Heart of light in the black night
7 Capítulo 7 - "Don't mind us"
Marlene POV:
É claro que quando acordei na manhã seguinte, Lily Evans pairava de pé ao lado da minha cama, aparentando estar ao mesmo tempo zangada e preocupada.
— Fiquei acordada até mais da meia-noite e você não voltava, Lene. – ela disse, de certa forma me repreendendo.
— Desculpa te deixar preocupada. – falei. – Mas eu não tive como controlar tudo o que aconteceu.
— Tudo o que? – perguntou.
— Sirius. – respondi.
— O que tem Sirius? – questionou.
— Ele me beijou. – contei quase que em um sussurro, mesmo que só nós duas estivéssemos no quarto, provavelmente significando também que estávamos atrasadas. – Na verdade, nós nos beijamos. – corrigi. O espanto no rosto de Lily fora nítido.
— Não sei o que dizer. – ela falou. – Ao mesmo tempo em que por anos eu nem sequer imaginara algo assim, acho que no último mês talvez fosse a coisa que eu mais estivesse desejando que acontecesse. – admitiu. – Como foi?
— Incrível. – falei. – Diferente de qualquer outra coisa que eu tenha sentido antes na vida. – contei. – Não sei o que Sirius tem que, de alguma maneira, prende tanto o meu interesse.
— Eu poderia citar alguns palpites, mas estamos quase super atrasadas para a primeira aula do dia. – Lily comunicou. – É melhor você se apressar, mais tarde conversamos melhor.
Tive que vestir minhas vestes da Grifinória em velocidade máxima para conseguirmos chegar a tempo na primeira aula. Apesar de ter adormecido tranquilamente naquela noite, o cansaço era nítido sob meus olhos, os quais lutavam para se manterem abertos diante do tédio que eram as aulas de Aritmância e História da Magia. Percebi que Sirius não comparecera a nenhuma das duas, e, uma certa ansiedade começava a nascer dentro de mim por não saber como nos trataríamos depois da noite de ontem. A resposta surgiu quando eu me direcionava para a última aula daquela manhã de sexta. Lily e eu havíamos nos separado naquela ocasião, pois ela teria Trato das Criaturas Mágicas e eu Estudo dos Trouxas. Eu caminhava sem maiores preocupações pelos corredores quando senti a mão conhecida de Sirius Black segurar meu pulso, puxando-me com cautela para um novo corredor, mais escuro e muito menos movimentado.
— Desculpa. – ele pediu. – Vi você passando e não tive como não fazer isso.
— Acho que deveríamos controlar melhor nossos sentimentos. – eu falei em um falso tom de reprovação, como se não gostasse quando ele fazia aquilo. Segundos depois, porém, nossos lábios já estavam colados um ao outro, desfrutando mais uma vez daquela maravilhosa sensação. Mesmo que ainda fosse manhã e estivéssemos cansados pelas poucas horas de sono, os movimentos compartilhavam da mesma ferocidade que na noite anterior. – Isso é errado. – parei de repente, ao me dar conta do que fazíamos.
— Não tem como ser errado. – Sirius logo argumentou. – É bom demais para ser errado. – sorri com o comentário dele.
— Estou falando sobre fazermos isso no meio das aulas e do corredor. – falei. – Não sobre o beijo em si.
— Nesse caso, ufa! – ele brincou, também sorrindo. – Eu diria que dá ainda mais emoção quando não é exatamente permitido.
— Por que você tem essa cisma tão forte de se meter em confusão? – perguntei, rindo do comentário.
— É divertido. – respondeu. – Diria que a vida não tem graça sem algumas confusões. – Sirius disse. – Mas você já provou o contrário nas últimas semanas. – eu sorri novamente.
— Quem disse que eu não sou uma confusão? – questionei.
— Bom, se isso for verdade, então acho que vou ter que enfrentar esse risco de tanta responsabilidade. – ele falou, determinado.
— Nesse caso, acho que você merece um último beijo antes de voltarmos para a realidade. – falei, cumprindo com minha palavra logo na sequência. Sirius também tinha Estudo dos Trouxas em seguida, e, meio que sem querer querendo, acabamos nos atrasando para aquela aula; era difícil controlar o incontrolável. Talvez a quantidade de tempo que havíamos esperado e a tensão acumulada não ajudassem a resistir ao instinto e à vontade, mas a princípio, nenhum de nós dois tinha interesse em se opor a isso.
Sirius POV:
Ainda que a onda de provocações tivesse sido extremamente intrigante e divertida, o dia seguinte ao meu aniversário não teria como ser comparado a qualquer outro. Os encontros pelos corredores eram quase que irresistíveis, até acabamos sentando juntos no horário do almoço, como se fosse a coisa mais natural do mundo, e, de certa forma, era como eu me sentia, como se tudo aquilo estivesse certo. Depois do primeiro beijo na noite passada, tornara-se impossível negar: nós éramos loucos um pelo outro, fosse em palavras, atitudes, gestos, em todos os sentidos.
Nitidamente, nenhum de nós dois era a melhor pessoa para lidar com sentimentos e autocontrole. Entretanto, aquele era somente o dia após o primeiro beijo, então aparentemente não víamos problema algum em simplesmente seguir nossos instintos a cada segundo que passávamos juntos.
— Pelo jeito, o restante da noite rendeu. – James disse quando finalmente me encontrou na hora do jantar. – Vi vocês dois juntos no almoço. – ele contou. – Fiquei me perguntando se seria apenas uma troca habitual de provocações replicadas, mas então notei a quantidade exagerada de sorrisos que vocês compartilhavam e percebi que algo estava muito estranho. – continuou. – Quero dizer, algo estava muito diferente. – corrigiu, em um leve tom de brincadeira.
— Eu finalmente consegui um beijo da McKinnon. – contei, imaginando que essa fosse a parte que interessasse a James.
— Ao mesmo tempo em que quero gritar graças ao bom e sábio Merlim, espero que você saiba no que está se metendo. – James comentou. – Mas se me permite opinar, eu acredito que toda essa sua insistência valha a pena.
— Você estava certo quando disse que ela era como uma espécie de imã, capaz de atrair todo meu interesse e atenção. – lembrei. – De alguma maneira, é como se ela fosse dona de toda a graça do mundo, não consigo me cansar de sua imprevisibilidade.
— É notável que você aparenta estar sob certo efeito de hipnose. – ele ponderou. – Alguns especialistas chamam de amor. – brincou, fazendo com que eu risse.
— Não estamos nesse jogo há tanto tempo assim para definir como amor. – ressaltei, apesar de nunca ter analisado daquela maneira.
— O amor não é definido por tempo, e sim por sentimentos e honestidade. – James falou.
— Você realmente está se tornando um cara sábio e maduro, não é? – questionei, soltando uma leve risada.
— Eu não riria assim, meu amigo. – ele disse tentando aparentar sério, porém também utilizando de um tom divertido. – Algo me diz que você não está seguindo por um caminho muito diferente.
— Isso só pode ser muito bom ou muito ruim. – falei.
— Meu subconsciente aposta na primeira opção. – falou erguendo um sorriso no rosto.
— Dizem que o subconsciente nunca erra. – comentei, também sorrindo.
— Mas e então, como foi? – James enfim perguntou.
— Incrível. – respondi imediatamente. – Achou a Lily ontem?
— Achei e nem precisei do mapa. – respondeu. – Creio que ela esteja um pouco menos zangada agora.
— Ainda bem. – afirmei. – A última coisa que esse mundo cheio de guerras precisa é de uma entre vocês dois. – James riu do comentário.
Como não tínhamos aulas no sábado, era comum uma quantidade maior de pessoas ficar acordada até tarde no Salão Comunal nas sextas a noite. Naquela, não foi diferente. Disputávamos um campeonato de xadrez de bruxo; eu e Peter contra James e Remus, alternando as duplas a cada rodada até que enjoássemos daquilo. Eu não era a pessoa mais paciente do mundo para fazer dupla com Peter em jogos como xadrez, e, então, quando avistei meu vulto de cabelos loiros preferido sentado alguns metros de distância perto de uma das janelas, aparentemente terminando algum trabalho, não hesitei em me dirigir até lá.
— Ei! – Peter protestou. – Você não pode simplesmente me deixar jogando sozinho, Almofadinhas! – ele continuou. Olhei para trás na intenção de responde-lo, mas James deu um leve empurrão no ombro de Peter ao perceber onde eu ia, fazendo com que a necessidade de qualquer resposta sequer existisse.
— Vamos jogar algum outro jogo. – ainda consegui ouvir James falando.
Marlene parecia bastante concentrada no que fazia, seu pergaminho já se encontrava consideravelmente preenchido por uma grande quantidade de palavras. Ela era naturalmente inteligente e esperta, assim como eu, não precisava se esforçar para ir bem em qualquer que fosse a matéria ou situação, o que a tornava um mistério ainda mais intrigante a ser desvendado. Sorrateiramente, sentei-me ao seu lado na beirada da janela. Seu olhar não se dirigiu a mim, mas eu sabia que ela percebera minha presença.
— Aritmância? – perguntei, após ler um pouco do que ela escrevia.
— Sua mãe não ensinou que é feio bisbilhotar, Black? – ela logo provocou.
— Pelo que eu me lembre, ela passou mais tempo gritando sobre sangues-ruins do que dizendo coisas sensatas. – falei. – Isto é, antes de eu fugir de casa. – ela finalmente dirigiu o olhar a mim depois dessas palavras.
— Por acaso você está tentando me impressionar com sua rebeldia? – Marlene perguntou, erguendo um sorriso indecifrável nos lábios.
— Parece algo muito óbvio quando você coloca dessa forma. – eu disse, retribuindo o sorriso.
— Talvez seja. – concordou. – Mas eu adoraria ouvir essa história algum dia.
— Quando quiser. – garanti, mantendo o sorriso nos lábios.
— Irei cobrar essa história em algum momento. – ela disse.
— Eu sei que vai. – falei. – Já serve como uma garantia de que essa não é nossa última conversa na vida. – Marlene sorriu com meu comentário.
— Definitivamente. – ela falou, deixando escapar uma leve risada e dirigindo seu olhar mais uma vez para o pergaminho.
— Precisa de alguma ajuda? – perguntei.
— Não. – negou. – Na verdade, eu acabei de terminar. – ao dizer isso, ela começou a enrolar o pergaminho no qual escrevia.
— É uma pena, temos que treinar nosso trabalho em dupla. – eu disse em tom de brincadeira, mas verdadeiramente falando.
— E por que teríamos de fazer isso? – ela perguntou.
— Vamos ter que escrever relatórios sobre as poções que fizemos juntos. – lembrei.
— Bem lembrado. – Marlene afirmou, terminando de enrolar o pergaminho. – Mas não acho que exista um motivo para nos preocuparmos, diria que temos algum tipo de química natural. – sorri ao ouvir as palavras dela.
— Seria muito imprudente se eu te beijasse agora mesmo no meio de um Salão Comunal cheio? – perguntei, mantendo meu olhar fixo sobre o dela.
— Pode ter certeza que um Salão Comunal cheio seria o último empecilho o qual eu citaria para não fazermos isso. – Marlene disse, virando-se sorridente para encontrar meu olhar. – Mas ainda acho que precisamos nos controlar um pouco. – ao dizer isso, ela deu um rápido beijo em meu rosto.
— Isso é injusto. – falei após sentir o toque dos lábios dela sobre minha bochecha. Ela sorriu.
— Depende do seu ponto de vista. – ao dizer isso, Marlene se aproximou de meu corpo, permitindo que eu a envolvesse com meu braço esquerdo. Depositei um beijo em sua testa, fazendo com que ela sorrisse, e, em seguida, virasse o rosto em direção ao meu. Tomei a liberdade para então selar nossos lábios, de maneira simultaneamente rápida e delicada.
— Meu ponto de vista me agrada bastante nesse momento. – eu disse, fitando-a e erguendo um leve sorriso. Marlene retribuiu o sorriso e então aconchegou sua cabeça sobre meu ombro.
O tempo passou incrivelmente rápido depois disso. Observamos o céu estrelado em meio a diversas conversas, tão construtivas quanto cheias de provocações e risadas. Quase sem percebermos, o Salão Comunal foi se esvaziando e o cansaço pela noite pouco dormida parecia inexistente.
— Parece que sobramos só nós dois. – falei quando já não restavam outras pessoas no recinto, observando meu relógio de pulso em seguida, certificando-me de que já passara da meia noite.
— Sobramos pela segunda noite seguida? – ela questionou, com uma pitada de sarcasmo em sua voz. – Só pode ser uma coincidência muito forte.
— Ou uma conspiração muito forte da vida. – retruquei. Em seguida, Marlene se levantou do canto da janela onde nos encontrávamos.
— Conspiração? – ela perguntou. – E qual seria o possível objetivo desta?
— Reunir as duas pessoas mais intrigantes dessa escola, é claro. – Marlene riu do meu comentário, fazendo com que eu sorrisse ao observar a risada sincera dela.
— Nesse caso, acho que não devemos desperdiçar o tempo que nos foi conspirado. – ela disse sorrindo. Marlene então se aproximou e puxou cuidadosamente minha gravata da Grifinória, fazendo com que eu me levantasse e caminhasse na sua direção, em passos lentos. Ao alcança-la, meus braços automaticamente percorreram uma trilha pela lateral de seu corpo, até pousarem de forma habitual em sua cintura. Ela sorriu e fechou os olhos, ao mesmo tempo em que nossos lábios se encontravam.
Antes que pudéssemos ir adianta com aquilo, desci minhas mãos por suas coxas e a ergui do chão. As pernas de Marlene se prenderam ao redor de meu corpo e eu a carreguei em direção a um dos sofás do Salão Comunal. Chegando ao destino desejado, deitei seu corpo com cuidado e rapidamente voltei a fisgar seus lábios, sem intenção alguma de desperdiçar qualquer segundo daquele momento. Tínhamos todo o conforto e aconchego que faltara na noite passada, somados à vontade, desejo e muita intensidade. As unhas de Marlene invadiram minha camisa e percorriam minhas costas conforme minhas mãos percorriam seu corpo e garantiam todo o contato possível. Nossos lábios somente se separavam quando a necessidade por oxigênio era indispensável. A duração daquele beijo poderia ser infinita, da mesma forma que o anterior, não fazia ideia da quantidade de tempo que se passara quando por fim não existiam mais forças para dar continuidade àquilo. Selei nossos lábios uma última vez antes de verdadeiramente nos desvencilharmos.
Nos apertamos dentro do sofá, que parecia perfeito para que nos aconchegássemos com a melhor proximidade possível. Envolvi Marlene em meu braço direito e ela acomodou novamente sua cabeça, dessa vez sobre meu tórax. Mesmo que ofegantes e teoricamente cansados, aquele momento transmitia todo o conforto e energia do universo.
— Você não está com sono? – Marlene perguntou.
— Não consigo sentir sono quando estou com você. – falei, causando um sorriso no rosto dela.
— Essa sua onda romântica está realmente persistindo. – ela comentou.
— A culpa é sua. – eu disse.
— Ironicamente, não sinto culpa alguma. – falou.
— Então podemos continuar desse jeito. – sorrimos simultaneamente.
— É, talvez possamos. – concordou, com um leve tom duvidoso de brincadeira.
— Você realmente não se rende, não é? – questionei.
— Ainda bem que você já percebeu. – Marlene disse sorrindo.
— Não significa que vou parar de tentar fazer com que isso aconteça. – falei.
— Então podemos continuar desse jeito. – sorrimos novamente.
E depois disso, é difícil definir bem o que aconteceu. Permanecemos em silêncio, em contato apenas através de nossos corpos, até que Marlene adormecesse. Cogitei passar a noite acordado cuidando dela, sabia que não adiantaria tentar leva-la ao dormitório já que este tinha seus truques para garantir que garotos não o adentrassem. Entretanto, nem mesmo meu instinto protetor fora capaz de vencer o sono e acabei por adormecer também, sem me preocupar com o que aconteceria a seguir desde que acordasse com Marlene ainda envolvida em meus braços, incluindo o fato de que todos os membros da Grifinória provavelmente comentariam aquela situação na manhã seguinte.
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