Heart rater
2 Particularités
Notas iniciais
A pólvora permaneceu tão inofensiva quanto areia, porque nenhum fogo chegou perto para fazê-la explodir.
—Emily Brontë
Diário de E. Swan
Acordei de um rompante em meio aos lençóis que pareciam blocos de concreto talvez efeito do pesadelo, olhei pela janela ótimo sem chuva, mas uma densa neblina cobria o mundo lá fora pensei comigo será que acordei em silent hill, ao pegar meu celular constatei que eram seis horas, tenho uma hora ate o café começar a ser servido poderia dormir mais porem no estado em que me encontrava toda suada seria melhor um banho.
Livrei-me das roupas e rapidamente fui para dentro do box a agua quente começou a tirar a tensão dos meus músculos, enquanto relaxava me pus a analisar mais detalhadamente o sonho que tivera com dona Cora.
Ela estava imponente no seu traje o mesmo da foto no jornal, saia preta longa e uma blusa de seda também preta, desfilava pelo quarto falando coisas incompreensíveis, lembro que sai do armário em que me escondia para me aproximar dela só então notei suas mãos que estavam cobertas de sangue.
Parecia um filme algo que eu não participava, mas isso só ate ela parar de andar virar rapidamente em minha direção seus olhos eram dois buracos negros e a pele pálida quase translucida, ela sorriu diabolicamente enquanto as paredes jorravam sangue quente, meu corpo estava paralisado, então Cora calmamente sentou na poltrona em frente à janela e disse “eu tinha que fazer, ela disse que precisava ser feito, no mesmo dia do festival da colheita em Praga” olhou em minha direção “vá embora ou você vai morrer aqui”.
O banheiro parecia uma sauna agora, sai muito à contra gosto debaixo da agua quentinha, enquanto me secava pensava em como proceder com minhas investigações nesse dia, decidi que melhor seria observar o lugar e falar discretamente com hospedes, mesmo que a maioria deles fossem malucos com câmeras infravermelho tentando imitar Sam e Dean.
Fui ate a bancada e tinha uma rádio relógio passei as estações ate encontrar uma estação razoável, o som de everybody hurts encheu o ar. Vesti uma calça jeans escura, minhas botas de guerra e uma jaqueta de couro preta, prendi o cabelo num rabo de cavalo, peguei meu diário junto à pasta de desenhos o gravador e joguei tudo dentro de uma bolsa a lá Indiana Jones, celular no bolso sai trancando a porta.
O corredor estava meio iluminado e silencioso, a três passos da escada senti uma respiração no meu pescoço, olhei para trás rapidamente, ótimo Emma você já visitou lugares piores pare de imaginar coisas foi uma corrente de ar, continuei meu percurso ate a sala onde o café era servido ao hospedes, quase no fim da escada percebi mais quadros de caçadas claro, mas em uma cômoda ao lado esquerdo no fim da escada tinha um retrato antigo, eram duas garotinhas vestindo aquelas roupas antigas de colégio de freiras então senti o cheiro da comida e meu monstro interior deu sinal de vida.
Era uma sala com paredes de vidro uma mesa grande ao fundo cheia de comida e varias mesinhas espalhadas com harmonia, uma senhora entrou trazendo café recém passado a julgar pelo cheiro. Alguns hospedes estavam comento e conversando através de murmúrios, pelo que pesquei enquanto me servia na mesa principal o assunto da vez era a tempestade que tinha bloqueado as vias de acesso a cidade.
Com meu café já na bandeja vi que tinha pãezinhos de canela e torta, pãezinhos ou torta Emma? Se fosse por meu estômago teria pegado um pouco de tudo daquela mesa, mas optei pelos pãezinhos quando senti um perfume no ar suave francês com toda a certeza não quero me gabar, mas sou muito boa com odores, essa leve mudança no ar desviou meus sentidos do cheiro de comida.
Levantei o olhar da mesa sendo sugada pelo mar castanho que me encarava do outro lado da mesa, olha se não era a reservada Sra. Regina Mills, senti um arrepio aquele olhar tinha um que de selvagem um aviso implícito de não se aproxime, mas ao mesmo tempo em que aquele castanho repelia também me atraia como o mar de ressaca, foram segundo talvez menos do que isso que pareceram horas ela me analisava então levantou uma sobrancelha perfeita, lembrei-me de fechar a boca, seja educada idiota pensei.
— Bom dia. –Disse com um leve tremor espero que ela não tenha notado.
— Bom dia, é a hospede nova não? –vi que ela parecia se esforçar para parecer simpática, mas o sorriso forçado não convencia ninguém.
— Sim. –Então eu travei parecia que as palavras me fugiam, ela franziu a testa e disse.
— Espero que aproveite sua estadia Miss Swan. –Virou as costas e saiu o barulho do salto ecoando na sala e me perguntei como eu não ouvi ela chegando, enquanto se afastava indo ate um balcão que não percebi estar na sala antes, meu olhar caiu involuntariamente para sua bunda apertada numa calça social, balancei a cabeça e me dirigi para uma mesa ao lado da parede de vidro desse ponto eu tinha visão do jardim ainda envolto em névoa e o balcão onde Mills remexia uns papeis, como ela sabia meu nome, ai não seja burra ela deve ter visto meus dados, beberiquei meu café ainda divagando sobre a curiosa figura algumas mesas a frente. Peguei a pasta de desenho um lápis eu precisa desenha-la, aquele rosto, a boca com uma cicatriz sexy no lábio superior direito, os cabelos ate os ombros pareciam ser macios ao toque a blusa social branca com alguns botões abertos para destruir qualquer mortal.
Rabiscava furiosamente no papel o perfil de seu rosto já visível, olhei em sua direção e ela estava me encarando rapidamente baixei a cabeça fechando a pasta desenho seria impossível pela distancia para Mills perceber que eu a desenhava, mas aquele calafrio me dizia o contrario a forma como seus olhos se estreitaram, então duas garotas barulhentas entraram com câmeras na mão e vi o semblante dela se fechar.
Desvie a atenção da cena focando no meu café, eu precisa conseguir entrevistar Regina, mas pelo modo como agiu ela parecia inalcançável, paciência Emma você precisa agir com cautela, claro tinha a irmã que certamente responderia minhas perguntas só que algo em mim queria desesperadamente que fosse a morena a conceder umas respostas, mas ela me olhou come se eu fosse uma idiota, porque você é pensei.
Fui despertada de meus devaneios por uma morena de mechas vermelhas vindo em minha direção espalhafatosamente chamando atenção de todos.
— Meu deus você E. S. White, eu li a dama do lago nossa foi assustador. –Falou tudo num fôlego só sentando na cadeira a minha frente. –Opa desculpa nem pedi se podia sentar. –Encolheu os ombros dando um sorriso constrangido, ri de seu jeito espontâneo.
— Não tudo bem, que bom gostou do livro. –Vi Mills se virar e nos encarar deliberadamente a moça acompanhou meu olhar.
— A mulher diabo é tão mandona quanto é sexy, a propósito sou Ruby Lucas. –Falou estendendo a mão.
— Prazer Ruby meu nome você já sabe. –Falei rindo. — Mandona? Imagino.
— Sim claro, acredita eu pedi para ver o quarto antigo da Dona Cora, achei que ela fosse me enxotar daqui. –Sorriu de um jeito abusado. –Espera você esta aqui pela historia?
— Sim, seria um conto importante para meu novo livro, mas conseguir respostas para montar a historia vai ser complicado.
— Com Regina sim, tente falar com a irmã dela, ela vai responder o que você pedir só que assim como o diabo de louboutin Zelena é irredutível sem visitas ao quarto da falecida ou qualquer lugar da área privativa.
— Vou fazer isso, mas seria bem importante para ambientar o conto visitando o lugar exato das mortes. –Falei suspirando.
— Bem eu tenho um plano. –Falou se inclinando na mesa e sussurrando. – Vou contar sou fã dos seus livros e seria um prazer ajudar, escuta daqui dois dias tem um baile aqui na pensão mais como uma festa a fantasia voltada para os clássicos do terror, ideia da Zelena vulgo irmã legal, o nome é baile profano e o salão fica perto da área privativa separados por um jardim. A terceira janela da esquerda para a direta tem uma falha na tranca.
— Bom então com a distração da festa podemos entrar na área privativa e ir ate o quarto de Cora. –Essa Ruby tem uma inclinação para planos malucos ri então notei Regina atenta nos observando com o canto dos olhos por instinto baixei mais a voz.
—Então Ruby acho que podemos ser Batman e Robin. -Falei rindo.
— Bom. –Falou pensando. –Prefiro a dupla Sherlock Holmes e o Dr. Watson.
— Certamente vou ver se acho um cachimbo. –Falei rindo.
— Claro claro, aqui. Escreveu algo no guardanapo com minha caneta. –Me mande mensagem temos que ser cautelosas tem algo estranho rolando aqui, eu preciso ir. –Fiz um sinal afirmativo com a cabeça, a loca levantou chamando atenção ao arrastar a cadeira no chão e seguiu para fora da sala e Mills alternou seu olhar entre minha mesa e a porta por onde Ruby saiu fechando a expressão no mesmo instante.
S.M.
O jardim era lindo, bancos de mármore espalhados e dálias acima da minha cabeça soltavam um perfume delicado, não tinha mais neblina porem nada de sol, um jardim tão lindo sem um misera ave nem um colibri, continuei rabiscando a pagina que agora continha Mills de perfil o desenho quase pronto.
Droga Emma eu preciso focar na historia, guardei a pasta do desenho e peguei o diário que era mais um livro de notas. Andando pelo jardim pensei como teria sido avida de Cora ali, o que ela pensou e sentiu, quando tudo mudou? Com a cabeça enfiada no livro quase trombei com o que parecia ser um totem, analisando calmamente era uma pantera de um lado e do outro um coelho fumando um cachimbo, fiquei aliviada apesar do tema ainda ser caçadas não era um lobo uma rara variante na decoração artística do lugar. Fiquei um longo tempo analisando aqueles desenhos entalhados quando senti que não estava sozinha.
Era Zelena que me analisava não de um jeito critico ou invasivo como a irmã fizera, vestida bem mais simples também, calça jeans escura, botas de cano longo e uma blusa de seda verde, os cabelos ruivos soltos nem pareciam irmãs, mas uma coisa inegável era a beleza magnética das duas.
— Você deve ser Emma Swan, hospede nova/escritora. –Disse com um olhar divertido.
— A própria, você sem duvida é Sra Zelena Mills. –Ela sorriu curiosa.
— Só Zelena, por favor, você é calma Emma a maioria dos nossos hospedes me cobre de perguntas assim que me encontram.
— Não quero ser invasiva, mas sim tenho perguntas também. –Falei sorrindo sem mostrar os dentes.
— Bom eu posso responder suas perguntas se me disser por que o coelho não esta correndo da pantera, ele simplesmente fuma seu cachimbo. –Falou apontando para o totem e rindo travessa.
— O coelho é mais esperto do que a pantera, então ele fica calmo apenas fumando seu cachimbo.
— Muito bem, estou satisfeita. –Pensou por um instante. –Agora estou meio ocupada depois do almoço pode me procurar na recepção ai conversamos, eu preciso ir ate depois Swan. –Respondi mecanicamente um ate a vendo sair do meu campo de visão.
Não iria de forma alguma desistir de entrevistar Regina, que os deuses dos autores me ajudem a falar com aquele furacão moreno.
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