Heal me
1 Prólogo
Notas iniciais
Quando eu vou ser inteligente o suficiente para perceber que nunca devo tomar uma decisão depois de quatro doses de tequila? O resultado está bem evidente agora, uma dor de cabeça enorme acompanhada de uma dor por todo o corpo que implorava para eu ignorar o despertador e voltar a dormi. Era para ser apenas uma festa de despedida das férias.
Que horas será que eu cheguei ontem?
— Nicolas Clark! Se eu tiver que ir até seu quarto para lhe levantar, é melhor esquecer qualquer possibilidade futura de ser pai! – Minha delicada mãe e o seu jeito delicado de lidar comigo.
Mesmo contra minha vontade – e de todo meu corpo — eu abro os olhos e me levanto, olhando no espelho podia ver os hematomas da noite anterior na minha barriga e peitoral. Não sei exatamente o que houve ontem, mas sei que tem alguma coisa haver com bebida demais, uma garota loira acompanhada e um soco na barriga... Ou vários deles.
Para evitar uma guerra aqui em casa eu coloco uma blusa de manga comprida antes de descer as escadas, ainda sonolento, para a cozinha. A comida já estava pronta e todos já estavam arrumados para mais um dia de estudo ou trabalho.
— Bom dia filhote. – Minha mãe fala acariciando minha cabeça assim que eu sento ao seu lado na mesa.
— Filhote? – Eu pergunto rindo e pegando duas torradas. — Nem parece que há alguns minutos estava ameaçando me castrar.
— Você sabe que eu te amo. Porém se não passasse tantas noites nessas casas noturnas e criasse o hábito de estudar mais e ser mais responsável, eu demonstraria mais o meu amor de uma forma não violenta. – Ela serve um pouco de café na minha xícara. – Sabe que horas eu vi você chegando? Sendo que hoje é o primeiro dia de aula.
— Está exagerando. Eu tenho 19 anos, só estou me divertindo. – Eu digo.
— Na sua idade eu já sabia exatamente o que eu iria fazer da vida e estava trabalhando nisso. – Meu pai se pronuncia pela primeira vez. – Veja seu irmão...
— Antes que isso se torne mais um sermão e uma oportunidade de me comparar ao Thomas e o quão perfeito ele é... Eu vou me arrumar. – Me levanto da mesa pegando uma das torradas e vou comendo enquanto subo novamente a escada.
Eu não sou o Thomas. Para mim ainda é impossível me imaginar numa vida adulta e cheia de responsabilidades. Eu sou jovem... Quero apenas me divertir, isso é um crime por acaso?
(...)
Depois de me arrumar, saio junto com o Thomas para irmos andando para o colégio. Estamos na mesma sala apesar dele ter 18 anos, eu reprovei o primeiro ano do ensino médio e fiz aniversário não tem muito tempo. Eu amo meu irmão, mas é irritante como todos adoram me comparar a ele.
“Thomas é um filho exemplar, tem um futuro brilhante”
“Nicolas, por que não pode ser como seu irmão?”
“Tem certeza que o Thomas é o mais novo?”
Quantas vezes eu já tive que ouvir isso dos colegas empresários do meu pai, quantas vezes eu os mandei a merda internamente? Deixem-me viver a vida do meu jeito, que irritante.
— Não entendo suas atitudes às vezes Nicolas. – Thomas quebra o silêncio.
— É claro que não, para um garoto magnifico como você é difícil compreender atitudes irresponsáveis de um cara como eu. – Respondo sarcasticamente.
— Não seja ridículo. Você sabe que nossos pais não falam isso com a intenção de te diminuir. Eles querem ver você bem no futuro, se empenhando em algo, com uma vida estável e quem sabe partilhando ela com alguém.
— Eu sei que eles querem o meu bem, mas por enquanto eu não quero pensar nisso. Muito menos em me relacionar seriamente.
— E quando pretende pensar sobre seu futuro? – Seus olhos me encaravam em duvida.
— Para que a pressa?
— Para que? Que tal pelo fato de estarmos iniciando hoje o ultimo ano do colegial? – Thomas fala como se fosse obvio.
— Fala como se tivesse tudo de sua vida planejado já. – Reviro o olho, encarando novamente o caminho à frente.
— Na verdade eu tenho sim. – Ele diz orgulhoso. – Eu pretendo fazer fotografia e trabalhar em revistas como ELLE, RUNWAY ou NYLON.
— Trabalhar aonde?
— São revistas de moda Nicolas, pelo amor... Não me admira que se vista tão mal. – Ele fala me dando um peteleco na testa. – Mas enfim... Eu consegui um emprego em uma revista de variedades local. Não é grande coisa, mas estou começando de algum lugar. Assim que puder me mudarei para Nova York que é onde a magia acontece.
— E em relacionamento? – Pergunto com um sorriso de canto e um olhar sugestivo.
— Espero poder me relacionar com alguém. Não é assim tão fácil sabia?
— Do que está falando? Boa parte das garotas da escola babam por você e alguns garotos também se me permite dizer. – Solto uma pequena risada no final.
Isso era um fato, meu irmão era o tipo príncipe que as garotas sonham na adolescência. Bonito, gentil com todas, inteligente e como podem ver já tem um futuro planejado. Eu agrado aos olhos, mas minha reputação não é das melhores então...
— Mas eu não quero metade das garotas da escola. Eu quero uma só. – Seu olhar se volta para cima encarando o céu. Parecia pensar em alguém.
— Quem é a garota? – Eu pergunto o empurrando de leve.
— Que? Não sei do que está falando. – Ao falar isso o mesmo começa a caminhr mais rápido.
— Qual é Tommy, fala! – Eu grito correndo atrás dele o chamando pelo apelido que ele detesta.
— Não! – Ele fala e começamos a correr na rua.
É ótimo passar esse tempo com o Thomas sem toda aquela pressão a minha volta. Logo paramos de correr no meio da rua antes que fossemos atropelados. Não demorou muito até chegarmos ao colégio, fomos em direção à numeração de nossos armários e encontramos nosso alvo de bullying favorito. Ela tinha o armário bem no meio de nós dois.
— Bom dia Rosita. — Thomas fala todo animado abrindo o armário ao lado direito dela, Rosé dá um pulo pelo cumprimento repentino.
Roseanne Young, ou Rosé, é uma garota um tanto complicada. Não costuma ser sociável o que é um irônico se julgarmos por sua aparência atrativa e serena de asiática . Ela entrou na nossa sala no segundo ano. Ela sempre foi uma tanto quieta e antissocial, mas decidimos irritar e conversar com ela, por que estranhamente gostamos dela. Depois de um tempo e muitas ignoradas depois, viramos amigos.
— Ah não… Sério? De novo pegaram armários ao meu lado? Vocês pagam a diretora ou o que?—Rosé perguntou com a mão na testa, no fundo ela nos ama. Eu abro o armário do lado esquerdo dela já arrumando meus livros.
— É apenas o destino. O universo conspira a favor de permanecemos ao seu lado lhe irritando até o fim do colegial. — Eu falo rindo e apoiando o meu braço num dos ombros dela.
— Quem sabe até depois disso. — Thomas fala rindo, apoiando seu braço no outro ombro dela.
— Vocês são incorrigíveis. – Ela solta um logo suspiro.
— Obrigado. — Eu e Thomas falamos juntos com um sorriso.
Continuamos a conversa até dar a hora de entrar na sala de aula. Era assentos em dupla como em todos os anos então sentaram Rosé e Thomas e eu atrás deles, ninguém sentou ao meu lado. O professor estava demorando a chegar na sala então Rosé já começou a bocejar, por alguma razão ela sempre parece estar com sono. Ela apoiou a cabeça no ombro do Thomas e começa a mexer no celular.
—... – Eu tive que segurar minha risada quando percebo o completo sem jeito que meu irmão ficou. — Nem preciso que você me fale. Você é ótimo em esconder seus sentimentos. — Eu sussurro no ouvido dele que pareceu desesperado com olhar tentando percebe se Rosé escutou.
— Ca-Cala boca Nicolas. – Ele diz nervoso.
O professor finalmente chegou e começou a dar a aula. Peguei meus fones de ouvido discretamente e dei play na minha playlist, não estou muito afim de prestar atenção.
Me pego pensando na conversa de hoje cedo. Talvez eu devesse relaxar um pouco mais, pela minha mãe, daqui a pouco ela fica com cabelos brancos e bota a culpa em mim. Vou tentar parar de me meter em problemas.
Pensando nisso eu ouço meu celular vibrar. Era uma mensagem do Erik. Ele estava na minha sala quando reprovei, e como passou de ano já está na faculdade. Continuamos amigos apesar disso. Tiro o celular do bolso e olho a mensagem.
“Festa no Monkey Bar na sexta. Se prepara cara, vai ferver”.
...
Bom... O fato de eu querer começar a me comporta melhor, não significa necessariamente que eu deva parar de ir em festas. Apenas não vou fazer nenhuma besteira. Eu consigo... Não é?
——————————————————————————————————
Fale com o autor