Head or Heart - vida nova
8 Você indo embora.
Notas iniciais
Cheguei em casa acompanhada de Henry, antes de virmos para casa, passamos no Grannys e compramos besteira pra jantarmos, nada melhor que um hambúrguer pra esquecer o dia péssimo que tivemos. Entramos em casa e percebi que havia algo diferente, mas não sabia o que era.
Meu marido estava sentado na escada com uma cara péssima, como se tivesse morrido alguém, perto dele havia duas malas.
– Demorou Emma — disse de forma ríspida.
Olhei ao redor as paredes estavam limpas, nossas fotos que ficavam penduradas na parede haviam sumido. A casa estava mais arrumada que o normal, não tinha brinquedos espalhados pela casa, nem algum vestígio de terra que era trazida pelos sapatos sujos dos meus filhos quando iam brincar no Jardim.
– Cadê as crianças? — perguntei então percebi que Henry não estava do meu lado.
– Estão no carro — respondeu de forma fria, seus olhos azuis estavam quase pretos com as pulpilas dilatadas por causa da tristeza e raiva.
Pelo menos é esse os sentimentos que eu aposto que ele está sentindo.
– No carro? — perguntei confusa.
– No carro — repetiu ainda frio — Não posso deixar meus filhos com uma mãe mentirosa - disse se aproximando de mim de maneira intimidadora.
–Killian... Eu..
– Eu não quero ouvir Swan, você esgotou todas as chances que eu te dei. Estou cansado de ter que te dar novas chances, eu não mereço isso.
– Eu estava querendo proteger vocês — falei soluçando por causa do choro.
– NÃO! Para de mentir pra você mesma. Não use sua família como desculpa — disse alterando o tom de voz — Vai atrás do Gold. Amanhã meu advogado vem trazer a papelada do divórcio — disse por fim e saiu de casa.
Não consegui ter nenhuma reação a ação dele, eu simplesmente assisti ele passar pela porta levando suas malas consigo. Pela janela vi ele colocar o cinto de segurança nos nossos filhos. Leiah e Liam estavam com a expressão triste, agarrados com seus ursinhos de pelúcia. Crianças e suas manias de se agarrar a um brinquedo como se eles fossem seus melhores amigos que estão sempre lá nas horas difíceis, queria poder fazer isso,pegar meu brinquedo favorito, me agarrar a ele e deixar que ele aminizasse toda a dor que eu sentia, como um amigo que enxugava minhas lágrimas.
Me encostei na parede e não demorou muito para que meu corpo começasse a deslizar pela parede lisa e branca, fazendo com que eu me encontrasse com o chão duro e frio. Em minha mente eu comecei a me repreender por não ter feito nada além de assistir meu marido ir embora, não consegui nem discutir, não havia palavras para eu tentar convence-lo de que ele deveria ficar, pois ele tinha todos os motivos do mundo para querer ir embora.
Olhei para o lado e vi meu pai do outro lado da sala me observando com expressão de decepção. Ele estava sentado na poltrona ao lado da lareira, e nem sequer fez um movimento quando percebeu que eu estava o observando. Mas de repente ele começou a falar, mas eu não ouvia nenhum som saindo de sua boca, apenas seus labios se mechendo. Será que eu estava surda? Ante que eu pudesse criar coragem para ir falar com ele, Regina apareceu, ela vinha da cozinha, e parou em minha frente.
– Eu avisei Emma — Regina disse enquanto assistia uma cena deplorável.
Eu estava jogado no chão, sem conseguir respirar direito por causa de tanto chorar, eu me debatia no chão como se quisesse espanca-lo e ele fosse o grande culpado de tudo. A única coisa saia da minha boca era uma palavra. Desculpa.
– Swan!
Abri os olhos rapidamente como se estivesse acordando de um sonho ruim. E eu estava. Killian me encarava preocupado, seus olhos azuis estavam quase brancos por causa da luz que entrava no quarto delicadamente escuro.
Tudo não passou de um sonho, oi melhor, um pesadelo, um pesadelo fruto de meus próprios medos. Minha mente estava adorando brincar com meu emocional.
– O que houve? — perguntou acariciando meu rosto na tentativa de me acalmar. Senhor como eu amo esse toque.
– Ti-tive um pesadelo — falei como se tomasse aquele remédio com gosto ruim de uma vez só. Mas ao mesmo tempo com a voz falha por causa do coração que batia fortemente como se estivesse em um desfile de 4 de Julho.
– Ei ei — ele me trouxe mais para perto e me abraçou — Ta tudo bem, foi só um sonho ruim.
E se foi um aviso?
Num ato de impulsividade (o que não é novidade) me soltei dos braços quentes e fortes do meu marido e corri até o quarto das crianças para ter certeza de que estavam lá. E estavam. Os meu pequenos gêmeos estavam dormindo tranquilamente agarrados com seus bichinhos de pelúcia.
– Swan? — Killian me pregou um pequeno susto ao me chamar por trás — O que foi?
– Nada — respondi tentando parecer mais calma mais não adiantou. Eu estava tremendo.
– Vem — Ele pegou minha mão — Vamos pra cozinha.
Descemos as escadas e andamos pela casa escura até chegar na cozinha. Killian pegou um copo com água e colocou açúcar dentro antes de entregar para mim.
– Pode me contar com o que você sonhou? — perguntou enquanto brincava com meus longos cabelos loiros e bagunçados por causa da travesseiro.
Pensei muito antes de responder.
– Não — respondi me encolhendo no blusão que eu usava.
– Swan — Killian se aproximou de mim e colocou a mão no meu queixo, me obrigando a encarar seus lindos olhos azuis — Você sabe que pode me contar qualquer coisa. Não sabe?
Assennti com a cabeça.
– Então, me conta com o que você sonhou pra te deixar tão assustada?
– Com você — Comecei a falar, ou melhor, sussurrar — indo embora e levando as crianças junto.
Ele ficou perplexo com a resposta, mas depois me beijou de forma doce e calma.
– Eu nunca vou te deixar Emma, eu te amo.
– Eu sei — abaixei a cabeça envergonhada — mas...
– Emma porque ta preocupada? — perguntou com olhar confuso.
Com certeza ele queria entender o porque de eu estar tendo pesadelo com uma coisa dessas.
Ah meu Deus, como eu queria contar tudo a ele.
– Não estou preocupada — menti — Um sonho desses me deixou assustada.. foi muito real.
– No que depender de mim, nunca vai ser real.
Sorri mais calma com a situação. Não demorou muito para ocuparmos nossos lábio com beijos que logo ficaram mais quentes e cheios de desejo. Quando me dei conta, eu estava em cima do balcão da cozinha e Killian me beijava ferozmente enquanto sua mão passeava pelas minha coxas.
– Mãe? — Henry entrou na cozinha.
Rapidamente Killian e eu nos afastamos.
– Oi companheiro — Killain o cumprimentou sem graça.
– Oi filho! — forcei um sorriso tentando não parecer desconfortável.
– Eu.. eu só vim buscar uma água — disse indo em direção a geladeira.
– Tudo bem.. já estamos subindo — falei descendo do balcão — Boa noite.
– Boa noite.
Não pude segurar a fraca risada que estava lutando para sair. Tenho a sensação de que meu filho não vai querer tomar água de madrugada tão cedo.
...........
– Meu Deus Emma! — Regina exclamou rindo, minha cunhada não conseguia disfarçar sua perplexidade — Vocês tem noção de que não moram sozinhos?
– Naquele momento não — respondi rindo junto com ela.
– Do que vocês estão rindo? — Killian perguntou entrando na sala segurando dois baldes de pipoca.
– Nada não — minha amiga e eu nos ajeitamos no sofá e agimos como se aquela conversa nem tivesse existido.
Regina veio nos visitar pois já estava se sentindo um pouco melhor (uma parte também era teimosia).
– Vocês e seus segredos — falou se sentando.
– Meu amigo — Robin que entrou na sala junto com Killian começou a falar — mulher tem um negócio chamado melhor amiga que é mais sério que casamento.
– Não duvido.
Me inclinei para pegar a pipoca que estava no balde Verde mas meu marido me impediu.
– Sua pipoca é a do balde vermelho, não tem muito sal.
– Acho que sei porque esqueci de contar que sou cardíaca — ironizei.
– Ia me esconder as coisas Emma Swan? Que feio — brincou
Olha a culpa dançarina! Será que ela trocaria os saltos altos por sapatilhas?
Regina me olhou de canto me fazendo sentir mais culpa do eu já estava sentindo.
– Mas sério — Robin começou a falar — Como você conseguiu uma coisa dessa Emma? Esquecer de dizer que é cardíaca.
– Nem eu sei — respondi rindo.
.......
– Mãe eu vou poder colocar a estrela na árvore? — Liam perguntou enquanto brincava com os pequenos enfeites de papais noeis que eu colocaria na árvore.
Com todo o problema que tive esses tempos acabei até esquecendo se montar a árvore de Natal de casa. Ainda bem comprei os presentes dos meus filhos.
– Sou eu quem vai colocar a estrela na árvore — Leiah protestou.
– Quem disse? — Liam perguntou.
– Esse ano quem vai colocar a estrela na árvore grande será o Henry. Vocês vão colocar as estrelas nas árvores de lá do pátio.
– Henry não ta velho pra colocar a estrela na árvore? — Liam perguntou curioso.
– Não — respondi — Ele só ta velho pra receber presente do bom velhinho -expliquei.
– Por que? — Leiah perguntou.
– Por que ele não é mais criança — respondi.
– Por que?
– Por que ele cresceu filha.
– Por que?
Ai Jesus... Leiah estava na fase do "porque", senhor dai-me forças.
– Olá família! — Killian gritou ao entrar em casa — Quem quer sorvete? — perguntou erguendo as sacolas que carregava.
– Papai! — Leiah foi a primeira a correr até o pai.
– Não vai falar com seu pai Liam? — perguntei pro menino que ainda estava sentado no sofá.
– To esperando a Leiah da a vez — respondeu o óbvio.
Não pude evitar rir.
– Oi gente — Henry entrou em casa depiis de Killian.
– Oi filho, onde estava? — perguntei
– No Grannys! — respondeu — Killian posso conversar com você? — ele foi até o padrasto.
– Comigo? — perguntou surpreso.
Até eu arregalei os olhos, ultimamente Henry evitava conversar com ele.
– Claro — Ele respondeu e então os dois subiram.
O que será que iriam conversar?
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