He has to be mine
4 Capítulo 3
Depois de ter dado um beijinho em todo mundo eu sentei na minha cadeira, me debrucei sobre minha bolsa e dormi, sem dizer mais nenhuma palavra pra ninguem. Graças a Deus o professor me deixou dormir, ou ele simplesmente não me viu. O que importa é que eu pude tirar um belo cochilo até alguém me chamar dizendo que tinhamos que ir para a sala de artes.
– Sono bom ein — falou Andrew me abraçando de lado
– Que eu gostaria de dar continuidade ao chegar na sala de artes — falei encostando em seu ombro e fechando os olhos deixando ele me guiar
– Ai Tessa, desperta cara, não tem graça falar dos garotos novos com a Clea, ela tem a mesma opnião que eu — Lea disse bufando
– É, se eu quiser saber o que a Lea acha é só eu pensar no que eu mesma acho — completou Clea
– Conversem com os meninos então, não estou de bom humor hoje — resmunguei
– Me diz qual foi o dia que você acordou de bom humor? Porque eu não me lembro de um Tess — brincou Ethan
– Porque eu acordava e pensava que ia ter que ver a droga do meu namorado na escola, isso era muito desanimador Eth — falei levantando a cabeça do ombro de Andrew
– Nossa Tessa, guarda as garras — falou Derek e riu- Eu vou te dizer aonde eu vou enfiar as minhas... — falei indo em direção a ele mas Andrew tapou minha boca e me abraçou por trás me segurando
Derek só riu da minha tentativa de continuar reclamando com a mão do Andrew na minha boca, logo todos riam dos meus resmungos. Então lambi a mão dele que me soltou fazendo cara de nojo
– Você já enfiou a língua na minha boca, ta fazendo cara de nojo porque? — perguntei me soltando dele e andando emburrada
– Você não estava nesse humor quando saimos de casa Tess — comentou Tyler e eu ignorei
– Vamos melhorar essa carinha falando de homem bonito — falou Lea
– Vocês não cansam de falar de nós né? — disse Ethan e os meninos riram recebendo olhares sérios das meninas que logo os calaram
– Eu achei que o mais bonito foi o último a entrar, o de camisa azul — disse Clea
– Não achei ele nada demais, só arrogante — falei e cruzei os braços
– Tadinho, você nem conhece o menino Tessa — brigou Lea — E você deve estar mesmo com sono pra não ter visto que ele facilmente seria o modelo mais lindo da abercrombie
– Ele falou comigo antes da aula começar, e eu achei ele muito escrotinho — falei ainda irritada
– Sério?? O que aquele gatão falou? — perguntou ela curiosa
– Caramba, você sempre pega os melhores primeiro Tessa — suspirou Clea
– Concordo — disseram Andrew e Ethan ao mesmo tempo
– Ele veio me pedir ajuda, mas nem me olhou direito — falei — e quando eu sorri pra ele você acredita que ele nem sorriu de volta? — perguntei incrédula
– Aaaah, agora ta explicado o motivo desse mau humor pior que o normal — riu Tyler — o garotinho novo não deu bola pra você foi maninha? — ele implicou e eu lhe dei dedo
– Nâo foi nada assim idiota. Mas eu fui simpática com ele por ser aluno novo e o ridículo só sorriu pra debochar quando eu fiquei olhando pra ele. Não que eu tenha achado ele bonito, eu tava se reconhecia ele de algum lugar — falei
– Awn, ela se sentiu rejeitada pelo cara novo — disse Andrew me abraçando
– Eu vou bater em vocês babacas, eu nem quero nada com ele, não posso ser rejeitada então — dei de ombros e me soltei de Andrew de novo
– Relaxa Tess, não precisa ficar triste por causa de um fora, você tem a gente — disse Derek
– Gostei desse menino, acho que vou fazer amizade com ele — disse Tyler — Um cara que não ta nem aí para minha irmã... Adorei
– Vocês podem fazer a gentileza de irem para o inferno? — sorri inocente e comecei a andar apressada
Pude ouvir os idiotas rindo de mim e as traidoras que eu chamo de amigas rindo junto. A sala de artes era no pavimento criativo, que era ao lado do pavimento principal onde temos as aulas principais como Química/ Lab , Física/Lab, Biologia/ Lab, Matemática, Literatura, Geografia e História.
No criativo tem Artes, Música , Dança (extracurricular), Teatro (EC), História da arte, Línguas estrangeiras, Sociologia, Filosofia, Escrita criativa/Poesia (EC) e atrás desse tem os campos de futebol e futebol americano, quadra de basqueta, vôlei e handbol, o ginásio onde as ginastas e líderes de torcida treinam, as vezes o pessoal da dança também treina lá, tem também a pista de corrida.
Além desses tem o pavimento secundário, que é onde tem o refeitório, biblioteca, salas de estudo e aulas de monitoria (que são dadas por alunos).
Andei entre os outros alunos da minha sala que estavam indo pra sala de artes também, deixando meus amigos pra trás. Eles estavam certos, aquele garoto não ter me dado atenção me deixou irritada, eu tenho conciência do quão fútil isso é, mas depois que eu voltei pra essa escola todo mundo queria ficar comigo e ser meu amigo.
Acho que me acostumei e deixei isso subir a minha cabeça, por que pela primeira vez na vida eu era desejada, isso era o que eu mais queria quando era mais nova. E agora esse garoto incrivelmente lindo mexe comigo e nem quer saber de mim... Me recordo muito bem desse sentimento, e e estranho tê-lo de volta comigo. Por isso me irritei tanto.
Mas eu não vou deixar assim não. Esse cara vai ver só. Vai aprender a tratar uma menina direito, ainda mais uma bonita e simpática (juro que não queria que isso soasse tão metido).
Cheguei na sala de artes, onde vários outros alunos já tinham chegado e sentado nos lugares que queriam. As mesas estavam dispostas aleatóriamente pela sala, não em fila como as do pavimento principal. Peguei minha mesa de sempre no centro da sala, onde eu poderia ter uma visão melhor lá da frente, já que as canaletas estavam dispostas.
Sempre gostei das aulas de artes... Na verdade de todas as desse pavimento. Como eu não tinha muita vida social, a mamãe me colocou para ter todo tipo de aula que podia. Ballet, Jazz, Hip Hop, Ginástica Olímpica, Canto, Piano, Violão, Violino, Francês, Alemão, Italiano e Japonês.
Essas foram todas as aulas que fiz em minha vida toda, e mesmo que na época eu não fosse muito fã, eu passei a gostar depois. Algumas dessas aulas como o Ballet e a Ginástica me ajudaram a perder peso, me definir, ganhar músculos, melhorar a postura, melhorar meus reflexos e ser menos estabanada. Agradeço muito por isso.
Hoje em dia eu só pratico esportes na escola mesmo, além da educação física, eu faço dança, ginástica, vôlei e handbol, que ocupam as minhas tardes, também faço artes e música, mesmo já tendo essas aulas de manhã. Faço porque gosto de me manter ocupada, e todas essas coisas vão me fazer entrar em qualquer faculdade que eu quiser (com ajuda das minhas notas é claro).
O resto do pessoal foi chegando logo depois de eu me sentar, assim como a professora, sra. Dyfree, que eu sempre admirei pela sua beleza, simpatia e por ser uma ótima artista. Alguns alunos acham que ela é meio maluca por ser muito expressiva e agitada (ela também é professora de teatro), mas eu não acho isso.
– É tão bom ver essas carinhas lindas novamente — disse ela depois de todos se acomodarem em seus lugares — fico mais que feliz em dar as boas vindas para os novos alunos, tenho certeza de que vocês vão amar estudar aqui.
– Talvez não tanto — disse algum idiota que eu não vi quem foi arrancando risos dos alunos
– Shhhh, agora não é hora para gracinhas, agora é hora de fazer magia, de criar arte — ela disse sorridente abrindo os braços
– Se eu tomar a mesma coisa que você, com certeza vai ser mágico — a mesma voz disse e dessa vez eu vi quem foi.
Um garoto do time de basquete, que ainda tentava disfarçar para a professora não tirá-lo de sala. Mas eu vi.
– Ei — chamei — Você mesmo babaca — falei olhando diretamente pra ele — Ou você cala a boca voluntariamente ou eu vou aí calar pra você — falei irritada
Eu já não acordei de bom humor, fiquei mais irritada por causa do episódio no armário e esses babacas ainda ficam de brincadeirinhas... Alguém vai morrer hoje.
– Eu adoraria que você viesse fazer isso linda... — ele disse sorrindo malicioso
– Foi você quem pediu filho da... — levantei furiosa e já estava pronta pra avançar nele quando alguém me segurou
Eu sabia que era um homem pelo corpo, não vi quem era mas provavelmente era um dos meninos. Eles deviam parar de me segurar quando estou com raiva, ou eles é que vão acabar se dando mal.
– Acho melhor você obedecer ela e calar a boca, ou quem vai te arrebentar sou eu — disse Tyler se levantando da cadeira dele lá no fundo
– Relaxa aí Ty, deixa a gente brincar — falou o babaca — Não precisa se estressar... Toda vez você e seus amiguinhos arrumam encrenca por causa dela, não se esqueça que da próxima o seu treinador corta todo mundo — ele sorriu debochado- Não se preocupe idiota, eu não preciso de nenhum deles pra me livrar de você. E não vou sofrer nenhuma consequencia por isso — falei tentando me soltar para ir em cima dele
– É disso que se trata a arte pessoal. Emoções — disse a professora sorrindo — Mas nós transferimos esses sentimentos para o papel. E é isso que nós vamos fazer hoje, certo Tessa? — ela disse em tom de aviso
– Claro — sorri — Vou transferir toda a minha tendência homicida para uma linda imagem minha enfiando meu salto no olho do meu querido colega — disse apontando pra ele e respirando fundo
Ele estava rindo, o que só me fazia querer matá-lo mais ainda. Mas eu respirei fundo mais uma vez e me segurei, eu ia me resolver com ele depois. Segurei os pulsos de quem me segurava pela cintura e lentamente me desfiz deles e voltei a me sentar. Quando olhei para a pessoa que ainda estava em pé, escondi meu choque ao saber que era o garoto do armário, e que ele estava sentado em uma cadeira a minha esquerda só que um pouco mais atrás, na diagonal.
Desviei o olhar rapidamente e me concentrei na tela na minha frente. Esperando a professora dar continuidade na explicação. Ela pediu para que desenhássemos qualquer objeto da sala, mas que com essa imagem pudéssemos distinguir um sentimento.
Olhei em volta por um momento e depois voltei a encarar minha tela em branco tentando pensar em algo que eu pudesse retratar que mostrasse o que estava sentindo. Desenhei a frente da sala onde estava a professora, mas fiz apenas sua silhueta, e a sala estava escura, a única coisa que podia se ver claramente era o relógio, que mostrava o quanto eu estava imapciente.
Terminei o desenho em pouco tempo já que a maior parte dele consistia em sombras. Mesmo tendo desenhado o relógio eu não tinha prestado atenção na hora, ainda nem eram 10 horas. A manhã está muito devagar, eu não tenho mais saco pra ficar aqui. Quero férias.
E bem no primeiro dia eu tinha que me meter em confusão (sem falar na outra confusão mais cedo, aonde a única confusa era eu). Lógico que não é a primeira vez que eu me encrenco no colégio por causa de algum idiota... Isso aconteceu várias vezes, alguém me irritou, alguém estava mexendo com algum outro aluno... Quando a galera popular começa a fazer bullying com os outros alunos meus instintos de super heroína se ativam.
Já fui suspensa por xingar, por bater, por destruição do patrimônio escolar (só porque eu joguei uma cadeira em um garoto do atletismo que conseguiu desviar e acabou quebrando a janela da secretaria, bobeira).
Eu devia deixar pra lá tudo que aconteceu comigo quando era criança, agora que minha vida está ótima (mais ou menos), mas quando eu vejo alguem passando o que eu passei, isso me deixa nervosa. Eu tive sorte de ter conseguido escapar do tormento, mas os outros não tiveram a mesma sorte, as vezes me sinto culpada por isso, apesar de Lea e Tyler tentarem me fazer esquecer isso.
Eu nunca vou esquecer.
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