, peguei uma garrafa de whisky, o que você pensa que esta fazendo minha mente indagava, prontamente ignorei me dirigindo ao caixa.

— Dia difícil? –A atendente perguntou apontando para os cortes na minha mão.

— Um pouco. –Falei pagando.

— Espero que isso ajude. – Falou apontando para a garrafa.

— Tenho certeza que vai. –Li seu nome no crachá. –Lily.

Falei saindo quando vi o carro do xerife passar na estrada em direção à cidade, bufando entrei no carro.

— Para que lado eu vou? –Pensei em voz alta.

Seguindo meus instintos pisei fundo saindo em alta velocidade e seguindo a direção contraria da cidade peguei a via secundária em direção a trilha de Ruby era com certeza um bom lugar para pensar, dirigi por alguns minutos finalmente vendo a estrada de terra parcialmente escondida pela vegetação.

Estacionei o carro deixando-o camuflado pelas folhas como Ruby havia feito, segui o caminho a pé, o clima frio dava um toque estranho ao lugar, o poço de pedras e mais a frente o banco onde Ruby e eu sentamos para acertar os detalhes do plano.

Sentei pesadamente no banco frio deixando que a vista magnífica daquele lugar esvaziasse meus pensamentos, olhei para a garrafa, é vamos lá, tirei o lacre dando um gole generoso e sentindo o liquido forte queimar minha garganta.

Não sei exatamente quanto tempo fiquei divagando, o sol já estava se pondo e a garrafa vazia, começo a pensar que essa não foi minha melhor ideia, eu não era de beber e dai resolvi acabar com uma garrafa inteira de whisky, meus pensamentos estavam embaralhados e tinha a impressão de que se levantasse iria cair de cara no chão, o bom de tudo é que nada me incomodava no momento, nem Regina, nem a historia de Cora, nada.

Subitamente lembrei-me de Ruby, droga eu prometi que ia busca-la, levantei rapidamente seguindo em zigue-zague na direção do carro, não sei por que meus passos ébrios causavam-me divertimento, em meio a gargalhadas entro no carro, vamos lá Emma você consegue, pensei tentando ligar o maldito carro.

—Vamos lá seu monte de lixo. –Falei batendo as mãos no volante. –Merda. –Falei sentido ardência nos machucados.

Com os olhos pesados tentei dar a partida quando lembrei de como meus pais morreram, um acidente e sair dirigindo no estado em que me encontrava não seria certo, mas eu tinha de buscar Ruby, decidida levei a mão para girar a chave na ignição quando senti alguém segurar meu braço, meu corpo inteiro se arrepiou, com receio olhei para o lado.

—Isso é impossível. –Minha mãe morta há muito tempo estava ali sentada no banco do passageiro com um olhar sereno. –Mãe? –Falei coma voz embargada.

Eu era uma pessoa cética ao estremo, mas ver minha mãe a meu lado segurando minha mão e a calma que senti com sua presença, por um momento cogitei ser efeito da bebida, mas era tão real e percebi abismada que eu desejava com todas as minhas forças que aquilo fosse real.

— Sim Emma, você sabe que isso não é certo. –Disse acariciando minha mão e olhando para a chave na ignição.

— Desculpa. –Falei envergonhada com lágrimas nos olhos.

— Tudo bem minha menina, você é tão linda. –Falou acariciando meus cabelos.

— Porque tive ficar sozinha, porque tiveram partir e me deixar? –Perguntei sem olha-la e deixando o pranto tomar meu rosto.

— Coisas ruins acontecem Emma, mas nos nunca deixamos você, sempre estive olhando por você.

— Tudo é tão confuso. –Falei chorando livremente.

— Tudo vai se ajeitar, nunca perca esperança meu anjo. –Falou me abraçando. –Nuca esqueça que nunca perdemos quem realmente nos ama, e eu te amo muito.

Não falei mais nada, não cogitei a impossibilidade da situação, a raiva que sentia escorreu para longe, apenas deixei que o cansaço me dominasse caindo gradativamente no sono enquanto ouvia Mary cantar uma canção de ninar com voz suave levando meus temores embora.

Notas finais
Espero que tenham gostado, ate sexta.