Have you seen Chris?

6 Capítulo 6: Não há Fogo, só flores.


Notas iniciais
[ ALERTA ] Sabia que a cada Review que você não deixa, um autor morre no mundo? Me ajude a continuar vivendo, deixe seus Reviews sempre que puder ;] E aí, meus amores? Tudo bem? Comigo tá tudo lindo. Primeiro eu quero agradecer muito mesmo às lindíssimas @Dorameira10 e @SuperGranger pelos comentários. Sério, vocês me impulsionaram demais! Muito obrigada pela doçura e incentivo; Também agradeço aos meus leitores que permanecem fantasmas! Só de saber, pelas estatísticas, que vocês passam por aqui, eu já morro de felicidade. Sobre o capítulo: esse cap está muito denso; Vocês vão poder conhecer mais um pouco das sombras do passado da Iz e vão saber um segredo muito especial do Benjie. Enfim, agora a trama começa a tensionar mais ainda. Vejo vocês lá nas notas de fim de capítulo. Hasta Luego :)

Ao nos encaminharmos para o Bushwell, pude ver o parque passando. O mesmo parque em que houve o estopim de tudo, ou melhor dizendo, onde eu reconheci tudo o que já vinha acontecendo há tempos. Nem eu nem Ben conversamos nada durante o trajeto, me senti confortável mesmo assim. Deve ser aquela sensação de quando se confia muito em alguém. Sinto isso com Cats.

Todo verde do parque havia se tornado cinza e não era por causa da noite. Eu estava cinza. A vida no lugar parecia silenciosa e charmosa vista de fora. Me pergunto se a vida estava ali presente nesse momento em que olhei. Não pude vê-la ali. Só vazio. Silêncio. Chris.... Algo no meu coração ardia por ele. Minhas mãos queriam segurá-lo, envolvê-lo, queria sentir o seu cheiro e emaranhar seus cabelos cacheados de novo.

一 Pronto.

Ele constatou ao desligar o carro. Estávamos no estacionamento do Bushwell.

一 Pensei que iríamos passear.

一 Gostaria de caminhar no parque um pouco, mas está chovendo muito, então vou levá-la a outro lugar.

一 Mas o jantar já foi bem caro. Deu por hoje, n….

一 Hã-hã. Nada disso. Você me deve um passeio.

Ele disse ao encerrar porcamente o assunto e prosseguiu:

一 Além do mais, tô sem sonooooo! 一 Fingindo berrar, ele passava a mão nos cabelos, cheio de tédio.

Pegou em minha mão e me guiou pelo estacionamento cinzento. As únicas coisas que não tornavam oficialmente o estacionamento do prédio um imenso quadrado de trevas eram as grossas linhas amarelas de sinalização nas pilastras do local. Ben quase corria, era impossível ele manter esse fôlego só lendo e usando o computador. Nota mental: Garotos têm vergonha de admitir que não conseguiram seus corpos sarados naturalmente.

Cruzamos diagonalmente o terreno e chegamos em uma porta cinza escura de metal. A porta parecia bem velha. No alto da parede em que a entrada metálica se encontrava, podia ler-se em letras vermelhas numa plaquinha branca: saída de incêndio. O garoto sorriu pra mim e abriu a porta. Depois de aberta não parecia mais tão enferrujada, parecia muito mais como se uma guerra nuclear tivesse acontecido e só aquela porta tivesse sobrado.

一 Chegamos. Bem-vinda ao meu refúgio! 一 Ele disse orgulhoso.

Olhei para dentro da porta e encontrei uma escada tão antiga quanto a porta de metal velho e tintura descascada.

一 Ben, sem querer cortar seu barato, mas não acho muito seguro entrar aí. Não sei que loucura é essa, só tenho certeza de uma coisa: nem Deus sabe há quanto tempo ninguém abre esse treco. E se ficarmos presos?

Nunca pensei que falaria tão igual à Catherine.

一 Eu sempre venho aqui. Quando preciso de tempo, silêncio, ler ou, sei lá, olhar o céu, venho pra cá. Vai ser um segredo nosso.

Ele tinha o semblante tão iluminado só de falar no lugar que fiquei tentada a subir. Concordei em segui-lo. Subi oito lances de escada, seguindo uma cabeleira escura e molhada. A cada andar que passávamos, tínhamos que abrir uma porta velha e enferrujada como a primeira. Meu acompanhante eufórico fez questão de explicar que a porta era um isolante de fogo e que, por medida de segurança, era necessário ter uma a cada andar. Passando por ela, dávamos de cara com um novo corredor estreito, cinza e úmido. Em todo o trajeto, não encontramos uma lâmpada sequer. Benjie iluminava tudo com o visor de seu celular. Ao chegar no oitavo lance de escada, Ben diminuiu o ritmo e soltou a minha mão.

一 Pronta para algo novo, Bel? 一 Ele disse radiante.

一 Espero que sim. 一 Eu disse apreensiva.

Sabia que grandes coisas não sairiam dali. Observei os fortes braços de Ben abrirem, sem esforço e com entusiamo excessivo, a última porta da nossa jornada. Ele sorria, estava satisfeito. A porta revelou um quase cômodo de uns quatro metros de largura e três de comprimento. Parecia uma varanda, no entanto, não pertencia a nenhum dos apartamentos do prédio. Acho que, teoricamente, deveria estar tão cinza como todo o caminho que me levou ao lugar, mas parece que alguém andou usando espaço de propriedade privada sem autorização. Ben havia pintado tudo ali de alguma espécie de amarelo, era tudo tão vivo!

O sentimento de estar ali, diferente de toda a escadaria, era muito colorido. Sentia o vento gelado na minha pele, o frio fazia cócegas na minha nuca. Ben, com toda certeza, tinha se apossado do lugar há tempos, parecia uma extensão de seu quarto. Não era tão arrumado quanto o apartamento dos Brendon, mas, ainda assim, tinha ares de lar.

Hortinhas estavam penduradas na parede. Qual é, deve ter feito barulho pra pregar isso na parede, onde estava todo mundo? Pude ver um sofá antigo marrom que descansava próximo a parede oposta à porta e ostentava uma almofadinha de retalhos idêntica as da sala de Marisa ( que provavelmente deve ter dado falta do objeto). Uns caixotes pintados de vermelho serviam de descanso para um pequeno acervo do que estimo ter sido de, no mínimo, vinte livros.

Podíamos ver toda a rua, o parque, o centro da cidade todo dali. No beiral da varanda, vi alguns vasos de planta. Talvez ele devesse levar algumas meninas ali e, pra parecer mais sensível, resolveu manter algumas flores. Lembrei de Cathy: nada mais fofo que um “boy natureza”.

Entrando definitivamente no cômodo, pude observar um carrinho-de-mão e uns outros instrumentos de jardinagem ao lado da porta. Hortinha na parede, ok! Agora, carrinho-de-mão… Como esse garoto entrou com um carrinho-de-mão ali e ninguém percebeu? Enfim me livrando do impulso de observar a peculiaridade do local, fui em direção a um vaso de plástico marrom que destacava uma florzinha muito bela. Passei o dedo em uma de suas pétalas, percebi que eram macias também, pareciam uma espécie de veludo.

一 Prímulas. 一 Ele falou.

一 O que disse? 一 Assustada, tirei as mãos da pequena flor.

一 A flor. Prímula. É a minha favorita. É de origem chinesa. Encontrei-a do nada quando ainda estávamos no ensino médio e roubei uma muda para mim. Não é que eu me orgulhe do que fiz pra consegui-la, mas ela é tão bonita.

Ouvia e observava fascinada a paixão que o garoto tinha pela flor. Ele continuou:

一 Minha mãe costumava cultivar várias flores, antes de… Você sabe. As prímulas eram as favoritas dela, representam a felicidade. É a primeira flor a brotar na primavera.

Fez-se uma pausa. Ele se debruçou no granito branco do beiral, ficando de costas para mim. O vento trazia frio como lembrança da chuvarada de alguns minutos atrás, mas também estava gostoso, uivava em nossos ouvidos e movia os cabelos do garoto ritmadamente, como move os trigais. Ele encolheu os olhos pela intensidade do vento em seu rosto, ainda gelado da chuva. Dos poucos carros que passavam ali embaixo, só ouvíamos o barulho dos pneus e motores, mas nada parecido com o caos de quando fui para casa. Sem olhar em minha direção, Benjie continuou falando:

一 Você deveria gostar de prímulas também, Bel. Tem gente que costuma chamar essa espécie de pão de queijo.

一 Hum, acho que vou me dar muito bem com suas prímulas.

一 Não me incomodo de te emprestar um pouquinho de vez em quando.

一 Ben? 一 Minha voz quase não se fazia audível.

一 Iz. 一 Ele disse leve e imitando minha voz.

一 Obrigada por me trazer aqui. Aqui é muito melhor que qualquer restaurante chique. Eu posso sentir a paz entrando em meus pulmões a cada vez que respiro. Sinto vontade de sair dançando.

一 Não seria uma cena muito bonita de se ver, Florence. 一 Ele ironizou.

一 Bom, não seria mesmo, mas mesmo assim eu o faria. Hoje vou dormir bem, eu acho. Queria poder enfiar a cara no seu jardinzinho e dormir. 一 Ele ria. 一 Há dois meses que não consigo dormir direito. Chris começou a ficar estranho. Ele passou a me olhar com desconfiança. Não consigo entender porquê, eu nunca tive ninguém antes dele. Chris foi meu primeiro namorado, meu primeiro beijo, meu primeiro, e talvez único, amor.

Meu ouvinte já tinha o semblante mais sóbrio e fazia sinal para que eu prosseguisse. Enquanto eu não sabia porquê havia começado a fazer botar todas as cartas na mesa do nada, eu devia estar enlouquecendo. Nota mental: frio congela miolos.

Fui falando e falando e falando. Eu não dançava à noite pelo meu quarto, meu coração não palpitava, mas minha alma se aquecia com a presença de Chris. Não era uma paixão avassaladora daquelas que as pessoas se jogam da ponte pra provar seus sentimentos. Christopher era minha família, íamos terminar a faculdade e moraríamos juntos depois disso. “Pode ser um apartamento pequeno perto de algum lugar com praia”, ele dizia e eu sempre ficava pensando o quão mais perfeito isso poderia ser.

Eu sempre tive muitos problemas com homens. Benjie conhecia a fama da minha mãe, mas não sabia que os namorados dela sempre davam em cima de mim. Contei a ele:

一 Quando eu era mais nova alguns chegaram a me tocar e fazer coisas horríveis. AH, COMO EU QUERIA QUE TODOS ELES SOFRESSEM METADE DO QUE EU SOFRO ATÉ HOJE COM ISSO. 一 A essa altura, eu praticamente gritava e Ben só me encarava atencioso e aguardava eu prosseguir.

As lembranças me fizeram cravar as unhas no meu antebraço. Benjie, que tinha os olhos assustados, tirou as unhas da pele do meu braço e o acarinhou enquanto eu continuava a falar roboticamente:

一 Não consigo passar de beijos. Não conseguia nem beijar, eu sempre lembrava daqueles olhos sujos e nojentos, daqueles homens. Não sou uma garota de verdade. Não valho a pena.

一 Nunca diga isso, Bel. Você é incrível! 一 Ele soava revoltado e compadecido.

Ignorei seu comentário e continuei. Eu estava em transe, não podia parar de falar.

一 Costumava ser insegura quando o assunto era o Chris. Sei que é estranho falar disso, como deve ser ouvir também. Mas, veja bem, não tenho nada a perder, já estou no fundo do poço, Ben. Você tem sido um anjo, mas daqui a pouco terá algo melhor para fazer.

Ele fez cara de protesto, mas preferiu me deixar falar. Me levou ao antigo sofá que estava encostado na parede da varanda, ao lado do mini jardim. Só as flores podiam escutar-nos.

Eu não conseguia parar de falar, contei mais detalhes a Benjie, falei mais de como tinha medo de ser trocada e me esforçava para dar o que Chris queria, mas toda vez que ele encostava em mim diferente, minhas vísceras saltavam porque lembrava daquelas cenas nojentas de novo. Eu sempre tive certeza que depois que eu e Chris dormíssemos juntos, ele me dispensaria. Ele iria descobrir como sou suja, que meu corpo é um lugar horrível que monstros sujos já desfrutaram brutalmente.

一 Se nem eu consigo amar isso aqui, 一 apontei pro meu corpo, decepcionada 一 quem vai conseguir?

Respirei fundo. Se eu iria contar minhas merdas todas pra Ben, eu precisaria estar, pelo menos, quase controlada. Voltei a falar:

一 Comecei a namorar com Chris no ano passado, você sabe. Ele já tinha tido várias namoradas e eu, ninguém. Ele já tinha beijado as pessoas e eu, bem, beijado, beijado mesmo, também ninguém. Ele tinha se deitado com várias garotas e eu…

一 Ninguém. 一 Ele completou como quem já entendia tudo.

一 Ninguém com quem eu quisesse estar livremente, ninguém com menos de vinte anos a mais que eu. Ninguém que não tapasse minha boca, me batesse ou atasse minhas mãos. 一 Reforcei fracamente, o esclarecendo e deixando-o chocado ao, finalmente, entender até que ponto os namorados da minha mãe chegavam.

一 Chris conquistava quem queria.一Continuei.一 Nunca entendi o que ele queria comigo. Eu não era garota pra ele. Ele até me traiu uma vez. Antes disso, me pressionou a dormir com ele, mas eu não estava pronta. Cheguei a tentar me forçar a dar o que ele queria, só que não conseguia. Eu só conseguia me lembrar daqueles homens velhos e suados repondo suas calças e da minha mãe gritando comigo: “ Sua vagabundinha, você se acha demais por roubar os homens da sua mãe, né? Tenho uma novidade pra você: ninguém vai te querer, ninguém vai aguentar ficar com você porque você é uma imunda”. Esse era o acordo dela com seus namorados: eles me usavam, ela ganhava muito dinheiro por isso, depois ficava com ciúme e me xingava e batia o quanto aguentasse até que caísse bêbada.

Ele permanecia olhando pra baixo, parecia mais pensativo que nunca. Até hoje não sei o que Ben pensava naquela noite. Continuei:

一 Chris achava que eu brincava com ele, que eu fingia. Eu tinha e tenho medo de ser usada. Da última vez, ele saiu enfurecido da minha casa, encontrou-se com Missy kepper e dormiu com ela. “Ela tinha o que um homem precisa”. Eu aguentei firme porque sabia que aquele não era Chris e eu estava certa, você viu: ele pirou e sumiu. O Chris que eu namorava era doce. Era nele que eu me abrigava quando estava com medo de encontrar algum namorado riquinho e nojento da minha mãe em casa, Ben. Isso tudo é só tão difícil. Eu não sei o que pensar. Sei que ele não é essa droga de pessoa que ele vem fazendo questão de ser, mas é tão ruim passar sua vida toda se sentindo um lixo e quem deveria te amar, pisar tanto em você como qualquer outra pessoa má.

Ele não acreditava. Seu amigo sempre foi o cara mais gentil que conheceu, um dia já pensei o mesmo que Benjie sobre esse assunto.

一 Bel, eu não seio o que dizer. Eu… Meu Deus! Toda vontade que eu tinha de encontrar Chris só aumentou agora, mas os motivos são outros. Tô nem aí se ele surtou. Como ele pode te destruir assim?

Ele cortou seu discurso para descontar a raiva no braço do sofá, um soco forte originou um som abafado vindo do amontoado de espuma e madeira oca. Depois de respirar várias vezes, ele retomou sua fala:

一 Eu não tenho nada a ver com essa parte da sua vida, quero dizer, não tenho direito de opinar sobre quem você namora ou vai querer namorar, mas sabendo do que eu sei, qualquer idiota teria que ser o homem mais legal do mundo antes de conseguir qualquer coisa mais quente com você. Na verdade, essa seria a última das preocupações. Como você viveu esse ano inteiro se sentindo assim e ele ok? Você é pura e linda. E ele é um babaca.

Silêncio. Lágrimas minhas. Suspiro dele.

一 Olhe pra mim, 一 ele chamou minha atenção, suspendendo meu rosto, pelo queixo, de forma carinhosa 一 nos conhecemos há bastante tempo, você estava no meu lado quando eu mais precisei… Sempre entrei na sua onda, sempre impliquei contigo, mas não passava de brincadeira. Eu me sinto uma merda por você só ter me contado isso tudo agora. O que fizemos com a gente, Bel? Eu podia ter te ajudado como você me ajudou, eu… Me desculpa. Por isso, ouça bem o que eu digo: nunca mais nenhum garoto vai fazer isso contigo. Ninguém vai te tocar sem sua permissão ou te fazer se sentir mal por qualquer coisa dessas e se alguém ao menos pensar em algo assim, se verá com um eu bem revoltado. Combinado?

一 Combinado. E você nunca mais me faça chorar assim. Senão contarei seus discursos pros seus amigos e eles vão, no mínimo achar isso coisa de virgem. 一 Disse enxugando as lágrimas e descontraindo a atmosfera melancólica que eu mesma havia criado.

一 Não estaria mentindo muito, afinal. 一 Ele disse, dando de ombros.

Gelei. Seria isso mesmo que ele estava tentando dizer?

一 Para de graça, Benjamin! Você está me dizendo…

一 Sim. 一 Ele disse sincero.

Infelizmente, não pude deixar de invejar esse direito dele.

一 Mas…

一 Também tenho meus motivos pra não querer esse tipo de coisa até agora, nossa conversa de hoje fez com que eles parecessem estúpidos demais. Preferia servir pra algo e poder trocar de lugar com você…一 ele respirou fundo e olhou pra mim 一 Só quero amá-la de verdade.

Ele riu constrangido ao reparar que a frase tinha soado ambígua demais e, mesmo tendo certeza que eu não iria maldar o comentário, retificou-se:

一 Digo, amar a garota. Não sonho que seja a única da minha vida nem nada, mas não quero desperdiçar minha primeira vez com alguém que eu não ame. É simples: eu andei malhando, Florence, queimei a barriguinha, não vou desperdiçar esse meu esforço com uma primeira vez não suficientemente satisfatória. 一 Ele brincou e conseguiu descontrair o assunto.

一 Desculpa. Eu só não imaginei. É que … Bom, você não faz o tipo que as garotas ignoram. Tem esse braço todo, esse peito, a barba. Desculpe. Não me entenda mal. Você só não tem jeito de …

一 Virgem? 一 Ele disse.

一 É…

Olhei pra baixo e me arrependi do rumo da conversa. Parecia uma maldição, era começarmos a conversar por mais de dez minutos e sair um milhão de lágrimas, conversas estranhas ou ataques nucleares. O que há de errado com a gente, afinal?

一 Bom, não sabia que tinha uma cara certa pra cara de 20 anos virgem. Agora que sei, fico feliz que não sou identificado facilmente por aí.

Ele simplesmente não ligava pra isso. Rimos um pouco. Ben esticou as pernas e apoiou os pés em um banquinho de madeira pintado de marrom verniz. Me encostei nele e respirei a noite. Ele acariciava fraternalmente meu cabelos e desfazia minha trança, enquanto mexia na minha cabeça sussurrou:

一 Vamos achá-lo, Bel! Vamos achá-lo.

Ben caçou algo, por alguns segundos, embaixo do sofá, ao econtrar, passou um cobertor que provavelmente ele utilizava quando ficava ali em nós dois. Eu chorava baixinho e meu coração formigava. Lembrar de tudo aquilo e finalmente conseguir contar pra Ben foi libertador e frustante. Eu havia jurado que o deixaria fora de meus problemas, a vida dele já era complicada demais. Aguentei firme por quase dez anos, mas acabei fracassando no meu juramento interno.

Olhando as estrelas, pensava em como as coisas tinham acontecido e porquê tudo isso havia feito com que eu fosse parar na saída de incêndio do Bushwell, no sereno, com Ben.

一 Boa noite, Bel.

Ele me apertou mais contra seu peito, a brisa fria levou meus pensamentos, levou minhas dores. Apagamos.

Notas finais
Pipoquinhas da Tia, deixem um oizinho nos comentários. E aí, foi bom pra vocês? Pra mim foi muito divertido escrever tudo isso pra você. Vej0 vocês nos comentários ♥