Head or Heart - vida nova
16 Bem-vinda ao Brasil
Notas iniciais
— Pelo amor de Deus, poderia pegar sua filha? — falei estressada para Killian, como ele conseguia fazer isso? ficar calmo enquanto Leiah corria saltitando no meio do aeroporto de Fortaleza. Seu rodado vestidinho florido em tons de roxo e azul se movimentavam constantemente.
Sim, nós acabamos de chegar no Brasil, depois de longas horas no avião, com torcicolo por causa do assento da aeronave, e aguentando aquela bendita comida horrível de avião (sinceramente, eu levei comida na bolsa, mil vezes um biscoito recheado que comprei na lojinha do aeroporto que o pão dormido com queijo que as aeromoças serviam pra gente), finalmente estávamos em terra firme, o que fez Killian agradecer aos céus, o home tem medo de altura, mas não tem medo de ser afogar no meio do oceano, era praticamente a mesma coisa só que sobrevoavamos o oceano uns 10. 000 metros acima.
Liam está dormindo em meu colo cansado com as longas horas que ficamos no ar já Leiah não parou quieta um minuto no avião, ficava conversando com o pai sobre o quão legal era poder estar entre as nuvens. Killian e Henry traziam nossas grandes e pesadas malas sem reclamar, afinal, sabiam que não iria adiantar.
— Ela é movida a pilhas? — perguntei me referindo a hiperatividade de Leiah que saltitava feito coelho, minha preocupação era perde-la de vista e Killian não estava nem um pouco preocupado em correr atrás dela, dizendo ele que sabia que nossa filha não iria para longe de nós. Mercê o prêmio de pai do ano?
Mas temos que ficar de olho nas crianças, são tão imprevisíveis quanto o clima no planeta.
— De quem será que ela puxou essa eletricidade toda? — Killian ironizou a pergunta olhando para mim com as sobrancelhas arqueadas e com um sorriso vitorioso no rosto.
Ambos sabíamos a resposta: Puxou a mamãe aqui. Afinal, por menos que eu quisesse admitir, toda a loucura e falta de parafusos que Leiah tem, é porque puxou a mim.
Me lembrei das vezes que meu pai tinha que correr atrás de mim quando viajavamos, pois eu corria pelos corredores do grande aeroporto com minha mochilinha cor de rosa nas costas, que eu era obrigada a usar por causa de minha mãe, que nunca me ouvia quando eu dizia que não gostava dessa cor. Eu sou bastante hiperativa desde pequena, me comportar nunca foi meu forte, até porque eu não via muita graça nisso, só servia para minha mãe se gabar para as outras mães que estavam presentes nas festas da empresa de papai, mas tentava, afinal, todos precisamos de limites nessa vida.
Uma vez quando eu tinha 3 anos, estávamos minha mãe, meu pai e eu fazendo compras no centro de Nova York, eu soltei a mão dele e atravessei a rua correndo sem olhar para os lados, ou apenas me preocupar com a quantidade de carros que estavam circulando pelas movimentadas ruas da cidade que nunca dorme, a minha sorte foi que o sinal estava vermelho e estávamos na na direção da faixa de pedestre, o que me salvou, afinal corri em linha reta. Acho que esse foi o dia em que meu pais tiveram um grande ataque cardíaco.
Como eu sei disso? Meus pais me contaram, ou melhor contaram para praticamente todas as pessoas próximas de nós. Minhas histórias se quando eu era criança rendiam boas risadas.
— Nós iremos pegar o ônibus agora mãe? — Henry perguntou curioso.. confuso, afinal não passei nada sobre como seria a viagem para ele, pelo menos não direito.
Estávamos no estacionamento atrás de uma táxi.
— Vamos sim filho — respondi e rapidamente me virei para Killian sentindo minha Costa doer pelo fato de carregar um menino de quatro anos por quase quinze minutos — Qual deles falam nossa língua? — perguntei me referindo aos taxistas sentados no banco esperando põe clientes.
— Todos que estão sentados aí. Esse é um aeroporto Internacional, eles precisam saber nossa língua — respondeu indo em direção a um deles — Rodoviária? — perguntou, ou melhor gritou se virando para mim.
— Claro — respondi. Nossa próxima parada é Jericoacoara.
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— Nossa, que quarto incrível! — Henry falou maravilhado com o quarto da pousada que estamos hospedados.
Eu estava revoltada pelo fato de que o ônibus quebrou no meio do caminho, o que atrasou um pouco mais nossa chegada a pousada, mas por sorte não demorou muito.
— mamãe, mamãe. Podemos brincar a piscina? — Leiah perguntou animada e saltitante.
— Agora não filha — respondi enquanto me sentava na cama para abrir a mala — Está tarde, temos que ir jantar para depois dormir.
Vi a expressão de minha filha mudar para uma cara triste.
— Mas amanhã — continuei — Vai ser banho de mar o dia todo.
Rapidamente seu sorriso travesso apareceu. Exibindo seus dentinhos de leite bem pequenos.
— Seu pai mandou mensagem — Killian veio até mim com o celular na mão — "Minha cisnezinha, espero que tenha chegado bem no Brasil, sua mãe disse para você não esquecer de trazer presentes para ela, não esqueça de avisar quando estiver voltando. Bjs, papai te ama" — Meu marido leu a mensagem imitando a voz do meu pai. Tentei olhar séria para ele, mas com os meus três filhos rindo da palhaçada do pai, eu não consegui me segurar.
— Vai trocar de roupa, ô ator de quinta categoria — mandei tentando conter o riso.
— Fique sabendo Swan, que eu tentei a carreira de ator — falou com ar de superioridade — mas minha beleza era tanta que acharam melhor me dispensar.
— palhaço — bati em seu braço de leve enquanto ele me olhava com a sobrancelha arqueada e com um sorriso sedutor.
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— Isso é relexante! — falei para Killian me referindo a música que estava sendo tocada no restaurante em que estávamos jantando.
Um ambiente simples mas agradável, ao ar livre e com música ao vivo. O homem tocava seu violão com tanta paixão que não tinha como não sentir a música acalmando os nervos.
A cidade não era urbanizada, simples mas lindas casas construídas, as ruas não eram pavimentadas, era apenas areia, não havia muitos carros, encontrava-se um ou dois por ali. O que me fez ficar mais tranquila quantos as crianças, com certeza não aprontariam o que fiz com meus pais em Nova Iorque.
— Como você está? — killian perguntou colocando sua mão em minha perna na tentativa de que ela parasse de balançar freneticamente por causa do nervosismo. Com certeza ele sabia o que eu estava pensando, sabia o que tanto me agoniava.
— Eu juro que eu estou tentando não pensar no Gold, mas parece que quanto mais eu tento, mais eu eu tenho vontade de sair procurando — confessei nervosa.
— Swan, aqui é uma cidade pequena, com certeza esbarraremos com Gold em algum momento — falou colocando sua outra mão por cima da minha — E esse momento será quando você menos esperar.
Sorri com seu apoio e forcei minha mente a se concentrar onde estávamos. Henry estava no seu vício de todo o dia (o celular), Leaih e liam estavam brincandos com os lencinhos de papéis que estavam na mesa, e Killian segurando minha mão firmemente querendo me passar tranquilidade. Como eu amava isso.
— Com quem está falando Henry? — perguntei tentando fazer com que tirasse a cara desse bendito telefone celular.
— Com a Grace — respondeu ainda digitando no aparelho.
— Esses adolescentes — Killian comentou — Podíamos ter trazido a Grace, quem sabe o garoto largava o celular.
— Podíamos mesmo -falei rindo e Henry revirou os olhos sem paciência.
Não sei porque mas estava gostando de perturbar Henry com isso, será que isso é coisa de pai e mãe? Porque papai ficava falando coisas assim no meu ouvido quando comecei a sai e com Neal quando tínhamos dezessete anos de idade.
Henry colocou os fones de ouvido para poder evitar uma briga chata de mãe chata e filho quase rebelde.
A comida chegou e então eu me concentrei nela, quando estou com fome eu esqueço o resto do mundo. Ajeitei Leiah e Liam na mesa e cortei as carnes em seus pratos e misturei o arroz e o feijão para que não desse muito trabalho para comer. Jantamos em silêncio, ou melhor eu fiquei em silêncio, Killian e Henry conversavam sobre games enquanto meus gêmeos brincavam com a comida. Minha nossa, monstro de feijão, a criatividade deles foi longe dessa vez. Era como eu que quando criança odiava, ou melhor, ainda odeio ervilhas, sim, detesto aquelas bolinhas verdes sem gosto, eu as chamavas de bolinhas assassinas, pois dizia que elas matavam qualquer um (sim, sou dramática desde pequena).
Não demorou muito o passeio, estávamos todos cansados, até Leiah estava sonolenta ( Eu sabia que aquelas pilhas duracel que ela possui não eram pra sempre), Killian a carregou no colo, onde acabou dormindo de tão exausta que estava. Liam estava com Henry que brincava de pega pega com o irmão. Quando chegamos no hotel, colocamos as criancas para dormir e então fomos para o nosso quarto.
— Estou exausto — meu marido comentou se jogando na cama grande é fofa da pousada.
— Killian, tira os sapatos — pedi impaciente.
Caramba, nem fora de casa ele aprende a se comportar.
— Ah meu Deus, começou — ele revirou os olhos e se abaixou para tirar os tênis pretos que estavam eu seus pés, os deixando apenas de meia — Feliz? — perguntou se deitando se novo na cama.
— Sim, muito — falei debochadamente — envia mensagem pros meus pais e pra Regina.
Fui até o canto do quarto onde Killian largou a mochila com o notebook ( tão cuidadoso). Tirei o notebook e levei junto comigo para a cama, onde me sentei para liga-lo. Killian estava no celular enviando mensagens para Regina e meus pais, pois eles pediram que assim que desse, era para converssamos por video chat. Abri o aplicativo e solicitei uma chamada de vídeo com meus pais e Regina.
— oi! — Regina cumprimentou a animada do outro lado da tela.
— oi filha! — dessa vez foram meus pais que falaram, pela cara de sono de minha mãe ela estava cansada por estar tão tarde para lá.
— Chegamos, e estamos exaustos — falei com uma leve animação por causa do cansaço — O ônibus quebrou quando estávamos a caminho daqui.
— E ela discutiu com o motorista — Killian me entregou para minha melhor amiga e meus pais — Não sei como não fomos presos.
— Mas ela não chegou a bater nele — Papai disse relaxado mas então arregalou os olhos de forma desconfiada perguntando — Chegou?
— Não! — respondi revirando meus olhos verdes. Eu sou uma pessoa mais calma hoje em dia. Eu acho — Mãe, tem uns vestidos lindos aqui, vou levar uns pra senhora, você vai amar — mudei de assunto animada ao lembrar da loja de roupas que passei na frente quando estávamos a caminho do restaurante.
— É sua obrigação trazer algo pra mim — mamãe disse o óbvio.
— Ei! Eu quero também - Regina fez cara de cachorrinho que caiu da mudança.
— Desde quando a prefeita usa roupas floridas em vez de terninho caretas.
— Hum! Agora quer dizer que meu cargo define o que devo vestir? Não o meu gosto? — questionou indignada.
Credo só fiz uma pergunta básica. Nunca vi minha amiga usando nada com estampas, era sempre cores lisas e escuras, e de vez em quando um vermelho e roxo.
— Regina é tão delicada. Agora eu seu porque são melhores amiga — mamãe comentou revirando os olhos.
— É as crianças como estão? — papai perguntou mudando de assunto.
— Estão bem — dessa vez Killian respondeu — Elas estão dormindo cansados no quarto com Henry.
— Henry virou babá dos irmãos? Essa eu queria ver — Mamãe disse rindo.
— Era para Aurora vir com a gente, mas eu dei três semanas de folga pra ela. Ela não pôde ir passar o natal com a família, nada mais justo que ela ir passar esse tempo com eles.
— Ah sim, filha nós temos reunião amanhã cedo, temos que ir dormir — papai falou bocejando — Killian cuida bem da minha cisnezinha — ele avisou para meu marido que riu levemente.
— Pode deixar David, sua garotinha ta salva comigo.
— Sou alguma adolescente de dezessete anos? — perguntei ironicamente para os dois que se referiam a mim como uma garotinha indefesa sem capacidade de se cuidar sozinha. O que eu não sou, eu corro atrás de bandidos três vezes maiores que eu, que assaltam bancos e resolvi importantes casos de assassinato, e mesmo que eu não fizesse isso, só o simples fato de ter confiança em mim mesma já me torna uma pessoas capacitada pra cuidar de mim mesma.
— Alguém está de cabeça quente — Killian disse em brincadeira — Vou deitar um pouco na rede lá da frente do quarto para que possam fofocar a vontade — Ele disse se levantando e saindo do quarto. Meus pais tinham desligado e Killian saiu do quarto deixando apenas Regina e eu online.
— Então? Alguma pista do velho — perguntou se referindo a Gold.
— Nada, apesar de ter pensado muito nele essa noite, procurei manter o foco na viagem. Gold não é prioridade aqui, Killian e eu nos acertamos quanto a isso.
— Entendo, mas to com uma sensação ruim — comentou colocando uma mecha de seus cabelos negros e curto a para trás. Regina e Killian tinham o mesmo tom de Preto em seus cabelos — Desde que vocês viajaram eu tenho ficado com o coração meio apertado, sabe? aquela dor que te deixa com uma pulga atrás da orelha. Me preocupei mais ainda quando você disse que esse ônibus quebrou no meio do caminho. Isso foi estranho.
— Gina, pelo amor de Deus, eu estou com a mesma sensação desde antes disso, por favor não faz eu ficar neurótica.
— desculpa, apenas falei porque acho bom você saber, até porque Killian é meu irmão, passamos por muita coisa, até vontade de matar ele eu tive, mas uma coisa é você dizer isso com raiva sem querer, outra é o destino tirando de mim de tanto eu pensar besteira.
— Gina não se preocupa, se eu to aqui é porque vai dar tudo certo, você sabe que eu sempre sei onde estou me metendo — falei dando de ombros tudo que ela me falou.
Nesse momento meu celular vibrou avisando que uma nova mensagem havia chegado. Peguei o celular enquanto Gina esperava impacientemente eu voltar a falar com ela.
Meu coração gelou ao ver o que estava escrito, não sei como não desmaiei nessa hora.
"Boa noite senhorita Swan. Bem-vinda ao Brasil.
— Sr. G"
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