Heart Skipped a Beat
2 Thalia
Notas iniciais
– Thalia! Sai logo de dentro desse banheiro! – Jason esmurrou a porta, impaciente.
Aquilo foi o suficiente para retirar a garota de seus devaneios. Há quanto tempo estava debaixo do chuveiro? 30,40 minutos? Não importava. O que importava era que se chegasse atrasada novamente na aula do Sr. Turner seria reprovada. Thalia secou-se apressadamente, amarrando uma toalha em seu corpo e saiu do banheiro, deixando uma trilha de água até o seu quarto. Não tinha tempo para pensar em uma roupa para vestir, então enfiou a mão no armário e usou a primeira coisa que pegou.
De repente, um estranho cheiro de queimado invadiu suas narinas. Era possível que Jason tivesse colocado fogo na casa antes das 7 da manhã? Resolveu ir checar. A fumaça vinha da cozinha, que tomou o cômodo inteiro. Thalia não conseguia ver nem ao menos respirar, até que lembrou do Bacon que tinha deixado fritando quando fora tomar banho. Seus banhos não duravam mais que 5 minutos, mas como dessa vez tinha reservado um tempo extra para pensar, tinha esquecido completamente da refeição. Enquanto Jason, se mostrara inútil o suficiente para ser incapaz de desligar o fogão.
A fumaça estava demorando para se dissipar, e a garota estava tão aflita para não causar um incêndio, que acabou tocando na frigideira com as mãos nuas. A dor foi tão grande que teve vontade de gritar, mas não o fez. Apenas abriu a janelinha em cima da pia para a fumaça ir embora, e colocou sua mão, que estava em carne viva, embaixo da água corrente. Jason saiu do banheiro naquele momento, e ainda de toalha, correu até a cozinha para saber o que estava acontecendo.
– O que aconteceu aqui? Eu estava tomando banho e... – ele olhou para o pedaço de bacon carbonizado dentro da pia e entendeu na mesma hora. Não era a primeira vez que a irmã esquecia uma comida no fogão e quase incendiava a casa. – Sua mão, Thalia. Precisa de um curativo.
Os dois acabaram na mesa da cozinha, Jason ainda de toalha e fazendo um curativo na mão machucada de Thalia. Ela não se importava mais se iria se atrasar, ou se o garoto estava molhando as cadeiras favoritas do seu pai. Estava envergonhada demais até mesmo para falar. Ela só havia lhe pedido uma coisa: “Tome conta dele, filha”. Não conseguia nem ao menos fazer um café da manhã decente. Como conseguiria cuidar de um delinquente juvenil com Jason? Trazer a mente as últimas palavras de sua mãe, seu último pedido, fez seus olhos marejarem.
– Thalia... você está chorando? – o irmão a olhou perplexo. Só havia a visto chorar uma vez, no enterro de sua mãe – Sua mão está doendo muito?
– Não... não é isso, Jason – ela soluçou. Aquela altura já tinha até esquecido da mão machucada – É só que... é muito para mim. Eu sinto falta dela. Papai nunca nem ao menos está em casa. Enquanto eu, era para estar cuidando de você, mas sou incapaz de fritar um bacon. Eu não consigo fazer isso.
Ele a envolveu em um abraço e deixou que ela chorasse em seu ombro. Era meio estranho abraçar seu irmão seminu, mas ela preferiu não comentar. Ela definitivamente não fazia o tipo incestuosa.
– Não diga isso, Thalia. – ele acariciou os cabelos dela de leve – Você fez o melhor que pode. Agora é melhor eu me arrumar, se nós não quisermos perder o ônibus.
Jason beijou o topo da testa dela, indo em direção ao seu quarto e deixando a garota sozinha na cozinha. Ela levantou-se da cadeira e caminhou até a janela, observando a paisagem, de onde também conseguiu ver o ônibus escolar deixando a frente do seu prédio.
Merda. Já podia ouvir os berros do Sr. Turner quando ela chegasse atrasada pela quadragésima vez naquele semestre.
––
Os pingos de chuva lhe atravessavam como balas gélidas. Como se já não fosse ruim o suficiente ter que andar dois quilômetros e meio até a escola, tinha começado a chover.
– Estou morrendo de frio! Você tinha que quebrar nosso guarda-chuva. – Jason reclamou –
O garoto tinha sido muito atencioso mais cedo e Thalia o amava, mas se ele abrisse a boca de novo prometeu que iria socá-lo. Nunca se sentira tão aliviada em ver a escola. Ela olhou em seu relógio e percebeu que a primeira aula já havia começado há 30 minutos. Sinceramente, preferia ficar sozinha, matando aula embaixo de uma árvore do que ter que aturar o Sr. Turner berrando durante todo os 30 minutos restantes de aula.
De longe, avistou uma figura loira sentada embaixo da árvore onde Thalia costumava ficar. Ao se aproximar mais, percebeu quem era. Annabeth matando aula? Algo estava terrivelmente errado.
– Annie? O que está fazendo fora da sala de aula?
– Não estava com vontade de assistir aula hoje – ela respondeu, sem tirar os olhos do livro que estava lendo.
Annabeth era a aluna exemplo. Algo muito ruim tinha de ter acontecido para que ela perdesse uma aula, principalmente a do Sr. Turner. Mas como já sabia um pouco do que acontecia com a garota entre quatro paredes, resolveu não perguntar. As duas apenas ficaram sentadas, uma do lado da outra, sem dizer uma palavra, até o toque da segunda aula soar e as trazerem de volta á realidade.
––
“Parabéns, Thalia. Você sobreviveu mais um dia.” Repetiu isso para si mesma enquanto pegava seus livros do armário, pronta para sair daquele inferno e ir para casa. Mas, para sua surpresa, quando fechou o armário deu de cara com um garoto loiro, de olhos azuis penetrantes. Suas pernas começaram a falhar. Luke Castellan. O garoto dos seus sonhos e também provavelmente o último garoto que a visse como mais do que uma amiga.
– Hey Thalia – ele abriu um de seus sorrisos perfeitos e brincalhões – Como vai?
– Bem, eu acho – mentiu. Não que ele fosse se importar. – O que quer, Castellan? – tentou soar o menos interessada possível, embora por dentro a única coisa em que conseguia pensar era em como estava parecendo um zumbi e como ele não devia estar achando-a nem um pouco atraente.
– Por que acha que só venho falar com você quando preciso de algo?
– Por que é verdade – ela riu, olhando para baixo. Odiava seu sorriso. Principalmente comparado ao de Luke.
– Hm... precisamos conversar. Podemos ir para um lugar mais reservado?
Seu coração começou a bater mais forte quando ele segurou sua mão e a levou para de trás de uma coluna, onde passavam poucos alunos.
– Bem... tem essa garota. Eu conheço ela há muito tempo, mas nunca tinha percebido o quão incrível ela é. Até agora.
Thalia parou de respirar. De repente, sentiu que não podia mais sustentar o peso do próprio corpo. Ele a conhecia há muito tempo, e, definitivamente nunca tinha reparado quão incrível Thalia era. Ela assentiu de leve, indicando para que ele continuasse.
– Você é a melhor amiga da Annabeth, certo?
A garota achou que já tinha sentido dor antes. Mas nada foi como aquilo, talvez apenas a morte da mãe. Thalia amava a Luke desde... sempre. E ele amava Annabeth. Como ela fora estúpida. Amaldicoou a si mesma por encher seu coração de esperança. Mordeu o lábio inferior para segurar as lágrimas, coisa que já estava mais do que acostumada a fazer.
– Desculpe, Luke... eu,hm, preciso ir.
Correu em direção a saída, deixando o garoto ali, completamente confuso. Não dava a mínima se ter feito aquilo deixava óbvio o que sentia por ele. Já estava mais do que na hora de ele perceber o quanto ela se importava. E de qualquer modo, não conseguiria ficar ouvindo Luke falando sobre o quanto amava Annabeth e o quanto queria que ele a ajudasse a conquistá-la. Só queria ir pra casa.
Chovera a manhã inteira, o que não lhe era nada conveniente. O gosto salgado das lágrimas se misturava as gotas de chuva, que pareciam ainda mais desconfortáveis e geladas do que de manhã. Chegou em casa completamente encharcada, ignorando as reclamações do porteiro. Estava louca para se jogar na cama, chorar mais um pouco e comer um pote inteiro de sorvete.
Mas quando entrou no seu quarto, o que encontrou foi Jason e alguma outra vadia. Pelados. Na sua cama.
– Você tem que estar brincando – ela grunhiu, chamando a atenção dos dois, que se cobriram rapidamente com o lençol. –
A garota vestiu suas roupas, e, completamente corada foi embora, antes que Thalia pudesse atirar seu sapato nela. Agora tinha a chance de concentrar toda a sua fúria em Jason.
– Pensei que fosse sair com a Annabeth.
– Isso é tudo que tem a dizer em sua defesa?! Não importa se eu estou fora ou não, você não pode dormir com alguém na minha cama. E além do mais, nossa casa não é um puteiro! – Thalia fechou os olhos e contou até 10, tentando se acalmar – Agora, vai se vestir e suma da minha frente.
Jason se enrolou no lençol e saiu do quarto, um pouco assustado com o tom de voz que a irmã usara. Ela se jogou na cama, mas levantou-se rapidamente ao se lembrar o que os dois estavam fazendo ali poucos segundos atrás. Deus... como ela gostaria que Jason ainda fosse o menino magricela comedor de grampeadores.
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