Have you seen Chris?

5 Capítulo 5: Conversas e o Orange Boutique II


Notas iniciais
Hey, everyone! Tá aí a tão falada continuação do capítulo. Ficou bem pequenininho porque minha intenção era só não mantê-lo como um cap gigante. "Conversas e o Orange Boutique II" tá uma gracinha. Benjie é um cara muito legal e dizem que a comida do Orange é maravilhosa! Curtam a leitura. Até as notas de fim de capítulo. :)

一 E aí, podemos pedir algo mais adulto ou suco. 一 Ele brincou ao me questionar sobre as bebidas.

[...]

O garçom achava que estávamos tendo um encontro romântico e vinha sempre nos indicar “ Um maravilhoso vinho, Monsieur...” ou “ Um champanhe como fogos de artifício.”

一 Nenhum dos dois. Quero coca.

Benjie gargalhou e o garçom arregalou os olhos antes de apontar:

一 Bela escolha, Senhora Brendon.

O rapaz sentado a minha frente forçou um sotaque francês brincando e, olhando para o garçom, pediu o mesmo.

一 Frango chique com coca, estou nas nuvens! 一 Disse me dirigindo a meu educado acompanhante que riu enquanto o garçom saia confuso.

Enquanto a comida não chegava e Ben observava o cardápio das sobremesas, fiquei observando o restaurante. Era um lugar lindíssimo e muito elegante. Logo depois da entrada, via-se as quatros pilastras verdes de metal que decoravam o lugar. Notei vários tapetes escuros com mandalas, alguns marrons, outros, roxos ou vermelhos, azuis marinho. O chão era coberto por tapeçaria. Fiquei imaginando se isso se estendia até os banheiros. Nada parecia combinar, mas juntos eram incríveis.

O Orange Boutique fugia à regra Clean que dominava todos os estabelecimentos e apartamentos da cidade e isso tornava seu ambiente tão encantador. Qualquer frequentador poderia sentir seus ares Vintage Parisienses. Sofás e poltronas que pareciam vir direto de uma convenção hippie ficavam nos cantinhos de cada parede. Do acolchoado dos assentos brotavam franjas bege. Em nossa mesa de madeira verde, reinava sozinha uma flor alaranjada dentro de um vaso de vidro com pedrinhas decorativas azuis, verdes, amarelas como aquelas pedrinhas de aquário.

Eu estava com meus olhos fixos em um estreito e baixo palco que ficava perto da mesa número treze e imaginando como seria formidável vir aqui, me desligar do mundo e ficar ouvindo um Old Blues qualquer. Me pegando flutuando em meus pensamentos, o garçom voltou. A comida parecia boa. Parecia que comer aquela maravilha de frango e me dar ao prazer de imaginar um mundo paralelo onde eu pudesse desfrutar inteiramente de um ambiente tão caloroso quanto esse seriam minhas compensações para os olhares de espanto ou reprovação diante do meu visual por parte dos clientes do restaurantes. Dei a primeira garfada no frango e quase chorei: era a coisa mais gostosa desse mundo.

一 Meu Deus! É simplesmente o melhor frango do mundo. Mesmo que um dia eu me jogue na frente de um caminhão pra te proteger, ainda assim, continuarei te devendo por me apresentar a esse frango. 一 Disse a Ben que sorria satisfeito e caloroso.

Fiquei pensando em como eu nunca imaginei que pudéssemos ser amigos de novo. Não havia percebido quanta falta sentia dele...

一 Se me dissessem que eu e Benjamin Brendon estaríamos jantando juntos num lugar destes e comendo o melhor frango da galáxia, eu daria uma bela gargalhada.

Erguendo uma das sobrancelhas e o canto da Boca, o moreno se pronunciou:

一 Então, um brinde aos bons frutos das catástrofes da vida e a toda Coca-Cola gelada.

Rimos, derramamos Refrigerante sobre a mesa e conversamos coisas bobas. Uma coisa legal em Ben é que ele não te pressiona. Ele sabia que quando eu quisesse falar sobre Chris, ontem e tudo mais, eu iria falar e não seria culpa dele.

Pedimos Petit Gateau. Pode haver na face da terra algo melhor que brownie com sorvete e calda quente de chocolate? Conversamos mais um pouco e recordamos dias melhores que os últimos que vivemos. Meu coração aos poucos se tornava brando. Tinha certeza de que minha alma aos poucos se iluminava. Seria eternamente grata a essas três horas de salvação que Ben me proporcionou.

Já entardecia, tudo estava completamente escuro lá fora. Ríamos de maneira demasiadamente deselegante e os demais frequentadores já começavam a nos olhar mais descaradamente estupefatos. Eles eram como grande bonecos de cera, pareciam não ter problemas, nem sentimentos. Meu companheiro de risadas parecia sinceramente não ligar para aquelas caras amarguradas. Eu, pelo contrário, sentia meu rosto arder. Veja bem, eu nunca mais apareceria ali, 一 não tão cedo, pelo menos 一 mas Ben frequentava o lugar. Não queria que ele ficasse tachado de baderneiro. Ele apreendeu minha tensão brilhantemente, pediu a conta e, em poucos minutos, saímos do Orange Boutique.

一 E aí, Izzie? Nota para a refeição.一 Ele indagou ao sairmos do restaurante.

Benjie tinha olhos descontraídos e sorriso de lado. Seus lábios pareciam mais finos ainda ao sorrir, a barba marrom e fraca delineava o contorno de sua boca em uma perfeita parábola. Tinha algo de leve no espírito do garoto. Pouco sabia sobre quem ele é agora, mas me trazia paz.

一 Bom, numa escala de zero a dez? 一 Perguntei.

一 Zero a dez. 一 Ele repetiu, rindo.

一 Doze e três quartos. 一 Respondi convicta.

一 Doze e três quartos não faz sentido algum.

一 Minhas respostas, minhas regras. Foi uma ótima refeição, Brendon. 一 Rebati brincando.

一 Você vai ficar nos Miller ou prefere que eu te acompanhe até em casa? 一 Ele perguntou educado, mas constrangido.

Ainda tínhamos muito a descobrir sobre o outro antes de nos desprendermos de toda essa educação um com o outro. Ainda sentia medo de sermos mal interpretados. Até entendia Ben, Chris é meu namorado, ou era, sei lá, a questão é que os dois são melhores amigos e ninguém quer boatos maldosos sobre minha relação com Ben, afinal. Éramos amigos, mas isso era meio difícil de entrar na cabeça das pessoas.

一 Vou ficar na Cats. Tudo que eu não preciso é uma noite na casa de minha mãe. 一 Falei e, ao falar, trouxe a mente toda a aspereza que vem sempre comigo quando profiro as palavras casa e mãe.

一Ok. Então, são dez e vinte. Sei que é tarde pra uma moça delicada estar na rua, mas estou sem sono. Quer dar uma passeada, srta. Florence?

Ele tinha a o queixo em paralelo com o peito e, por isso, ao me olhar, franzia um pouco a testa. Ele coçava descontraidamente a nuca e, sem querer, desgrenhava o cabelo antes meticulosamente penteado.

一 Amanhã temos aula.一 Respondo.

一 Temos aula todos os dias, mas quando você tem a oportunidade de poder passear com um graduando do terceiro período de direito? Você pode tirar suas dúvidas sobre hm…. Vejamos... Aposentadoria!

Tive que rir, ele disse “ aposentadoria” como se você o maior achado da humanidade. Rimos por alguns segundos e decidi concordar em ir:

一 Tendo em vista que nada me parece tão vantajoso quanto uma consultoria sobre aposentadoria, na escuridão, com um pseudoadvogado, tenho que aceitar. Logo posso precisar, né? O que são sessenta anos? 一 Brinquei.

一 É isso que eu sempre digo, Florence. Vou buscar o carro, está a algumas esquinas daqui, vem comigo.

Fomos caminhando pelas calçadas respingadas da cidade. Chovia fino, mas eu podia ver as gotículas de chuva no cabelo escuro da nuca de Ben que caminhava a alguns centímetros de mim. “ Clichê”, pensei, “ Garota abandonada e deprimida caminha na chuva.”

一 O que? 一 Ele disse.

Mal tinha reparado que minhas últimas divagações tinham saído em voz alta.

一 Não foi nada. Só estava pensando cá com meus botões, como se diz por aí.

O rapaz parou de caminhar pela calçada quase vazia. Em dois segundos, alcancei-o sem ter que acelerar minhas passadas. Ele me olhou com ternura e tirou sua camisa chique.

一 Boa hora pra ficar nu, Brendon. 一 Brinquei para desconversar.

Ele estava com uma camisa branca comum por dentro. Ao terminar de desabotoar e ao girar, num golpe rápido, a camisa para fora dos ombros, ele me chamou.

一 Vem aqui, vem! Tá ficando gelado aqui fora, o carro está a uns cinco minutos daqui e não quero ser culpado por mais um desastre. 一 Ele envolveu sua camisa em meus ombros. Não era muito grossa, mas me protegia da chuva. 一 E olha só, da próxima vez que ouvir você dizendo que está sozinha ou abandonada, você vai se ver comigo. Você não está só, Izabelle! Ninguém está sozinho nesse mundo! Toda vez que você se sentir sozinha, eu terei fracassado. Nós estamos juntos nessa. Somos uma dupla, certo?

Afirmei com a cabeça e segurei o choro. Ben depositou um beijo na minha testa. Naquele momento, ele foi o irmão que eu nunca tive. Tudo seria mais fácil se ele fosse Joshua… Sua boca era quente, inocente e suave. Uma lágrima solitária deslizou em meu rosto e se misturou com a chuva que naquele momento já era mais espessa.

Quatro meninas passaram e começaram a gritar histéricas nos tirando de toda aquela nuvem de paz: “Que Fofos!”, “Querida, se você não pegar, eu pego!” ,“ Você viu aquelas costas? Meu Deus!” ”Vou voltar lá e beliscar aquele bumbum lindo!”.

Ben começou a falar várias coisas engraçadas. Nunca tinha o visto assim. Era impossível haver alguém no mundo mais constrangido. Sua voz se alterava e tornava comicamente mais aguda. Ele era um pedaço de humano inteiramente pasmo e rubro.

一 Pessoas entendem tudo errado. Obrigada por estar aqui comigo. 一 Eu disse e ele sorriu.

一 À suas ordens, Florence.

Ele me abraçou. As meninas urravam e suspiravam. Fico imaginando o que elas fariam para estar no meu lugar enquanto eu tinha Ben somente como um amigo e sei que ele não queria e nem imaginava ser mais que isso também. Afundei o rosto em seu peito. Ao suspirar, senti o cheiro do conforto e do consolo de ontem a noite. Ben cheirava a ternura pura. Minhas pernas enfraqueciam. Queria gritar. Minha voz havia sumido. Angústia era tudo o que conseguia sentir. Meus pulmões era torcidos por mãos invisíveis.

一 Sofro porque ele não quis estar aqui, Ben. Não posso entender. 一 Eu disse, me afastando.

Meu rosto estava contorcido. Aposto que eu estava irreconhecível. Mal podíamos ouvir as meninas histéricas que se encontravam cada vez mais distantes. Ben ajeitou sua blusa em mim e sorriu compadecido. Droga! Não queria sua compaixão. Ele olhou para mim e fez a mesma coisa que ele tem feito há dois dias: tentou fazer com eu ficasse bem.

一 Ei, shiu! Se você não parar, sem queijo pra você! E outra: temos um passeio para fazer. Não me enrole. Estou sem sono e não vou ficar rolando na cama até três da manhã no tédio.

Novamente fui beijada no topo da cabeça. O rapaz envolveu seu braço direito no meu ombro e me convidou a seguir caminho. Nem um passo a mais ou a menos, caminhávamos juntos. A chuva apertou rigorosamente.

Benjie havia puxado a sua camisa dos meus ombros e a segurava sobre nossas cabeças como um falho guarda-chuva que já quase nada tinha da elegância social de horas atrás. Passamos velozmente e risonhos pelas garotas foguentas que acediaram Ben. Elas davam “urras” e assobiavam, mas ele não pareceu ligar muito desta vez. Estávamos nos divertindo. Tudo estava bem.

一 Voilá, o carro.一 Meu amigo anunciou.

A caminhada estava tão divertida que eu poderia continuar assim por muito mais tempo. Entramos no carro. Estávamos ensopados. Começava a perceber minha roupa começava esfriando. Coloquei a camisa molhada na parte de trás do carro. Olhei para Ben que me encarava e sorrimos.

一 O senhor está muito elegante, senhor Brendon. 一 Afirmei forçando o sotaque francês do garçom do Orange Boutique.

O rapaz ligou o carro e seguimos até a garagem do Bushwell.

Notas finais
Nossa, gente, quanta fofurinha ... Claramente eu seria uma dessas meninas gritando na rua sem ter a mínima ideia do que tá acontecendo. Sem contar que adoro cenas de chuva. Bel parece estar melhor, né? Esta noite está fazendo bem a ela! Quero saber o que vocês acharam. E aos meus fantasminhas tímidos, podem falar comigo por MP também. Sou legal e quero conhecer vocês. Divulguem, releiam, amem essa história junto comigo. kkk Em duas horas, posto mais um capítulo. O próximo está cheio de revelações. A gente vai poder entender mais sobre a história da Iz e a relação dela com Chris, Cats e Ben. Até mais, meus leitores lindos. Beijo da tia. ♥