Clea Crosswood é a filha do diretor da escola, então é a fonte oficial de fofocas daqui. Ela e Lea são praticamente gêmeas, e isso as vezes me assusta... De aparência elas são apenas semelhantes, com olhos castanhos e o mesmo cabelo cor de chocolate e liso, porém o de Clea é um pouco maior, a estatura é a mesma (as duas são baixinhas e me batem toda vez que eu lembro-as disso) e ambas tem curvas de dar inveja.

Já a personalidade delas é tão parecida que as pessoas chegam a se perguntar se elas não leem os pensamentos uma da outra. Eu podia me sentir ameaçada com a amizade delas, mas não sinto. São as nossas diferenças que fazem eu e Lea sermos melhores amigas.

E como se estivessem mesmo conectadas uma a outra, Clea surgiu da multidão e veio até nós.
– Oláaaaaaaaaaa amigas — disse a mesma agarrando as duas pelo pescoço
– Clea, será que é pedir muito para não ser asfixiada no primeiro dia de aula a essa hora da manhã? — disse e ela nos largou — Juro que no final do dia eu deixo você me enforcar e me enterrar, já vou estar querendo me matar mesmo depois de mais um dia nessa maravilhosa instituição.
– Ah, como eu senti falta desse seu humor mórbido durante as minhas gloriosas manhãs nas férias — ela disse irônica — Mas deixando de lado seu tão companheiro mau humor... Vamos as fofocas

Noooossa, por essa eu não esperava mesmo. Clea trazendo novidades quentíssimas em menos de 2 minutos com os pés na escola? Realmente uma surpresa.
– Me ilumine amiga. — falou Lea — Juro que estava em abstinência de fofoca durante as férias
– Então, nossas preces do semestre passado foram finalmente atendidas pelo meu bom Senhor lá de cima... — ela sorriu maliciosa — Entraram alguns alunos novos no nosso ano, e pode ser que eu tenha dado uma olhada nas fichas de matrícula dos garotos, a parte que nos interessa lógico, e depois stalkeei alguns na internet.
– Isso não deve fazer bem pra sua saúde mental, mas como eu também me interesso pelo assunto vou incentivar esse seu lado psicopata — falei menos emburrada que antes (não que isso seja algum avanço)
– Fico mais do que feliz em dizer que a maioria é gato, o resto esta entre gato e deus grego magnífico — disse ela e Lea fingiu um desmaio
– Eles que se preparem para a mamãe aqui, esse semestre eu to com tudo — disse Lea se levantando e piscando
– Me explica de novo porque eu sou amiga de duas pervertidas? — pedi e recebi dois tapas na cabeça
– Olha mana, eu também não sei o motivo, por isso te encorajo a arrumar amigas deiferentes... De preferência as meninas do clube do celibato — disse Tyler nos assustando
– Você ainda ta aqui peste? — disse Lea — Se eu fosse você ia logo falar com seus amiguinhos antes que a fera se liberte em cima de você pelo comentário desnecessário e sem fundamento — ela arqueeou a sobrancelha pra ele

Ele só sorriu debochado pra ela e deu um beijo estalado na bochecha dela, que logo limpou a região fazendo cara de nojo fazendo-o rir
– Te vejo na sala leoa — falou ele dando um apertão na minha bochecha e se distanciando
– Eu ainda vou afogar esse viado na banheira — falei massageando meu rosto

Tyler e eu sempre fomos do mesmo ano, só temos um ano de diferença um do outro e entramos juntos na escola, mas sempre ficamos turmas separadas. Como é o último ano as turmas se juntam, portanto todos nós somos da mesma sala agora. Para minha sorte ou azar, até hoje ainda não me decidi.
–Nunca vou me acostumar com esse pedaço de mal caminho que você chama de irmão ,Tess... — suspirou Clea
–Nojenta... — eu e Lea dissemos ao mesmo tempo para ela

Lea também conhece e convive com Tyler desde que se entende por gente, eles se tratam como primos que vivem pentelhando um ao outro.
– Enfim, eu não pretendo ficar aqui no estacionamento esperando para ser atropelada por algum energúmeno. Vamos pro pátio — falei e comecei a andar sem esperar pela resposta delas

Passamos os 15 minutos seguintes conversando (na verdade, eu só ouvia a conversa, tentando não dormir pra variar) e respondendo aos comprimentos de todos que por ali passavam. E eram muitos, já que aquela escadaria era o nosso lugar de costume.

Depois de o sinal tocar todos foram para as suas respectivas salas, e eu como estava distraída acompanhei as meninas enquanto pegavam seu material nos seus armários e esqueci de pegar o meu. Só me toquei disso na porta da sala e tive que voltar.

Estava tirando as coisas do meu armário quando percebi uma pessoa atrás de mim e logo a mesma me cutucou, fechei meu armário e me virei. Tenho minhas dúvidas de que seria possível, mas acho que eu se eu não estivesse mordendo minha língua no momento, minha mandíbula teria se deslocado e caído no chão.

O garoto era mais alto que eu, mesmo com o salto que eu estava usando, eu era uns 4 dedos mais baixa. Tinha uma cor morena de quem passa horas no sol se bronzeando que dá calor só de ver, o corpo bem definido e musculoso mas não exageradamente (tenho certeza absoluta que ele joga futebol) que eu conseguia ver perfeitamente mesmo sob a camisa básica azul que ele usava, o cabelo cor de areia parecia ter vida própria pois cada fio estava em uma direção diferente mas isso não o deixava com cara de desleixado como faria com outro garoto, o deixava mais gostoso (e tão sexy que nem o Ian Somerhalder conseguiria ganhar se fosse uma competição).

Surpreendentemente, mesmo sabendo a delicia que ele era, o que mais me chamou a atenção foram os olhos. Não consegui definir se eram verdes ou azuis, talvez fossem ambos... Ele me olhava com a cabeça inclinada fazendo os olhos ficarem meio escondidos pelos cílios grandes e somando isso com os traços fortes, a barba por fazer e a boca (o lábio inferior ligeiramente mais cheio que o superior) entreaberta, me fez prender a respiração por um bom tempo.
– Ooi, você ta bem? — ele perguntou estalando os dedos

Isso me fez acordar mas eu quase viajei para as profundezas do meu inútil cérebro só de ouvir essa voz rouca.
– Desculpe — pisquei forte para ver se a visão do homem gostoso na minha frente mudava mas não mudou para a preocupação da minha sanidade mental — Você disse alguma coisa? — perguntei tentando raciocinar direito
– Eu perguntei onde é a sala 307 — disse e notei os cantos de sua boca subindo em um sorriso divertido

Ele com certeza sabe o efeito que causou em mim e agora achava aquilo engraçado, provavelmente sabia que acontecia isso com todas as pessoas do sexo feminino que o avistavam a pelo menos 100 metros de distância. Isso fez com que eu me recompusesse na hora e colocasse uma máscara indiferente no rosto.
– É nesse corredor, só segue em frente, 5º sala a esquerda — indiquei com a mão e sorri educada
– Obrigado — falou e se pôs a andar na direção que eu indiquei

Ao assisti-lo andar eu notei as seguintes coisas que eu demorei para assimilar: 1º Ele é tão bonito de frente quanto de costas, sua bunda era maravilhosa. 2º Ele nem sequer sorriu de volta, o que foi meio rude da parte dele. 3º O senhor gato, maravilhoso, sensual e grosso, estava indo para a mesma sala que eu. 4º Ele sequer olhou pra mim direito, apenas ficou encarando meus olhos com os seus, me hipnotizou totalmente. 6º Eu estou fudida.

Com certeza eu vou ter grandes problemas com esse ser humano na mesma escola que eu, ainda mais na mesma sala. Agora basta descobrir se vão ser problemas bons ou ruins.

Fiquei parada ali como uma estátua, perdida em meus pensamentos por alguns minutos e só resolvi me mexer quando a imagem dele foi jogada para o fundo da minha imaginação, trancafiada numa caixinha bem pequena e lançada num mar de lava. Andei receosa para a minha sala e antes de abrir a porta fiquei mais ereta e resolvi fingir que nunca o vi, pelo menos por enquanto ou eu certamente farei papel de palhaça de novo, e isso é inaceitável para mim.

Entrei na sala logo avistando-o já sentado e sendo o centro de todos os olhares e cochichos (a maioria feminina, mas até alguns meninos olhavam, os gays com o mesmo desejo que as meninas e os outros com certo ressentimento). Assim que o localizei, gravei o lugar onde ele estava para evitar olhar para lá a todo custo, pela minha visão panorâmica vi que ele já estava conversando com alguma garota e também vi quando ele virou sua cabeça em minha direção mas logo voltou a olhar para a garota que eu não me preocupei em saber quem era.
– Atrasada srt. Rust — disse o sr. Wall meu professor de biologia desde sempre
– Pois é, certos costumes nunca morrem — sorri brincalhona para ele que sorriu e me mandou sentar logo

Eu gostava muito dos meus professores, eles sempre tentaram fazer minha vida aqui no colégio um pouco menos insuportável, as vezes eu passava o recreio na sala mesmo para evitar ser confrontada pelos outros alunos por pelo menos alguns minutos do meu dia. E mesmo quando voltei mudada, eu gostava de matar o tempo na sala dos professores (o que deveria ser proibido para alunos, mas eles sempre abriram uma excessão pra mim), tem dias que eu fico de saco cheio desse pessoal, me irrito mais que os outros dias então tenho meu refúgio.

Foi lembrando dos dias em que eu ficava na sala dos professores que eu me distraí ao passar pelas fileiras para não olhar para o lindo estranho e chegar no meu lugar que estava sendo guardado pelos meus amigos.