Head or heart
14 Desculpa
Notas iniciais
– Responde Emma! — minha mãe exigiu que eu respondesse uma reposta que ela já sabia qual era, mas esperava que eu afirmasse para a mesma poder ter certeza — vamos Emma!
– É, Henry é meu filho — finalmente respondi
– Neal é pai dele? — perguntou me encarando
– É sim — afirmei
– Pelo menos escolheu um bom pai! Onde está essa criança? — perguntou encarando o manto que segurava e eu estava chocada pelo fato de que minha mãe ainda colocava Neal em um pedestal.
– Eu a entreguei pra adoção, assim que nasceu! — soltei um pequeno suspiro e me escorei na penteadeira branca que estava atrás de mim.
– Meu Deus minha filha, que irresponsável, estou envergonhada com a sua atitude! — minha mãe colocou as mãos no rosto junto com manto que segurava, assim que retirou as mãos do rosto pude ver as lágrimas que começaram a cair já haviam borrado sua maquiagem que estava em seu rosto — Como eu vou falar isso pro seu pai?
– Me falar o que? — meu pai entrou em meu quarto confuso pela situação em que estavamos. Minha mãe chorando com o manto que era do meu filho, Regina assistindo tudo sentada na cama, e por fim eu escorada na penteadara com a cara não muito boa, pois meus olhos já estavam dando sinais de que as lágrimas queriam sair.
– Pai, o que faz aqui tão cedo? — perguntei tentando desviar do assunto.
– Vim avisar que Neal faleceu, mas acho que vocês já saber né? — ele explicou e eu senti um breve alívio por ele não ter perguntado o que estava acontecendo, mas foi bem breve mesmo porque minha mãe voltou a falar do assunto.
– David você sabia que sua filhinha escondia um segredo da gente faz um tempo? — mamãe se virou pra ele e logo me subiu uma raiva, Regina olhou pra mim com uma cara de "Eu te disse" e eu apenas voltei a encarar o chão deixando as lágrimas derramarem sobre meu rosto pálido.
– como assim? — meu pai perguntou e deve ter virado em minha direção mas continuei fitando chão.
– Anda Emma fala o que você acabou de me contar! — minha falou autoritária e eu finalmente encarei meu pai.
– Eu tenho um filho pai — falei firme mesmo com as lágrimas limpando meu rosto, não havia como fugir mesmo — E o entreguei pra adoção assim que nasceu! — confesso que fiquei triste em falar isso ao meu pai, apesar de tudo nossa relação era boa, éramos ótimos companheiros e eu o decepcionei, eu não queria tê-lo decepcionado.
Meu pai não falou nada, apenas me encarava, seu rosto demonstrava surpresa e decepção misturadas.
– Fala alguma coisa David! — minha mãe alterou o tom de voz
– Pai — Me aproximei dele chorando já — desculpa te decepcionar, eu estava bastante infeliz, eu não queria essa responsabilidade. Esse ano eu decidi ir atrás dele...
– VOCÊ É LOUCA — mamãe gritou — Sabe o que isso vai ser pra mídia, vai ser a oportunidade perfeita pra manchar o nome que fizemos Emma, será que você não pensa antes de fazer as coisas!
– REALMENTE... EU NÃO PENSAVA — Gritei também — Eu fazia tudo pra agradar a senhora mãe, fazia tudo certo pra terem orgulho de mim, quase me sujueitei a um casamento arranjado, joguei fora meus gostos, tudo pra ser a filha que vocês desejavam — Eu já soluçava em meio ao choro — e o resultado foi catastrófico, eu nunca fui que eu queria ser.
– Emma se acalma — Regina pediu
– Não Regina, eu não quero ficar calma! — falei já controlando o choro — EU CANSEI DE TENTAR MANTER A CALMA! — gritei e logo tentei me recompor — Olha só vamos adiar essa conversa, nós temos um velório pra ir, por favor, saíam do meu quarto.
Meu pai que ainda estava confuso e parecia meio aéreo foi o primeiro a sair sem falar nada, minha mãe me encarou jogou o manto do Henry em cima da minha cama e falou antes de sair.
– A conversa ainda não acabou!
Minha mãe deixou o quarto e eu olhei pra Regina que perguntou como eu estava. Respondi que estava bem e terminei de me ajeitar, coloquei meus saltos pretos, lavei meu rosto e escovei meus cabelos, peguei minha bolsa e então eu Regina fomos pra casa dela buscar Killian e Robin. Em seguida fomos para a Capela onde o corpo de Neal estava sendo velado.
Não tive vontade de ir até o caixão pra ver Neal morto, preferi ficar apenas observando as pessoas no local, afinal o que eu iria fazer perto dele se eu não sabia o que sentir em relação a sua morte, não iria fazer aquelas perguntas dramáticas como "porque nos deixou tão cedo", aliás se eu fosse fazer alguma pergunta a única coisa que eu iria perguntar seria " O que você estava fazendo conversando com a Zelena na última vez que te vi vivo". O padre estava citando algumas passagens bíblicas para todos e orando pela alma de Neal, alguns oravam junto, uns estavam chorando, outros apenas conversando, e eu estava parada apenas observando tudo quando o Sr. Gold me deu um susto falando por tras de mim.
– Vejo que está aérea senhorita Swan!
– Vejo que o senhor está muito tranquilo pra quem perdeu um filho! — disparei sem querer
– Acredite ou não, já chorei demais hoje, e pela sua aparência posso ver que você também!
– Chorei demais, infelizmente não sei se pra mim ou pro senhor, mas o meu segredo deixou de ser segredo, parece que o senhor teve duas perdas hoje.
– Ah senhorita Swan, vamos deixar a conversa sobre isso pra um outro momento. Só queria lhe fazer um pedido, descubra que matou meu filho.
– Não se preocupe Sr. Gold, a pessoa que fez isso vai passar um bom tempo na cadeia.
– Eu espero! — Gold falou antes de se retirar, eu consigo pegar mais nojo dele do que eu já tinha, antes que eu pudesse alimentar minha raiva por Gold, Graham chegou e foi em minha direção.
– Emma, te liguei muito hoje! — ele falou e me deu um abraço.
– oh Graham, desculpa! — olhei pra ele e pude ver o quão cansado ele estava, devo tê-lo sobrecarregado esse final de semana — meu celular descarregou e eu tava na casa da Regina! Aconteceu muita coisa esse final de semana.
– Imagino, sua cara não tá muito boa! — ele falou tocando no meu rosto
– Nossa, obrigada pelo elogio! — falei rindo
– de nada, mas fala ae, o que tem acontecido?
– Bom — hesitei em falar — Graham provavelmente isso vai dar em jornais, mas eu vou te contar logo — ele me olhou confuso — Eu tenho um filho, é o entreguei pra adoção! — os olhos do meu amigo se arregalaram demonstrando o quanto estava surpreso.
– Nossa Emma... que barra! Confesso que tô bastante chocado.
– Eu imagino, Não deve ser fácil saber que sua investigadora abandona crianças! — cruzei os braços e me encolhi por causa do frio, eu tinha esquecido de trazer uma jaqueta.
– Ei — ele colocou as mãos em meus ombros — Eu to aqui pro que precisar viu?
– Eu sei — falei em meio a um sorriso — Não tem um amigo chefe melhor no mundo do que você.
– É realmente não tem mesmo — ele se fabou e eu sei um risada baixa pra que não chamasse atenção.
– Isso mesmo, gosto de te ver sorrindo! Olha amanhã eu te passo todas as informações sobre o caso do Neal, acho melhor você descansar hoje!
– Vai ser difícil mas prometo que vou tentar!
– Deixa eu ir, se precisar me liga, ta bom?
Balencei a cabeça em afirmativo e ele foi embora. Logo todos se ajeitaram pra seguir pro cemitério, fomos no carro de Regina. Seguirmos o carro que levava o corpo de Neal, havia uma fila de carros pela rua, amigos e parentes estavam lá, pra poder dar um último adeus. Quando vi o caixão ser coberto pela terra que os coveiros jogavam em seu túmulo. Assim que terminou tudo fomos embora, mas antes que eu pudesse sair do carro Regina perguntou:
– Tem certeza de que quer entrar sozinha?
–Tenho — falei enquanto balançava a cabeça em afirmativa — Eu ia ter que encarar meus pais mesmo.
– Emma, assim que você conversar com eles me liga. Acho que a tia Mary ainda pegou leve porque eu tava lá.
– Não — neguei — Não se preocupa, não vai acontecer nada.
– Se tiver taças lá, joga nela pra se defender! — killian brincou e eu não pude deixar de ri.
– Ta ok Capitão, bom, não se preocupe Regina, eu te ligo assim que a tempestade passar — sai do carro e entrei em casa, meus pais ainda não tinham chegado do enterro mas pelos meu cálculos não iam demorar, sentei no sofá pra espera-los, eu devia preparar meus ouvidos pra tudo que ia ouvir, ou então procurar uma maneira de culpa-los e deixá-lo com a consciência pesada assim faria eles pagarem por tudo que passei durante todos esses anos, mas a minha mente estava em outra questão, tudo que eu conseguia pensar era "Quem matou o Neal? ", eu não tinha suspeitos ainda pois não estava com todas a peças do quebra cabeça, mas eu iria achar quem foi, nem que levasse anos pra resolver. Meus pensamentos foram interrompidos quando vi meu pai bater a porta, ele estava sozinho, então logo me preparei pra ouvir o sermão e o discurso sobre o quão decepcionado ele estava. Tive sorte de estar sentada quando ele finalmente falou algo, pois fiquei em choque quando ele apenas disse:
– desculpa!
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