Heart rater

10 I will always be by your side


Notas iniciais
Desculpem eventuais erros e aproveitem a viagem. PS: Inspiração musical do capitulo Pearl Jam - The Fixer

“So tell me when you hear my heart stop

You're the only one that knows

Tell me when you hear my silence

There's a possibility I wouldn't know”.

— Possibility


Diário de E. Swan

Acordei com batidas insistentes no vidro da janela, minha cabeça parecia poder explodir a qualquer instante, abri os olhos devagar me lembrando de fleches da noite anterior com certeza devo ter alucinado, pude sentir um gosto horrível na boca, as batidas continuavam mais insistentes ainda, com mão sobre os olhos para bloquear um pouco da luz pude ver Ruby batendo na janela desesperada. Destranquei a porta permitindo que ela se aproximasse.

— Meu deus Emma, que cheiro de álcool aqui. –Falou olhando com uma expressão de eu te mato vadia. –Você sumiu para encher a cara? Custava ter atendido ao telefone, porra Emma fala alguma coisa. –Me encarava com as mãos na cintura.

— Eu precisava pensar e precisava de uma bebida, perdi a hora e não podia dirigir bêbada como um gambá e meu telefone deve estar sem bateria. –Constatei o óbvio, pensei em contar a Ruby sobre a “visão” que me impediu de sair naquele estado de carro por fim desisti encarando-a em silencio.

— Serio você ao menos sabe que horas são? –Falou arqueando as sobrancelhas.

— Não. –Falei culpada por ter preocupado ela.

— Emma Swan já passa do meio dia. –Apontou o relógio em seu pulso brava.

— Meu deus então apaguei mesmo. –Falei saindo do carro e ficando de frente com Ruby sua expressão mudou de chateada para preocupada quando viu minhas mãos.

— Emma, eu procurei você pela pensão inteira, Belle me disse que te viu saindo transtornada em direção ao estacionamento. –Respirou buscando calma. –Esperei por horas você voltar, quando você não apareceu no café hoje pela manhã convenci Zelena a me ajudar abrindo seu quarto com uma chave de emergência, quando vi a parede toda marcada de sangue. –Respirou fundo novamente. –Pensei que tivesse acontecido alguma coisa com você, Zelena tentou comunicar o xerife e quando não conseguiu localiza-lo eu pirei e então pensei que você poderia ter vindo para cá.

— Desculpa, perdi o controle eu estava com raiva de toda essa situação, e isso só aumentou quando vi Regina e Graham juntos, não pensei só dirigi ate um posto na estrada peguei uma bebida e vim para cá. –Vi Ruby ficar com uma expressão preocupada.

— Emma, a Zelena não conseguiu comunicar o xerife porque ele foi encontrado perto do rio a uns três quilômetros daqui e pelo que ela me disse parecia que alguém com muita raiva arrebentou ele, o cara foi internado com várias costelas quebradas.

— Ruby você não esta pensando que fui eu, olha eu apaguei nesse carro. –Falei preocupada.

— Eu sei que você apesar da pressão na seria capaz de agredir alguém daquele jeito, mas Emma você bebeu, foi vista andando pela pensão como um cão raivoso e têm as marcas em suas mãos, você é uma suspeita em potencial. –Falou dando de ombros.

— Regina é quem estava com ele não eu, ela é tão suspeita quanto. -Falei brava.

— Emma, Regina foi com o xerife ate a cidade resolver negócios, na volta eles deram carona para um hospede que estava no restaurante, o xerife deixou-os na pensão e na volta para a cidade ele sumiu.

— Merda. –Ruby me deu um abraço que retribui imediatamente.

— Tudo bem, eu confio em você, sei que não seria capaz de algo assim, somente quem sabe do seu desaparecimento sou eu e Zelena. Podemos inventar alguma coisa. –Falou me soltando.

— Mas porque eu não fiz nada. –Falei indignada.

— Emma, céus você é o bode expiatório perfeito, sabe nessa cidade eles não querem solucionar crimes acham um culpado que se encaixe e pronto. –Olhava em minha direção exasperada.

— Tudo bem, eu compreendo, mas Zelena mentiria por mim? E Belle que me viu transtornada?

— Claro Zelena esta tentando nos ajudar ela sabe que você é boa pessoa e que os policiais daqui são crápulas, Graham era um mulherengo e tinha alguns inimigos barra pesada, provavelmente nem vão vir coletar seu depoimento, mas caso isso aconteça não diga que apagou, mude os fatos para parecer que você veio aqui para pensar porque teve um desentendimento com a família.

— Certo eu, realmente preciso de um banho e alguns analgésicos agora e com certeza preciso planejar melhor essa historia.

— Vamos eu dirijo. –Falou caminhando em direção à porta no lado do motorista.

— Mas e o seu carro. –Perguntei.

— Eu vim correndo para cá. – Falou sorrindo de lado e entrando no carro, fui para o lado do passageiro entrando.

— Logo você que disse não gostar de correr. –Vi Ruby sorrir enquanto dava a partida.

— Emma Swan você é minha melhor amiga, eu iria ate o inferno por você. –Disse com um sorriso. –Vamos voltar para a pensão.

— Obrigada maluca. –Falei sorrindo. –Tenho que desvendar esse mistério de uma vez por todas.

— Super apoio, mas primeiro vai tomar um banho e comer alguma coisa.

— Claro claro. –Falei concordando não estava com fome, mas discutir com Ruby é um caso perdido.

O caminho ate a pensão foi feito em silencio, apenas o som do motor preenchendo o ambiente, e minha mente se desdobrando para entender meu comportamento nas ultimas horas.

S.M.

O estacionamento parecia vazio, Ruby caminhou ao meu lado em silencio e graças aos céus não encontrei Regina, apesar de estar sentindo sua falta de uma maneira absurda não poderia encara-la agora, a sala das refeições estava igualmente vazia, quando chegamos ao pé da escada que levava aos quartos Ruby parou.

— Loira vai tomar um bom banho que eu vou pegar algo para suas mãos e também alguma coisa para seu estômago. –Falou sorrindo de canto.

— Obrigada, ate mais então. –Falei subindo as escadas.

O tão temível corredor parecia quase normal agora ou era a imensa dor de cabeça que me impedia de prestar atenção em qualquer coisa que não colocar meus pés um na frente do outro. Ao passo de tartaruga cheguei ao quarto, abrindo a porta me deparei com a parede limpa, sem qualquer marca do meu descontrole, tentei ignorar a sensação de idiota irresponsável e segui para o chuveiro deixando as roupas pelo caminho.

A água quente ajudou coma dor de cabeça e com a tensão, ouvi alguém entrar no quarto e sai pegando um roupão e uma toalha para os cabelos.

— Finalmente achei que tinha apagado em baixo do chuveiro. –Ruby deu seu característico olhar zombeteiro.

— Tentador, mas tenho coisas a resolver.

— Primeiro coloca uma roupa. –Falou me empurrando em direção ao armário.

Acabei optando por uma calça jeans preta um All Star da mesma cor e uma camisa de mangas branca, depois de secar o cabelo prendi num coque desajeitado, coloquei o celular carregar e fui me juntar a Ruby no sofá.

— Passa essas patinhas para cá. –Falou pegando gases e antisséptico numa sacola ao seu lado. –Vamos Emma.

— Cuidado, então mamãe vai arder? –Perguntei levantando as sobrancelhas e colocando minhas mãos em sua frente.

— Vão arder os tapas que vou te dar. –Riu divertida, era muito fácil ficar perto de Ruby, nossa amizade cresceu e se fortaleceu em pouco tempo, percebi com orgulho que também faria qualquer coisa por ela.

— Uou calma ai, não achei que você era do tipo que andava com quit de emergência. –Falei enquanto ela aplicava o remédio nos meus punhos.

— E não sou, na verdade eu roubei isso da enfermaria. –Riu com cara de culpada e tive que rir também. –Ei não ri a Mills do mal quase me pegou. –Falou tentando parecer seria.

Meu sorriso morreu assim que mencionou Regina.

— Loira foi mal, pelo visto você gosta dela né? –Falou concentrada em envolver meus machucados com faixa.

— Eu queria muito poder dizer que não. –Suspirei observando Ruby acabar de envolver o punho direito e passar para o esquerdo. –Você leva jeito enfermeira Lucas. –Tentei esquecer o peso que vinha todas as vezes que pensava ou falava de Regina o que era quase sempre.

— Como sua amiga é meu dever te proteger, mas também preciso deixar você a par dos acontecimentos. –Falou finalizando o curativo e me encarando. –Quando Regina quase me pegou afanado na enfermaria ela perguntou de você. –Disse calmamente.

— O que você disse? –Não se anima idiota pensei.

— Eu falei que nos íamos fazer uma tarde de garotas e que talvez ela devesse perguntar isso a você pessoalmente. –Falou encolhendo os ombros.

— Ruby, e?

— Ela disse que não quer ter qualquer envolvimento que seja com você, também falou que somente perguntou para ser gentil. –Falou me encarando culpada. –Eu não queria te chatear.

— Tudo bem ela tem razão, obrigada Ruby por tudo. –Falei puxando ela para um abraço.

— É o que os amigos fazem não é? –Falou deitando a cabeça no meu ombro.

— É sim. – Sorri era bom saber que eu tinha alguém ali que não me julgaria, e que iria me ouvir.

O toque do meu celular acabou com nossa nostalgia, levantei vendo Ruby pegar dois pratos numa sacola e duas garrafas de suco, eu não tinha fome, mas quando senti o cheiro dos bifes com salada e batatas meu monstro interior acordou. Número desconhecido era o que dizia na tela, pensei em não atender, mas a curiosidade venceu e acabei aceitando a chamada sob o olhar atendo de Ruby.

— Alo. –Sem resposta. –Alo. –Ouvi um suspiro então a ligação se encerrou.

— Quem era? –Perguntou Ruby.

— Não sei, seja lá quem for não disse nada. –Segui para o sofá me juntando a Ruby no almoço super atrasado.

Comemos num silencio confortável e quando acabamos Ruby recolheu os pratos colocando tudo em uma sacola em quanto isso transferi as fotos do diário de Cora para o notebook, era hora de trabalhar, Ruby saiu por uns minutos e voltou com uma impressora que não ousei perguntar onde diabos ela arrumou, imprimimos todas as fotos colocando na mesa de centro.

— Vamos lá Dr, Watson. –Falei animada.

— Sim meu caro Sherlock.

Começamos nossa investigação uma em cada ponta do sofá com papeis ate o pescoço.

Comecei estudando as paginas do diário alguns meses antes de Cora viajar para Praga, enquanto Ruby que era uma hacker muito boa caçava os antepassados da família Mills.

— Emma, escuta só. –Falou chamando minha atenção. – A família Mills veio para Storybrooke de Salem em 1692 quando começou a caça as bruxas, muito antes disso eles viveram em Praga. –Me encarou animada.

— Muito bem pode marcar isso no quadro. –Voltei minha atenção às paginas percebendo no fim de cada texto um símbolo. –Ruby vou te mandar a foto de um símbolo frequente aqui, é quase uma assinatura. –Falei mandando a foto para Ruby.

— Recebi, aguenta ai que já descubro o que significa.

Meu deus, Cora mencionou que conheceu “K” na turma de faculdade dela.

— Emma, esse símbolo é uma assinatura de um clã antigo, espera vou anotar isso. –Falou rabiscando furiosamente.

— Boa Ruby, então a família Mills faz parte de um antigo clã de bruxas que escapou de Salem. –Deduzi. –Ei você consegue dados sobre a turma de antropologia do ano de 1965 na Columbia.

— É pra já.

Cora mencionou no diário que tinha levado Zelena junto com ela na viagem para Praga antes do surto, porque Regina não mencionou isso.

— O que exatamente você procura? –Ruby perguntou erguendo os olhos da tela.

— Nomes de todos os alunos, é a turma da Cora, ênfase em todos que começam com a letra K.

— Tem dois, um cara Kristian Martin e uma garota Kristin Mckenzie.

— A mulher tente conseguir todas as informações possíveis. –Falei fixando no quadro as novas informações.

Minutos se passaram comigo enfiada nas paginas do diário e com Ruby desenterrando a vida dessa tal Kristin que eu tinha certeza que era a mesma “K” citada varias vezes no diário.

— Hey loira, consegui. –Falou chamando minha atenção. – Dra. Kristin Mckenzie se formou nos estados unidos e conclui seu doutorado em crenças pagas em Praga, o estranho é que ela foi encontrada morta no porão de sua casa no mesmo dia que supostamente Cora deixou Praga. –Respirou fundo. –Os peritos disseram que ela parecia ter participado de um ritual pagão sangrento que culminou em sua morte. –Terminou de ler olhando seria para o computador. –Vou colocar isso no quadro.

— Ruby, na data da viagem Cora menciona no diário que não estava sozinha, ela levou a filha mais velha junto, a Zelena. –Ruby me olhou seria.

—Uou, Cora era amiga dessa doutora, viajou com a filha para o festival e um encontro de negócios, na data que ela deixou Praga encontraram “K” morta, acha que tem relação, devíamos questionar Zelena?

— Eu acho que isso tem relação, Cora surtou completamente depois que voltou Regina não mencionou o fato de Zelena ter acompanhado a mãe nessa viagem, pode ter uma ligação entre Cora e a morte da Dra. K, e não acho que devemos contar nada para Zelena e nem Regina ate ter tudo esclarecido.

— Tem razão. O que temos ate agora? –Perguntou.

— Bom aparentemente tudo começou em Praga, as Mills fazem parte de um Coven antigo que fugiu de Salem, Cora menciona uma cerimônia no diário, mas as paginas seguintes estão em outro idioma.

— Batemos numa parede literal. –Falou se jogando no sofá.

— Eu tenho um amigo que é professor de ocultismo em Toronto, posso pedir para ele traduzir isso. –Pensei alto.

— Você confia nele? –Ruby perguntou desconfiada.

— Ele é meu Avô então sim, vou mandar isso num e-mail para ele agora e com sorte amanhã a tradução esta em nossas mãos.

— Faz isso e depois vamos jantar relaxar um pouco e voltar para o “modo investigativo”. –Disse rindo.

— Claro Claro. –Falei juntando as paginas numa pasta anexei ao email mandando para o Professor doutor Gold. –Feito, vamos organizar isso dai eu pego uma jaqueta e a gente desce. –Comecei juntando os papeis espalhados.

Minha mente estava em polvorosa, hipoteticamente se magia for real então algo me diz que Cora surtou depois que a Dra. K morreu num ritual que deu muito errado, com os detalhes do ritual parte importante do quebra-cabeças estaria completa, Zelena ainda é uma peça solta. Um estalo lembrei-me do sumiço do Dr. Archie que foi muito suspeito depois de declarar informações sobre a paciente ele saiu de férias, mas não retornou e nem a secretaria tem noticias.

— Ruby quando voltarmos pode tentar localizar o paradeiro do Dr. Archie. – Falei pegando minha jaqueta.

—Sem problemas loira, agora vamos que estou morrendo de fome. –Falou abrindo a porta.

— Claro claro. – Falei seguindo e trancando a porta em seguida.

— Nem vem, eu sei que você também tem um Godzilla no estômago. –Balançou as sobrancelhas rindo.

Seguimos para a sala de jantar em meio a piadas, um clima leve pairando no ar.

Notas finais
Espero que tenham gostado.