Head or Heart - vida nova
15 Esperança
Notas iniciais
– Estamos aqui a quanto tempo? — perguntei observando entediada a porta grande de madeira do orfanato.
– Quinze minutos — Regina respondeu depois de verificar as horas no visor do celular.
– Isso é ridículo — mamãe bufou irritada e em seguida saindo do carro. Minha amiga e eu fizemos a mesma coisa e seguimos ela até a porta do orfanato, onde ela bateu quase que desesperadamente.
– Mãe, não vamos agir que nem louças, podemos ao menos pensar antes ? — falei tentando acalma-la.
– Tive quinze minutos para pensar Emma — disse ainda batendo na porta. Batia tão forte que a sensação que tive foi de que ela iria quebra-la.
– Deixa sua mãe Emma — Regina disse relaxada.
Antes que eu pudesse falar alguma coisa uma freira abriu a porta.
– Oi — Minha mãe começou a falar e logo foi interrompida pela mulher.
– Estávamos esperando vocês — ela disse entrando.
Eu, Regina e minha mãe nos entreolhamos confusas mas resolvemos entrar.
– Então — falei enquanto seguiamos a freira a nossa frente — Nós somos..
– As contadoras de histórias, fomos informadas — me interrompeu parando na frente uma porta grande de madeira, nela havia uma placa escrita: "salão de brincadeiras" — Ele estão animados hoje — disse abrindo a porta e revelando um grande quantidade de crianças brincando hiperativas no salão que estava todo enfeitado com temas natalinos.
Eram muitas crianças. Entramos e começamos a observa-las maravilhadas. Eram tantos sorrisos que não tinha como não ser contagiante.
– Então, quem vai contar as histórias? — mamãe perguntou querendo se livrar de responsabilidade.
– Emma é boa com histórias — Regina falou com um sorriso irônico no rosto, querendo se livrar também.
– Sempre sobra pra loira! — murmurei estressada — Não deve ser tão difícil. Afinal, é só começar com era uma vez e aí eu invento algo. Posso contar a da chapeuzinho azul.
– vermelho — Regina me corrigiu
–Tanto faz! — falei impaciente.
– Ho ho ho! — uma voz conhecida ecoou pelo salão. Nós três nos viramos e no canto da sala avistamos o homem vestido de papai Noel sentado em uma poltrona vermelha. A barba branca escondia a barba rala e loira de meu pai, mas aqueles olhos azuis eram reconhecíveis mesmo debaixo de um óculos redondo e fino
– É o... — mamãe não conseguiu terminar a frase, mas Regina fez o favor de finaliza-la para ela.
– Ele mesmo.
– Papai — falei mesmo que fosse óbvio.
– Ele está gordo — mamãe disse estranhando o fato de David estar com uma barriga maior que a barriga de meu tio avô.
– Deve ser enchimento — Minha amiga disse tentando segurar o riso.
– Cadê Killian e Henry?
Meus olhos procuravam sem sucesso pelo meu filho e marido no local, nada deles. Apenas crianças e as freiras estavam espalhadas pelo enorme salão. Fomos até meu pai que estava com algumas crianças ao redor, com certeza fazendo seus pedidos de Natal.
– Papai? — o chamei.
– Emma? — ele me olhou surpreso -O que faz aqui? Mary, Regina? — perguntou notando a presença de minha mãe e amiga no local.
– David!
– Oi tio.
Regina não perde o costume.
– Cadê o o Killian e o Henry? — perguntei demonstrando muita curiosidade.
– Ele...
– FELIZ NATAL CRIANCAS! — Killian gritou entrando no salão usando uma roupa de ajudante de papai Noel, e estava acompanhando de Henry que usava uma roupa Verde de duende. Ok, eu não tinha mais como ficar séria.
Os dois carregavam sacolas gigantescas vermelhas, quando as colocaram no chão todas as crianças saíram correndo para perto deles, fazendo com que eu perdesse minha Henry e Killian de vista por causa do fato de estarem abaixados no meio de tantas crianças.
– Meus olhos não creem no que estão vendo — comentei incrédula, foi a cena mais linda que eu vi em toda minha vida.
Agora me veio a pergunta. Por que esconder esse fato? O que tem de mais eles ajudarem crianças sem pai e mãe?
O tumulto já estava sumindo, foi quando Killian levantou e seus olhos encontraram os meus. Ele ficou surpreso de me ver, quase que em choque e rapidinho deu um leve puxão na camisa de Henry que estava bastante ocupado com sorrisos de crianças brincalhonas, mas assim que me viu arregalou os olhos surpreso por me ver ali. Bom, agora com certeza eu teria que explicar que eu segui eles até aqui, ou eu podia tentar dizer que tinha me candidatado para ser a contadora de histórias das crianças, será que ia colar? Se bem que não haveria sentido. Killian se levantou e veio em minha direção, deixando Henry sozinho entregando presentes para as crianças do orfanato.
– Swan, o que faz aqui? — perguntou me dando um beijo rápido.
– É isso que vocês fazem? — perguntei incrédula e confusa, ainda não estava entendendo muita coisa — No.. no dia de padrasto e enteado? Como... vocês tiveram essa ideia? Melhor, porque não me... contaram?
Eu estava gaguejando bastante, pois não estava conseguindo falar direito, acho que nem piscar eu estava piscando mais.
– É uma longa história, tudo começou pelo seu filho — disse com um leve sorriso. Ele me puxou para um lugar mais reservado, longe do barulho para explicar melhor isso — então... Henry e eu estávamos voltando para casa de carro, tinhamos ido tomar sorvete, quando eu resolvi pegar um atalho de volta, que passa pelo orfanato e Henry viu e ficou surpreso ao saber que havia um aqui — ele soltou um leve riso — então ele me falou que agora que podia, ele queria ajudar as crianças que viviam num orfanato.
– Ta mas, porque ele não me contou? — insisti a mesma pergunta.
– Calma — pediu tranquilamente — Numa tarde eu estava trabalhando no porto, quando Henry apareceu de surpresa lá. Ele estava todo animado, dizendo que havia tido uma ideia incrível.
Killian contava a história bastante animado o que me fazia mostrar um sorriso de canto, tentando segurar a felicidade com a história que eu estava ouvindo.
– Ele disse — continuou ainda animado — " Killian, eu estou juntando minha mesada, posso ajudar o orfanato". Aquilo mexeu comigo Swan — Disse com um sorriso mais largo que antes — Então desenvolvemos a ideia de ajudar o orfanato, mas, de maneira diferente, num dia tão especial que nem todos comemoram como deviam, o dia de natal — concluiu
– Nossa, eu to emocionada com a história, mas... ainda tem que me explicar o porque de não terem me contado nada, ou melhor, não terem conta do nada a ninguém — eu disse ainda curiosa.
– Era o primeiro ano do Henry morando com você, e ele não queria que você ficasse triste ou não deixasse ele pisar em orfanato de novo, mesmo que fosse pra visitas — explicou com a cabeça baixa — então se tornou o nosso segredo.
– Acha que eu iria proibir isso? — perguntei estranhando esse fato.
– Não, mas Henry queria segredo, e eu dei minha palavra de que não ia contar.
– É — sorri — você sempre foi um homem de palavra.
– É não esqueça o lindo — lembrou com um sorriso malicioso.
– Chegou o ego em pessoa -ri.
– Agora me diz você — ele cruzou os braços ficando um pouco mais sério — Como chegou aqui?
– Ah — me fiz de inocente — Mamãe estava vigiando o papai.
– Swan, sem mentiras! — falou com um olhar reprovador.
– Mas não é mentira.
E não era mesmo.
– Sem omissões — falou arqueando as sobrancelhas.
– É, eu estava seguindo vocês.
– Sabia! — falou em vitória
– Mas vocês me deram motivos -me defendi — Nunca me falaram onde foram — joguei os braços pra trás.
– Com licença — Regina se aproximou de nós — Não quero interromper os pombinhos mas tem crianças querendo ouvir histórias.
– Histórias? — meu marido perguntou confuso.
– Pensam que somos contadoras de histórias — expliquei — foi assim que entramos.
Voltamos para o salão onde nos reunimos com as crianças, todas se sentaram no chão de frente para mim para poder ouvir a história que eu iria contar. Me sentei no chão também é pensei um pouco antes de começar.
– Era uma vez, uma garotinho de apenas oito anos. Que morava em orfanato, ele se sentia sozinho, pois sempre passou o Natal no orfanato, sem família e sem amigos pois nem todos gostavam dele, mas um dia ele recebeu uma visita muito especial, a visita do papai Noel.
As crianças estavam com os olhos vidrados em mim, prestando atenção em cada palavrinha da história.
– " Papai Noel! " ele disse surpreso," o senhor veio trazer meu presente? " — Eu imitava a voz de uma criança de oito anos — É então o papai Noel disse "Sim! Mas você terá que responder uma pergunta, se a resposta for de coração, você ganhará o presente"- dessa vez imitei um velhinho com uma voz grossa — e ele disse " Tudo bem". O papai Noel chegou mais perto do menino e em sussurro perguntou " O que você mais quer de Natal? " o menino sem uma sombra de dúvida correndo em si, respondeu: " Uma família", feliz pelo garoto ter dito a verdade ele disse " Parabéns pela honestidade" então ele estalou os dedos e eles aparecem em um quarto de criança. " O que fazemos aqui? " o menino perguntou é então o papai Noel respondeu: "Aqui é sua nova casa, onde você irá morar com sua nova família ".
– O garotinho conseguiu uma família — um menininho loiro de cabelos quase cobrindo os olhos disse com os dentinhos faltando em sua boca.
– Isso mesmo, mas — me levantei indo até uma das sacola de presente tirando um boneco de lá. Fiz de conta que esse boneco era o menino no qual me referia na história — Vocês sabem qual o verdadeiro motivo de ele ganhar uma família? — perguntei e todos me olharam confusos.
– Não foi por causa do papai Noel? — uma garotinha negra com os cabelos presos com lacinhos cor de rosa perguntou.
– Também. Mas o verdadeiro motivo foi ele não perder as esperanças. Esperança de que um dia tudo ia melhorar, mesmo que a vida dissesse ao contrário. Não importa o que aconteça, lembre-se que a vida é mágica, pra quem vive como uma criança — finalizei a história e todas as crianças aplaudiram, digo, todos no salão aplaudiram.
Contei mais histórias para as crianças, Regina arriscou contar algumas que na verdade nos faziam rir. É foi no clima de risadas e brincadeiras que passamos a tarde. Ver o sorriso no rosto daquelas crianças foi bastante prazeroso, mais ainda foi descobrir o coração gigante que meu filho tem, não poderia ser uma natal melhor. Ajudando que precisa, não falo dos presentes dados a aquelas crianças, mas sim da felicidade estampada em seus sorrisos.
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– Hoje foi um dia e tanto — falei para Killian que estava no banco do motorista esperando o sinal abrir.
– Foi sim — respondeu — Agora, falando sério, porque me seguiu Emma?
"EMMA", aquil fazia meu coração pular de medo.
– Você não confia em mim? — perguntou sério.
– Ah não — virei meu olhar para a janela por uns instantes e depois voltei voltei encara-lo — Não vamos brigar hoje não é?
– Quem disse que eu estou querendo brigar? Eu apenas fiz uma pergunta.
– Confio — respondi — só que não tinha como não ir, vocês nunca falaram onde iam.
– Podia ao menos perguntar né? — Falou revirando os olhos.
– Killian você quer brigar? Perguntei impaciente, se você quiser não seja por isso, vamos brigar. Quem começa? — perguntei me ajeitando na cadeira para olhar para seus olhos surpresos e confusos.
– Ei, calma — disse acelerando o carro depois que o sinal abriu — Foi só uma pergunta.
– Muito ofensiva. Parece que você tá me comparando com aquelas mulheres que acham que o marido estão a traindo e ficam seguindo eles escondidas em uma moita observando cada movimento.
– Ei, é você que está levando para esse lado -Se defendeu.
– Você já me traiu? — perguntei e ele me olhou indignado.
– Agora quem se ofendeu fui eu!
– Desculpa — falei me sentindo envergonhada com a pergunta que eu fiz. O que deu em mim? Eu tenho que aprender a ser menos cabeça quente. Eu sei que Killian nunca me trairia, até porque se ele casou comigo tem que gostar muito de mim para aturar.
– Só vamos esquecer essa conversa — disse ainda chateado.
– Tudo bem — falei envergonhada, a partir daí o caminho foi silêncio.
...............
A festa para a chegada do ano novo deu muito trabalho. Fechamos a rua do Grannys para fazer uma festinha na rua, nada muito extravagante, apenas aconchegante. Várias barraca se comida espalhadas e mesas e cadeiras para as pessoas sentarem e conversarem. Meia noite e os fogo enfeitam o céu, mais um ano foi embora.
Killian me desejou um feliz ano novo e me deu um beijo demorado enquanto suas mãos passeavam em minhas costas.
– Feliz ano novo love! — disse com uma voz sedutora.
– Feliz ano novo capitão.
– Eu te amo!
– Também te amo — falei com um sorriso nos lábios
Meus filhos vieram para perto de nós é nos deram um abraço demorado. Leiah elétrica como sempre e Liam já estava sonolento. Meus olhos procuraram por Henry mas não o acharam, até que o vejo ao lado de Grace (hum).
– deixa o garoto aproveitar o ano novo Swan — Killian disse segurando o riso.
– Ele tá aproveitando demais já — falei ciumenta. Sim, eu estava com ciúmes do meu filho. Posso?
– Vem cá — Ele me abraçou enquanto é carregava Liam que aposto que já estava dormindo em meu colo — Deixa ele aproveitar, durante a viagem você terá ele só para você.
A viagem, não estava nem lembrando. Agora faltavam apenas três dias para nossa viagem ao Brasil. Eu estava preocupada, algo me dizia que não ia acabar muito bem.
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