Heart rater
12 Truth happiness and sadness
Notas iniciais
“I feel something so right
Doing the wrong thing
I feel something so wrong
Doing the right thing
I couldn't lie, couldn't lie, couldn't lie
Everything that kills me makes me feel alive”.
— OneRepublic — Counting Stars
Diário de E. Swan
Cordial meu avô se levantou e com um sorriso desajeitado me puxou para um abraço o que prontamente estranhei afinal o senhor Gold não é do tipo que abraça, retribui seu gesto um tanto desajeitada, nos afastamos e sentei na cadeira em sua frente.
— Então. –Meu avô mantinha aquele olhar astuto de que me lembrava, metido dentro de um terno Armani parecia receoso quanto ao conteúdo do envelope.
— Emma minha querida antes de abrir isso eu preciso que você me escute atentamente, preciso que esqueça o seu ceticismo completamente. –Falou me analisando.
— OK acho que posso fazer isso. –Falei meio apreensiva.
— Você não vive no mundo que pensa, sei que isso vai parecer meio loco, eu nem sei como dizer isso, o desejo de seus pais sempre foi manter você e James longe de toda essa bagunça.
— Gold, por favor fala logo. –Não gostei da menção dos meus pais.
— Basicamente magia é real, tudo que você escreve todas as historias que já ouviu cada uma delas é real, bruxas, lobisomens, fantasmas o circo inteiro.
— Tá bom eu acho que com todo respeito o senhor enlouqueceu. –Falei por mais que eu tentasse acreditar era muita piração para ser real.
— Não, escute aqui você esta no meio de um antigo clã que fugiu de Salem, os Mills não fugiram somente da caça as bruxas, aqueles idiotas a maioria das pessoas queimadas na fogueira eram inocentes, pegar uma bruxa de verdade é muito difícil, mas voltando ao ponto principal eles foram expulsos porque tentaram concretizar um ritual proibido pelos conjuradores. –Falou analisando minha expressão incrédula.
— Eu não sei o que falar. –Encolhi os ombros com dificuldade de aceitar aquilo como fato real.
— Vou te contar desde o começo só assim você vai entender. –Respirou fundo. –Os conjuradores são uma sociedade organizada e tem varias regras, mas só uma absoluta não revelar os segredo para pessoas normais, nem interferir em suas vidas, como conjuradores tem o dever de manter o equilíbrio das coisas, os Mills quebraram essa regra quando tentaram o ritual proibido e foram exilados, a família Mills tinha a magia pura ou se preferir boa de luz entre tanto a ganancia de Victoria Mills quando quebrou as regras trouxe para si e para o clã um esconjuro que escureceu a natureza de sua magia. –Seus olhos prendiam os meus com seriedade.
— OK. –Respirei fundo. – Onde tudo isso se encaixa.
— Alguns anos se passaram ate Cora nascer, ela era poderosa e tão gananciosa quanto sua antepassada Victoria, quando ela tomou conhecimento do ritual e soube os benefícios que ele traria não descansou ate conseguir tudo o necessário para realiza-lo.
— Como funciona esse ritual e que benefícios algo desse tipo poderia trazer? –Indaguei curiosa.
— O ritual de trazer os mortos de volta a vida, se bem sucedido confere ao conjurador que o fez poder absoluto, se der errado bom você já sabe é uma magia poderosa que prende a consciência do conjurador levando-o a loucura, mas isso é só metade do problema.
— Foi o que aconteceu com cora. –Constatei tamborilando os dedos na mesa.
— Não é só isso, especificamente para que esse ritual de certo têm um sacrifício que precisa ser feito, um humano sem magia e que tenha um coração puro, se o coração não for puro a pessoa sacrificada ate volta da morte, mas não é exatamente a mesma, a alma se deteriora pelo coração corrompido e o que sobra é uma coisa venenosa e vil.
— Céus. –Falei vendo-o abrir o envelope e me passar às traduções.
— Como pode ver ai, Cora realizou o ritual ignorando o fator coração puro ela sacrificou a Dra. Kristin, aquela mulher não era boa pessoa logo o ritual deu errado foi o que enlouqueceu Cora, sei por fontes seguras que ela tentou de tudo para fazer as filhas seguirem seus passos, uma delas aceitou e a outra negou veemente. –Falou serio.
— Sabe qual delas negou? –Perguntei rezando para ser Regina.
— Não meu contato no clã não tinha essa informação, o que posso afirmar com certeza é que uma delas segue os ensinamentos de Cora e seria mais seguro você ir embora daquela pensão o quanto antes. –Sua expressão era dura.
— Eu não posso. –Falei com a voz firme.
— Emma tem uma profecia, ela diz que a magia que foi escurecida por um ato de ganancia pode voltar a sua forma original quando um coração puro que nasceu da morte se sacrificar por amor.
— Não entendi o que isso tem haver com minha permanência na pensão, com as perguntas não respondidas. –Bufei aquela conversa estava fervendo meus pensamentos.
— Tem tudo, o que há para saber sobre Cora é isso. –Falou apontando para os papeis em minhas mãos. –Emma você tem o coração mais bondoso que eu já conheci Mary já estava morta quando você nasceu, consegue entender.
— É ridículo, eu não faço parte de uma profecia maluca eu nem sei se magia existe. –Falei exasperada.
— Ridículo é esse seu ceticismo cego, garota esse tipo de profecia não obedece comandos, você já foi atraída ate a pensão é questão de tempo ate uma das Mills se revelar e te usar para o ritual ou para dar partida nessa profecia de qualquer forma você acaba morta. –Falou bufando.
— Como você sabe de tudo isso afinal. –Perguntei batendo a mão sobre o tampo da mesa.
— Porque eu já trabalhei ajudando os clãs a se manterem escondidos das pessoas, seus pais também trabalhavam nisso, o maior desejo deles era manter você e James inconscientes de tudo, mas a boa e velha Emma tinha que se jogar de cabeça numa bagunça sobrenatural.
— OK. –Falei suspirando.
— Emma só me prometa que vai considerar a ideia de ir embora da pensão, você já tem tudo que precisa para anexar esse conto ao seu livro e também é a única família que eu tenho já perdi seus pais e não posso perder você. –Falou segurando minhas mãos.
— Eu prometo que vou pensar nisso. –Falei enquanto juntava os papeis colocando-os dentro do envelope pardo. –Eu preciso ir. –Ele se levantou sem dizer nada me abraçou soltando um cuide-se e foi embora.
Minha cabeça fervilhava, eu queria desesperadamente confrontar Regina, parte de mim queria acreditar e outra acha tudo isso uma ideia extremamente ridícula, caminhei ate o balcão comprando os caramelos para Ruby e saindo a passos indecisos em direção ao carro onde ela me esperava.
Entrei no carro sem muito animo, Ruby estava com um sorriso no rosto.
— Como foi Emma. –Perguntou curiosa.
— Maluco, acredite. –Falei apontando para o envelope no meu colo. –Mas e você consegui surrupiar o depoimento?
— Sim, escuta só a secretaria mencionou também que o Dr. Archie começou a ficar estanho antes de surtar e sair de férias, ela disse que foi depois de receber uma ligação. –Olhou para mim em expectativa.
— Pode parar que eu não vou adivinhar nada. –Falei sorrindo sem mostrar os dentes.
— Chatinha, Ele falou com uma Mills, isso mesmo que você ouviu uma Mills a secretaria não sabe qual das irmãs.
— Da para ficar mais estranho. –Falei encostando a cabeça no banco e mirando o teto do carro.
— Da sim, a policia intimou as duas para depor, mas um dia antes inexplicavelmente a prova que ligava elas sumiu ao caso sumiu e tudo foi arquivado, essas duas escondem algo serio.
— Espere ate ouvir o que eu descobri. –Falei quando Ruby deu partida no carro.
A viagem de volta foi sem musica ou cantorias, contei a Ruby tudo que descobri com os papeis e com meu avô Gold, ao contrario de mim Ruby acreditou em tudo e concordamos que cautela agora era a coisa mais importante para nós.
S.M.
A pensão tinham um ar mais ameaçador agora, enquanto caminhava pelo estacionamento com Ruby sem dizer uma palavra como se estivéssemos sendo observadas a cada passo, as janelas pareciam conter olhos atentos a tudo, minha mente estava bagunçada e cheia de suposições e Regina presente em todas elas, um medo incontrolável tomava terreno eu queria mais do que tudo que minha morena fosse inocente, é inegável que sentia por ela muito mais do que atração, quando a conheci meu mundo mudou, quando a beijei foi como se o vazio que eu tinha fosse preenchido e quando ela me expulsou foi como perder uma parte vital, cada segundo longe dela passava acompanhado de uma dor persistente, agora tem toda essa droga de bruxas é inacreditável. Se for necessário será que terei forças para deixa-la, ir embora sem olhar para traz a resposta é não a mera possibilidade de não ver Regina nunca mais me apavora, mas Gold foi claro sobre deixar a pensão imediatamente, meu ceticismo abalado desde aquela visão no carro fato que preferi guardar só para mim.
— Ei loira que tal você subir para o quarto, eu vou pegar nossa comida e já subo também, lá teremos mais privacidade. –Falou interrompendo meus devaneios.
— Claro, eu te espero lá. –Falei seguindo para o corredor.
Tudo parecia letárgico, continuei a passos lentos em direção a escadas com envelope pardo em minhas mãos, o peso das verdades que ele carregava, quase na base da escada senti o perfume dela, deus não eu não posso enfrenta-la agora, Emma concentre-se pensei.
— Swan precisamos conversar. –Sua voz rouca e com uma raiva contida me arrepiou dos pés a cabeça.
— O que você quer Regina? –Virei em sua direção com um suspiro evitando olhar em seus olhos.
— Já disse, quero conversar. –Falou prendendo meus olhos nos seus.
— OK. –falei dando de ombros, a vontade de provoca-la estava presente junto com a cautela por tudo que descobri, uma batalha era travada em mim.
— Siga-me. –Falou virando as costas e contornando a base da escada tinha um pequeno corredor com uma porta ao final que dava para outra parte do jardim, segui Regina e o envelope em minhas mãos parecia um alerta.
Regina abriu a porta esperando que passasse por ela então caminhou ate uma macieira rodeada por bancos de mármore, seus olhos pareciam cautelosos quando ela indicou que me sentasse ao seu lado.
— Você me provocou Emma geralmente sou quem faço isso. –Disse olhando para um ponto qualquer a sua frente. –Vejo claramente que apesar de ser petulante ao extremo você é uma pessoa boa, devia ficar longe de mim. –Seus olhos cheios de pesar encontraram os meus.
Esquecendo-me de tudo que sabia e contrariando todos os alertas.
— Eu não quero e não consigo me afastar de você. –Falei segurando sua mão, a segurança que esse pequeno ato me trazia era tão boa. –Me recuso a acreditar que você seja tão ruim assim. –Sua mão apertou mais a minha causando uma onda de energia entre nós.
— Emma eu sei que você leu o diário da minha mãe. –Falou pesarosa. –Não conseguiu o suficiente para sua historia vá embora daqui antes de se sujar com toda esta droga. –Falou tentando soltar nossas mãos e rapidamente a puxei para um abraço de lado, Regina respirou fundo deixando sua cabeça pousar em meu ombro.
— Sim eu li. –Falei afagando suas costas, seus cabelos fazendo cócegas no meu pescoço. –Eu vim aqui pela historia, mas agora isso parece tão superficial. – Ficamos em silencio por um tempo aproveitando a sensação boa de nossos corpos juntos.
— Emma você é inteligente não tenho duvidas que logo vai chegar ao fundo disso, eu posso aguentar que você me odeie pelo que vai descobrir, mas nunca em hipótese alguma aguentaria ver você se machucando e é por isso que eu tenho que pedir, vá embora. –Suspirou se afastando do meu abraço seus olhos cheios de magoa.
— Eu não posso em hipótese alguma fazer isso. –Falei a encarando, Regina se levantou andando de um lado para o outro, me levantei e pus mão em seu ombro fazendo ela parar.
— Emma é pela sua segurança, não seja idiota. –Falou exasperada se afastando de mim.
— Então eu sou idiota, sou eu quem decide o que é seguro para mim ou não, e eu decido o que vale a pena arriscar. –Falei bufando e levando as mãos a cabeça.
— Só pense nisso Miss Swan. –Falou virando as costas e seguindo para a porta.
— Então voltamos ao Miss Swan, ótimo Regina. –Falei um tom mais alto sabia que ela escutaria.
Esperei um tempo considerável no jardim, mas que droga todo mundo dizendo vá embora da pensão Emma, com suspiro caminhei para dentro não prestei atenção em nada ao meu redor subi as escadas o mais rápido que pude, ignorei a sensação estranha no corredor indo para o quarto a passos largos.
Ruby me esperava com a mesa de centro cheia de comida.
— Uou. –Falei entrando e sentindo cheiro maravilhoso da comida.
— Uma das vantagens de ser neta da chef de cozinha. –Falou dando de ombros. –Agora vem comer que só te esperei por educação se não tinha comido tudo.
— Tudo bem. –Me acomodei no sofá e Ruby me passou um prato.
— Loira você tá estranha. –Falou enquanto colocavam um pedaço grande de lasanha na boca.
— Eu encontrei Regina. –Falei com a boca meio cheia.
— Conta. –Falou animada largando o prato na mesinha.
— Pode ir parando, vamos comer e depois eu juro que conto ate quantas vezes ela respirou. –Falei sorrindo de lado.
— OK acho que consigo segurar minha curiosidade mais um pouquinho. –Falou atacando a comida novamente.
Almoçamos num silencio confortável, quando acabamos Ruby juntou os pratos e os copos de suco colocando tudo dentro de uma sacola, contei a ela sobre a conversa que tive com Regina.
— loira sinceramente eu vou te apoiar no que decidir, siga seu coração minha vó costuma dizer que ele sempre sabe o caminho certo. –Falou tirando as botas e muito folgada como sempre colocou os pés no meu colo.
— Folgada. –Falei. –Obrigada por ficar do meu lado. -Falei encarando o quadro com as informações de Cora a minha frente.
— É o que os amigos fazem né. Agora faz uma massagem ai. –Falou rindo e apontando seus pés.
— Não mesmo o super folgada. –Dei um tapa empurrando seus pés do meus colo quando vi a cicatriz no seu tornozelo.
— Ruby eu sei que prometemos não falar sobre isso, mas olha a marca disso, não parece uma armadilha de caçador, parece uma mordida humana céus, você não percebeu isso. –Falei encarando-a preocupada.
— Loira eu percebi só que isso me assusta eu não quero pensar nisso, eu estou bem agora por favor . –Falou me encarando em expectativa.
— Tudo bem, me desculpa só me preocupo com você. –Falei me levantando.
— Eu sei, então loira vamos anexar as informações no quadro. –Falou levantando e pegando o envelope.
— Claro claro. –Começamos a cruzar as informações criando uma linha do tempo mais clara.
O silencio imperou, às vezes Ruby fazia piadas ou comentários sarcásticos no intuito de me fazer rir e conseguia, minha amiga parecia não se preocupar, mas eu tinha um plano, vou invadir a casa das Mills de novo sozinha, o alvo agora é o porão tenho certeza que lá vou descobrir o que diabos mordeu Ruby, Regina provavelmente me mataria caso descubra que pretendo invadir sua casa novamente.
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